APAA
Mercúrio
Vénus
Marte
Júpiter
Saturno
Urano e Neptuno
Software
Links
Seja bem-vindo ao site de observação planetária da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores
 

Campanha de Observação "Marte 2003"

A oposição Marciana de 2003 foi um dos eventos mais importantes nos últimos anos para a astronomia planetária amadora. Por todo o mundo foi noticiada a efeméride realizando-se várias sessões de observação, onde inúmeras pessoas tiveram a oportunidade de conviver com a astronomia e espreitar o planeta vermelho ao telescópio. Mas não menos importante, por todo o mundo conduziu-se uma campanha observacional de tal sucesso em qualidade e quantidade que não há memória, muito menos registos. Desde Maio até Agosto poucos foram os dias, ou melhor, as noites, em que não se registaram os albedos e os fenómenos atmosféricos marcianos, principalmente recorrendo à fotografia, (obviamente que a Internet e a Webcam são as principais responsáveis por esta escala de participações). 

Pode-se afirmar que algumas imagens, realizadas em latitudes onde o planeta se encontrava mais alto, serão das melhores imagens de Marte obtidas apartir da Terra até ao presente. A A.P.A.A. promoveu também uma campanha observacional dedicada a Marte para amadores em território luso e os resultados ultrapassaram tudo o que era esperado. Mais seria impossível, em participação e qualidade, tendo em atenção as condições do planeta no nosso pais e o equipamento usado pela maioria dos amadores.

 

Resultados

Contamos com as contribuições de 16 astrofotógrafos e reunimos um total de quase 110 observações de Marte, entre os meses de Março e Setembro. Diga-se que estas observações são na sua grande maioria de boa qualidade e permitem-nos seguir a evolução do aspecto do planeta ao longo do tempo.

Estas imagens serviram para efectuar mapas mensais de albedos marcianos e mapas polares da calote Sul, evidenciando o seu  recuo. Este fenómeno, devido à sublimação do gelo seco marciano e também a alguma evaporação de agua, leva a um aumento da atmosfera marciana, potenciando alguns fenómenos interessantes de seguir em Marte, como foram as duas tempestades de areia de dimensão regional que evoluíram no mês de Junho (a primeira na região de Hellas e a segunda em Chryse).

Em 2001, uma grande tempestade cobriu o planeta e não deixou grande margem de manobra para observações. Este ano poderá acontecer o mesmo, pelo que à medida que o planeta se aproxima do Sol aumentam as possibilidades deste fenómeno ocorrer. Durante a oposição de 2003 não ocorreu nenhuma tempestade global. No mês de Julho ocorreu uma tempestade de areia na área de Hellas, que infelizmente não pode ser seguida a partir de Portugal, por se encontrar no hemisfério não visível do nosso pais nesse momento. Actualmente a tempestade parou, mas esta região do planeta merece sempre uma observação cuidada.

No entanto, é notória a existência de poeiras em suspensão na atmosfera do planeta. Entre Junho e Julho foi bem notório o seu aumento, verificando-se uma perda progressiva do contraste das marcas de albedo. Após a oposição são as nuvens azuladas que começam a marcar presença, bem visíveis sobre o a calote polar norte e ao longo do limbo do planeta.

Cartografia Mensal da Superfície Marciana

Estes mapas foram produzidos com recurso ao software Mapos e processadas no Photoshop, reunindo imagens dos diversos observadores que têm contribuído com as suas observações.

 

Constata-se que em Junho e Julho são já visíveis pequenos pormenores na superfície marciana, bem como alguns detalhes na zona polar. As principais marcas de albedo, que já tinham sido registadas em Maio, apresentam agora contornos mais definidos.

De entre estas "marcas", a mais proeminente (a primeira a ser observada, em 1659 ) dá pelo nome de Sytis Majoris e apresenta a forma de um  "V" (à esquerda nos mapas, encontrando-se o vértice do "V" voltado para cima). Uma observação cuidada revelará outras estruturas durante os momentos de melhor estabilidade atmosférica.

Em termos gerais, podemos definir dois hemisférios marcianos: o lado "aborrecido", em que o planeta apresenta um aspecto homogéneo, correspondendo à região de Tharsis, e o lado "interessante", em que temos concentradas as principais estruturas (Hellas, Syrtis Majoris, Mare Acidalium, Aurorea Sinus, etc.).

 

O mapa de Agosto, por ter sido criado com base num maior número de imagens de  disponíveis, algumas de grande qualidade, revela imensos pormenores. É também mais perfeito na localização dos albedos, notando-se menos as uniões entre as imagens originais. Fica aqui também uma chamada de atenção para as nuvens azuladas presentes ao longo do limite norte da região cartografada do planeta (limite visível da calote polar norte.

 

 

Foi elaborado outro tipo de mapa, de coordenadas polares, onde é bastante evidente a diminuição de tamanho da calote polar Sul.

 

Animação representativa da diminuição da calote Polar Sul

 

Em Setembro Marte vai diminuir o seu tamanho aparente rapidamente, mas irá continuar observável pelo menos até Outubro. Pelo que mais observações são bem vindas, e fazem falta, pois uma tempestade global de grande escala, como já se referiu, não está posta de parte.

 

A Sec. Planetária agradece a todos os observadores que contribuíram para o projecto de Marte 2003, sem os quais os resultados apresentados não seriam possíveis:

António Cidadão, Fernando Delgado, J. C. Diniz, João Calhau, Jorge  Canelhas, Juan Gonçalves, Miguel Claro, Nelson  Viegas, Paulo Casquinha, Paulo Coelho, Paulo de Almeida, Paulo Ferreira, Pedro Melo, Pedro Ré, Rafael Pacheco, Ricardo Nunes.

 

A secção de Marte encerra o programa de observação marciana, nesta inigualável aparição de 2003, esperemos agora por 2005 !

 

Artigo em formato pdf, sobre os resultados de Marte 2003. (2003-09-15)

 

© APAA - design de Ricardo Nunes, manutenção de Paulo Coelho