A viagem
A preparação de uma expedição
com tantas pessoas e material envolvido requereu um cuidadoso
planeamento que consistiu em como colocar o equipamento
e as pessoas numa ilha no meio do Atlântico o mais
seguro e barato possível e claro de preferência
todos ao meu tempo :).
Devido ao elevado peso do material que consistia em algumas
centenas de quilogramas de telescópios, montagens,
oculares, roupa, livros, computadores, mesas e bancos, decidiu-se
optar pela via marítima através do despacho
de uma carrinha com todo o equipamento lá dentro.
Isso obrigou a uma primeira e a última etapas, de
levar e trazer a carrinha do porto de Cádiz, que
dista quase 600 km de Lisboa, com a duração
de cerca de 6 horas.
Estas primeiras etapas foram voluntariamente executas pelos
Rui Tripa, Alfonso e Alberto e no retorno por Alberto, Zé
Ribeiro e Rui Tripa.
Tudo correu na perfeição e como previsto,
só havendo um precalço no que diz respeito
à alfândega que obriga a uma caução
sobre o valor (elevado) da carga da carrinha, que foi resolvido
com a preciosa ajuda do presidente da Associação
de Astrónomos Amadores de La Palma, Toño Gonzalez,
que intercedendo por nós conseguiu com que a carga fosse
considerada material científico, logo isento de
taxas.
O equipamento já estava à nossa espera quando
a maior parte de nós chegou à ilha de La
Palma, sendo possível recuperar alguns dias utéis.
Partimos todos de Lisboa, tendo alguns embarcado em Sta.
Apolónia e os restantes da Gare do Oriente no comboio-cama
internacional para Madrid, viagem que durou toda a noite.
Como é natural, todos nós estávamos
excitados e felizes pelo o começo desta nossa expedição,
ficando numa conversa animada e bem regada onde até
se ouviram cantorias até depois do bar do combóio
ter fechado a "tasca". Depois lá decidimos
recolhermos e tentar dormir um pouco, coisa que provavelmente
ninguém deve ter conseguido, apesar de ainda estarem
à nossa frente muitas horas de viagem. Lembro-me
de acordar no momento do nascer do Sol, já tendo
Madrid como horizonte.
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| A sair do comboío em Madrid |
Depois de sairmos do combóio na estação
de Chamartin, apanhamos o Metro até ao aeroporto de
Barajas - em plena hora de ponta! coisa que não
se pode considerar trivial estando nós carregados
de malas de viagem. Mas passada meia hora e algum esforço
lá chegámos nós no aeroporto para
fazer check-in e a fazer uma pausa de 1 hora numa das
áreas de restauração.
Aqui houve a primeira separação do grupo,
indo o Rui e Paula directos para La Palma, e os restantes
em dois aviões diferentes para Tenerife. A viagem
foi interessante tendo sido possível ver a costa
de Àfrica e grande parte das ilhas do arquipélago
das Canárias. O reagrupamento deu-se perto do fim
da tarde, seguindo todos de táxi para o porto de
embarque em Los Cristianos.
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| À espera do ferry |
Quando chegamos à ilha de Tenerife
já estavamos com 20 horas de viagem.
Na foto acima ainda estávamos a recuperar de uma
alucinante viagem de táxi do aeroporto até
ao porto de embarque em Los Cristianos, a uma média
de 160 km/h só com uma mão , devido à
outra estava a segurar o telémovel, numa animada
conversa . Para os taxistas, os traços contínuos
na estrada são meramente decorativos, assim como
os motociclistas...
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O ferry Finalmente chegou o ferry. reparar no tamanho da coisa... |
Este ferry tinha de uma velocidade
máxima de quase 70 km/h, uma autêntica
mota de água com um hotel de 5* em cima. Apesar
do conforto, e de eu e mais alguns terem enjoado na
viagem até correu mais ou menos bem. Em primeiro
plano, Alfonso sempre incansável com o seus inseparáveis
binóculos, a tratar de todos os assuntos do grupo
que envolvessem a língua castelhana, foi o nosso
"problem-solver" em toda viagem - antes, durante
e depois.
Na viagem de volta vim a dormir - bom remédio
para o enjoo. Durante a viagem observaram-se golfinhos
e baleias piloto, e as paisagens abaixo captadas.
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| O Teide ao largo
Mais de 3700 metros de vulcão na ilha de Tenerife |
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| As malvadas da nuvens |
A última etapa foi uma viagem com cerca de duas horas, já nos nossos Seats Cordobas alugados na direcção da parte Norte da ilha onde estavam as nossas três casas de turismo rural. Durante este troço chegamos a parar os carros para apreciar o Céu.
Chegamos então perto da localidade onde encontrámos o Rui Tripa (que já tinha chegado) que entretanto tinha feito um prévio reconhecimento da localização das casas, visto que estavam separadas alguns quilómetros das outras e em lugares de difícil localização, especialmente de noite.
Fomos então todos dormir para ganhar forças para os dias seguintes.
A viagem de retorno começou às 3 das manhã com a última viagem de carro até ao porto de Santa Cruz onde depois de um bom pequeno almoço, embarcamos no ferry das 6:30 para a ilha de Tenerife. Essa viagem passei-a a dormir por isso não posso relatar grande coisa.
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| A chegar ao aeroporto |
Em Tenerife como tivemos um intervalo de algumas horas
entre o ferry e o avião alugamos uma carrinha
para dar uma volta pela a ilha. Visitámos Santa
Cruz, onde pudemos visitar umas lojas para comprar "regalos"
e Puerto de la Cruz onde pudemos apreciar uma vista
mais próxima do vulcão Teide.
Tenerife, ao contrário de La Palma, está
completamente virada para o turismo com todas as consequências
que isso acarreta - contrução desenfreada,
poluição luminosa e um quase permanente
desasossego, pelo menos no litoral.
A viagem de avião também a passei praticamente
a dormir :) só acordando uns minutos antes de
aterramos em Madrid onde já estava à nossa
espera o Rui, a Paula e o Anselmo. Depois de mais umas
viagens de Metro até Chamartin - onde uns ficaram
para jantar em sossego enquanto outros empreenderam
uma corrida de metro até a uma fabulosa loja
de óptica no meio de Madrid, a Óptica
Roma, que gentilmente nos deixou entrar depois da
hora de fecho.
Tomamos então o comboio-cama para Lisboa onde
novamente e apesar do cansaço, estivemos numa
conversa animada e (menos) regada, mas já a recordar
os momentos passados em La Palma. Novamente o "barman"
foi dormir primeiro que nós...
Para mim foi dormir até Lisboa :), tiveram mesmo
que me acordar :) para não falhar a saída
na Gare do Oriente, onde então esperei que me
fossem buscar de volta para Leiria.
A viagem foi longa e cansativa, e andamos em quase todos os meios de transporte conhecidos, exceptuando bicicletas, mas valeu bem pena pela as invulgares recordações e oportunidades únicas.



