Local:Colares de Perdizes - Montijo
Quatro paisagens
A primeira noite sob céu escuro desde há dois meses.
A noite foi curta, não só por ser de Verão, mas também com a Lua já a passar o quarto crescente que apenas se pôs depois das 2 horas da manhã, tendo limitado grande parte da noite para observaçao de difusas.
A partir das 2 da manhã fiquei entretido a tirar as fotos abaixo, mas numa de curiosidade de ver o que que dali saía. Pelos resultados obtidos, decididamente não vale a pena estragar valioso tempo sob céu escuro com a Nikon D70 e uma abertura tão pequena, pela simples razão de que a combinação é muito pouco eficiente.
A noite foi bastante concorrida, com talvez uma dúzia de telescópios e outras tantas pessoas. Grande parte das quais a fazer imagens, como os monitores dos portáteis não deixavam de denunciar. Alguém que visse a cena de longe poderia muito bem concluir que era com certeza no mínimo um contacto imediato de 2º grau :). Ver aqui imagens que foram lá feitas.
Visualmente passei a vista com os binóculos pela a região zona de Escudo, Sagitário e Escorpião e no final da noite na majestosa Galáxia de Andrómeda que se estendia por mais de 2 graus, assim como o duplo de Perseu e os enxames de Cassiopeia e Perseu.
Para o fim da noite passou um satélite com brilho oscilante no zénite e também a ISS que fez uma brilhante passagem com uma magnitude seguramente superior a -2 tendo mandado um flash quando já estava a começar a desaparecer. Nunca tinha reparado nesse fenómeno, mas talvez tenha acontecido por ir na direcção do Sol nascente.
Vénus após passados quase 20 dias do seu histórico trânsito, estava bem brilhante com uma magnitude de -4.4 e já distando cerca de 26 graus do Sol fazia companhia das Pleiades tendo também assinalado o inicio da desmontagem do equipamento.
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| Galáxias M31 (Andrómeda), M32 e M110 Integração:8x180 seg. iso 1600 (mode3) Resolução: 4,2" mag. visual ~6 Telescópio: Takahashi FC60 60mm f/6.4 (380mm) câmara: Nikon D70 Takahashi P2Z |
A galáxia de Andrómeda é gigantesca e esta pálida imagem dela não lhe faz grande justiça. Contudo, ainda se pode discernir as faixas de poeira e traços das regiões de formação de estrelas. A gigante azul à direita (Nu Andromedae) em baixo à direita é a terceira estrela que geralmente indica a galáxia em céus menos escuros.
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| Enxames globulares M4 e NGC 6144 Integração:5x120 seg. iso 1600 (mode3) Resolução: 4,2" mag. visual ~6 Telescópio: Takahashi FC60 60mm f/6.4 (380mm) câmara: Nikon D70 Takahashi P2Z |
A paisagem acima achei interessante por conter a fabulosa supergigante vermelha Antares (alfa de Escorpião) a contrastar com um dos mais belos globulares - o M4. Acima está um outro globular bem mais distante e bem menos característico.
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| Nebulosas M8 "Lagoa" e M20 "Trifida", enxames M21 e NGC 6548, globular NGC 6544 e Bochum 14 Integração:4x120 seg. iso 1600 (mode3) Resolução: 4,2" mag. visual ~6 Telescópio: Takahashi FC60 60mm f/6.4 (380mm) câmara: Nikon D70 Takahashi P2Z |
Uma das áreas mais bonitas do nosso hemisfério. Nesta imagem estão duas das mais coloridas nebulosas, a M8 "Lagôa" e a M20 "Trífida". A M20 sendo de reflexão (azul) e de emissão (vermelha) apresenta um belo contraste rasgado por "rifts" de poeira interestelar. Ao lado da da "Trifida" está o enxame M21 que salta bem à vista com as suas brilhantes estrelas no meio deste mar de estrelas do braço da Galáxia. Interessante também, mas pela sua cor é o globular NGC 6544, que por se encontrar na direcção do centro da Galáxia apresenta um "reddening" muito acentuado causado pela poeira estelar, sendo também um dos mais pequenos globulares conhecidos.
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| Vénus e Pleiades |
25/06/2004
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Três Enxames
É praticamente inútil insistir em capturar nebulosas a partir daqui do pátio. O céu não muito escuro, pouca abertura e também a baixa sensibilidade da câmara nessa parte do espectro, resultam em fotografias praticamente em "branco" nesses tipos de objectos. É pena, mas enfim, era esperado...
Sendo assim, a astrofotografia com a DSRL aqui no pátio fica reduzida a enxames e uma ou outra galáxia.
A foto abaixo era para ser apenas do enxame de Messier 39, mas na primeira reparei numa aglomeração "suspeita", que verificando no skymap se tratava no NGC 7082, fazendo também ficar no "retrato" o pequeno mas condensado NGC 7062.
Se existe uma boa característica nas DSLR é o seu gigantesco CCD que permite enquadrar uma área enorme de céu, que nesta imagem 8 graus quadrados (planos) dá bastante contexto a objectos que dele necessita, tal como o M39.
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| Enxames M39, NGC 7082 e NGC 7062 Integração:120 seg. iso 1600 (mode3) Resolução: 4,2" mag. visual ~4 mag* ~14 Telescópio: Takahashi FC60 60mm f/6.4 (380mm) câmara: Nikon D70 Takahashi P2Z (clique na imagem - click on the image) |
23/06/2004
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Á volta de Vega
Abaixo está uma foto de Vega (alfa de Lira) na resolução original. Vega está a 25.3 anos luz, e suas 1.5 massas solares irradiam 54 vezes a luminosidade do nosso Sol e brilha há "apenas" 385 milhões de anos (2 terços da sua vida esperada). A sua cor é um standard pela qual todas as outras estrelas são comparadas sendo também a definição de branco e a primeira estrela a ser fotografada em 1850 com um daguerreótipo.
Vega forma o Triângulo de Verão conjuntamente com a Altair em Àguia e Deneb em Cisne que são as suas respectivas alfas. Tendo em conta a precessão, Vega será daqui a 10000 anos a estrela polar do nosso hemisfério, embora não se aproxime mais que 4 graus e meio do polo verdadeiro.
| Vega Integração:120 seg. iso 1600 (mode3) Resolução: 4,2" mag. visual 4 mag* ~14 Telescópio: Takahashi FC60 60mm f/6.4 (380mm) câmara: Nikon D70 Takahashi P2Z (clique na imagem - click on the image) (ATENÇÂO740kb 3040x2014 pixels) |
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| Vega Recorte 1 |
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| Epsilon Lyrae |
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| NGC 6675 Integração:120 seg. iso 1600 (mode3) Resolução: 4,2" mag. visual 4 mag* ~14 Telescópio: Takahashi FC60 f/6 (360mm) câmara: Nikon D70 Takahashi P2Z |
20/06/2004
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Cisne a sobrevoar o pátio
Foto de 2 minutos feita aqui no pátio através de uma objectiva de 50mm a f/4.
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| Em volta da Gamma Cygnii exp: 1x120 seg. iso 1600 (mode3) câmara: Nikon D70 + 50mm f/4 Takahashi P2Z |
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| Em volta da Gamma Cygnii exp: 1x120 seg. iso 1600 (mode3) câmara: Nikon D70 + 50mm f/4 Takahashi P2Z Foto excessivamente puxada na vã tentativa de fazer aparecer alguma das nebulosas de emissão |
15/06/2004
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
M27
Atik vs Nikon D70
As noites tem sido bastante límpidas aqui no pátio e resolvi fazer um mini comparativo entre a Atik-1hs e a Nikon D70 numa das maiores nebulosas planetárias do nosso céu - a Messier 27.
A noite não chegava a 5 de magnitude limite visual que é na prática o melhor que se consegue aqui no pátio, mas só era possível observar acima do Equador Celeste, tanto por obstrução (completamente rodeado de casas) quer por luzes dos vizinhos.
As imagens têm sensivelmente o mesmo tempo de integração, e forma feitas com comprimento focal de 500 mm que corresponde a f/8.33 no pequeno refractor de 60mm . A diferente escala é devido ao tamanho do pixel ser 7.4 microns na D70 e 5.6 microns na Atik. Estavam cerca de 20 graus de temperatura ambiente que não ajudaram muito a evitar o ruído térmico.
Dá para verificar fácilmente qual o campeão da sensibilidade. A Atik ganha por larga margem, sendo possível encontrar estrelas até 18 de magnitude. A D70 ficou-se pelos 15, mas com o bónus de ser a cores. Também o tamanho do pixel da Atik é mais adequado resultando numa relativa boa amostragem de cerca de 2 segundos de arco, que é a resolução máxima prática de uma abertura de 60mm e também por muitas vezes a praticável com a turbulência normal independentemente da abertura. A DSLR por outro lado necessita de muito mais luz, a eficiência é talvez uma duas magnitudes menor, sendo portanto obrigatório aberturas bastantes maiores para obter imagens "decentes".
Obviamente ambas as câmaras beneficiariam de uma abertura maior, não só porque haveria mais ganho de luz, mas sim também por ganho de flexibilidade. Se por exemplo se utiliza-se por exemplo um refractor de 90 com a mesmo comprimento focal (500mm) resultaria numa relação focal de 5.6.
Em termos práticos isto resulta que necessitaria metade do tempo de exposição para fazer exactamente as imagens abaixo.
Isto daria flexibilidade para por exemplo baixar o tempo de exposição de cada fotograma, reduzindo assim o ruído térmico tornando as imagens matéria prima muito mais limpas logo à partida. Ao contrário das câmaras refrigeradas, as webcam e dslrs são limitadas no tempo de exposição máximo - cerca de 4 a 5 minutos.
A diminuição do tempo de exposição permite também vencer a maior ou menor precisão de seguimento da montagem, que geralmente é o problema que fica caro de resolver. Tendo a melhor câmara e telescópio do mundo numa montagem não adequada apenas resulta na obtenção das melhores imagens riscadas do mundo...
A título de curiosidade cheguei a fazer uma exposição de 4 minutos sem ser visível qualquer arraste (com a D70) - tudo graças à excelente montagem Taka P2Z, que embora não tenha as modernices das montagens actuais (Goto, PEC, Autoguiding, motor de declinação e até um simples comando de mão), tem no mínimo o que é o necessário para astrofotografia básica : precisão de seguimento.
Ambas imagens foram processadas no Iris, tendo a imagem da nikon demorou considerávelmente mais tempo e trabalho a processar, assim como a sua captura não ter o conforto dos automatismos do K3CCD Tools.
| M27 exp: 6x120+4x180 seg. iso 800 (mode3) Resolução: 3,2" mag. visual 5 mag* ~15 Telescópio:Takahashi FC60 f/8.3 (500mm) câmara: Nikon D70 Takahashi P2Z |
| M27 Takahashi FC60 f/8.3 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 80% Takahashi P2Z exp: 20' (20x60) |
02/06/2004
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Iridium 40
Noite de Lua cheia para registar este satélite iridium com magnitude de -6 e altitude como o Heavens Above previu. Os "flares de Iridium têm picos que não ultrapassam os 4 5 segundos de duração
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| Iridium 40 23:51 Teve de facto um brilho aproximado do previsto (talvez menos) e estendeu-se por 7 ou 8 graus (um punho com obraço estendido) e a olho nu cerca de 10 segundos. 24 seg. iso 200 (clique na imagem - click on the image) |



