La Palma 2003

 

A viagem

A preparação de uma expedição com tantas pessoas e material envolvido requereu um cuidadoso planeamento que consistiu em como colocar o equipamento e as pessoas numa ilha no meio do Atlântico o mais seguro e barato possível e claro de preferência todos ao meu tempo :).

Devido ao elevado peso do material que consistia em algumas centenas de quilogramas de telescópios, montagens, oculares, roupa, livros, computadores, mesas e bancos, decidiu-se optar pela via marítima através do despacho de uma carrinha com todo o equipamento lá dentro. Isso obrigou a uma primeira e a última etapas, de levar e trazer a carrinha do porto de Cádiz, que dista quase 600 km de Lisboa, com a duração de cerca de 6 horas.
Estas primeiras etapas foram voluntariamente executas pelos Rui Tripa, Alfonso e Alberto e no retorno por Alberto, Zé Ribeiro e Rui Tripa.

Tudo correu na perfeição e como previsto, só havendo um precalço no que diz respeito à alfândega que obriga a uma caução sobre o valor (elevado) da carga da carrinha, que foi resolvido com a preciosa ajuda do presidente da Associação de Astrónomos Amadores de La Palma, Toño Gonzalez, que intercedendo por nós conseguiu com que a carga fosse considerada material científico, logo isento de taxas.

O equipamento já estava à nossa espera quando a maior parte de nós chegou à ilha de La Palma, sendo possível recuperar alguns dias utéis.

Partimos todos de Lisboa, tendo alguns embarcado em Sta. Apolónia e os restantes da Gare do Oriente no comboio-cama internacional para Madrid, viagem que durou toda a noite. Como é natural, todos nós estávamos excitados e felizes pelo o começo desta nossa expedição, ficando numa conversa animada e bem regada onde até se ouviram cantorias até depois do bar do combóio ter fechado a "tasca". Depois lá decidimos recolhermos e tentar dormir um pouco, coisa que provavelmente ninguém deve ter conseguido, apesar de ainda estarem à nossa frente muitas horas de viagem. Lembro-me de acordar no momento do nascer do Sol, já tendo Madrid como horizonte.

A sair do comboío em Madrid



Depois de sairmos do combóio na estação de Chamartin, apanhamos o Metro até ao aeroporto de Barajas - em plena hora de ponta! coisa que não se pode considerar trivial estando nós carregados de malas de viagem. Mas passada meia hora e algum esforço lá chegámos nós no aeroporto para fazer check-in e a fazer uma pausa de 1 hora numa das áreas de restauração.

Aqui houve a primeira separação do grupo, indo o Rui e Paula directos para La Palma, e os restantes em dois aviões diferentes para Tenerife. A viagem foi interessante tendo sido possível ver a costa de Àfrica e grande parte das ilhas do arquipélago das Canárias. O reagrupamento deu-se perto do fim da tarde, seguindo todos de táxi para o porto de embarque em Los Cristianos.

À espera do ferry

Quando chegamos à ilha de Tenerife já estavamos com 20 horas de viagem.
Na foto acima ainda estávamos a recuperar de uma alucinante viagem de táxi do aeroporto até ao porto de embarque em Los Cristianos, a uma média de 160 km/h só com uma mão , devido à outra estava a segurar o telémovel, numa animada conversa . Para os taxistas, os traços contínuos na estrada são meramente decorativos, assim como os motociclistas...


O ferry
Finalmente chegou o ferry. reparar no tamanho da coisa...

Este ferry tinha de uma velocidade máxima de quase 70 km/h, uma autêntica mota de água com um hotel de 5* em cima. Apesar do conforto, e de eu e mais alguns terem enjoado na viagem até correu mais ou menos bem. Em primeiro plano, Alfonso sempre incansável com o seus inseparáveis binóculos, a tratar de todos os assuntos do grupo que envolvessem a língua castelhana, foi o nosso "problem-solver" em toda viagem - antes, durante e depois.
Na viagem de volta vim a dormir - bom remédio para o enjoo. Durante a viagem observaram-se golfinhos e baleias piloto, e as paisagens abaixo captadas.

O Teide ao largo
Mais de 3700 metros de vulcão na ilha de Tenerife
Já era de noite quando desembarcámos em Santa Cruz de La Palma, estando à nossa espera Toño Gonzalez, que foi o nosso excelente anfitrião em La Palma, e a quem podemos eternamente agradecer a oportunidade de visitar o Observatório e ter acesso a sítios que normalmente seriam inacessíveis.

As malvadas da nuvens

A última etapa foi uma viagem com cerca de duas horas, já nos nossos Seats Cordobas alugados na direcção da parte Norte da ilha onde estavam as nossas três casas de turismo rural. Durante este troço chegamos a parar os carros para apreciar o Céu.
Chegamos então perto da localidade onde encontrámos o Rui Tripa (que já tinha chegado) que entretanto tinha feito um prévio reconhecimento da localização das casas, visto que estavam separadas alguns quilómetros das outras e em lugares de difícil localização, especialmente de noite.
Fomos então todos dormir para ganhar forças para os dias seguintes.

A viagem de retorno começou às 3 das manhã com a última viagem de carro até ao porto de Santa Cruz onde depois de um bom pequeno almoço, embarcamos no ferry das 6:30 para a ilha de Tenerife. Essa viagem passei-a a dormir por isso não posso relatar grande coisa.

A chegar ao aeroporto

Em Tenerife como tivemos um intervalo de algumas horas entre o ferry e o avião alugamos uma carrinha para dar uma volta pela a ilha. Visitámos Santa Cruz, onde pudemos visitar umas lojas para comprar "regalos" e Puerto de la Cruz onde pudemos apreciar uma vista mais próxima do vulcão Teide.
Tenerife, ao contrário de La Palma, está completamente virada para o turismo com todas as consequências que isso acarreta - contrução desenfreada, poluição luminosa e um quase permanente desasossego, pelo menos no litoral.

A viagem de avião também a passei praticamente a dormir :) só acordando uns minutos antes de aterramos em Madrid onde já estava à nossa espera o Rui, a Paula e o Anselmo. Depois de mais umas viagens de Metro até Chamartin - onde uns ficaram para jantar em sossego enquanto outros empreenderam uma corrida de metro até a uma fabulosa loja de óptica no meio de Madrid, a Óptica Roma, que gentilmente nos deixou entrar depois da hora de fecho.
Tomamos então o comboio-cama para Lisboa onde novamente e apesar do cansaço, estivemos numa conversa animada e (menos) regada, mas já a recordar os momentos passados em La Palma. Novamente o "barman" foi dormir primeiro que nós...
Para mim foi dormir até Lisboa :), tiveram mesmo que me acordar :) para não falhar a saída na Gare do Oriente, onde então esperei que me fossem buscar de volta para Leiria.

A viagem foi longa e cansativa, e andamos em quase todos os meios de transporte conhecidos, exceptuando bicicletas, mas valeu bem pena pela as invulgares recordações e oportunidades únicas.