Dezembro 2002
30/12/2002
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Horas:10:30-00:30++ TU
Condições: Magnitude ~4, Antoniadi III (instável). Nevoeiro e fumo de chaminés. 9°.
Equipamento:Takahashi FC-60 60mm f/8.33, barlow Ultima 2.4x (1200mm) ExtenderQ (1.65x), webcam Toucam Pro, Toucam pro.

Testes de escala

Saturno 30-Dezembro-2002 22:23 TU
Tak FC-60 com barlow (2.4x) e toucam pro (f/20) 1200 mm comprimento focal.
Júpiter 30-Dezembro-2002 22:26 TU
Tak FC-60 com barlow (2.4x) e toucam pro (f/20) 1200 mm comprimento focal.
Júpiter 30-Dezembro-2002 23:38 TU
Tak FC-60 com barlow (1.8x)+ExtQ (1.65x) e toucam pro (f/25) 1485 mm comprimento focal.
Júpiter 30-Dezembro-2002 23:17 TU
Tak FC-60 com barlow (2.4x)+ExtQ (1.65x) e toucam pro (f/33) 1980 mm comprimento focal.




29/12/2002
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Horas:--23:00-01:30 TU
Condições: Magnitude ~4, Antoniadi II (estável). Nevoeiro e fumo de chaminés. 7.5°.
Equipamento:Takahashi FC-60 60mm f/8.33, barlow Ultima 2.4x (1200mm) ExtenderQ (1.65x), webcam Toucam Pro, Toucam pro. Nagler VI 9mm, Nagler I 7mm, Radian 14mm, Panoptic 19mm.

Saturno e a Nebulosa do Caranguejo

Esta sessão foi essencialmente para apreciar a actual e rara conjunção de um planeta (Saturno) com um objecto de céu profundo (M1 - Nebulosa do Caranguejo). Só no ano 2208 (yep) é que a haverá uma conjunção/sobreposição semelhante.

Como era esperado, o forte brilho do planeta (-0.4) interfere bastante na observação da nebulosa que apesar de ter uma área 44x maior, mas num entanto com um brilho de superfície 250000x inferior (S&T Jan-2003).
A magnitude limite a rondava os 4, o que pode ser fatal para um telescópio de 60mm no que diz respeito à observação de difusas, mas contudo foi possível observar o raro conjunto em simultâneo, embora com grandes dificuldades na M1, em que tive de deixar o olho adaptar-se escuro, tanto o que era possível com o brilho de Saturno. O olho humano é realmente espantoso - consegue-se adaptar aos mais incriveis e díspares cenários de luz. È também um bom teste ao contraste e contrôlo de brilho em oculares e telescópios.

Como é óbvio, não consegui discernir nenhum detalhe na M1, apenas que marcava presença com uma leve nuvem de fumo. Saturno por outro lado estava com detalhe excelente (como nas duas semanas que passaram) sendo possível observar destacada a divisão de Cassini e detalhe no globo com apenas 43x. Os satélites era os suspeitos do costume: Titan, Rhea, Dione e talvez uns piscos do Enceladus.

Saturno distava pouco mais de meio grau de M1, e vai continuando a aproximar-se de M1 à razão de 4'30" por dia (quase o comprimento de seis anéis). A seguir nas duas próximas semanas.

Saturno e M1
As posições de Saturno às 0 horas nos próxinos 20 dias.
Skymap Pro 6.0

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter

Nunca observei a Grande Mancha Vermelha (GMV) num instrumento tão pequeno, e nesta sessão por sorte a GMV iria transitar por volta das 0:15. Acompanhei Júpiter meia hora antes e meia hora depois do trânsito, período em que a GMV ficava por breves momentos bastante destacada (isto obviamente em termos relativos), tendo claramente aquela aparência de olho/nódulo de madeira.
Também era possível por vezes dislumbrar algum detalhe nos cinturões equatoriais e nos pólos. A estabilidade atmosférica não permitia grandes magnificações, mas no entanto o planeta estava bastante interessante.
Júpiter está a caminhar a passos largos para a sua oposição em 2 de Fevereiro e espero ainda tentar observar mais vezes a GMV e também trânsitos dos satélites.

Júpiter 29-Dezembro-2002 00:07 TU
O sistema Joviano em quase toda a sua extensão. Júpiter bastante "queimado" de modo a poder capturar os satélites galileanos.
1 foto com a Canon G1 + Radian 14mm

 

Júpiter 29-Dezembro-2002 00:32 TU
Nota-se ligeiramente o nódulo da GMV que nesta altura estava no seu trânsito.
160 fotogramas registados, alinhados e sobrepostos pelo Registax 1.1.
Tak FC-60 com ExtQ (1.65x) e toucam pro (f/13.8) 825 mm comprimento focal.
A imagem foi ampliada 2x.

Castor

Esta é uma das minhas duplas favoritas, e é uma verdadeira binária e está a penas ~52 anos-luz.
Embora a sua separação actual de 3.3" não seja nem começo de desafio, é uma interessante e popular dupla quase igual de duas estrelas de espectro A (branco-azulada), sendo uma com 2.0 e outra com 2.8 de magnitude. Visualmente é espectacular, aparecem dois pequenos pontos (discos Airy) rodeados por uma anel de difracção quase se tocando. Curiosamente acho a diferença de magnitude menos notória visualmente do que parece na foto abaixo.

Castor - alfa Geminorum
O melhor fotograma de uma avi de 190 .
Tak FC-60 com ExtQ (1.65x) e toucam pro (f/13.8) 825 mm comprimento focal.
A imagem foi ampliada 2x.



19/12/2002
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Horas:00:30-02:00 TU
Condições: Magnitude ~3, Antoniadi II (instável). Céu nublado com muitas abertas, nuvens altas. 15.0°.
Equipamento:Takahashi FC-60 60mm f/8.33 (500mm), barlow Ultima 2.4x (1200mm) ExtenderQ (1.65x) e webcam Toucam Pro. Canon G1.

Saturno e Halo Lunar e Lua
menos de 48 horas depois da oposição

Saturno em 19-Dezembro-2002 01:44 TU
1ª e 2ª corona da Lua causado pelas nuvens.

 

"Setup" de webcam para registar Saturno
O Tak FC-60 na Giro2 com uma toucam agarrada. O pontinho branco no meio da foto é Saturno

 

Saturno em 19-Dezembro-2002 01:00 TU
20 fotogramas registados, alinhados e sobrepostas pelo Registax 1.1.
Tak FC-60 com barlow e toucam pro (2.4x) (f/20) 1200 mm comprimento focal.
Saturno em 19-Dezembro-2002 01:30 TU
15 fotogramas registados, alinhados e sobrepostas pelo Registax 1.1.
Tak FC-60 com extender Q (1.65x) + barlow (2.4x) e toucam pro (f/33) 1980 mm comprimento focal.

 

A Lua em 19 Dezembro 2002 00:42 TU
Altitude: 70° 32'
Distância: 394426 km
Magnitude: -12.5
Iluminação: 99.4 %
Diâmetro: 1846"
(clique na imagem - click on the image)



15/12/2002
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Horas:--23:00-01:00 TU
Condições: Magnitude ~3, Antoniadi III (instável). Céu geralmente limpo, nuvens altas. 8.0°.
Equipamento:Takahashi FC-60 60mm f/8.33 (500mm), barlow Ultima 2.4x (1200mm) e webcam Toucam Pro.

Saturno
a menos de 72 horas da oposição

A noite estava péssima para observação planetária, existindo quase de certeza nuvens altas (cirrus) que tornavam a imagem extremamente ondulante. No pequeno Tak apenas se podia puxar até às 200x em Saturno e 130x em Júpiter.
Durante grande parte da sessão a Lua tinha uma "corona" e um halo de 22º. Estes fenómenos são causado pela refracção em cristais de gelo dos quais são compostas as nuvens altas e frias (cirrus).
Também andei de olho nalguma geminídia atrasada, mas não tive sorte...

Saturno em 15-Dezembro-2002 00:57 TU
10 (de 250) fotogramas registados, alinhados e sobrepostas pelo Registax 1.1.
Tak FC-60 com barlow e toucam pro.



08/12/2002
Local:Mira
Horas:14:30-6:15 TU.
Condições: Pouco nublado. temperatura mínima -4.0° (06:00 TU).

1º ENIA - Mira
Encontro Nacional Informal/Inverno de Astronomia

Site oficial em http://eee3.netpower.pt/enia/enia.htm

Mais um encontro de Astronomia em Portugal. Estes encontros parecem cogumelos a surgir por todos os cantos do País, mas este teve algumas particularidades interessantes que foram a meu ver bastante atractivas. Não haver Lua e ser no praticamente no Inverno - é preciso coragem.

Depois de a seguir ao almoço ter abalado de Leiria e ter feito cerca de 1 hora e picos de viagem, lá cheguei ao Hotel Quinta Lagôa que iria albergar os participantes e visitantes deste encontro.

O local foi bem escolhido, o hotel proporcionou foi ideal para a reunião, a acomodação e restauração de todos os participantes. A sua próximidade do local das observações foi certamente um bónus para quem ficou por lá alojado (eu não fiquei devido a Leiria ficar relativamente próxima).

Durante a tarde houve uma exposição de alguns dos instrumentos que seguiriam para o local de observações, que tinham aberturas que variavam desde o binóculo de 56mm até ao dob 450mm, dando portanto oportunidade de os puder observar (e não observar através deles) e ver e fotografar com mais atençao os pormenores dos instrumentos.

Vários dos telescópios que marcaram presença

 

Guilherme de Almeida, Paulo Guedes e Jorge Almeida
entretidos a colimar um mak

Também houve alguma observação solar com o meu takito e um Meade ETX-60 durante o pouco Sol que ainda restava (o Sol pôe-se pouco após as 17 horas nesta altura, e o hotel estava rodeado de àrvores).

Os pequenos refractores de serviço ao Sol

Depois de muitas e interessantes conversas seguiu-se um excelente jantar muito bem servido e confeccionado (5*), onde as conversas continuaram mas à mesa (um dos locais favoritos dos Portugueses).

Já bem aconchegados todos se dirigiram para o local de observação, que era uma pequena pista de aeromodelisno ficava situada virtualmente no meio de nada.

Aproveitou-se também para afinar o calendário de eventos para 2003

À chegada era imediatamente perceptível sem praticamente qualquer adaptação ao escuro a nossa Galáxia - Via Láctea - que se estendia por Cisne, passando por Cassiopeia e por Perseu, estando portanto no mínimo uma magnitude limite visual na ordem dos 6 (sendo a magnitude limite no meu dob de 20cm cerca de 13.5 segundo o Rui).

Infelizmente, 1 ou 2 horas depois começaram a surgir umas nuvens de sudoeste que taparam parcialmente o Céu por algumas horas deixando no entanto alguns buracos (algo turbulentos na minha opinião) em se aproveitava para fazer comparações entre os diversos instrumentos na observação de planetas (Júpiter e Saturno), limpando mais por volta das 4 da manhã - um céu muito bom tendo em conta que estamos praticamente no Inverno - A humidade essa, acompanhou-nos durante a noite toda tendo que usar o kendrick "dew-remover" quase no máximo toda a noite. De qualquer modo, pareceu-me ser sem dúvida um local "topo de gama", com 360 graus de horizonte desobstruído sem qualquer poluição luminosa directa, e com apenas umas longíquas, mas fácilmente ignoráveis cúpulas de luz (Aveiro a Norte e Mira a Este).

Um dos aspectos em que este encontro foi especialmente rico, foi a quantidade e qualidade dos instrumentos que lá marcaram presença, desde refractores de 60mm (Takito!) a gargantuais reflectores de 45 e 50 cms(Merak 18", Obsession 18", e um 20" numa estrutura de alumínio (que não reti o nome)), todos eles montados num também bastante sortida coleção de montagens (Altazimutais, equatoriais, dobsonianos, tripés etc).

A temperatura chegou aos 4 graus negativos por volta das seis da manhã, isto segundo o meu porta-chaves suiço colocado a metro e meio do solo que se tivesse um higrómetro (mede a humidade relativa) de certeza que rebentava a escala. Também tive uma experiência inédita - a de descongelar o meu dob 20cm e o Atlas Karkoschkaque estavam cobertos de gelo (na era geada, era gelo mesmo).

Algumas fotos do local de observação e instrumentos

Por muito que o se planeie alguma sessão, simplesmente não dá mesmo para fazer uma observação normal neste encontros, pois é tanto telescópio, tanta gente e tanta conversa que nem vale a pena sequer tentar. Mas mesmo assim para além dos planetas (Vénus, Marte, Júpiter e Saturno), observei pela primeira vez no Takito as galáxias M81 e M82 (com bom detalhe para 6cm) e o globular M3 (algumas estrelas resolvidas).

No final da noite já nos faziam companhia os planetas Vénus e Marte que distavam pouco mais de grau e meio. Faziam um par muito contrastante, tendo vénus uma fase de 27% e diâmetro 40" e Marte sendo 10 vezes menor e bastante avermelhado.
Um dos melhores momentos desta (e qualquer outra) observação é aquela meia-hora que antecede o crepúsculo - uma calma serena muito gratificante - até me fez esquecer o frio que fazia.

Depois de arrumar as coisas (a maior parte delas congeladas) pus-me a caminho de Leiria (bem devagarinho) na companhia de Vénus e Marte. Mas após passar a ponte sobre o Mondego na Figueira da Foz parei o carro e fiquei à espera na companhia de alguns pescadores para tirar a foto abaixo (não resisti:)).

Nascer do Sol no Estuário do Mondego
As gaivotas a tomar o pequeno-almoço com o Sol a nascer filtrado pela bruma.



05/12/2002
Local:Capuchos - Leiria
Horas:17:00-18:00 TU.
Condições: Pouco nublado e pouca turbulência. 10.0°.
Equipamento: Takahashi FC-60 60mm f/8.33 (500mm), Televue Radian 14mm (36x 101'), barlow Ultima 2.4x (86x, 42'), plossl Televue 32mm (16x 192') e Canon G1.

Crescente Dourado

Depois do último eclipse solar do ano, o qual não pude observar (nem pela Net) não podia deixar escapar aquele que foi um dos mais espectaculares "Pôr-de-Lua" que já tive ocasião de assistir. Também foi o Crescente mais "fino" que observei e fotografei até à data, estando a Lua somente iluminada em 2.8%.

O cenário ás 17:42
Um crescente tão fino é um bocado difícil de encontrar. A Lua estava a pouco mais de 4 graus de altitude.

 

A Lua em 5 Dezembro 2002 17:48 TU
Altitude: 3° 22'
Distância: 370862 km
Magnitude: -5.9
Iluminação: 2.8 %
Diâmetro: 1979"

 

A Lua a 2° 14'
Já se nota um bocado da luz da Terra reflectida na face não iluminada

 

A Lua a 1 ° 25'
A Lua neste momento estava a "arder", assemlhando-se de certa forma a um eclipse solar na altura do seu ocaso.