Manual Não Autorizado do ETX

 

Utilizando o ETX tal como sai da caixa...

O ETX vem embalado numa caixa bastante colorida, cheia de fotos de imagens que nunca poderão ser vistas, especialmente concebida para iludir compradores casuais J - pelo menos não diz que aumenta 600x!. A caixa de cartão embora seja inconveniente de transportar, protege eficazmente o telescópio mesmo havendo transportes frequentes ( o meu viveu 6 meses com essa caixa). Lá dentro vêm devidamente acondicionados o telescópio (tubo óptico e montagem), uma ocular de 26mm, um comando de mão remoto e duas chaves de fenda hexagonais. O apontador vem embalado separadamente.

Antes de tudo é necessário comprar 8 (oito) pilhas de preferência alcalinas de 1.5V e do tamanho AA que se colocam na base para alimentar os motores eléctricos, obrigatório pois nem sequer existe alternativa de comando manual. Os furos 1 e 3 são os pontos onde se atarracham as pernas opcionais ou então o tripé de campo.

Depois de inserir as pilhas, colocá-lo numa base sólida, inserir a ocular, inserir a ficha do comando de mão e montar o buscador. É aconselhável entretanto ligá-lo e experimentar os motores. È necessário também apertar o fixador de declinação que está localizado no braço direito e o fixador de ascenção que está localizado na base. Não é necessário apertar muito, apenas o suficiente para que haja tracção. É habitual apertarem demasiado, principalmente quando alguns ETX por excesso de massa nas superfícies dos fixadores têm a tendência para "escorregar". Tal deve ser resolvido de outra maneira, que passa pela a limpeza dessas superfícies, que será objecto de um anexo a este manual.

Alinhar o buscador

O primeiro passo a executar é o alinhamento do buscador com o tubo óptico. O buscador é fixo e alinhado com 6 parafusos e para dizer a verdade acho que até é um bocado trabalhoso colocá-lo no sítio.
Nas primeiras vezes, é conveniente que este passo seja executado durante o dia, e que o alvo esteja pelo menos a mais de 150-200 metros, quanto mais longe melhor.(eu costumo usar o topo de um poste de alta-tensão), devendo ser posteriormente afinado em estrelas. Com o transporte do telescópio de um lado para o outro, é possível que o buscador fique um pouco desalinhado, mas não é absolutamente necessário que fique perfeitamente alinhado com o centro do retículo (cruz), aliás até é preferível que seja um bocado ao lado para não "tapar" a estrela/objecto que estamos a querer apontar,(as linhas do retículo são algo grossas). Apertar os parafusos firmemente, de modo a que não haja folgas e que fique no sítio, e não se ralem com as arranhadelas que os parafusos provocam, porque infelizmente são inevitáveis. A focagem do apontador standard também é um pouco chatinho, pois é feita com dois anéis que se apertam um contra o outro na parte da frente, deve-se tentar focar para o infinito. O buscador de 90 graus opcional é montado e ajustado de forma semelhante, mas a focagem é feita muito mais convenientemente rodando um anel na ocular.

Passos a executar para alinhamento do buscador:

  1. Colocar o ETX numa base sólida, por exemplo o beiral da janela ou então no tripé.
  2. Apontar o tubo óptico para algum objecto a 150 ou 200 metros, quanto mais distante melhor, centrando a imagem o melhor possível
  3. Com algum cuidado para o telescópio não se mexer ir apertando ou desapertando os parafusos do apontador até o objecto ficar centrado e bem fixo.

Depois de alinhado o buscador já é possível apontar manualmente o telescópio para qualquer objecto que deseje observar - diurno ou nocturno . É aconselhável primeiro treinar um bom bocado a apontar e observar objectos durante o dia.

AVISO MUITO IMPORTANTE - NUNCA, MAS NUNCA APONTAR PARA O SOL, nem sequer olhar através do apontador, pode causar danos irreversíveis ao olho, tais como cegueira total.

Para quem nunca utilizou telescópios, uma das maiores dificuldades que virá a ter será apontar o telescópio para qualquer coisa, o campo real proporcionado pelo ETX90 com a ocular de 26mm (ou por outras palavras a área que realmente estamos a observar) é de 1 grau, que comparado com o campo de visão dos nossos dois olhos que é cerca de 140 graus é bastante diminuto. Daí a grande importância do apontador, que no caso do ETX tem um campo real de cerca de 6 graus, que pode não parecer muito, mas serve de grande ajuda.
Ao contrário dos binóculos e algums telescópios refractores, a imagem não é direita*. O ETX90 mostra a imagem invertida da esquerda para a direita (ou vice-versa), o que torna a sua utilização diurna algo confusa, pois viramos o tubo para a esquerda e a imagem vai para direita. Para uma utilização diurna existe um acessório chamado adaptador de 45 graus, que se enrosca atrás do tubo óptico que corrige a imagem, mas só se deve utilizar para observação diurna, pois não permite que o tubo óptico se possa inclinar mais de 60 graus, limitando assim bastante a sua utilização para a observação astronómica.

*A razão da imagem dos telescópios ser invertida tem a ver com o design do sistema óptico. É prática corrente os telescópios não corrigirem a orientação da imagem, pois seria necessário adicionar prismas ou diagonais no caminho da luz, é que quantos menos elementos ópticos houver, menor será a perda de transmissão de luz. A orientação da imagem tem pouca relevância na observação astronómica, com a possível excepção da Lua - é preferivel uma imagem com mais brilho e contraste de pernas para o ar, do que uma imagem direita com menos brilho e contraste.

Conhecer melhor o controlador eléctrico

O controlador electrico fornecido é bastante básico tendo as teclas de cursor cima/baixo e esquerda/direita, as teclas de focagem que só funcionam quando o focador electrico opcional está montado.

A tecla "speed" (velocidade) - permite seleccionar a velocidade dos movimentos do cursor e também da velocidade de focagem quando se tem também montado focador electrico opcional. Do LED mais acima para o mais abaixo temos as seguintes velocidades:

  • LED 1 = 1200 x sidereal (300 arc-min/seg ou 5°/seg)
  • LED 2 = 180 x sidereal (45 arc-min/seg ou 0.75°/seg)
  • LED 3 = 32 x sidereal (8 arc-min/seg ou 0.13°/seg)
  • LED 4 = 8 x sidereal (2 arc-min/seg ou 0.034°/seg)

A tecla "mode" é para ser utilizada quando ETX está a ser utilizado em modo polar, tema que será tratado mais à frente.

A primeira observação

O primeiro objecto astronómico que geralmente é observado é invariávelmente a Lua. È grande, brilhante e fácil de encontrar. É também é precisamente um dos melhores objectos que se pode observar como ETX. A ocular de 26mm enquadra especialmente bem os seus cerca de 30 arcminutos (meio grau), permitindo ver a totalidade do disco (se visível), as crateras, as montanhas, os vales etc... È um momento inesquecível....

 


Esta será a imagem que observará quando apontar o ETX com a ocular de 26mm. Esta fotografia não faz nenhuma justiça à imagem que o ETX proporciona...

Outros objectos relativamente fáceis de encontrar serão por exemplo a Galáxia de Andrómeda (M31), a Grande Nebulosa de Orion (M42) e os gigantes gasosos Júpiter e Saturno, isto é, se na altura se encontrarem visíveis.

ETX - Toda a verdade...

O ETX90 utilizado assim neste modo mais básico torna-se demasiado limitado e até demasiado incómodo de usar. Para quem não tem experiência a apontar telescópios, até apontar para a Lua se torna num verdadeiro desafio à paciência e cedo descobre que os alvos se "mexem" sendo necessário estar sempre a corrigir. O apontador simplesmente é inadequado para observação astronómica, sendo praticamente impossível de utilizar quando o tubo se encontra enclinado mais de 45°, o que limita em muito a localização de objectos acima dessa inclinação. A ocular que vem fornecida apesar de ter boa qualidade não é suficiente para observar com mais pormenor por exemplo as crateras ou vales lunares, sendo necessário mais amplificação.
Apesar de tudo, com algumas adições pode-se tornar o ETX utilizável e de longe muito mais prático e confortável de utilizar, que será o tema do próximo capítulo...