Abril 2003
26/04/2003
Local:Benavila (Avis)
Horas:11:00-05:00++ TU.
Condições: Mag ~6.Céu limpo.
Equipamento: Diversos.

Uma madrugada bem passada

Depois das palestras do 4º Encontro de Astrónomos Amadores organizado pela a APAA em Avis, estava programado uma sessão de observação num campo de tiro desportivo perto de Benavila. Este local revelou-se uma agradável surpresa, sobretudo tendo em conta a mais ou menos inesperada sorte das diversas frentes com nuvens que embora longínquas se terem mantido felizmente bem ao largo.

A transparência esteve acima da média, sendo fácilmente observável à vista desarmada a conjunção de Júpiter com o enxame aberto M44, como também a imensa e farta Cabeleira de Berenices. A Via Láctea esteve em grande esplendor, extremamente distinta rasgando o Céu de ponta a ponta, acompanhando a mim e ao João Montenegro até ao crepúsculo.

Foi sinceramente impressionante a quantidade de objectos que era possível detectar com um pequeno binóculo de 10x42, muitos deles são difícilmente observáveis em céus de menor transparência. Entre as várias dezenas de objectos observados durante toda a noite, destaco a galáxia M51 (ligeiramente alongada pela a NGC 5195) e o enxame globular M3, a M101 (apenas o núcleo), o par M81/M82 na Ursa Maior, o par M65/M66 e o trio M95/M96/M105 (nebulosidade geral na área) em Leão, assim com um breve piscar da M104 (Sombrero) na Virgem, os maaiores e mais brilhantes globulares de Messier na gigantesca Ofiúco - M10, M12 e M14, os costumeiros M14 e M92 em Hércules, e lá para o fim da noite a sempre espantosa área de Escudo, Sagitário e Escorpião que tem tantos objectos que nem sequer vou enumerar e ah! a primeira olhadela do ano à galáxia de Andrómeda que no final da noite já estava aceitávelmente alta.
Também achei impressionante ver os três enxames abertos do Cocheiro no mesmo campo binocular (6.5° no caso dos meus binos) com uma pouco vulgar nitidez. Também foram observados cerca de meia dúzia de meteoros relativamente brilhantes tendo alguns deles deixado rasto.

Tive realmente muita pena de não ter levado material para tirar umas fotografias de longa exposição.

Entretanto, já só restava eu e o João, que de forma alguma iríamos desperdiçar a ocasião de desfrutar de um céu daquele calibre. Seguindo os objectos sugeridos pelo inseparável Karkoschka, fizemos um pequeno tour pelas as constelações que se iam levantando.

Na Ursa Maior, o par de galáxias M81/M82 e M51/NGC4195 em Cães de Caça são dos melhores exemplos do seu género e também a razão porque vale realmente a pena ficar toda a noite a observar num céu com esta transparência.

Afastando-nos do pólo celeste, começamos por Hércules com os seus habituais enxames globulares M92 e M13, passando por Lira na incondicional M57, na qual testamos o filtro broadband da 1000oaks e o UHC da Astronomik.
A caminho do Cisne paramos por breves momento no pindérico do M56, que mal se resolvia (no 15cm).
Seguindo o corpo do Cisne visitámos os enxames abertos M29 (que mal se destacava) e o sinceramente grande enxame M39, tentando ainda eu ver a "blinking nebula" (NGC 6826) sem sucesso, pois a estrela de magnitude 11 não esteve ao alcance do 60mm.
Andando mais para esquerda, em Cefeu, observarmos a estrela vermelha (mais cor-de-laranja) mu cephei e de seguida o enxame aberto M52 em Cassiopeia. Ainda andamos pela pequena constelação do Lagarto (Lacerta), a tentar discernir alguns dos enxames abertos (NGC) no meio daquela bem populada zona, mas sem grande sucesso.

A Lua às 05:16 a apenas meio grau de altitude
A atmosfera no seu efeito máximo. A Lua assemelhava-se a um asteróide. A cor parecia a de Marte.

De seguida voltamos-nos mais para Sul e explorámos a área de Escorpião e Ofiúco, onde visitámos o grande número de enxames globulares que lá se encontram. Os globulares M4 e M80 em Escorpião, o enorme enxame aberto M7 e o menor mas no entanto interessante M6 (ambos visível à vista desarmada). Em Ofiúco começamos por baixo nos quase iguais globulares M19 e M62, subindo até ao M9 e para o bem mais ténue e pequeno M107. No meio da constelação observou-se os mais compostos M10 e M12 e por fim o M14. Também se deu uma olhadela ao IC4665 que foi mais interessante no buscador.

Começando em Escudo na descida final até Sagitário, visitámos o bem condensado enxame aberto M11 e o não tão interessante M26, passando pelo desafiante pequeno globular (para o 60mm) NGC 6712.
Já descendo para Sagitário, passou-se pelas verdadeiras obras primas da nossa Galáxia M16 e M17, descendo até ao mais modesto M18, passando pela nuvem de estrelas M24 que é o Messier que representa a nossa própria Galáxia - visto serem estrelas de fundo - passando de seguida aos também sempre espectaculares M23, M21, M20 e M8. Passámos algum tempo nos telescópios e nos binóculos a contemplar o espectáculo...

A esta hora (volta das 4) já Marte estava a mais de um palmo de altura, e apontámos para lá os teles para a primeira vista decente deste planeta - a 90x era perfeitamente visível a sua fase de 86%, sendo também notória uma área escura alongada no centro do globo - depois de ver no Planetary ephemerides parece corresponder ao Mare Sirenum. Marte realmente promete (mesmo no 60mm). Estando as imediações, aproveitámos para após algum trabalho, dar uma boa olhadela à pequena mas intensa nebulosa de Saturno (NGC 7009).

O "site" ao nascer do dia
Fim de noite já com a Lua bem alta

Para o fim a humidade do ar já causava bastante condensação nos telescópios e oculares, tendo de quarto em quarto de hora ir ao carro secá-los com ar quente, apesar disso a nível de temperatura foi uma noite muito agradável, com pouco frio e nenhum vento.
Depois de tirar a distorcida foto da Lua abaixo, arrumámos e por volta das 5:30 saímos do local plenamente satisfeitos.

20/04/2003
Local:
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Takahashi FC-60 60mm f/8.3 (500mm) e montagem Sky Patrol II, Televue Radian 14mm (36x 101') e Canon G1 com adaptador.

 

A Skypatrol 2 com a G1 em "piggyback"
A Skypatrol está montada numa cabeça equatorial do tripé Meade #883 tendo esta sido adaptada (nova rosca) ao tripé berlebach.

 

Enxame aberto Mel 11
Outro objecto ideal para binóculos. Este enxame na Cabeleira de Berenices é visível à vista desarmada como uma grande mancha difusa. A magnitude limite da foto chega perto de 9.
Foto única de 8 segundos com focal ~150 mm a f/2.5

 

Enxame globular M3
O enxame é o pequena mancha acinzentada e difusa no centro, e parece bastante equivalente ao que se observa com um binóculo 10x50.
Foto única de 8 segundos com focal ~150 mm a f/2.5



18/04/2003
Local: Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Horas:22:00-23:00++ TU.
Condições: Nublado. 12.0°C
Equipamento: Canon G1.

Conjunção de Júpiter com enxame aberto M44

Pequena sessão fotográfica com a Canon G1 em "piggy-back" na pequena mas esforçada montagem SkyPatrol II da Takahashi. Foi pena estar bastante nublado, mas numa das raras abertas saiu a foto abaixo.

Júpiter e M44
Esta conjunção é ideal para binóculos. Nesta altura Júpiter está a pouco mais de um grau do centro do enxame aberto M44. A magnitude limite da foto chega perto de 9.
Foto única de 8 segundos com focal ~150 mm a f/2.5



15/04/2003
Local:iAeródromo da Gândara do Olivais ( 39.77N 8.82W alt:52m)
Horas:18:00-20:00 TU.
Condições: Céu pouco nublado
Equipamento:Takahashi FC-60 60mm f/8.33 (500mm), Radian 14mm (36x 101'), Nagler 9mm type6 (56x 89'), Televue Powermate 2.5x.

Ocaso do Sol

Sol às 19:04
Foto do ocaso do Sol com céu muito nublado. É curioso ver o filtro baader a dar imagens as cores.

Mercúrio

Mercúrio às 19:48
A poucas horas do seu maior Elongação Este. Apresentava uma fase de 41,8% e estava a pouco menos de 12 graus de altitude. Daí a imagem não ser lá muito famosa..

 

Lua a nascer às 19:11




03/04/2003
Local:Capuchos - Leiria
Horas:19:00-20:00 TU.
Condições: Céu limpo
Equipamento: Canon G1 num tripé.Takahashi FC-60 60mm f/8.33 (500mm), Radian 14mm (36x 101'), Nagler 9mm type6 (56x 89'), Televue Powermate 2.5x.

Conjunção de Mercúrio com a Lua e luz da Terra

Mercúrio e Lua ás 19:42
Foi uma conjunção bastante afastada, mas serviu de algum consolo por no dia anterior ter estado nublado, não permitindo observar e fotografar a Lua com menos de 24 horas.
Aqui a Lua já tinha mais de 3% de fase e Mercúrio que brilhava a -1.3 de magnitude, afastado mais de 8 graus.

 

Luz da Terra reflectida na parte não iluminada da Lua