Março 2003
14/03/2003
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Horas:23:30-00:00++ TU.
Condições: Nublado. 11.5°C
Equipamento: Canon G1 num tripé.

Conjunção de Júpiter com a Lua e halo lunar

Estas condições de pouco servem para observação astronómica, exceptuando fenómenos relacionados com a luz e cristais de água - coronas, halos entre outros.

Halo lunar
Os halos lunares são bastante grandes, tendo 44 graus de (3 palmos com o braço esticado) de tamanho.
Esta foto capturou parcialmente um deles apesar das muitas nuvens.

 

Conjunção de Júpiter com a Lua
Esta foi um conjunção bastante afastada, sendo a separação pouco mais de 3 graus, mas pode servir para dar uma noção da escala do halo lunar acima fotografado.

 

Lua
Foto tirada com o Tak FC60 e Radian 14mm




08/03/2003
Local:Santa Comba Dão
Horas:15:00-07:00++ TU.
Condições: Magnitude ~4, Antoniadi III (instável). Neblina e poluição luminosa em algumas direcções. Temperatura mínima 3°C
Equipamento: Diversos

ERAA 8
Sol
Calisto
Marte, 1 Sgr e Vénus

Mais um ERAA (Encontro Regional de Astrónomos Amadores) organizado pela a ANOA, que desta vez foi realizado em Santa Comba Dão numa Escola Secundária.
Durante a tarde e até depois do Sol se pôr, foram feitas palestras sobre os mais variados temas, tais como a astrofotografia, equipamento, estrelas, astronomia planetária e cosmologia. simultaneamente, foram feitas sessões de observação solar, tanto em luz branca com os filtros baader e 1000oaks, como com os sempre espectaculares filtros h-alfa da Coronado.
Também estiveram em exposição vários stands de vendedores de equipamento para a Astronomia da nossa praça.

Observação Solar
Dois dos telescópios utilizados na observação solar. O Tak FC60 (em primeiro plano) estava equipado com filtro baader e Tak FS102 (ao fundo) com um filtro H-alfa de 60mm.

 

O Sol em h-alfa
Realmente tem muito para ver...
mas ligeiramente mais focado

 

O pôr do Sol
O sempre bonito evento diário. Foto tirada com filtro 1000oaks estando o Sol a pouco de mais de dois graus de altitude. Ainda é visível uma das duas enormes manchas que neste momento estão exibição.

Calisto

O satélite joviano Calisto esteve em grande a partir do fim do dia e durante toda a madrugada do dia 9. Pouco tempo após o pôr do Sol e ainda com bastante luminosidade, apontou-se os telescópios para Júpiter que já se fazia notar bem, em que se deparou com o relativamente raro evento de duplo trânsito da sombra do Europa e do satélite Calisto.
Calisto é um satélite cujos eventos são raros devido à sua grande distância de Júpiter, tendo em cada doze anos períodos de três anos em que não é observável qualquer eclipse, trânsito ou ocultação, em parte causado pela inclinação de Júpiter em relação à Terra. Calisto é o terceiro maior satélite do sistema solar, e também um dos mais "escuros" dos grandes satélites tendo um albedo de 0.20 (reflecte 20% da luz do Sol).
Este baixo albedo faz com que o seu trânsito pelo globo de Júpiter se assemelhe bastante com o trânsito de uma sombra, que de resto foi mesmo o que aconteceu. Pareciam realmente duas sombras, em que a maior (Calisto) foi durante um período precedido pela a sombra do Europa, mas como o Europa é mais rápido, a sua sombra logo alcançou o bem mais lento Calisto que demora 4 a 5 horas a passar o disco, tendo sido parcialmente ocultada por volta das 20 horas, embora tenha sido mais a sombra a colocar-se atrás do satélite. Realmente invulgar e inesperado.
Depois das 23 horas foi a vez da sombra de Calisto transitar que durou até perto das 4 da manhã, sendo um fenómeno fácilmente observável mesmo com os mais pequenos telescópios e por pessoas que praticamente nunca olharam através de um.

Sessão nocturna

Após o jantar na cantina da escola, foi realizada a tradicional sessão de observação nocturna, na qual chegaram a estar bastantes telescópios e binóculos de todos os tamanhos, formas e feitios, todos eles bastante procurados pelo bem jeitoso número visitantes, que chegaram a formar filas em alguns deles.
A neblina que foi subindo ao longo da noite, e alguns candeeiros de iluminação pública não deixaram infelizmente visitar convenientemente muitos dos objectos de céu profundo que são interessantes nesta altura do ano, mas sempre foi possível observar os grandes planetas e a Lua com alguma qualidade, assim como os enxames globulares e abertos nos telescópios de grandes aberturas. As galáxias é que foram as maiores vítimas, mas o par M81/M82 na Ursa Maior como sempre, é bastante resistente.
Também no decorrer da observação nocturna, houveram várias actividades como astrofotografia com webcam e um passeio guiado pelos os Céus, e claro, muitas e animadas conversas.

Marte, 1 Sgr e Vénus

Devido essencialmente às condições de observação, depois das 5 da manhã já só sobrava eu :( e as aves canoras locais.
Tudo isto, porque desejava observar e registar o planeta Marte que se encontrava bastante perto de uma estrela relativamente brilhante - a 1 Sagitário. O planeta Vénus que apresentava uma fase com quase 3 quartos cheia foi o último objecto observado já praticamente de dia. Também aproveitei para visitar pela a primeira vez este ano a M57 e a dupla Albireo, que são dois dos meus favoritos.

Marte e 1 sgr
Nesta altura estavam a apenas 9 minutos de arco separados. A cor ocre de Marte e o laranja pálido da 1 sgr dava um para colorido. notar a fase de Marte.
Foto tirada com o Tak FC60 e nagler 9mm

Por fim, o dia amanheceu suavemente e com a habitual calma crepuscular que foi bastante relaxante - espantosamente mesmo nos arredores da cidade de Sta. Comba Dão fez-me lembrar sinceramente um aldeia - com galos a cacarejar e tudo. O crepúsculo é sempre um dos melhores momentos em qualquer observação astronómica.

O Nascer-do-Sol
Esta zona tem bastantes e bonitos nevoeiros devido ao rio Mondego, e eram tão espessas que até deram para filtrar convenientemente o próprio Sol. Pena foi as duas enormes manchas estarem perto do limbo



03/03/2003
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Horas:22:00-23:00 TU.
Condições: Magnitude ~4, Antoniadi III (estável-). 11°C
Equipamento:Takahashi FC-60 60mm f/8.33 (500mm), Radian 14mm (36x 101'), Nagler 9mm type6 (56x 89'), Televue Powermate 2.5x.

Os enxames do Cocheiro, a Esquimó e a Àrvore de Natal

Depois de observar o trânsito da GMV pela enésima vez nesta temporada, apontei para o 60mm para os br enxames da constelação do Cocheiro e Unicórnio e para a planetária de Gémeos.

Auriga

- Enxame aberto M37 (NGC 2099 mag 5.6 dim 24.0' classe II 1 r
A 56x, várias dezenas de estrelas mais ou menos distribuídas, com um dezena delas bem destacadas, todas elas envoltas por nebulosidade de estrelas não resolvidas..

- Enxame aberto M38 (NGC 1912 mag 6.4 dim 21.0' classe III 3 m
Este enxame é constituído por mais estrelas brilhantes que o anterior, que faz isso aparentar ser maior. A pouca abertura faz o enxame parecer raiado, desenhando braços como uma a estrela do mar. Também esta envolto de alguma nebulosidade de estrelas não resolvidas ou no limite da magnitude.

- Enxame aberto M36 (NGC 2099 mag 6.0 dim 12.0' classe II 3 m
O mais pequeno deste trio, com um meia dúzia de estrelas brilhantes espalhadas pela sua área máxima. Com um pouco de imaginação fez-me parecer uma nave de um velho jogo de "arcade".

Gémeos

- Nebulosa planetária NGC 2392 (H97, C39, D31) "Eskimo Nebula" mag 9.2 dim 47'x43' classe 3b(3b)
A forma redonda desta planetária deve ter sido a razão de Messier a não colocar na sua lista de falsos cometas, pois é tão fácil de encontrar e observar que obviamente não é cometa. Mesmo a 36x, a sua natureza difusa é imediatamente notada, por mais que não seja por ter uma estrela de mag 8.2 como companheira em que a diferença é realmente óbvia. Não notei qualquer detalhe, para além da sua cor cinzenta com ligeira concentração central.

Monoceros

- Enxame aberto NGC 2264 (H80) mag 4.0 dim 20.0' classe IV 3 p n
Enxame grande é muito fácil de encontrar devido em parte à estrela 15 monocerotis de magnitude 4.6, que também serve de base do "tronco" numa configuração de estrelas de cor branco azulado relativamente menos brilhantes que se assemelha a uma àrvore de Natal. A magnitude integrada de 4 torna-o visível mesmo com à vista desarmada, sendo também um bom alvo binocular (a 10x). Curiosamente este enxame transita o meridiano um hora depois das 12 badaladas no dia de Natal, sendo conveniente usar um reflector para que não fique de pernas para o ar...