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As imagens e o texto que se seguem
apresentam-se tal e qual estão, na revista Nº 27 da APAA
Os astrónomos amadores têm hoje em dia
ao seu dispor equipamento, software e informação que lhes permite
alcançar um leque cada vez mais vasto de alvos de interesse, que poderão
fugir um pouco ao habitual, como é o caso dos planetas, lua, sol, céu
profundo etc… abrangendo também e porque não, os satélites artificiais,
como é o caso da nossa ISS (Estação Espacial Internacional). Se
procuramos sinais de vida vindos de outros sistemas solares algures no
nosso Universo, porque não procurar observar um objecto que se encontra
a centenas de quilómetros da terra e onde habitam colegas nossos humanos
em total isolamento.
Para realizar este tipo de imagens não
é imperativo ter um telescópio topo de gama, pois o pequeno Meade ETX90
tem provado que é possível observar-se a estrutura da ISS com um
telescópio de apenas 90 mm de diâmetro, equipado com uma WebCam Philips
TouCam Pro.
Para começar, devemos aceder ao site
http://www.heavens-above.com,
escolhermos o nosso local de observação e entrarmos na página da ISS
onde teremos a possibilidade de retirar a informação sobre as próximas
passagens favoráveis ao local de observação onde nos encontramos.
Devemos seleccionar os dias em que a ISS se apresenta com um brilho
intenso pois é sinal que estará mais perto de nós no momento em que
atingir a máxima altitude. Após visitar-mos o site, com a ajuda de uma
bússola e um pouco antes da hora prevista para a passagem, localizamos o
azimute e a altitude onde a ISS irá aparecer , atingir a máxima altitude
e entrar novamente na sombra. ( estes dados também poderão ser retirados
do site Heavens-Above).
Depois disto vamos então preparar o
telescópio, não esquecendo nunca, que o buscador tem que estar muito bem
alinhado. O telescópio deverá estar destravado em relação aos eixos de
declinação e Ascensão Recta, para que possa ser movido manualmente afim
de possibilitar o seguimento da ISS. É agora hora de preparar a focagem
do telescópio que deverá ser feita já com a TouCam Pro inserida no
porta-oculares e através do monitor do PC, servindo-nos para isso de
qualquer estrela brilhante que se encontre no céu na altura da
observação. No momento da focagem deverão usar o modo manual da câmara
tentando ajustar o melhor possível os parâmetros da WebCam. Na minha
opinião na captura deste tipo de objectos a câmara deverá sempre fazer o
registo a 30 frames por segundo, para aumentar as hipóteses de se
conseguir registar pelo menos um frame com uma imagem relativamente
nítida e sem arrastamento, pois o seguimento será o mais complicado, uma
vez que será feito manualmente e dependerá da sorte, experiência e
perícia de cada um…
A WebCam deverá estar preparada para
fazer a gravação de um AVI de pelo menos 1800 a 2000 frames….para isso é
necessário alterar as predefinições da câmara afim de aumentar o tempo
de gravação do AVI, para que esta não se desligue automaticamente ao fim
de poucos segundos…eu já experimentei esse dissabor e não é nada
animador….quando tudo corre bem, mas o AVI terminou antes da hora.
Depois de estar tudo preparado apenas nos resta
esperar pacientemente que a ISS rasgue os céus portugueses. Assim que a
vislumbrar a 10º de Altitude ou um pouco mais alto, coloque de imediato
a Web Cam a gravar um AVI que será certamente grande, e prepare-se para
o seguimento mantendo-a de preferência no centro do buscador, o máximo
de tempo possível!!!
Após a adernalina da passagem ter
terminado é hora de ver o resultado…será que conseguimos captar alguma
imagem? Será que o AVI não se desligou antes da hora? Será que não tremi
demasiado…ou que não mantive a ISS mesmo no centro do buscador, e por
conseguinte não aparecerá no AVI?.....são tudo questões que colocamos a
nós próprios e riscos que corremos…mas o resultado ao fim de algumas
tentativas poderá ser bastante compensador…pois basta um frame bom e já
está!!!
A fase seguinte será passar “a pente
fino” todos os frames, observando com muita atenção os que registaram a
ISS, pois poderemos ter a sorte de conseguirmos vir a aproveitar uma, ou
mais imagens.
Finalmente, após a escolha e
processamento das imagens vem a fase da compreensão das mesmas que por
vezes pode ser de difícil interpretação devido à posição que a ISS
apresenta no momento da passagem. Para tal aconselho-vos a consultaram
os bancos de imagens da ISS através do site da NASA ou até do Google.
Existem também simuladores 3D que permitem a introdução dos dados
orbitais reproduzindo imagens 3D da estrutura da ISS, permitindo uma
comparação perfeita com as nossas imagens….devo dizer no entanto que
colocar estes simuladores a funcionar não é muito simples e poderá não
funcionar em todos os pc´s. De qualquer das formas segue o link onde
poderão obter este software: ( ISS VRML Simulator )
http://www.zen32156.zen.co.uk/ISSSim.htm
Muitos dos leitores poderão estar a
esta hora a perguntar-se… e não será possível seguir a ISS utilizando os
motores do ETX90 e o próprio Autostar fazendo o seguimento de forma
automática?….a minha resposta é Sim! É possível sim senhor, no entanto é
necessário ter o Autostar actualizadíssimo, a montagem do telescópio
alinhada em estação, mesmo que seja de modo azimutal…e é necessário dar
ordem ao Autostar para seguir a ISS no momento exacto em que ela passa
no centro do buscador….caso isto falhe, então a oportunidade de a
fotografar fica de imediato posta de parte, pelo menos por essa noite,
pois é muito difícil fazer ajustes nos motores quando eles estão em modo
automático….enquanto que se for de forma manual….sempre podemos tentar
realinhá-la no centro do buscador. Seja como for, aconselho-vos a
experimentar…como tenho uma página totalmente dedicada à preparação do
Autostar para o seguimento da mesma e porque este assunto quase que
daria outro artigo…deixo-vos aqui o link onde podem esclarecer quaisquer
dúvidas:
http://astrosurf.com/astroarte/autostar_e_iss.htm
Para terminar o equipamento usado nas
imagens deste artigo foi um telescópio ETX90ec, com uma Web Cam Philips
T. Cam Pro. O software foi o Qc Focus, para a captura, o Registax para o
processamento e o Corel Photo-paint 11 para o tratamento final.
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