Oculares

Para uma introdução às oculares ler aqui e também comentário acerca de compras online .

TeleVue Panoptic 19mm www.televue.com 10-12-1999

Especificações:
Peso: 200 grs

Eu gostava (e gosto), muito da ocular de 26mm que veio com um ETX, tem uma campo real bastante bom (1 grau e uns troquitos), uma magnificação jeitosa (48x), e um contraste e brilho bastante satisfatórios. Em resumo uma ocular e confortável para passear nos céus. Mas estava curioso de como seria com oculares Wide-Field (Grande Angular). Depois de muita pesquisa na Internet decidi pela Televue Panoptic de 19mm para me iniciar no mundo das oculares "PREMIUM".

A panoptic 19mm impressiona pela qualidade de construção e robustez. O cuidado da embalagem (com duas tampinhas para cada extremidade) e uma caixa de cartão grosso bastante distinto. A ocular é forrada a borracha, e dispôe de uma guarda em borracha para a que se pode dobrar. A acompanhar, vinha um cupão para a registar (pelos vistos o Al Nagler gosta de saber para onde andam as suas oculares). Tem um peso equivalente à Meade 4000 de 40mm (cerca de 180 grs), mas émais baixa e mais gordinha. O ETX não teve qualquer problema de balanço, nem em se movimentar com este peso.

Esta ocular apresenta um campo aparente de 68 graus (ao invés dos 52 graus das oculares Meade 4000), o que pode parecer pouco teoricamente, mas no telescópio, essa diferença é bastante notável, pois a imagem que vemos, enche quase completamente o olho, sendo necessário "passear com o olho" dentro da ocular para ver os limites da imagem. Fez-me lembrar o tamanho das imagens nos telescópios maiores.O contraste melhorou, as estrelas ficam pontinhos bem definidos, e já se começa a notar melhor os famosos anéis de difracção,e tornou-se mais fácil não ficar perdido à procura dos objectos pretendidos (devido á famosa eficácia GOTO do Autostar).

A primeira observação com esta ocular foram 4 horas(!), vi mais nessa, que nas anteriores todas juntas. Não sei se era por ser uma nova, ou por ainda estar traumatizado com o preço que custou, mas esta ocular realmente adicionou outra dimensão ao pequeno ETX. Perfeita substituta da 26mm!. O campo real de visão é quase igual à da 26mm (cerca de 1 grau), o no ETX tem uma ampliação 66x. Parece não perder qualidade de imagem com a barlow #126 da Meade. Só o Eye Relief (distância do olho à ocular) é um pouco mais curto.

Em resumo: É fácil ficar-se encantado ("agarrado" será mais o termo) com oculares de grande angular deste nível, e vai-se tornando cada vez mais difícil voltar paras as Plossl. Realmente é verdade o que li algures, de que "as oculares são metade do telescópio" e se essa metade for Televue tanto melhor.

Prós:
Contras:

É preciso ser-se um bocado maluco para gastar quase 60 contos (preço final, com portes e alcavalas(tx Import e IVA) em Portugal) numa ocular. Tento justificar a mim próprio de que é um investimento que irá servir para futuros telescópios. Existe uma alternativa a esta ocular - A Meade 4000 SuperWide 18mm, substancialmente mais barata, mas que se encontra á venda em Portugal, esta, comprei-a nos States pois parece que ninguém as vende por cá...

TeleVue Nagler 7mm www.televue.com 14-03-2000

Depois de ter adquirido a Panoptic 19mm, fiquei ainda mais interessado em saber o que seria usar uma ocular de muito grande angular. Como não conheço ninguém com oculares deste tipo, lá tive eu que comprar uma.

A Nagler 7mm proporciona um campo de visão aparente de 82° e um campo de visão verdadeiro de 0,46° (no ETX), a uma magnificação de 179x. A sua construção e aspecto é irrepreensível, tem protecção para o olho, um anel de segurança, e 2 tampinhas a proteger as lentes dos dois extremos. O seu peso e tamanho é semelhante á Plossl de 40mm da série 4000 da Meade (180grs).
Esta foi a segunda ocular "top-quality" que comprei.

Tenho de confessar que apesar de todas características acima referidas, houve uma que não jogou a favor do ETX, a magnificação (179x). Eu sabia que o ETX tem uma magnificação máxima de 165x com condições de visibilidade boas, mas tinha a esperança, que do meu quintal a pudesse utilizar regularmente, mas tal não é verdade, pois, torna-se bastante complicada a focagem, senão impossível. Mas para compensar, temos as notáveis excepções da Lua, Saturno e Júpiter.

Primeiro a Lua - bem...., apenas posso dizer que deve ser o mais parecido com espreitar pela janela de um módulo lunar em órbita da Lua (apenas com um olho fechado ;)). Rodamos literalmente o olho para apreciar a paisagem. A imagem fica nítidamente mais escurecida, graças às 7 (sete) lentes que a compõem, o que não deixa de ser agradável no caso da Lua, mas com um contraste e nitidez que nenhuma fotografia poderá fazer justiça. A imagem apresenta-se totalmente focada em todo o campo de visão (82°), sem qualquer presença de aberrações cromáticas (coloração). A magnificação aqui é completamente bem-vinda, e um dia destes ainda experimento com a barlow (358x!!). Júpiter e o seu sistema de satélites galilaicos,ficam geralmente completamente enquadrados no campo de visão real desta ocular, dando uma visão de conjunto bastante interessante. Saturno, embora seja bastante complicado focar, apresenta-se bastante nítido e grande.

Estava na dúvida se esta ocular tinha algum defeito, então levei esta ocular para o ERAA V para a experimentar noutros telescópios, especialmente reflectores, e realmente em todos eles a vista proporcionada foi de grande qualidade, mesmo, apesar das condições atmosféricas não serem favoráveis.

Uma das razões para a compra desta ocular era de resolver binárias, mas infelizmente como são necessárias boas condições de visibilidade, será menos frequente que o desejável, pelo menos por enquanto.

O seu preço foi ligeiramente inferior ao da Panoptic +- 55 marrecos (chave na mão).

Pros:
Contras:
 

De notar que não é realmente necessário usar oculares desta qualidade (e preço) no ETX, que cada vez tenho menos dúvidas que tem uma qualidade e nitidez excelente já por si.

A razão do investimento tem a ver com futuras aquisições de telescópios que necessitam de todas as correções que esta oculares proporcionam, nomeadamente reflectores com comprimento focal pequeno (entre f/4 e f/8) que são típicas em grandes aberturas.

17-03-2000 Já experimentei a nagler + barlow na Lua, dando uma magnificação total de 358x + mais uns pózinhos do polarizador variável da Meade (que também aumenta a distância focal). A imagem não perdeu nenhuma nitidez,embora fosse um pouco mais difícil focar.Ee por agora consegui identificar crateras com menos de 5 Km de diâmetro. A combinação destas três peças tinha uma estratosférica altura de 20 cm.

O polarizador acima mencionado foi uma aquisição recente, que tornou possível observar a Lua sem ter que ficar "cego". Mesmo usando a combinação da Nagler e Barlow o brilho era intenso demais. Possuia já há algum tempo um desses filtros lunares que se atarracham na entrada da ocular, mas não gostava muito da imagem obtida, pois perde-se detalhe, a Lua fica "colorida", e, mais importante de tudo, não dá para ajustar para a intensidade de luz que me é mais confortável. De notar que a intensidade luminosa da Lua varia bastante consoante a "idade" (fase),e é de todo desejável poder ajustar o brilho, mesmo até para as diferentes áreas que se está a observar. Recomendo vivamente este polarizador se estiver interessado em explorar a Lua (também conhecida por estragar noites de observação espectaculares como a de hoje, no que diz respeito ao resto do Universo no espectro do vísivel:)).

Televue Radian 14mm www.televue.com 05-12-2000

Especificações:
Peso: 250 grs

 

As radians são geralmente conhecidas por ter um excelente contraste, uma distância do olho à lente grande (20mm) e de ter um campo de visão aparente generoso (cerca de 60°). Mas uma vez não resisti à (décima) tentação e nem o dolar em alta deu para conter o impulso de a comprar. É uma grande verdade que quem experimenta uma ocular de qualidade topo e especialmente com grande campo de visão aparente, difícilmente retornará ás "vulgares" plossl. O risco de ficar viciado por estas oculares é grande, e garanto-vos que é um vício _caro_.
O que me estava mais a intrigar nesta ocular era a distância do olho à lente e o sistema "instadjust" que permite regular essa mesma distância posição mais conveniente. O instadjust realmente verificou-se ser uma necessidade, visto que as oculares de grande angular e de grande distância de olho têm tendência a ter muitos blackouts, naquilo a que em inglês se costuma designar por "kidney bean effect", efeito de feijão (numa tradução bastante livre) que se traduz pela imagem ficar parcialmente obstruída por um blackout em forma de feijão. Este efeito é mais noticiável na observação diurna ou na Lua cheia, mas graças ao instadjust fica perfeitamente controlável, pois ao permitir ajustar a distância à lente do olho, que pode ir aproximadamente de 0 a 3cm, a captação da imagem torna-se imediata.
Ao ver a caixa onde veio embalada, fiquei um pouco assustado pois era bem maior que a caixa das outras Televue que possuo, as fotografias das publicidades enganam pois, as radians são bem maiores e mais pesadas que as plossl.
A qualidade de construção e acabamento era a que seria de esperar duma Televue : irrepreensível. Só é pena que não venha numa daquelas caixas de plástico de enroscar como as Meade 4000, de resto a ocular tem duas tampinhas para cada uma das extremidades, e uma caixa de cartão grosso demasiado inconveniente.

Esta ocular é de 14mm o que no ETX90 proporciona uma amplificação de 89x e um campo de visão real de 40 arcminutos. Este comprimento focal foi especialmente selecionado por esse facto, pois uma amplificação de 89x é quase sempre possível ser utilizada, mesmo em condições menos boas. O campo real é 2/3 do campo da Panoptic 19mm (60 arcminutos 1 grau), o que me ajuda a ter uma melhor estimativa da dimensão dos objectos, visto já ter interiorizado de certa forma as dimensões à escala da Panoptic. A Panoptic continua a ter a função de ocular buscadora e à Radian cabe o papel de "ocular seguinte", ou por outras palavras a ocular para observar o objecto um pouco mais de perto.

À Radian competia no mínimo ser corrigida até à extremidade e ter pelo menos o brilho e contraste da Panoptic, o que se revelou vir a ser verdade, praticamente a única diferença é mesmo o seu comprimento focal e campo de visão aparente da panoptic ser um bocado maior, de resto é simplesmente igual em performance, embora em planetas julgo que tenha uma muito ligeira vantagem no contraste. O campo aparente de 60 graus é especialmente noticiável quando em comparação com a Plossl 4000 de 15mm da Meade que tem um campo aparente de 52 graus, que por sua vez no que diz respeito ao contraste e quantidade de detalhe a diferença não se pode dizer que seja lá muito grande, o que de certa forma é um grande elogio à ocular da Meade.

Uma das características mais notáveis é a distância do olho à pupila de saída (eye-relief), os 20mm anunciados estão lá e recomendam-se! Embora sejam quase indispensáveis a quem tenha de usar óculos, proporcionam uma utilização extremamente confortável a qualquer tipo de pessoa graças ao "instadjust" que permite ajustar a ocular ao "nosso" eye-relief. Resumindo: simplesmente obtém-se aquilo para o qual se pagou.«

Prós:
Contras:
Nagler 9mm tipo 6 05-01-2002

Embalagem

Esta ocular vem numa caixa de cartão tendo ainda tampinhas para ambas as extremidades. Uma caixinha de plástico de enroscar como as que vêm com as oculares Meade 4000 ou como as Pentax XL seria bem mais apropriado para uma ocular desta gama de preços.

Construção

Esta ocular tem a típica construção Televue ("made in Japan") - barrilete com anel, corpo anodizado a negro com capa anti-derrapante e membrana de borracha para isolar de luzes parasitas. Embora o anel no barrilete tenha uma utilidade algo discutível - a de evitar que a ocular caia do porta-oculares - está lá e não vejo nenhum inconveniente, excepto o de ter que apertar/desapertar mais o parafuso de fixação.
A membrana de borracha é extremamente rija e praticamente impossível de dobrar, o que sinceramente não aprecio muito, fazendo lembrar as membranas das oculares Vixen/Orion, preferindo as de borracha bem mais mole que são mais agradáveis ao tacto e mais precisamente à face.

Ópticas

As "coatings" têm uma tonalidade violeta e verde. A lente de olho tem cerca de 1,5 cm de diâmetro resguardada por um anel metálico. Não parece ter nenhumas reflexões internas quando apontada para algo brilhante. Os famosos 82 graus de campo aparente estão lá, embora seja preciso revirar o olho ou então aproximar-se bem da lente para serem totalmente observados. O afastamento de pupila anunciado (12mm) não me parece muito correcto, isto se considerarmos que deve ser o afastamento mínimo necessário para ver todo o campo da ocular. De qualquer modo é melhor do que o da nagler 7.
Tendo uma ortoscópica com mesmo comprimento focal (Kasai) , as comparações são inevitàveis, e a conclusão a que cheguei é que a nagler é uma ortoscópica de 82 graus de campo aparente ou por outro lado a ortoscópica é uma nagler de 40 graus de campo aparente :).
É sempre complicado comparar oculares com campos aparentes tão díspares, mas as duas oculares são virtualmente idênticas na transmissão, nitidez, cor e detalhe observado. O que julgo que por vezes acontece, quando se diz que as ortos são mais nítidas e mais brilhantes que oculares mais complexas como as naglers é que quando observamos um planeta o campo aparente das naglers faz desviar a atenção no alvo - as ortos devido ao seu reduzido campo aparente "vão mais directas ao assunto".

A fotografia abaixo demonstra diversas características importantes - a transmissão de luz parece-me ser praticamente igual (dentro do que me é possível detectar) o que é notável tendo em conta que a orto tem apenas 4 lentes e a nagler tem 7
Também não se nota qualquer coloração (filtro) na imagem. Em relação à ortoscópica de 9mm (à direita) nota-se o "campo real" muito maior, a nagler tem por uma larga margem uma maior área observável real para a mesma magnificação.
Uma nota negativa para a nagler (e na generalidade para todas as naglers e radians) é coloração azul-violeta no bordo do campo que com alguma atenção pode ser observada na fotografia (entre as 19 e as 21 horas na imagem). Esta coloração é apenas notória quando na observação de um planeta ou outro objecto brilhante quando se começa a aproximar da extremidade do campo de visão. A nagler de 7mm também exibe esta "aberração". Resta salientar que para o meu caso não a acho intrusiva e que realmente tive de "querer" encontrá-la.
Esta ocular é praticamente nítida ("sharp") até quase ao último reduto da extremidade do campo tanto no ETX 90mm (F/14) como no reflector de 20cm (F/6).

 

Utilização

Esta ocular é de média-alta magnificação em ambos os meus telescópios (cerca de 130x), que já é bastante adequada para objectos de céu profundo, especialmente enxames globulares, nebulosas e planetárias. O campo real é com pouco mais de meio grau para ambos os dois telescópios, o que ainda me permite usá-la como "ocular buscadora" coisa que com a orto de 9mm é bem mais complicado, sendo neste momento é a segunda ocular mais utilizada logo depois da panoptic de 19mm, com qual é praticamente parafocal tendo ainda o mesmo peso (bom para não desequilibar o dobson).
Como atrás já referi, o afastamento de pupila não se pode considerar confortável, e para quem tem que usar óculos para observar é impossível ver todo o campo. E para quem tem as pestanas compridas (como eu), é inevitável o "varrer" da lente deixando um inconveniente rasto de "óleo".

Conclusão

As oculares de grande campo aparente podem ser viciantes para alguns e uma necessidade para outros ou ambas simultaneamente. Embora geralmente tenham um preço proibitivo, valem na minha opinião todo o dinheiro que custam. O mesmo princípio dos telescópios também se aplica a oculares caras: só são caras se não se utilizarem.
Como neste momento apenas me dedico á observação astronómica visual e essencialmente no telescópio manual (dobson), tento maximizar as poucas oportunidades que tenho: e realmente ter oculares de grande campo aparente ajudam e muito a "caça" manual de objectos.
Acho que é um bocado mais difícil justificar o custo desta ocular para telescópios com "GOTO" e/ou acompanhamento motorizado - excepto pelo lado estético/emocional da observação. Esta ocular custa uns desesperantes 86 contos (429 €) e foi adquirida em Portugal na Perseu que costuma tê-las em stock.

Prós:
Contras:

 

Kasai ortoscópicas de 9mm e 12.5mm 24-09-2001

Especificações:
Peso:100 grs

As oculares ortoscópicas têm a fama de ter uma performance excelente em qualquer tipo de telescópio, e geralmente são a primeira escolha para os observadores de planetas.

Este tipo de oculares têm um campo aparente que vai de 40 a 45 graus (menor que a Plossl que varia entre os 50 e 52 graus), um afastamento de pupila moderado (semelhante à Plossl) e são constituídas por apenas 4 elementos ópticos.
O seu tamanho e peso é diminuto, o peso varia entre as 80 e 120 gramas e o tamanho permite ter 3 destas oculares na palma da mão, tornando-as assim bastante convenientes e fáceis de manejar e utilizar.

Eu adquiri estas duas oculares em parte para observar o planeta Marte na sua última aparição, mas a sua utilização pode ser em quase qualquer tipo de objecto.

Características físicas

Ambas as oculares têm praticamente a mesma dimensão, só sendo possível distingui-las pelo o tamanho da lente de olho, o que no escuro pode um pouco complicado.
Os materiais utilizados são bons, e a construção e acabamento e excelente. As oculares são escurecidas por dentro para minimizar as reflexões internas. Possui também rosca para filtros.
Embora pequenas, são relativamente pesadas, fazendo sentir que temos uma peça sólida e de qualidade na mão (e no telescópio).
De salientar que não possui guarda de borracha para evitar luzes parasitas se interponham entre o olho e a ocular, o que pode ser problemático em sítios onde tal possa suceder (como no meu pátio traseiro), havendo então uma eventual perda de contraste que no entanto pode ser evitada comprando as tais guardas por exemplo na Orion.
O formato da ocular que termina em cone cortado pode torná-as um pouco estranha de usar nas primeiras utilizações. Frequentemente batia com o olho na ocular, especialmente quando vinha de uma ocular bem mais alta, com guardas (que servem como para-choques) e acabamento mais "plano".
Estas oculares vêm numa pequena caixa de cartão sem quaisquer tampas.

Características ópticas

A lente de olho tem pelo menos um tratamento.
O facto de apenas ter 4 elementos pode ser uma vantagem no que diz respeito à transmissão de luz, mas não é o único factor importante, pois é vulgar encontrar oculares (caras) com 6 ou mais elementos com a mesma transmissão, mas com melhores tratamentos e vidros especiais.
De qualquer modo embora não possua oculares de tamanho focal semelhante, a "perda" de luz da Radian 14mm para a orto de 12.5m é pouco ou nada notória, o mesmo já não posso dixer da 9mm, em que se observa um atenuamento global de brilho.
O afastamento do olho à ocular é suficiente em ambas sendo ligeiramente mais curto na 9mm, mas ambas são confortáveis de usar sem óculos. A 12.5mm _talvez_ se possa utilizar com óculos.
O campo aparente é nitidamente menor que de qualquer uma das plossl que possuo (com a excepção da de 40mm). Embora sejam da mesma marca e série não são parafocais, a diferença de foco até se pode considerar grande.

Ao telescópio

Eu utilizei os meus dois telescópios (o Mak-Cass Meade ETX90 f/13.8 e o reflector de 20 cm f/6 da Brightstar) para os comparativos. Em ambos a magnificação e área real observada (campo real) é praticamente a mesma, sendo cerca de 100x e 26' para a 12.5mm e 135x e 19' para a 9mm. Utilizei a Nagler de 7mm, a Radian de 14mm, as plossls Meade 9.7mm e 15mm da série 4000 e a barlow Celestron de 2x da série Ultima.
Ambas as ortoscópicas tiveram na generalidade uma comparação favorável a nível de contraste e nitidez, por vezes até ultrapassando oculares 5x mais caras.

Na comparação directa da orto de 9mm e a plossl de 9.7 foi evidente que a orto ganhou tanto em brilho, como em nitidez e campo aparente. Não porque a 9.7mm tivesse menor campo, mas sim porque tem um "eye-relief" tão curto que na prática nem 40 graus se conseguem observar sem tocar com o globo ocular contra a lente.

A ocular mais próxima que tenho da 12.5mm é a Radian de 14mm o que torna bastante complicado tirar algumas conclusões. Mas sinceramente a única diferença que notei foi a diferença de campo aparente, nada mais.
Na Lua ambas estiveram a par com qualquer ocular, com vistas completamente nítidas em todo o campo. Em Saturno proporcionaram vistas de grande qualidade com e sem barlow.

Mesmo sem preocupação de fazer uma análise crítica, a 12.5m tornou-se a ocular seguinte no meu alinhamento habitual (Panoptic 19mm -> Radian 14mm) na observação de objectos de espaço profundo, e por vezes ainda se seguia a 9mm para uma observação mais "perto".

Também ambas as oculares estão no alinhamento para a observação de planetas, especialmente a combinação da 12.5mm com a barlow (200x)que mostrou a melhor imagem do planeta Marte que tive até à data com os meus telescópios.

Uma outra utilização é a observação de estrelas múltiplas e variáveis.
No campo o seu tamanho ajuda à arrumação e são mais resistentes à humidade que as oculares com lentes de olho maiores.

Conclusão

Das oculares modernas, as ortoscópicas são as que têm os menores campos aparentes. Podem parecer diminutos quando comparadas com as plossl, mas se repararmos que mesmo a de 9mm mais uma barlow de 2x a magnificar perto de 300x ainda tem campo onde podem caber 10 planetas Júpiter lado a lado, podemos seguramente concluir que no caso de observação de planetas (interiores e exteriores), o campo real não é fundamental, visto que o objecto de estudo é relativamente pequeno.

Na observação a grande magnificação, geralmente o mais importante é o detalhe e contraste no objecto que se está a examinar, e estas oculares nesse departamento estão à altura (mesmo das oculares bem mais caras). A visão afunilada pode ser intrusiva para alguns utilizadores, mas é fácil de ignorar.

Talvez o único ponto negativo é o campo real ser menor que nas oculares com mais campo aparente, tornando-a algo "estreita" para andar à caça de objectos com telescópios manuais. Esse menor campo também torna o seguimento manual mais trabalhoso, (a 300x com o dobsoniano é uma autêntica corrida de galgos).

E finalmente o preço e a disponibilidade que é uma agradável surpresa: estas oculares custam 15 contos cada uma, e pelo menos existem dois vendedores cá em Portugal: a Brightstar e a Perseu que as costumam ter em stock.

Se se fizer um bocadinho de pesquisa de mercado depressa se irá descobrir que são até bem baratas, especialmente para a qualidade. Como diria o Ed Ting "champanhe com preços de cerveja", ou então mais à portuguesa "marisco a preço de tremoço".

Nota: As Kasai são em tudo semelhantes às ortoscópicas da University Optics, pois é quase certo que são feitas pelo o mesmo fabricante japonês.

Outros comentários:

Prós:
Contras:

 

Comparativo Televue Radian / Pentax XL 22-01-2001

Televue Radian 14mm   Pentax XL 14mm
  • Afastamento: 20mm
  • Peso: 240 gr
  • Campo aparente: 60°
  • Elementos ópticos: 6
  • Preço: 75 contos (na mão)
 
  • Afastamento: 20mm
  • Peso: 350 gr
  • Campo aparente : 65°
  • Elementos ópticos : 6
  • Preço: 70 contos (na mão)

Tive oportunidade de poder comparar recentemente lado a lado duas oculares de excepção. Excepção não só no preço como nas características que as tornam especiais em relação ás mais vulgares (e baratas) oculares do tipo Plossl, entre outras. Este comparativo foi feito durante três horas, observando os planetas Júpiter, Saturno e a Nebulosa de Orion (M42), com estas duas oculares e ainda a Plossl Meade de 15mm da série 4000 como base de referência. Os planetas tinham acabado de transitar pelo meridiano e a Nebulosa estava um pouco afectada pela poluição luminosa da cidade de Leiria.

Características físicas

A Radian da Televue tem as características habituais da marca: qualidade de construção irrepreensível, anel de segurança no barrilete, o ajustador de afastamento de pupila "instadjust" que permite ajustar esse afastamento da maneira mais confortável deslizando sobre o corpo da ocular, protecção do corpo da ocular com borracha anti-derrapante e membrana de borracha mole que se pode dobrar. Adicionalmente vem com duas tampas para cada uma das extremidades para proteção das respectivas lentes. Ver o meu comentário para mais informação.

A Pental XL por sua vez apresenta características típicas de uma ocular de qualidade com materiais e construção exemplar, tendo também um anel de de segurança no barrilete, um ajustador de distância do olho à lente em forma de copo afunilado sem fundo virado ao contrário, que se enrosca consoante a distância pretendida, não tem membrana dobrável, mas o contacto da face com o "copo" é bastante agradável. Vem fornecida com tampinhas para as extremidades e uma caixa de plástico transparente bastante prática para armazená-la.

Independentemente do peso de cada uma, é bastante notória a diferença de tamanho, sendo a Pentax já do tipo "granada-de-mão", que embora intimidante não chegou para engasgar os pequenos motores deo ETX90 não apresentando qualquer dificuldade em se movimentar com este colosso no porta-oculares. Uma das razões desta aparência imponente é o "copo" de ajustamento que lhe dá um certo volume. É impossível fechar completamente a mão agarrando esta ocular :). É possível que o peso da Pentax possa desequilibrar alguns telescópios em montagens menos sólidas.

O ajuste da distância do olho à ocular é bastante diferente nos dois casos, mas nas minha opinião são ambos bastante práticos. O "instadjust" desliza sobre o corpo da ocular tendo vários pontos de fixação que são audíveis como "clicks" tendo cerca de 8 posições. Eu geralmente "gasto" 2 ou 3 clicks. A Pentax enrosca o copo para cima ou para baixo afastando assim o "copo" para a posição mais confortável. Ambos cumprem bem a sua função. Embora a no caso da Pentax seja provável que mantenha mais fixa essa posição. O "instadjust" da Radian tanto é odiado como adorada nos diversos comentários que encontrei na Net, mas no caso desta Radian não encontrei o defeito que muitos falam, que é de não manter a posição por ser bastante solto. Nesta Radian é preciso dar uma boa cabeçada para a fazer sair da posição, mas provavelmente com o uso a história mude...

Características ópticas

Ambas as oculares são constituídas por 6 elementos (lentes) ópticos, têm um afastamento de pupila de saída de 20 milímetros e todas as lentes têm multi-tratamento, apresentando várias reflexões dos tratamentos com diversas cores (verde, violeta etc...). O campo aparente é de 60° no caso da Radian e 65° no caso da Pentax.

Uma das características que mais aprecio nestas oculares é o seu afastamento de pupila - 20mm - quem tem o "azar" de observar com oculares com este afastamento, depressa vai deixar de usar as Plossl, especialmente as que têm distância focal abaixo dos 10mm, pois o conforto proporcionado é de tal ordem, que permite literalmente estar 15 ou 30 minutos a observar sem causar cansaço ou a ter os habituais desagradáveis toques do olho na lente, que no Inverno com quase 0° em algumas noites é _especialmente_ desagradável. Outra vantagem é a das pestanas não "olearem" a lente o que em princípio não parece que faça lá muito bem aos seus tratamentos anti-reflexão, evitando assim a limpeza no fim de cada sessão de observação. Um afastamento grande é quase obrigatório para quem tenha mesmo que usar óculos para observar, pois permite ver todo o campo da visão da ocular a uma distância em que os óculos não chocam com a ocular.
Embora um afastamento grande seja típico em todas as oculares de ambas as gamas, não são as únicas a apresentar esta desejável característica. As Plossl de 26mm e a cima geralmente têm distâncias nesta gama com um valor máximo na de 40mm que pode chegar aos 32mm de afastamento. Adicionalmente também estão disponíveis as Vixen LV "lanthanum" com os mesmos 20mm que podem ser uma alternativa mais barata.

O campo aparente destas oculares é bastante semelhante, notando-se claramente um campo aparente maior no caso da Pentax, mas não tão dramático como a diferença para uma Plossl com os seus típicos 50°.
Em ambos os casos as oculares estavam perfeitamente nítidas e focadas até à extremidade do seu campo, não havendo qualquer tipo de aberração ou distorção que se pudesse discernir. Na minha opinião campos aparentes superiores ou iguais a 60° já dão uma sensação de envolvência que torna a observação mais agradável e especialmente apetecível. Isto associado a uma afastamento de pupila resulta numa utilização muito agradável e pouco cansativa. Estando já habituado aos campos aparentes da Televue Panoptic (68°) e Televue Nagler (82°), não posso dizer que tenha ficado verdadeiramente impressionado com estes campos aparentes, mas de qualquer modo são muito generosos e penso que mais que suficientes.

É no contraste que se pode talvez encontrar a maior (pequena) diferença entre estas oculares, eu entendo o contraste como o céu de fundo sendo mais/menos escuro, e julgo que nesse aspecto a Radian apresenta um céu ligeiramente mais escuro, especialmente na observação de planetas brilhantes como Júpiter e Saturno ou então da Nebulosa de Orion. A intensidade do brilho dos planetas parecéu-me bastante igual e em ambas se conseguia ver exactamente os mesmos detalhes. O tom da cor era perceptívelmente ligeiramente diferente especialmente em Júpiter. De qualquer modo o contraste era ligeiramente superior ao da Plossl. Estou a utilizar o termo ligeiramente diversas vezes, porque a realidade é que a diferença de contraste e quantidade de detalhes observáveis era muito comparável (mesmo em comparação com a Plossl).

De seguida veio o teste de resistência - deixar cair as duas oculares de uma altura de 1 metro e ver qual delas ficou mais danificada - estou a brincar ;) - mas que seria interessante seria....

Conclusão

Eu gostei de ambas oculares, são ambas da mesma "liga" e tive uma rara ocasião de as comparar directamente nas mesmas condições e equipamento.

A qualidade paga-se (que novidade!?), quem quer ter afastamento de pupila em distâncias focais curtas, conjuntamente com um campo aparente agradável, e ainda nitidez na totalidade na imagem, e ainda contraste acima da média e que finalmente sejam corrigidas para _qualquer_ tipo de telescópio independemente da abertura, distância focal e respectivo rácio - tudo numa ocular apenas - vai ter de desembolsar dinheiro por uma destas oculares ou equivalentes da Meade, Celestron ou Vixen. Eu ficaria satisfeito com qualquer uma delas e acho que qualquer um também ficaria. São oculares que valem a pena herdar...

Prós:
Contras:
  • A qualidade da imagem pode não ser assim tão diferente em relação a uma boa Plossl, especialmente em telescópios lentos (f/8 a f/15)
  • Podem parecer fora de proporção - especialmente a Pentax no ETX90
  • Preço


Filtro UHC da Astronomik

(http://www.astronomik.com/) 05-10-2002

Sempre fiquei intrigado com a popularidade dos filtros nebulares. Depois de ter adquirido o Deepsky da Lumicon (que é um filtro de banda larga) e não ter ficado o suficientemente impressionado para usá-lo regularmente, decidi dár-lhes mais uma chance e comprei o UHC da Astronomik. Numa palavra: resulta.

Filtro UHC da Astronomik e Deepsky da Lumicon
Os dois filtros que possuo actualmente, para comparação física com os mais conhecidos como os Lumicon. O Astronomik é mais pequeno e com menos voltas de rosca sendo portanto mais "low-profile" - evita maior desfocagem em diagonais. Enrosca sem dificuldades em todas as minhas oculares, excepto na plossl 26mm e é notávelmente pesado.

Desde já aviso que não sou grande fã de filtros, pois roubam estrelas e acho entediante andar sempre a enroscar/desenroscar os ditos cujos. Mas neste caso tenho de dar o braço a torcer: é verdade que algumas estrela desaparecem (estimei pelo uma perda 1 ou 2 magnitudes que parece depender do espectro da estrela), mas hei, o detalhe das nebulosas (especialmente das planetárias) cresce na mesma proporção em que se perde estrelas - afinal é um filtro nebular não é ?

Em comparação com o Deepsky noto um menor deslocamento (shift) na cor das estrelas, que se não estiverem bem focadas aparentam ser duplas (uma vermelha e outra azul) que no mínimo é incomodativo. Mas por terem bandas passantes tão diferentes não podem sequer compará-los na performance nebular.
Cedo se torna óbvio que estes filtros adoram maiores abertura e céus mais escuros, ao contrário da crença popular que são filtros contra a poluição luminosa, pois estes filtros filtram _tudo_ o que esteja fora das linhas de emissão forte das nebulosas (OIII), seja a poluição luminosa dos nossos pouco informados concidadãos seja de fonte extra-terrestre - a atenuação do efeito da poluição luminosa é apenas colateral, mas certamente bem vindo.

No meu pátio que costuma ter uma magnitude limite de 4, 4.5 e diversas áreas completamente estragadas pela a poluição luminosa, notei um aumento dramático de contraste em todos os telescópios (e mais espantosamente no Tak60) o céu fica escuro que nem um bréu e um aumento considerável no detalhe na nebulosa - A M27 e a M57 ficam com outra vida com este filtro, mas no entanto não ficam mais brilhantes. O Tak60 ainda teve o desplante de apresentar alguma nebulosidade na área da "North America" NGC 7000. As Pleiades e nebulosidade local que apesar de não ser de emissão ficaram também interessantes.

Convém também não extrapolar muito para filtros com idêntica nomeação como os Lumicon, Orion, Meade ou Sirius entre outros, pois julgo que nenhum deles tem o mesmo gráfico de banda passante. Os resultados podem ser tão variados como as pessoas e instrumentos utilizados, mas este para mim sobreviveu às minhas expectativas e vai ter lugar incondicional na caixa de acessórios.

Para saber mais sobre filtros nebulares:
Observing Planetary Nebulae
Uma boa página sobre filtros para observação visual