Março 2004

Pátio 154
Planetas em conjunção - Lua e Marte

2004.03.25
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1

 

Lua e Marte
Lua e Marte


Pátio 153
Planetas em conjunção - Lua e Vénus

2004.03.24
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1

 

Lua e Vénus (mosaico)
Lua e Vénus (mosaico)


Capuchos XI
Planetas em conjunção - Lua, Mercúrio, Vénus e Marte

2004.03.22
Capuchos - Leiria
Canon G1

 

Mercúrio, Lua, Vénus e Marte em conjunção
Mercúrio, Lua, Vénus e Marte em conjunção

 

Lua e Mercúrio
Lua e Mercúrio


Pulo do Lobo III
Maratona de Messier

2004.03.20
Pulo do Lobo - Serpa

Este fim de semana do equinócio da Primavera serviu, de palco para os mais diversos eventos e actividades astronómicas. Para além da própria efeméride do equinócio, em que cujo dia o Sol fica precisamente 12 horas acima e abaixo do horizonte, mas tal não sucedendo devido à refracção atmosférica em que o dia aparentará ser ligeiramente mais longo. Na realidade os dias em que a noite é realmente igual ao dia são 5 ou 6 dias antes (ou após no equinócio de Outono) - este ano aconteceu no dia 15 de Março.

Num feliz acaso, o equinócio aconteceu simultaneamente com a fase da Lua Nova, que é sempre uma ocasião aguardada com alguma ansiedade por quem também gosta de observar o resto do Universo, ainda com a grande conveniência de tudo isto acontecer num fim-de-semana.
Toda esta conjunção favorável de factores fez com que um grande número de aficionados em Astronomia se dedicasse nestes dias, entre outras actividades, a tentar cumprir a Maratona de Messier, ou seja, tentar observar todos os objectos pertencentes à lista deste famoso francês caça cometas do século XVIII ao longo de uma só noite.

Ao cair da noite, houve um interessante desfilar dos 5 planetas mais brilhantes que se encontravam todos acima do horizonte logo após o crepúsculo. Começando com o Mercúrio a brilhar com a magnitude -1.1, mas no telescópio parecia estar a ser observado através de um prisma devido à sua baixa altitute.
Este era seguido a uma boa distância por Vénus, que apresentava uma impressionante magnitude de -4.3, e devido à sua presente grande elongação, observava-se uma fase de Quarto com uma nitidez e recorte pouco usual.
Bastante mais modesto, Marte brilhava com apenas 1.3 de magnitude, mas não deixou de ser um dos primeiros pontos de luz a surgir no crepúsculo.
Mais brilhante do que as estrelas da constelação de Gémeos que neste momento o alberga, Saturno apresentava exactamente a magnitude de 0 dando-lhe uma presença bem destacada naquela área do Céu, e apesar de já se terem decorrido alguns meses após a sua oposição, ainda se consegue ter um bom par de horas para observá-lo convenientemente com um telescópio.
Finalmente, o rei dos planetas, Júpiter, que neste momento se deve sentir algo enxovalhado pelo brilho fulgurante mas no entanto efémero de Vénus, apresentando uns sólidos -2.5 de magnitude durante praticamente durante toda a noite.

19/20 Março 2004
Maratona de Messier

Charles Messier
Charles Messier
fontes

A maratona de Messier iniciou-se ainda com o Sol se alguns graus acima do horizonte , de modo a haver tempo para montar o equipamento para não falhar a sempre crítica observação dos primeiros objectos da lista de Messier.

O Céu encontrava-se praticamente limpo, inclusivé no horizonte do poente que era o mais importante para um bom início de maratona. Durante toda a maratona a temperatura e humidade foram relativamente baixas, tendo sido até mesmo agradáveis.

Todos nós já nos encontravámos prontos mesmo antes do crepúsculo civil que se sucederia às 19:15, tendo entretanto até alguns de nós observado alguns enxames abertos em Cassiopeia (M103 e M52)e Perseu (M34 e a planetária M76).
Dos primeiros dez objectos do princípio da lista, sem dúvida que a galáxia M74 em Peixes foi o maior desafio, e sinceramente dei-a por observada com um ponto de interrogação, pois deu-me a vaga impressão de a ter piscado por várias vezes no sítio em que deveria se encontrar.
As três galáxias em Andrómeda M31, M32 e M110 por outro lado não apresentaram grande desafio, assim como as galáxias M33 em Triângulo e M77 em Baleia.

Os objectos seguintes na lista já se encontravam todos relativamente altos e eram fáceis de encontrar e observar, podendo-se já relaxar um pouco e pausadamente ir apreciando grande parte deles, entre outros, os enxames em cocheiro (M36, M37 e M38), em Orion ficaram dignas de registo a nebulosa M78 que se apresentava bem grande e distinta, atestando uma noite de muito boa transparência, seguida da M42/M43 que no Obsession de 15" se observava em tons azulados e alaranjados respectivamente. Também em Orion foram observados objectos que requerem locais bem escuros, tal como a "Flame" que era observável em qualquer instrumento e a cabeça do Cavalo num dez polegadas com um filtro HBeta na ocular.

Até se chegar ao enxame de galáxias de Coma e Virgem, foi um pouco como "cumprir calendário", passando por todas as galáxias (e estrela dupla) das constelações da Ursa Maior, Cães de Caça e Dragão, salientando o bonito par que fazia a planetária M97 (via-se nitidamente os "olhos" no 15") com a galáxia M108.
A área das constelações de Coma e Virgem iria potencialmente ser a mais confusa devido ao enxame de dezenas de galáxias, que neste céu escuro muitas seriam visíveís com apenas 20cm, mas graças a um plano de observação inteligentemente delineado pelo Alberto tornou-se bastante fácil identificar todas as galáxias Messier no meio de toda daquela amálgama, em que por vezes se podia mais de 7 ou 8 galáxias no campo da ocular. Seguramente que este plano ainda foi maior ajuda nas aberturas maiores. Não demorou muito mais de um quarto de hora para dar baixa a todas estas galáxias à lista.

Depois de cumprida esta secção aguardou-se até que M68 e M83 da Hidra subissem um bocado mais para finalizarmos a primeira parte da lista, tendo por esta altura praticamente todos nós encontrado e observado quase dois terços da lista, e a totalidade das suas galáxias. De seguida fizemos um intervalo para comer e conversar um bocado.

A segunda parte só se iria iniciar 2 ou 3 horas após, devido ao facto da maior parte dos objectos ainda se encontrarem a baixa altitude. Cada um aproveitou este intervalo para observar com mais atenção alguns objectos dentro dos quais destaco a M51 e companheira das quais tive a melhor vista de sempre, a galáxia Centauro A e o grandioso globular Omega Centauri, que nos binóculos era simplesmente imponente.

Outros aproveitaram para dormitar um pouco, apanhar a contagem dos restantes, em especial no caso de um "loco" que estava a fazer a maratona com 3 telescópios e um binóculo simultaneamente! ou então como no meu caso, a usar os binóculos para fazer uma mini-maratona de 1 hora pelos Messiers que estavam visíveis no momento. Foi um bom momento de relaxe.

A segunda parte iniciou-se com vários objectos velhos conhecidos, os globulares M13 e M92 em Hércules e M71 em Seta, seguidos dos enxames abertos M29 e M39 em Cisne e a planetária M27 em Raposa. Entretanto a cabeça do Escorpião já se começava a erguer assim como os globulares M80 e M4, também sendo possível observar os também globulares na parte central de Ofiúco - M10, M12, M14 e M107. O M6 e M7 deram uma das melhores vistas binoculares que tenho memória - muito bem enquadrados nos 7 graus e meio de campo do binóculo 7x50.

De seguida passou-se "ao ataque" de objectos nos braços da nossa Galáxia, começando por cima em Escudo com os enxames abertos M11 (estava fabuloso) e M26, saltando à Serpente para observar o solitário Messier M16, e desbastando por aí abaixo toda constelação de Sagitário, até se aguardar que os globulares da base do "pote" se colocassem um bocado mais altos.

Dos últimos sete objectos da lista, os globulares M2 em Aquário e M15 em Pégaso foram bastante fáceis, mas depois fiquei encalhado no globular M75, no qual perdi demasiados e preciosos minutos para o tentar encontrar, assim como no globular M55. Este globulares são fáceis de encontrar, mas a neblina que se fazia sentir no Nascente, assim como o céu que já estava a ficar claro demais, já não me permitiram diferenciá-los das estrelas. Quando dei por ela já não valia a pena sequer procurar pelo M72 e M73.
Foram momentos algo desesperantes que tiveram o efeito de ter ficado súbitamente com o vocabulário bastante colorido :), e por fim ter desistido quando já só se conseguia ver estrelas de primeira magnitude.

Maratona
 

No que me diz respeito ficaram por observar os globulares M55 e M75 em Escorpião, o globular M72 e as 4 estrelas de M73 em Aquário e finalmente o infame globular M30 em Capricórnio, que nenhum de nós conseguiu observar devido a estar extremamente baixo.
Cinco Messiers aquém do objectivo, o que foi pena. Resta celebrar os 105 Messiers em conjunto com todos os outros objectos observados. Foi, apesar de tudo, uma longa e boa refrescadela do céu profundo na companhia de amigos.

A maratona de Messier é essencialmente uma prova de resistência, pois para quem possua algum conhecimento do céu, simplesmente terá que apenas lutar contra a rotação da Terra, estando no mínimo garantidas pelo menos 11 a 12 horas de observação, razão pela qual se pode tornar cansativo - mas julgo que ninguém prestou atenção ao cansaço.
Na realidade observa-se bastante mais objectos para além dos de Messier, e arrisco a afirmar que provavelmente se observou várias dúzias de não Messiers, dependendo da abertura utilizada.
Um destes anos é de tentar outra vez...

20/21 Março 2004
Astrofotografia

Nesta noite, ainda mais companheiros se juntaram ao grupo, tendo também algum deles efectuado a maratona, mas infelizmente a noite não esteve tão favorável, havendo mais nuvens e com neblinas ainda mais altas.
No entanto parecia que naquele monte se estava a realizar um grande encontro de Astronomia, o que de resto não deixou ser verdade, pois tinha muito mais telescópios que a grande maioria.
Estavam nada mais nada menos que dois 18" um 15", três de 12", dois ou três 10",outros tantos de 8" e 6", e ainda Maks de 5",6" e 7", e finalmente um refractor APO de 175mm e óbviamento o meu takito.

Passei a noite a fotografar constelações "às cavalitas" com a câmara fotográfica e objectiva de 50mm, e quando ficava em exposição ia dando algumas espreitadelas nos telescópios em redor, especialmente no apo de 7" que proporcionou impressionantes imagens dos gigantes gasosos.

Já para o fim da noite, fui experimentar a ATIK-1HS com o Takito montado na Takahashi P2Z resultando nas imagens abaixo. Que até ficaram decentes.

Trio de Leão - M65, M66 e NGC3628
Trio de Leão - M65, M66 e NGC3628

 

M104 "Sombrero"
M104 "Sombrero"

 

M101
M101

Ainda mais fotos e relatos em http://www.atalaia.org/.



Pátio 152
Lua cheia em conjunção com Júpiter

2004.03.06
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1 e dedo indicador esquerdo

 

Conjunção
Conjunção

 

Conjunção
Conjunção
Aqui foi utilizada outra parte do corpo (o dedo) para atenuar a grande de diferenca de brilho aparente entre os dois planetas que é uma diferença de 11000x. Já dá para notar algum detalhe na superfície da Lua


Pátio 151
Júpiter em Oposição e Perigeu

2004.03.04
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
ETX90 90mm f/35 (3150mm) com powermate 2.5x e montagem Takahashi P2Z 

Hoje foi o dia em que houve a oposição e perigeu do maior planeta do nosso Sistema Solar, e para assinalar estes eventos fiz a pequena animação abaixo apesar das nuvens não terem dado muitas oportunidades.

A oposição aconteceu às 5:05 e o perigeu às 10:00 da manhã estando Júpiter distanciado 4,42570 unidades astronómicas que correspondem a cerca de 662 milhões de quilómetros.

Júpiter - 21:40-22:40 TU Júpiter - 21:40-22:40 TU



Júpiter - 21:40-22:40 TU
Trânsito da Grande Mancha Vermelha

 

Raios cósmicos
Raios cósmicos
Quando estava a tirar este AVI reparei num breve flash a atravessar o ecrã. Mesmo a 10 frames por segundo apenas ficou regista em duas.

 

Configuração utilizada
Configuração utilizada
ETX90 montado numa Takahashi P2Z 


Pátio 150
Halo Lunar

2004.03.03
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1

Quando fui dar uma espreitadela lá fora deparei com um belo halo lunar que era visível em toda a sua totalidade. Estive admirá-lo durante vários minutos até me lembrar de ir buscar a câmara.
É pena não ter uma objectiva de maior campo, pois a G1 com o zoom no mínimo apenas permite registar metade deste curioso fenómeno atmosférico.

Halo lunar
Halo lunar