Fevereiro 2004
29/02/2004
Local:Atalaia (Montijo 38º44N 8º48W)
Equipamento: ETX90 90mm f/35 (3150mm) com powermate 2.5x e montagem Takahashi P2Z

Júpiter

Animação de Júpiter recolhida entre as nuvens. Foi pena perder o trânsito de Io e da Grande Mancha Vermelha umas horas antes. Visualmente a turbulência não esteve muito má.

Júpiter - 02:30-02:38 TU
Com Europa, Io e Ganimede



22/02/2004
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Equipamento: Takahashi FC-60 60mm f/8.3 (500mm) Radian 14mm montagem Teegull Sky Patrol II. Canon G1

Lua e Vénus

O dia acabou com os dois astros mais brilhantes em conjunção: Lua e o cada vez mais brilhante Vénus.

Lua e Vénus - 18:53 TU


A luz da Terra
Os crescentes lunares tem a particularidade de ser possível observar não só parte iluminada pelo o Sol, como também a parte iluminada pela a Terra.
Na Lua, neste momento Terra está praticamente "cheia" e apresenta um tamanho aparente 4 vezes maior (2 graus). Tendo a Terra um albedo 10x maior resulta numa magnitude de quase -18, daí ser suficiente para iluminar e criar sombras na superfície lunar.
Deixar o rato sobre a imagem para ver com mais exposição.

 

Vénus
Com magnitude de -4.2 e diâmetro de 17.11", apresentando uma fase de 67,5%, e já como uma elongação de 43.0°, vai a caminho do seu maior afastamento a 29 do próximo mês.
O extremo brilho do planeta conjungado com atmosfera torna as suas imagens sempre um pouco psicadélicas



20/02/2004
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Equipamento: Dobson Newtoniano Brightstar Spacewalker 200mm f/6com Quickfinder e apontador 6x30, Panoptic 24mm (50x 82'), Nagler 9mm (133x 37'), e Nagler Zoom 3-6mm (200x15';240x12';300x10';400x9') . Karkoschka. ETX90 90mm f/35 (3150mm) com powermate 2.5x e montagem Teegull Sky Patrol II.

Céu profundo no Pátio

Já fazia muito tempo que não acontecia ter um céu tão escuro aqui no pátio : uma noite de magnitude superior a 4. Todas as estrelas mais brilhantes da Ursa Menor era visíveis a olho nú, especialmente a Eta UMi que tem perto de 5 de magnitude.
Como é natural não podia deixar escapar tal rara noite que arrisco apostar ser 1 em cada 100 aqui no pátio. A transparência esteve muito boa mesmo tendo em consideração o local, embora o mesmo não se possa dizer da turbulência que foi bastante acentuada.

Comecei a sessão por tentar fazer um pequeno filme do trânsito da sombra do Europa. Não fui muito feliz na turbulência, nem provavelmente na focagem, mas sempre serve para dar uma ideia do elevado dinamismo deste micro-sistema planetário.

Júpiter - 01:10-02:05 TU
1 hora de rotação do planeta com a sombra do satélite Europa a transitar - notar que a sombra do Europa é mais pequena que a de Io sendo mais difícil captá-la.
Io ia aproximando-se à esquerda. A má qualidade das imagens espelham bem a turbulência que se sentia, especialmente quando comparada com a animação mais abaixo.

Mas a noite esteve mais adequada para objectos do céu profundo, e não desperdiçando a oportunidade de poder observar galáxias e planetárias deste pátio sub-urbano, peguei no Karkoschkae fui observando os objectos que este atlas sugeria observar.

Já metade da constelação do Leão tinha por esta altura transitado o meridiano local, estando portanto em boa posição para a observação dos dois grupos de galáxias brilhantes que de certa forma, como que anunciam a autêntica parada de galáxias das duas constelações que atrás desta se seguem - a Cabeleira de Berenices e a Virgem.

Comecei pelos dois pares de galáxias formado pelo par NGC 3368 (M96) e NGC 3351 (M95) e pelo par NGC 3379 (M105) e NGC 3384.

Este grupo está situado a meio da barriga do leão, sendo por vezes um pouco difícil de apontar. As galáxias espirais M95 e M96 distam entre si pouco mais de meio grau e ficam agradávelmente folgadas no grau e meio da panoptic 24. Embora semelhantes na forma e orientação, a M96 aparenta ser algo mais brilhante. Mais abaixo (na vista invertida) a M105 que embora mais pequena e menos brilhante que as anteriores, não se deixa de notar como um pequena nebulosidade arredondada típica das galáxias elipticas, apesar da sua mais pequena e pálida companheira NGC 3384 já tivesse sido um desafio para ser detectada, tendo que usar visão indirecta. Este pequeno grupo estima-se que esteja situado a 31 milhões anos-luz.

O grupo seguinte é o chamado Trio do Leão, que é bastante fácil de encontrar, pois fica situado a meio do fémur da pata traseira do bicho entre a Iota e a Teta , sendo este trio constituído por 3 galáxias, duas das quais membro do catálogo de Messier.
Todas elas são confortávelmente visíveis no campo da 24mm com apenas 50x. Este é um grupo curioso, pois também todas elas são marcadamente elongadas, especialmente depois de um observação mais cuidada usando um pouco mais de magnificação. As espirais M65 e M66 são os vértices mais brilhantes deste triângulo rectângulo formado com a maior e bem menos brilhante NGC 3628 , que apesar de ter uma magnitude de 9.5, não será o parâmetro mais aconselhado para ter uma boa estimativa da sua visibilidade porque neste caso o brilho de superfície é de 13.8, um valor algo baixo, daí a sua fraca visibilidade. A NGC 3628 é distintamente elongada, sendo um galáxia vista "de lado". Este grupo à semelhança do anterior também se encontra a cerca de 31 milhões de anos-luz.

Para finalizar a visita a Leão, o Karkoschkaaconselhava a visita à galáxia espiral NGC 2903. A sua localização aplica-se perfeitamente a frase "na boca do leão", sendo por tal extremamente fácil de encontrar, não só por isso, mas também por ter um brilho e tamanho aparente invulgarmente grande para um objecto não Messier. De qualquer forma com um 20cm é difícil falhar. Tem uma forma elongada que corresponde em grande parte ao núcleo, não tendo sido possível notar qualquer dos seus braços em espiral.

De seguida passei para a Ursa Maior que estava a passar pelo zénite, decidindo virar para lá a minha atenção e observar os messiers e NGCs brilhantes daquela que é a terceira maior constelação da esfera celeste. A grande Ursa alberga várias dezenas de galáxias, visíveis com telescópios de abertura moderada, mas como habitual, Messier tratou de catalogar as mais brilhantes, assim como umas nebilosas planetárias mais interessantes de se observar: a da Coruja.

Para começar bem e continuar na senda dos pares e trios celestes, fui fazer a vista ao sempre obrigatório par de galáxias M81 e M82 NGC 3031 e 3077 respectivamente.
Este par ainda se pode observar em apenas um grau e meio, embora cada uma na sua extremidade do campo. Mas fora a perda de algum contexto, este par é um dos meus favoritos, não só pela a sua graciosidade, mas pelo o contraste entre formas. A M81 é uma grande nebulosidade com um centro oval e brilhante, notando-se, mas não descriminados os braços bem mais ténues que a brilhante condensação do seu núcleo com um formato oval. A M82 por outro lado, tem um formato quase rectangular, sendo notórias certas falhas ao longo de todo o seu comprimento causadas pela poeira interstelar. Ambas revelam mais detalhe e forma quando observadas com mais magnificação, tendo para tal usado a nagler 9 a 130x, revelando a M81 bem maior do que a mais baixa magnificação.

Esticando ainda mais o campo, é possível observar uma outra galáxia bem mais modesta no tamanho e brilho, a NGC 3077 que não passa de uma pequena nebulosidade que no entanto é fácilmente observável. Mais acima da M81 e a cerca de grau e meio, também se pode observar outra pequena nebulosidade sem qualquer detalhe: a galáxia espiral NGC 2976. Todas esta galáxias formam o grupo da M81, encontrando-se relativamente perto a cerca de 13 milhões de anos-luz. Bem afastada deste grupo encontra-se a relativamente fácil de encontrar NGC 2841, uma espiral que se situa perto da teta UMa, a cerca de grau e meio, sendo um pequena difusa um pouco elongada.

De seguida apontei para outro curioso par, mas de distâncias absolutamente díspares. A nebulosa planetária NGC 3587 (M97), também conhecida pela nebulosa da coruja, que quase desta vez fez juz ao seu cognome. A 50x e com filtro UHC, notava-se algumas falhas na intensidade luminosa do disco de formato quase circular desta nebulosa. A 133x com filtro quase que praticamente desaparecia, mas sem filtro era possível reparar em muito breves momentos na falta de uniformidade em algumas das suas zonas, a que corresponderiam talvez aos olhos da coruja. Passei um bom tempo a tentar descortinar os tão cobiçados olhos e fiquei com a ligeira impressão de os ter visto momentâneamente.
Mais em cima e ainda no campo da 24mm estava a NGC 3556 (M108), notóriamente alongada e de brilho pouco uniforme. Está 18000x mais distante que a M97 que ainda dista apenas 2500 anos-luz.

Fiz uma breve passagem pelo ignóbil M40, que é uma estrela dupla que Messier talvez por ter a ocular embaciada julgou ser mais um "nebulosa".
Um pouco mais ao lado fui revisitar o último objecto por mim observado quando fiz a minha primeira ronda pelo catálogo de Messier, a NGC 3992 (M109). Esta galáxia é sinceramente complicada de discernir, mas não de encontrar, pois está bem perto de uma das estrelas brilhantes da Ursa: a gamma UMa. Essa estrela permite localizar fácilmente a área da galáxia, mas ao mesmo tempo o seu brilho incomoda a sua detecção. Pelo seu pequeno tamanho e brilho de superfície baixo que ronda os 13.5 de magnitude, torna-se por vezes complicado detectá-la. Lembro-me de a ter visto primeiro num 12" (Merak), para saber do que é que andava à procura, a partir daí deixou de ser dificíl. Usando a visão lateral e fazendo sair a gamma UMa do campo da ocular já se torna para mim quase imediata a sua detecção. Não há detalhes a descrever por motivos óbvios.
Finalmente terminei este "tour" pela grande Ursa com a grande espiral NGC 5457 (M101). Esta galáxia requere céus bem mais escuros para se conseguir descernir algum detalhe nos braços. Para além do seu enorme tamanho, pouco mais se pode observar, sendo extremamente difusa, inclusivé o próprio núcleo. Num céu de magnitude 6 com um 60mm já vi mais que desta vez com o 20cm.

Acabei a noite numa outra constelação "mamífera" - na Cães de Caça, visitando o fotogénico par de galáxias NGC 5194 (M51) e companheira irregular NGC 5195. Ambas evidenciam núcleos com brilho bastante acentuado, rodeados de nebulosidade que na M51, que em breves flashs se conseguia discernir pelo menos um dos seus braços mais internos.
Finalmente passei um bom quarto de hora a apreciar o brilhante enxame globular NGC 5272 (M3). Este enxame está bastante distanciado de estrelas brilhantes, mas no entanto é fácil de encontrar, bastando fazer uma recta da alfa de Cães (cor Caroli) e a alfa do Boeiro (arcturo) : o enxame está situado quase no meio dessa recta (um pouco mais para o lado da arcturo). Este globular é magnífico, especialmente quando observado com uma boa magnificação. Usei a zoom nagler a 200x, sendo possível observar diversas "correntes" de estrelas a emanar do núcleo bastante concentrado, brilhante e algo difuso, faltando ainda muitas estrelas por resolver. É um bom substituto do M13 que por enquanto ainda nasce muito tarde.

E pronto, foram duas horas bem passadas aqui no pátio, como já há muito tempo não passava. Pena ser raro e quando acontece, ser sempre num dia de semana de trabalho. Mas um dia não são dias e deve-se aproveitar pra olhar lá para cima sempre que se tiver oportunidade.

Referências:




14/02/2004
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Equipamento: Dobson Newtoniano Brightstar Spacewalker 200mm f/6com Quickfinder e apontador 6x30, Panoptic 24mm (50x 82'), Nagler 9mm (133x 37'), e Nagler Zoom 3-6mm (200x15';240x12';300x10';400x9') . Karkoschka.

"First Bath"

Já fazia algum tempo que não usava o meu reflector de 20cm, e hoje decidi dedicar-lhe alguma atenção e dar um banho ao espelho - o primeiro desde que o adquiri faz agora dois anos e meio.

Depois de ter desmontado o espelho da sua célula , passei-o por água para tirar o pó maior, de seguida preparei uma bacia com água e sabão Jonhson para bebé, na qual mergulhei o espelho e esfreguei a superfície de fora para dentro com algodão 100% hidrófilo, usando apenas o peso do algodão. De seguida passei-o bem por água corrente da torneira, tendo finalmente passado por água destilada para não deixar marcas. Deixei-o a secar naturalmente pondo-o na vertical para evitar apanhar pó.

De seguida montei-o na célula (da qual retirei a chapa de protecção para diminuir algum peso) e voltei a montá-lo no tubo. Colimei o primário primeiro usado uma Cheshire, e depois um colimaser (laser barato), para colimar o secundário. A colimação do espelho primário de um telescópio de 1200mm pode-se considerar um pouco incómoda, com um constante vai-vem entre os parafusos do espelho e o porta-oculares, mas valeu a pena porque para meu espanto o telescópio até ficou bem colimado.

O dia esteve muito nublado, não tendo conseguido sequer tirar a habitual foto do Sol, mas depois de jantar em pequenas abertas consegui verificar a colimação, que ficou como já tido referido, ficou na "mouche".

Um dos eventos do dia mais interessante foi o duplo trânsito em Júpiter da Grande Mancha Vermelha (GMV) em conjunto com o satélite Io. Mas infelizmente as nuvens não deixaram fazer um "boneco" do evento, só conseguindo observar parte final, mas visualmente já com o dob limpinho e afinado. A sombra de Io era um perfeito ponto negro sobre a zona equatorial norte, ligeiramente avançado à GMV que estava mais abaixo, sendo ambos perfeitamente visiveís a 133x (nagler 9). De seguida virei-me para Saturno, no qual tive alguns momentos de grande nitidez, podendo ainda observar 4 ou 5 dos seus satélites que estavam algo acumulados. Depois vieram mais nuvens e fiz uma pausa.

Na segunda parte da noite, o céu abriu-se por duas horas, e fui matar saudades das sessões que habitualmente fazia no meu pátio. A magnitude limite visual era muito baixa, não chegando nem sequer a 4, assim como o nevoeiro que já começaca a formar-se, mas mesmo assim aproveitei as luzes apagadas da vizinhança para passear um pouco pela as zonas de céu mais a vertical e livres de nevoeiro.
Já se adivinhava a dificuldade de saltar de estrela em estrela, tendo tão poucas delas visíveis a olho nú, mas algo teimosamente insisti em só utilizar o buscador 6x30, pois não me estava apetecer montar o quickfinder, gastando cerca de uma hora e tal para encontrar e observar uma dúzia de objectos. O quickfinder é bem mais útil em céus poucos escuros, porque consegue-se por vezes triangular uma posição mesmo utilizando estrelas afastadas em dezenas de graus, mas no entanto valeu a luta.

Depois de ter "aquecido" a pontaria no sempre impressionante enxame aberto NGC 2168 (M35) em gémeos, passei uma ronda pela a sua vizinhança onde se encontravam o enxame aberto que era também visível no mesmo campo da panoptic 24 - o NGC 2158 - que se assemelha a uma mancha muito difusa, mas no entanto densa e quase sem resolução, o que é natural pois é 6 vezes mais longínquo que o M35, a cerca de 13000 anos-luz. Também lá perto se encontrava o NGC 2129 que devido à pouca escuridão não passava de duas estrelas brilhantes mergulhadas numa quase imperceptível nebulosidade. Pode-se ver aqui uma foto que tirei destes enxames há algum tempo atrás.
Também em gémeos se pode encontrar uma das incontornáveis nebulosas planetárias - a nebulosa do esquimó NGC 2392. Esta é uma das mais espectaculares planetárias, que se pode observar até com binóculos. Não usei filtro mas era perfeitamente óbvia a 50x, apresentando um grande tamanho aparente, que até me custa acreditar ter apenas a magnitude visual de 9.2 (NSOG). De qualquer modo pode-se descrever como uma estrela (central e com mag 10.5) rodeada por um quase perfeito disco de nebulosidade acinzentada. É uma das planetárias que merece estar entre as melhores observáveis em pequenos telescópios.

De seguida baixei um bocado o tubo para a área do Unicórnio (Monoceros), que entretanto já estava a mergulhar no telhado do vizinho do sudoeste.
Comecei pelo enxame NGC 2264 que num reflector newtoniano se assemelha a uma àrvore de Natal, mas com a "estrela" na base ao invés de estar no topo. Nesta altura já estava deitada devido a já estar a mergulhar ao Oeste, mas a distribuição mais ou menos simétrica das estrelas mais brilhantes dá-lhe a aparência cónica semelhante a uma àrvore de Natal. Estava muito bem enquadrada no grau e meio da panoptic 24, com filtro talvez fosse possível ver alguma nebulosidade, mas nem tentei com um céu tão brilhante.

Esta "árvore" aponta para um dos objectos mais invulgares que se pode observar - a Nebulosa variável de Hubble NGC 2261 -. Este é um dos poucos objectos de céu profundo que varia de brilho. Esta variação não é na nebulosa em si, mas causada pela estrela variável eruptiva R Monocerotis, que essa sim varia de brilho, provocando alterações de brilho e de aparência das nuvens de poeira próximas.
A sua fácil observação foi uma agradável surpresa, tendo em consideração as condições, a forma de triângulo quase recto e vagamente cometária desta nebulosa era bastante aparente, embora a ache demasiado "gorda" quando comparada com a forma mais esguia ou então arredondada mais típica dos cometas que tenho observado. Estive um bom quarto de hora a apreciar tão singular objecto, tentando ver a estrela responsável por tal clarão, mas não tive grande sorte, pois tendo um brilho variável entre 11 e 13.8, talvez estivesse calma e consequentemente fora do alcançe do 20cm sob este céu.

Ainda tentei observar o enxame aberto NGC 2244 e nebulosa associada NGC 2237 "Rosette" mas o nevoeiro cada vez estava mais alto e passei para outras paragens mais perto do zénite.

Por esta altura a constelação do Caranguejo (Cancer) não era visível a olho nú, apenas a sua beta (3.5 de mag) era com algum custo observável. Esta constelação guarda dentro de si dois dos melhores enxames abertos do catálogo de Messier. O NGC 2632 (M44) também conhecido também pelo nome de "Presépio" ou então "Enxame (de abelhas)" e o velho enxame NGC 2682 (M67) que não tem "alias" mas devia ter.
O M44 é geralmente demasiado grande para ser apreciado num telescópio, com mais de 1 grau e meio, não cabia já no campo da panoptic 24, perdendo o contexto e por tal um bocado da sua graça, achando mais interessante no apontador que na ocular. Está bastante próximo a pouco mais de 500 anos luz daí o seu tamanho aparente.
O M67 por outro lado é um dos mais bonitos que se pode observar com várias dezenas de estrelas, com um a distribuição agradável e enrolada das estrelas - é um dos meus favoritos. Este enxame tem um grande interesse para os astrónomos pela grande quantidade de estrelas nas mais diversas temperaturas, que permite a calibração mais rápida de imagens, isto para além da sua grande idade (estimada em 5 mil milhões de anos) que permite ser usado para estudar a evolução da nossa Galáxia.

O nevoeiro já se elevava mais de 45 graus e só praticamente restava a segunda e última observação do planeta Júpiter, do qual curiosamente sempre tive as melhores vistas em noites de nevoeiro. E esta não foi a excepção, embora ainda que com turbulência acentuada.
Estive a observá-lo com magnificaçõe entre 200x e 400x. Existiram breves momentos de grande nitidez, em que foi possível observar os diversos cinturões e zonas equatoriais, tropicais e temperadas, assim como a diferenciação das zonas polares. Andei à procura de algum pequeno anti-ciclone mas sem grande sorte.
A 200x o brilho era demasiado intenso para discernir detalhe, tendo as magnificações de 240x e 300x sido as mais úteis, proporcionando um bom balanço entre brilho e tamanho. A 400x, Júpiter já se apresentava como uma gigantesca bola, mas a imagem já começava a ficar pouco nítida. A nagler zoom é perfeita para observação planetária. A conveniência de mudar de magnificação instantâneamente, perfeição de recorte e cor até ao limite do campo, sem praticamente nenhuma reflexão e contraste comparável a ortoscópicas, torna-a numa ocular bastante útil, especialmente em telescópio não motorizados.

Ainda é possível observar alguns objectos de céu profundo em ambientes contaminados de luz. A falta de contraste e poucas estrelas no céu, apenas terá o efeito de se apreciar ainda mais a observação astronómica em céus realmente escuros, onde ficamos perdidos, não por falta de estrelas, mas sim por se verem demasiadas, o que de longe é preferível mas infelizmmente raramente possível.

Referências:




11/02/2004
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Equipamento: ETX90 90mm f/35 (3150mm) com powermate 2.5x e montagem Teegull Sky Patrol II

Animação de Júpiter e dois pares de duplas

Pequena animação de meia hora de rotação de Júpiter, com a Grande mancha vermelha a surgir. A turbulência era bastante acentuada, pois do filme de 300 imagens para obter a gamma leonis (mais abaixo) apenas 5 fotogramas é que estavam relativamente bem focados. Ainda me espanta como ainda se consegue obter imagens com alum detalhe nos planetas....

Júpiter - 23:00-23:30 TU
Com Io a aproximar-se

 

Alfa de Gémeos (Castor) e Gamma Leonis (Algieba)
Este dois pares de estrelas são muito semelhantes em separação e magnitudes, mas radicalmente diferentes nas suas cores (temperatura).
O acaso fez este curioso par de pares de estrelas



08/02/2004
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Equipamento: Canon G1

Lua e Júpiter a 5 dedos

Uma conjunção dos dois astros mais brilhantes depois do Sol e por vezes de Vénus. Estavam distanciados a pouco mais de 5 graus.

Lua e Júpiter - 22:39 TU