Em 1 hora com custo quase zero uma luneta de viagem à prova
de esposas pouco dadas à astronomia
Penso que a todos acontece, num fim de semana prolongado ou mini-férias
a local desconhecido, não levarmos o nosso material e disso nos
arrependermos quando verificamos que teria valido a pena.
A ver por mim, as mais vulgares razões para isto são:
Terei lá algumas condições?
O carro já vai cheio, vou agora c/ mais tralha que, provavelmente,
só servirá para andar c/ ela às costas;
Eu vou é para descansar
A minha mulher matava-me se eu levasse esta tralha toda.
Mas, normalmente, não nos esquecemos nem temos problemas em levar
o nosso saco com o nosso equipamento fotográfico -o que agrada
a toda a gente.
Quase todos teremos uma "reflex de 35mm" , 2 ou 3 objectivas
e, até, é hoje normal ter na máquina um zoom 35-75
ou mais amplo e mais uma 85/250 ou coisa parecida
Ora bem, do que desta vez venho falar é da maneira simples, barata,
cómoda e "sem riscos" como resolvi o problema. (Não
significa isto que outras vezes não leve o meu equipamento mais
leve).
Ao meu saco de material fotográfico acrescentei um pequeno (quando
fechado) tripé, leve mas estável com rótula de
total mobilidade, 2 oculares e 2 acessórios simples de construir
e de que falarei mais à frente. Desse saco já fazia parte
um zoom 100-300 e um duplicador de focal.
Assim, se o céu merece e o sítio é propício,
além das fotos de família de que todos gostam e da paisagem
também posso fazer observações.
Então...mas onde está o telescópio?...no saco
Como o meu zoom não tem rosca para tripé, com um pedaço
de tubo de pvc onde o zoom entra justo e que forrei interiormente com
autocolante (imitação veludo) com um parafuso na vertical
que faz o ajuste final e uma rosca aberta no próprio tubo, este
á enroscado no parafuso da rótula do tripé de forma
estável. O tal zoom com 100-300 de focal e f/d 5,6 fica (usando
o duplicador) cerca de f/d 11 (200-600) .
A óptica é boa para fotografia. Só faltava fazer
dele uma luneta.
Então, com uma tampa posterior de plástico bastante forte
(que, obviamente, tem a baioneta do corpo da máquina e que se
aplica solidamente na baioneta da objectiva) e com um tubo solidamente
fixado num buraco aberto nesta tampa e um pequeno parafuso lateral ficou
feito um porta oculares e... a minha luneta de viagem que, ainda por
cima é pequenina, leve, de focal variável e que tem integrado
o seu próprio buscador, bastando para isso "buscar"
com uma ocular mais longa e/ou na focal mais curta e depois é
só "esticar" a focal e/ou trocar a ocular por uma mais
curta.
Pese embora o facto de uma objectiva, feita para fotografia dentro de
parâmetros normais embora elevados, não ser feita para
ver o céu (o que se altera para os felizes possuidores das objectivas
das grandes marcas com excelentes ópticas, inclusive de fluorite)
e a aberração cromática poder ser importante, parece
que vale a pena pelas características práticas de que
se reveste e chega para "ver muita coisa" garanto-vos eu por
experiência própria.
E...já agora por que não uma montagem equatorial para
ela com as mesmas características práticas?
Se sobre a rótula do tripé, na rosca para a máquina,
fixarmos, em vez da objectiva feita luneta uma 2ª. Rótula
ou melhor, uma cabeça panorâmica para cinema (de amador
e leve, claro) e inclinarmos a 1ª cabeça, a que está
no tripé, com um ângulo aproximado à latitude e
apontarmos o parafuso para a polar de modo a que a plataforma da rótula
(a 1ª) fique tão aproximadamente quanto possível
paralela ao arco descrito pelo equador celeste, então o movimento
horizontal da 2ª rótula ou cabeça panorâmica,
onde fixamos a luneta, deixa de ser horizontal e passa a seguir os objectos
que estamos a observar e teremos luneta sobre montagem equatorial e...
boas observações.