Manual Não Autorizado do ETX

 

 

Apresentação

O ETX90 é provavelmente um dos telescópios vendidos no mundo, e talvez um dos mais incompreendidos. É um telescópio extremamente portável, oferece uma qualidade óptica muito boa e é particularmente excelente na observação da Lua, do Sol (com filtro apropriado), e dos planetas gasosos Saturno e Júpiter. Também tem bastante utilidade na observação de estrelas duplas, estrelas variáveis e enxames abertos. No que diz respeito a galáxias, nebulosas planetárias e nebulosas difusas a sua performance é um pouco limitada devido à sua pequena abertura.
È preciso não esquecer que se trata de um telescópio com 90mm de abertura, e não há milagres, mas proporciona imagens de muita qualidade para a abertura e o preço.

Existem duas versões deste telescópio disponíveis: O ETX90 RA, que foi lançado em 1996 e que apenas possuia um motor de Ascenção Recta, e incluia três pés para o montar em modo equatorial numa mesa. O ETX90 EC começou a ser comercializado em 1998 e dispôe de 2 motores e um comando de mão simples, que permite controlar o telescópio nos dois eixos com 4 velocidades diferentes , tanto em modo alt-azimutal, como em modo equatorial, podendo ser adquirido opcionalmente o computador controlador Autostar, que substítui o comando standard, e permite dar a capacidade de GOTO (ir para). Os pés de mesa nesta versão também são opcionais. As ópticas e ocular de 26mm fornecidas são idênticas.

Ao contrário do que habitualmente se acredita, o ETX apesar do seu tamanho não é para iniciantes, um reflector (newtoniano) de preço equivalente e com maior abertura (por exemplo de 20 cm ) e mais simples de utilizar, mostrará sempre mais, mas no entanto não necessariamente melhor. A utilização de um telescópio de pequena abertura (ETX ou outros) é sempre mais difícil, pois necessitam de maior experiência da parte do seu utilizador para se conseguir observar detalhes que não são imediatamente óbvios a quem está a começar a conhecer os céus. Por outro lado, um instrumento de maior abertura torna a busca e observação de objectos de espaço profundo bastante mais fácil para quem está a iniciar, pois são bastante mais evidentes (mais brilhantes). Na minha opinião, para o mesmo custo prefiro a maior qualidade óptica num instrumento de menor abertura do que menor qualidade óptica e maior abertura. Para além da abertura , a experiência do observador é muito importante. É usual para a mesma qualidade óptica um observador experiente conseguir ver num telescópio de 15cm mais detalhes do que um observador com menos experiência e um telescópio 25cm. Como já li por aí na Net, "uma panela maior não faz um cozinheiro melhor", mas ajuda....

Este pequeno guia tem como objectivo dar conselhos práticos para uma efectiva utilização deste telescópio. O ETX não é um brinquedo, trata-se realmente de um verdadeiro telescópio robótico com capacidade GOTO com o qual apenas se poderia sonhar hà alguns anos atrás. Ora é neste ponto que se calhar alguns podem torcer o nariz, pois na realidade é na parte róbotica que surgem a maior parte dos problemas. A parte dos motores foi a meu ver um bocado descurada, tem demasiadas peças em plástico o que torna a montagem bastante sujeita a folgas e deslizamentos e às vezes até a quebrar. A base também é de plástico o que torna um bocado flexível na fixação ao tripé, não ajudando muito à solidez . Isto tudo junto resulta num telescópio um pouco barulhento, (provavelmente mais barulhento que os seus primos LX maiores), mas julgo que não dá para acordar o vizinho se tiver a janela fechada :).

Todos estes problemas podem ser amenizados e alguns até resolvidos de uma ou de outra forma, o que geralmente implica em gastar mais dinheiro :( ). Este manual é baseado na experiência pessoal e principalmente na experiência das centenas de utilizadores do ETX que escrevem problemas e soluções relacionados no site de Mike Weasner em http://www.weasner.com, sem o qual haveria de certeza muita gente enrascada (eu incluído) por esse mundo fora.

Características gerais

Telescópio tipo Maksutov-Cassegrain (Mak para os amigos) de 90mm de abertura livre (diâmetro do espelho primário) e 1250 mm de comprimento focal tendo o um rácio de f/13.8. O tubo é de alumínio pesando cerca de 3.5 Kg. A sua montagem é do tipo "garfo" (fork) em plástico ABS reforçado com alumínio, adicionando mais 2 quilogramas ao total.
Para além das lentes e espelhos tem adicionalmente uma diagonal interna móvel que desvia a imagem para o porta-oculares ou então para o orifício no fundo do tubo óptico. Todos os espelhos e lentes têm o tratamento SMC "Super Multi-Coatings" que de resto são as que são aplicadas na série LX.

A montagem é praticamente toda feita de plástico, desde os braços até à base o que não abona nada em favor da rigidez, sendo um pouco flexível e para o tamanho é muito barulhenta. No seu interior é constituída por um placa de integrados e motores que fazem girar as diversas rodas dentadas e veios sendo algumas feitas em bronze e outras em plástico.
Na base está localizado o painel de controlo onde se situa a ficha de alimentação de 12 volts (4) e o botão de ligar/desligar com o respectivo LED (1 e 5). O comando de mão ou o Autostar liga na ficha RJ-45 com a denominação HBX (3), restando duas portas auxiliares (2) com o nome AUX onde só se pode ligar até ao momento o focador electrico opcional (Motofocus #1244).