Junho 2003

Pulo do Lobo I

2003.06.28
Pulo do Lobo - Serpa
Magnitude ~6. Céu limpo mas com neblinas.
Takahashi FC-60 60mm f/8.3 montagem Sky Patrol II. Nikon FM2 50mm f/4.

Todas as fotos exposta em filme Kodak Supra 200 professional. O grão deste filme é quase imperceptível, mas sensibilidade ao vermelho não me pareceu grande - ou então precisa de mais exposição.

Ler aqui o relato deste fim-de-semana

Existem momentos que serão sempre lembrados, esta ida a céus alentejanos ficará sempre um desses momentos especiais que nos faz entender o Porquê de gostarmos tanto de observar o Céu.
Pessoalmente, estas noites em Pulo do Lobo foram umas das melhores que tive na minha ainda na minha curta experiência de observador.
Embora sendo essenciais, não basta apenas o Céu e os instrumentos para garantir a completa satisfação, o sentimento de partilha tanto material como da emoção de ver pela a primeira vez alguma galáxia ou nebulosa de uma foma nunca antes por nós observada, torna esses momentos verdadeiramente completos. Não interessa apenas ONDE ou COMO como os passamos mas sim também com QUEM.

1º dia

Eu cheguei ao local de observação perto das 21 horas de sexta-feira pouco após do Sol se ter posto, já deparando com os telescópios do Zé Ribeiro (LXD), Alberto e Alfonso (Obsession 15") e do Anselmo (Merak 12") já praticamente prontos para acção.
O Zé esteve entretido a fazer o seu tradicional "flat" antes de jantar, estando o Alberto e o Alfonso já a colimar os seus Obsession. Estes Obsession são verdadeiras obras de arte, com um requinte e qualidade de construção para lá de qualquer telescópio que tenha antes visto.
Da minha parte montei o Takito para fazer umas exposições de grande campo com a objectiva de 50mm e uns "star-trails" na polar e Cassiopeia com a OM1, e também o meu dob de 20cm para ir adiantando na minha lista de objectos a observar.

As nuvens acompanharam-me na viagem desde Leiria até Serpa, fazendo-me por vezes duvidar se teríamos sorte de uma noite limpa, mas o vento que por vezes até soprava com força, tratou de as fazer desaparecer na quase sua totalidade , havendo apenas nuvens no baixo horizonte. O céu por volta da meia-noite ficou praticamente limpo e com uma boa transparência e pouca turbulência. A magnitude visual limite estava perto de 6.
Nesta altura do ano as noites são muito curtas começando por voltas das 23 horas e terminando logo após as 4 da manhã, mas tal não evitou a observação de uma grande quantidade de objectos, mesmo antes do crepúsculo astronómico (e do jantar).
O jantar foi bem um petiscar à portuguesa com várias qualidades de queijo, presunto, paios sendo tudo regado com oculares fresquinhas, e com o engraçado relato das aventuras e desventuras passadas com a GNR local.

Escusado será dizer que as 15" dos Obsession praticamente eclipsaram os telescópios mais pequenos. A combinação da abertura com um céu de magnitude perto de 6 é realmente fatal. Fiquei completamente embasbacado com a(s) Veil quando vistas com o filtro OIII, a quantidade de detalhe era no mínimo enorme, comparável com as melhores astrofotografias, mas com um brilho e tridimensionalidade talvez impossível de captar em astrofotografia - e mais impressionante é que era ao vivo e em directo.
Outro objecto deveras impressionante foi a M51 e galáxia acompanhante que para além de imediatamente visíveis os braços era também visível e notória a ponte entre elas. Em Sagitário estiveram também indescritíveis as M8, M20, M21, M17 entre outras nebulosidades. Mais para o fim da noite também a enorme planetária Hélix esteve memorável com o seu centro destacadamente mais escuro que a parte exterior. A planetária Fantasma de Saturno fazia bem juz ao seu nome notando-se bem as "orelhas".

Por volta das 3 da manhã Marte já se encontrava a uma boa altitude, e nos momentos de menor turbulência era possível observar bom detalhe nas manchas de albedo, e com um filtro azul escuro era possível salientar bem as nuvens brancas nas regiões mais equatoriais - passei uma boa meia-hora a experimentar filtros neste planeta. Também tentei ver a estrela central da M57 a cerca de 600x, mas não posso dar realmente como observada, embora tenha notada uns piscos muito breves.

Depois das 4:30 da manhã já se notava o clarear da noite, começando-se a arrumar lentamente o equipamento. Ficamos todos até perto das 6 da manhã a apreciar aquela calma crepuscular, tendo como pano de fundo um fino crescente da Lua com Vénus a surgir logo após tendo aguardado pelo o ilusivo Mercúrio que não consegui escapar a tempo da crescente luminosidade. Fomos então todos tentar dormir um bocadinho.

2ª dia

Depois de todos termos dormido algumas horitas (os mais felizardos), fomos almoçar um frango caseiro guisado com batatas numa imapeável tasca perto de Alqueva, onde se vieram juntar o Alcino e o Paulo. Depois do almoço fomos para perto de uma das zonas inundadas pelas as águas da barragem do Alqueva, que cortou a meio uma das estradas.
Nas margens Alfonso montou o Tak 102 com filtro Ha na eq6 do Paulo e eu montei o takito para a luz branca, e ficamos o resto da tarde a observar e a apanhar Sol, seguida por um paradisíaco banho de água doce que até o takito não escapou.
Regressando, fomos todos novamente para o local de observação.

Apesar de ter estado praticamente limpo o dia todo, para o fim da tarde formaram-se algumas nuvens e alguma neblina alta, havendo também fumo de fogo, que felizmente se manteve ao largo. O frio chegou mais cedo, assim como a humidade foi maior que a da noite anterior, mas nada que obrigasse a utilização de aquecedores. A transparência também foi menor por culpa das neblinas altas, mas o céu ainda tinha uma magnitude perto de 6,
Depois de todos montarmos os telescópios, seguiu-se o tradicional petisco, desta vez com frango assado quentinho e tudo, claro que tudo regado com oculares fresquinhas.

Até às 2 das manhã andei entretido a fotografar áreas de Cisne e Sagitário com a objectiva de 200mm da Olympus. Das 2 em frente estive com takito a ver as nebulosidade em Cisne tais como as Veil e a "North America", esta última ficando muito bem enquadrada nos quase 3 graus e meio da pan24 com filtro UHC, tendo depois virado para o meu desprezado dob a observar objectos em Cassiopeia, Andrómeda, Cefeu e Pégaso, terminando a noite em Marte.

Arrumámos mais cedo, pois o cansaço acumulado já era grande e a noite também não estava excepcional.

No seu conjunto, foram observações cheias tanto em quantidade como em qualidade, que faria o satisfazer por algum tempo o mais apaixonado observador visual. Valeram bem os dias mal dormidos e os quilómetros feitos.

E para terminar em grande, no dia seguinte fomos almoçar a Alcácer do Sal um fabuloso bife de javali.

Via Láctea em Escorpião
Via Láctea em Escorpião
Exposição de 12 minutos com objectiva de 50mm a f/4.
A Antares e o enxame aberto M7 dominam a paisagem.
(clique na imagem - click on the image)

 

Via Láctea em Escorpião
Via Láctea em Escorpião
Exposição de 12 minutos com objectiva de 50mm a f/4.
(clique na imagem - click on the image)

 

Via Láctea em Cisne
Via Láctea em Cisne
Exposição de 15 minutos com objectiva de 50mm a f/4.
(clique na imagem - click on the image)

 

M7 e M6 em Escorpião
M7 e M6 em Escorpião
Exposição de 4 minutos com objectiva de 200mm a f/5.
Realmente tem pouca exposição

 

Polar
Polar
Exposição de 93 minutos com objectiva de 50mm a f/5.6.
Apesar de mais de uma hora meia de exposição não se pode dizer que tenha ficado muito queimada.

 

Polar e Cassiopeia
Polar e Cassiopeia
Exposição de 60 minutos com objectiva de 50mm a f/4.
A constelação de Cassiopeia a subir à direita.

 

Lua e Vénus
Lua e Vénus


S.Pedro de Moel VI
Sol - Variações II

2003.06.19
S.Pedro de Moel
19:30-21:00++ TU.
Takahashi FC-60 60mm f/8.3 (500mm) e montagem Sky Patrol II, Televue Radian 14mm (36x 101') e Canon G1 com adaptador.

Outro feriado nacional fui apanhar um bocado de ar marinho a S. Pedro de Moel

Sol - Variações II
Sol - Variações II
Sol - Variações II


Pátio 120
Pilar Solar

2003.06.18
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
20:31 TU.
Nikon 950

 

Pilar Solar
Pilar Solar
Pilar solar (cor-de-rosa) causado pela reflexão de partículas de gelo nos cirrus


Pátio 119
provavelmente uns milhões de estrelas e mais trocados

2003.06.18
Diversos locais
Magnitude ~6. Céu limpo mas com neblinas.
Takahashi FC-60 60mm f/8.3 montagem Sky Patrol II. Nikon FM2 50mm f/4.

Desta vez experimentei o filme Kodak Supra 800 professional que já estava há algum tempo perdido na mala de fotografia. Como já estava à espera, o grâo é bastante maior, sendo tal facto bastante notório nas fotografias ficando algo texturadas. No entanto gostei das cores registadas.

Via Láctea na zona de Sagitário e Escudo
Via Láctea na zona de Sagitário e Escudo
Exposição de 6 minutos com objectiva de 50mm a f/4.
A qualidade do céu ajuda muito neste género de fotografias e em Santa Maria da Serra (Aveiro) às 4 da manhã estava assim.
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Via Láctea na zona de Cisne (Deneb)
Via Láctea na zona de Cisne (Deneb)
Exposição de 4 minutos com objectiva de 50mm a f/4.
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Depois do momento lúdico (quiçá até rara beleza) podem ver abaixo as primeiras fotos com a câmara no foco primário do Takahashi a trabalhar a f/6.33 (usando um redutor focal).

Com um comprimento focal de 380mm, a tolerância de erro (humano e de material) começa a diminuir drásticamente, resultando Basicamente em fotos estragadas devido entre outros ao mau balanço da montagem ou pequenos toques.
Curiosamente todas as fotos sairam focadas! o que para mim foi um alívio, pois devido ao astigmatismo (dos olhos claro :)) as estrelas vistas através da câmara são longos traços o que provavelmente até ajuda a focar a "olhómetro".
Outra boa notícia foi que as estrelas são pontuais em todo o fotograma (a Takahashi não brinca em serviço), embora não esteja uniformente iluminado (centro mais exposto).

As fotos abaixo foram tiradas no Pátio com céu medíocre e magnitude não superior a 4. Os negativos foram escanados a 1200 dpi e recortados e temperados ao gosto do chefe.

Arcturo
Arcturo
Exposição de 4 minutos em foco primário do Taka FC-60 380mm a f/6.3.
A primeira foto tirada com o Taka sem qualquer correcção manual. É uma boa estrela para focar.

M57
M57
Exposição de 4 minutos em foco primário no Taka FC-60 380mm a f/6.3.
Primeiro objecto de Messier a ser fotografado com esta configuração, igualmente sem qualquer correcção manual. Deve ser a foto da M57 (com buraco a meio e tudo) mais pequena da Net...
(clique na imagem - click on the image)


Aeródromo XVI
Sol - Variações

2003.06.10
Aeródromo da Gândara do Olivais ( 39.77N 8.82W alt:52m)
19:30-20:30++ TU.
Canon G1 em tripé com filtro 1000Oaks.

Feriado nacional muito vagaroso e fiz estas fotos do nosso Sol ao fim do dia.

Sol Negro
Sol Negro
1/2 segundo

 

Sol Espelhado
Sol Espelhado
2 segundos

 

Sol Glorioso
Sol Glorioso
8 segundos


Pátio 118
... e ainda outros milhares de estrelas

2003.06.06
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
10:00-00:00++ TU.
Magnitude ~4. Céu limpo mas com neblinas.
Takahashi FC-60 60mm f/8.3 (500mm) montagem Sky Patrol II. Nikon FM2 50mm f/4 e 200mm f/5.

Continuando na descoberta do astrofotografia, decidi aumentar a distância focal para 200mm e também o tempo de exposição para 10 minutos. Isto tudo porque o meu "dealer" local me arranjou um telefoto de 200mm Zuiko para a minha Olympus OM-1 (também esta uma estreia). Só tenho pena é que tenha lá residir uma considerável colónia de fungos.

À semelhança da primeira sessão usei a câmara em "piggyback" na montagem Sky Patrol, mas a objectiva de 200m já faz desequilibrar um bocado a montagem e fui obrigado a encontrar equilibro com uns contrapesos de ocasião - isto claro depois de ter estragado 1 ou dois fotogramas...

A película utilizada foi a Kodak Supra 400 professional, que me parece mais fiel às cores das estrelas que o Fuji superia 400 que tinha utilizado.

Estas sessões no aqui pátio são um bom treino para quando me apanhar em céus bem mais escuros e menos poluídos, mas de qualquer moo espanta-me conseguir capturar tanta estrela.

Lira
Lira
Exposição de 10 minutos na 200mm a f/5 com ligeiras correções devido a algum desequilíbrio no "setup". Estrelas com magnitude superior a 11 e também um objecto muito conhecido - um rebuçado a quem o encontrar... até era fácil de encontrar se a conversão para jpeg não tivesse atenuado um bocado as cores.
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M13
M13
É escusado clicar na imagem para maior - este é o tamanho do "Grande Enxame de Hércules" só que fotografado a apenas 200mm. Os 40mm de abertura efectivos ainda fazem saltar umas estrelitas exteriores no enxame.
Exposição de 5 minutos com 200mm f/5.