Julho 2004

Pátio 170
Lua Cheia Azul

2004.07.31
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

A "Bluemoon" apesar de ser usada em muitas canções é um dos mitos lunares que ainda perduram. A Lua azul nada tem a ver com a sua cor, sendo apenas a segunda Lua cheia de um determinado mês. Neste caso, primeira Lua cheia de Julho foi no dia 2.
Âs fotos abaixo foram obtidas no seu nascer, estando alaranjada devido à atmosfera, poluição e provavelmente a fagulhas dos diversos fogos que lavraram.
A cor da Lua pode ser alterada por diversos factores, tais como os acima, erupções vulcânicas ou quaisquer outros contaminantes atmosféricos, podendo até ficar azul...

Lua Cheia Azul

 

Lua Cheia Azul


Uma noite nas Penhas Douradas

2004.07.18
Penhas Douradas - Serra da Estrela

Nada substitui um céu escuro.

Depois de ter passado o fim-de-semana em Castelo de Vide, rumei para a Serra da Estrela onde me iria encontrar com o Zé Ribeiro, Alberto Fernando e o Filipe, para juntos passarmos uma noite sob o céu de um dos locais mais altos de Portugal Continental.
Depois de um bom almoço visitámos a Serra durante toda a tarde, passando pela Torre e outros locais de rara beleza, descendo então todo o vale glaciar até Manteigas de onde subimos até às Penhas Douradas ainda a tempo de ver o pôr do Sol e fazer um reconhecimento para um bom local para observação.
Depois de excelente jantar na Pousada de Portugal, subimos novamente e deparámos com um céu que me fez lembrar La Palma.

A Via Láctea era uma imensa nuvem que traçava o céu horizonte a horizonte, rasgada por ínumeras manchas, atestando a invulgar transparência que só a alta altitude, neste caso de 1600 metros, pode proporcionar. A magnitude limite visual estimada rondou os 7, apesar de existirem alguma áreas que sofriam de alguma poluição luminosa, que embora muito baixa em relação ao horizonte , ainda se fazia notar. Não foi detectada qualquer humidade, pois equipamento que esteve ao relento durante 4 horas encontrava-se completamente sêco. A turbulência foi também bastante baixa.
Apesar de existirem nuvens que por vezes encobriam algumas áreas do céu, tal não foi impedimento para passar uma excelente noite a observar e fotografar os objectos favoritos.

Os equipamentos utilizados foram o Obsession de 15" do Alberto, uns meus binóculos Fujinon 7x50 e os Takahashi 22x60 do Alfonso ("raptados" em Castelo de Vide). Também a montagem Takahashi P2Z esteve de serviço a documentar este céu fabuloso com uns "piggybacks" feitos pelo Filipe e a sua incansável Canon 300d.

A lista de objectos visitados foi extensa, mas tendo algumas vistas ficado ficado para mim memoráveis. Nos 7x50 foi possível observar sem qualquer dificuldade a "America do Norte" e a "Pelicano", estando perfeitamente recortadas, apresentando uma textura fina fora de vulgar.
O segmento Este da "Véu" também foi vísivel, embora tenha precisado da ajuda do Zé Ribeiro para a reconhecer. Também a gigantesca e extremante ténue planetária "Helix" foi facilmente observável. Tudo isto sem qualquer filtro. A cor verde de Úrano foi também prontamente notada.
Esta medida de binóculos comporta-se extremamente bem em céus escuros, sendo bastante confortável de utilizar sem qualquer montagem e excepcionais se combinados com uma cadeira reclinável. Valeram o que custaram nesta noite - o que quer dizer que as próximas são de borla :))

Os Takahashi 22x60 mostraram uma galáxia de Andrómeda que transbordava os seus 2 graus de campo com as galáxias satélite perfeitamente reconheciveis, as Pleiades estavam um espanto, assim com o duplo enxame de Perseu. Era possível observar M17 com a sua forma de cisne, assim como todos os messiers de Sagitário, Escudo e Escorpião como nunca observei em binóculos. Estes 22x60 são um espanto.

No Obsession 15" ficaram para memória entre outros, as vistas dos discos de Úrano e Neptuno magnificações na ordem das várias centenas de vezes, a incondicional "Véu", uma brilhante e detalhada "Helix", a estrela central de M57, a M27 com filtro OIII era de tal maneira brilhante que fez perder a visão nocturna! e outros tantos que agora não me recordo.

Perto da 4 da manhã começámos a arrumar, pois já se começava a sentir algum frio que a esta altitude é um bom bocado maior do que "lá em baixo". Valeu a pena, pois é um excelente local de observação, se não um dos melhores do País.



Astrovide III

2004.07.17
Barragem da Póvoa - Castelo de Vide

A parte diurna do AstroVide passei-a em Castelo de Vide, onde se realizaram palestras e estiveram também exposição de equipamento das lojas Perseu e da Brightstar.
A meio da tarde estiveram disponíveis vários telescópios e binóculo para observação do Sol tanto em luz branca como em H-alpha.

Sol em H-alpha
Sol em H-alpha
Sol através de um Coronado PST.
Este filtros h-alpha dão vistas bastante interessantes a preços relativamente baixos. H-alpha para o povo...
Por ter tantas pessoas a querer observar, não foi possível obter melhor imagem do que a acima, que está ligeiramente desfocada e descentrada, não fazendo portanto muita justiça ao que o PST.

 

A caminho da barragem
A caminho da barragem
Embora tenha sido um ocaso espectacular, não era de modo nenhum bom pronúncio para a noite.

Depois do jantar na tasca local, seguiu-se para o local de observação. O céu esteve quase sempre encoberto em 80 ou 90%, fazendo desanimar principalmente que tinha equipamento moroso de montar. Até às duas da manhã praticamente todos se tinham retirado, restando apenas uma dúzia de pessoas.
Até que se deu o "milagre". A partir das 2 das manhã o céu começou a abrir, invertendo-se completamente a situação, ficando então cerca de 80% do céu a descoberto, revelando uma magnitude limite que rondava os 6. A sorte abençoou os pacientes.
Fiquei entretido com observação binocular, havendo também dos dobs de grande abertura em observação - um merak de a 12" do Seabra e outro de 16" do David, e ainda o 6" do João Montenegro que também se dedicou a fazer uns "piggybacks".

Vénus e Híades
Vénus e Híades
O reflexo de Vénus nas águas da barragem era deveras impressionante, mas mais invulgar foi o reflexo alaranjado da Aldebaran (alfa de Touro)

Eu o Grom fomos os últimos a abandonar o local fui por volta das 7 da manhã já aquecidos e secos por um restaurador calor do Sol.



Barragem da Póvoa
Nebulosas com alguma neblina

2004.07.16
Barragem da Póvoa - Castelo de Vide

Pela segunda vez, fui um dia antes do Astrovide para a barragem da Póvoa para fazer imagens. A noite esteve longe de ser excelente, havendo neblinas que felizmente não subiram demasiado, permitindo fazer algumas imagens que são impossíveis de fazer no pátio.

Cheguei ainda de dia, montando o iglo e montagem e apreciei pausadamente o calmo anoitecer, seguindo também o exemplo das cegonhas que estavam a jantar.

Nebulosas com alguma neblina

Logo após a estrela polar ter ficado vísivel, alinhei a montagem e procedi à tediosa focagem da Nikon D70, de modo a começar imediatamente a fotografar logo após o crespúsculo astronómico.
Para evitar o fabuloso holofote branco a 50 metros, montei o equipamento estratégicamente atrás das árvores, embora tal impedisse também grande parte do horizonte Sul.
Cerca das onze e meia chegaram o Mário Santos, Nuno Coimbra e Rui Santos , que após montarem as tendas, montaram também os seus telescópios, Meade LX90 e LXD55 de 8".

Por volta das 4 da matina o céu fechou completamente, e fomos tentar dormir um pouco.

M8 "Nebulosa da Lagoa"
M8 "Nebulosa da Lagoa"
exp: 27 minutos (6x120+5x180)
Resolução: 3,2" mag. visual 6
Telescópio:Takahashi FC60 f/8.3 (500mm)
câmara: Nikon D70
Takahashi P2Z

 

M8 "Nebulosa da Lagoa"
M8 "Nebulosa da Lagoa"
Takahashi FC60 f/8.3 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 20' (20x60s)

Um objecto para todas as aberturas, mas é principalmente espectacular com filtro OIII numa grande abertura e baixa magnificação. A ponte de poeira que atravessa a nebulosa é facilmente perceptível. Na imagem são facilmente observáveis vários glóbulos de Bok, onde se julga existir formação de estrelas. Situa-se a 5200 anos-luz.

M20"Trífida"
M20"Trífida"
Takahashi FC60 f/8.3 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 20' (20x60s)

Um esplêndido objecto fotográfico. A M20 sendo simultaneamente de reflexão (azul) e de emissão (vermelha) apresenta um belo contraste rasgado por "rifts" de poeira interestela. Com filtro OIII e alguma abertura é possível observar as falhas que lhe dão a alcunha. Situa-se a 6700 anos-luz.

NGC 7293 "Helix"
NGC 7293 "Helix"
Takahashi FC60 f/4.2 (250mm)+ATIK-1HS 4.7" res 90%
Takahashi P2Z
exp: 60' (30x120)

Esta é uma das nebulosas planetárias mais próxima de nós, estando a apenas 522 anos-luz, graças ao qual também é a maior. Requere céu escuro, sendo então possível observá-la facilmente até com binóculo, apesar de nas nossas latitudes seja um objecto bastante baixo, ficando geralmente algo afogado nas neblinas do horizonte.
A sua magnitude de 7.3 é algo enganadora, pois espalha-se por uma superficie que se pode considerar enorme (4x a área de M27). Com as condições certas é possível observá-la em qualquer instrumento, embora numa grande abertura com filtro OIII revele grande parte da sua estrutura anular.

M30
M30
Takahashi FC60 f/8.3 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 3' (6x30)

Pequeno globular e único Messier na constelação de Capricórnio e é o sempre desesperante último objecto da maratona de Messier. Três correntes de estrelas brilhantes parecem emergir do núcleo. Está a 26700 anos-luz.



Atalaia XI
Sol, planetas e mais paisagens

2004.07.10
Lisboa (Parque Eduardo VII) e Colares de Perdizes - Montijo

Quando parti de Leiria em direcção a Lisboa estava a chover pingo grosso, não dando muita esperança de conseguir ver como os novíssimos e relativamente mais em conta PSTs de 40mm da Coronado se portavam no Sol. Tal no entanto não impediu que ainda aparecessem uma dúzia de conhecidos curiosos, que se guerreavam para conseguir observar o Sol em H-alpha nos buracos que de vez enquando iam aparecendo nas nuvens.
Embora o PST por si só já proporcionasse vistas bastante satisfatórias, quando usado com outro filtro h-alpha em "double-stacking" ofereceu vistas com um detalhe bastante mais refinado, embora o filtro de 60mm fosse um bom bocado mais brilhante. A construção do PST é muito boa e os 600 e tal euros já permite pelo menos sonhar em possuir um deles...

Mais tarde, eu o Zé, o Alberto, o Filipe e o Alfonso, fomos ainda de "madrugada" para Colares de Perdizes para observarmos e registarmos uma invulgar conjunção de planetas. Fomos cedo para montar e preparar o equipamento com calma, sobrando ainda algum tempo para apreciar o magnífico pôr do Sol e fazer umas brincadeiras.

Os planetas em questão eram Mercúrio e Marte que neste dia chegariam a estar a apenas 12 minutos de arco distanciados. Mercúrio com -0.2 de 6" de diâmetro de magnitude e Marte com 1.8 e 3,65" estariam apenas distanciados de 10 minutos de arco às 23:38, obviamente já bem abaixo de horizonte a esta hora.

Não é todos os dias que se consegue observar dois planetas no mesmo campo da ocular a 125x. Era perfeitamenta perceptível a fase de 70% de Mercúrio e o laranja vivo de Marte, embora nenhum deles estivesse lá muito favorável para uma observação mais detalhada, quer devido ao seu corrente tamanho, quer devido à turbulência devida à baixa altitude (apenas 15 graus no início da observação). Nos binóculos a 10x fizeram um curioso par.
Mas no entanto o primeiro planeta a ser observado foi Júpiter no Obsession 15", ainda com o Sol bem acima do horizonte - com um pouco de persistência é possível ver perfeitamente observar os planetas brilhantes - o problema é mesmo encontrá-los tendo apenas os dedos da mão para o fazê-lo...

Mercúrio e Marte 20:32 TU
Mercúrio e Marte 20:32 TU

Depois da observação desta conjunção, seguiu-se a tradicional petiscada crepuscular, onde se come, bebe e se fala de Astronomia até ao crepúsculo astronómico. Entretanto ia chegando cada vez mais pessoal juntando-se a nós para mais uma noitada sob as estrelas.

A noite não começou mal, sendo possível ver os braços da Via Láctea de ponta a ponta, mesmo sem ter ainda grande adaptação da visão nocturna. Como se fazia sentir algum vento, dediquei-me a fazer imagens "em cima do porquinho" com a nikon D70 e uma objectiva de 50mm, configuração que mesmo com algumas rabanadas fortes não me pareceu ter afectado muito as imagens.

A imagem da área de Sagitário abaixo tem presentes nada mais nada menos que 15 Messiers, a enfeitar as imensas nuvens de estrelas e poeira interestelar que tornam esta área próxima do centro da Galáxia espectacularmente caótica.

Mau tempo em Sagitário...
Mau tempo em Sagitário...
exp: 130 seg. iso 800 (mode3)
câmara: Nikon D70 + 50mm f/2.8
Takahashi P2Z
(manter rato sobre a imagem para legendas - keep mouse over the image for labels)

De seguida apontei para a nebulosa "América do Norte" NGC 7000 e redondezas. Não estava com muita esperança de apanhar grande nebulosidade, devido ao facto da câmara não ser praticamente sensível na região do h-alpha, mas tentei na mesma e saiu a imagem abaixo, que para tentar salientar as (poucas) nebulosidades está um pouco sobre-processada para o meu gosto.

Em volta da Alpha e Gamma Cygnii
Em volta da Alpha e Gamma Cygnii
exp: 4x240 seg. iso 1600 (mode3)
câmara: Nikon D70 + 50mm f/2.8
Takahashi P2Z
(manter rato sobre a imagem para legendas - keep mouse over the image for labels)

Lá perto, o Alberto mostrava a todos as "Véus" de Cisne no Obsession de 15". As Véus são absolutamente sublimes neste instrumento com filtro OIII.

Infelizmente a noite acabou cedo. Nem era 1 da manhã é já praticamente o céu estava todo encoberto. Arrumámos todos um pouco desconsolados e abalámos para as também tradicionais bombas da Ponte Vasco da Gama.
Vénus está neste momento extremamente brilhante com uma impressionante magnitude de -4.5 e serviu de companhia no regresso a Leiria.



Pátio 169
O Cabide

2004.07.06
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Primeira tentativa de um dos objectos interessantes de observar nos binóculos na constelação da Raposa. Também conhecido por enxame de Brocchi (que desenhava cartas para o AAVSO) ou Al Sufis ( astrónomo persa que primeiro o descreveu), não é um verdadeiro enxame mas sim curioso acaso de estrelas não relacionadas, sendo portanto um asterismo.
O cabide na imagem está de pernas para o ar e é possível observar o pequeno enxame aberto NGC 6802 na ponta esquerda do "cabide".

Collinder 399 "Cabide"
Collinder 399 "Cabide"
exp: 4x60 seg. iso 800 (mode3)
Resolução: 3,2" mag. visual 5 mag* ~15
Telescópio:Takahashi FC60 f/8.3 (500mm)
câmara: Nikon D70
Takahashi P2Z


Pátio 168
Pequena sessão pré-luar

2004.07.05
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Nesta sessão utilizei o dob de 20cm. Não pegava nele desde a maratona de Messier em Serpa.
A magnitude limite visual não ultrapassava muito a marca dos 4, havendo pouca transparência devido a demasiado humidade na atmosfera e talvez a algumas nuvens de grande altitude.

Hércules

Depois de ter alinhado o quickfinder em Vega, fui visitar os incondicionais enxames globulares que a constelação de Hércules alberga. O Messier 13 é o rei dos globulares do hemisfério norte, que em certas alturas do ano, e em latitudes ligeiramente mais baixas é impiedosamente destronado pelo Omega Centauri que mesmo em binóculo rivaliza a algumas vistas telescópicas do M13. Nesta sessão não esteve nada de especial, embora se pudesse resolver com facilidade grande parte das estrelas exteriores. Aumentando a magnificação não ajudou a ver as "correntes" de estrelas que parecem irradiar do seu centro quando observada em céus mais escuros. É curioso que visualmente (com uma abertura de 20cm) e no que respeita a globulares de maior dimensão não o considero um dos mais interessantes, classificando-o atrás de por exemplo M5, M11 ou M15. A pequena galáxia vizinha NGC 6207 não esteve visível.
O Messier 92 por outro lado acho-o mais típico, embora seja de dimensão inferior, não deixa de ter uma "personalidade" mais globular, isso devido em grande parte a possuir um núcleo aparentemente mais denso e praticamente irresolúvel. É um dos meus favoritos no 60mm.

Finalmente no que respeita a céu profundo, passei à nebulosa planetária mais notória desta constelação, a NGC 6210.
Esta planetária está situada entre as beta e delta de Hércules que embora pequena, é facilmente perceptível como uma estrela ligeiramente "nebulada" usando apenas 50x de magnificação. Recordo-me de ter tido dificuldades a encontrá-la há alguns anos atrás por a achar algo desacompanhada de estrelas brilhantes. Desta vez foi "tiro e queda".
Para não variar, grande parte da cores perceptidas pessoalmente no que respeita a planetárias variam entre o cinzento e cinzento-azuladas, umas mais azuladas que outras, mas regra geral não fogem muito a esta tonalidades.
Esta me pareceu cinzento intenso com ligeiro toque de azul. Comparativamente com a Messier 57 tem a sensação de aparentemente ser mais brilhante, embora ambas tenham a mesma magnitude integrada (8.8), o brilho é mais concentrado na 6210. A estrela central (12.9) não foi claramente observada, mesmo a 200x.

Geralmente as estrelas não são consideradas objectos de céu profundo, mas a verdade é que muitas destas estrelas são tanto ou mais "profundas" que muitos dos objectos galácticos.
Embora não apreciar muito a imagem das estrelas através de telescópios reflectores devido aos "picos" causados pela a aranha do espelho secundário, fui visitar as duplas seleccionadas por Skiff nesta constelação no Brighst Star Atlas 2000.0 , que foi o guia de observação utilizado nesta sessão.
A estrela supergigante vermelha alfa de Hércules, também conhecida pelo nome àrabe de Rasalgethi é onde supostamente está a cabeça deste semi-deus. É das estrelas alfa a menos alfa, a sua importância é mais por aquilo que indica (a cabeça) que propriamente o seu brilho. Sendo vermelha é quase inevitável que varie de brilho e no seu mínimo (magnitude 4) fica relegada para a quinta estrela mais brilhante da constelação.
Não está sozinha pois a apenas 4.6" está uma companheira branca com magnitude 5.4, também esta uma dupla espectroscópica, com a qual faz uma dança que dura mais de 3500 anos. O contraste em conjunto com a pequena separação torna o par uma coisa bonita de se ver.
De seguida foi a vez da rho herculis, que também tendo uma pequena separação (4.1") é constituída por duas estrelas praticamente da mesma cor (brancas) e com diferença de apenas uma magnitude. E por fim observar a excelente dupla dourada binocular kappa herculis com uns confortáveis 26" de separação.

Lira

A constelação da Lira já se encontra bem alta no princípio da noite, anunciando o imenso oceano de estrelas que são os braços da nossa Galáxia. A sua pequenez ajuda a que observadores habituais conheçam bem todos os cantos desta constelação, sendo até possível não se perder a orientação com apenas 1 grau e picos de campo.
De Vega salta-se para as epsilons (dupla-dupla), um bocado mais para o lado encontramos as zetas, andando um pouco mais para baixo chegamos ao enxame da Delta e finalmente ás duplas beta e gamma entre as quais se encontra umas das nebulosas mais emblemáticas do nosso céu : Messier 57, a nebulosa do Anel. Já são incontáveis as vezes que observei esta nebulosa. O filtro astronomik UHC realçou-a enormemente, dando-lhe algum volume num céu absolutamente negro tendo tudo isso sido obtidoà custa de uma ou duas magnitudes estelares.
O globular Messier 56 pode-se considerar pouco impressionante tendo em conta a concorrência próxima, mas a sua fácil localização exactamente a meio da recta traçada entre a gamma Lyrae e a beta cygnii (albireo), torna-o num ponto de passagem para a constelação do Cisne.

Cisne

O Cisne em céus não muitos escuros perde para além das suas nebulosas e restos de supernova, grande parte da sua espectacularidade, ficando com apenas meia dúzia de enxames dignos de observação. O enxame aberto Messier 29 é um deles, que devido à baixa magnitude limite visual destaca-se imediatamente das estrelas dos braços da Galáxia. É um objectos curioso porque em céus escuros pode ser mais complicado descerni-lo no meio de tanta estrela.
Mas o objecto que tinha o meu interesse era nebulosa planetária NGC 6826, pois queria ver quais as impressões visuais após ter sido objecto das pequenas imagens nas sessões anteriores.
Visualmente, tem uma forma praticamente circular e um brilho homógeneo, isto por muita magnificação que lhe desse. O filtro UHC destacava mais mas no entanto não adicionava mais nenhum detalhe. É curioso a tendência que tenho de observar automaticamente com visão indirecta, pois via sempre a nebulosa! Vi-me tramado para ver apenas a estrela! pois é, neste momento tenho que fazer um esforço para observar com visão directa :). No meu caso descobri que olhando ligeiramente para cima conseguia fazer o tão curioso efeito pisca-pisca.
Uma outra planetária brilhante é a NGC 7027 que se situa abaixo da Deneb fazendo triângulo com Xi e a Nu. A 130x nota-se uma forma com enlongamente acentuado quase rectangular sendo um das extremidades bastante mais brilhante - dava a sensação de ser uma planetária dupla - se é que tal coisa possa existir.
Tentei magnificações entre 200x e 400x com e sem filtro UHC, fazendo evidenciar ainda mais esse "nódulo" na extremidade. Esta planetária é muito jovem, ainda não dispersou completamente as poeiras, havendo apenas uma parte menos densa que deixa passar um pouco das emissóes OIII, que corresponde provavelmente ao nódulo brilhante observado. Uma "lagarta" que brevemente se metamorfose-á em mais uma das magníficas borboletas celestiais.

Dragão

Nesta constelação fui observar a também anteriormente registada NGC 6543, a Olho de Gato. É muito brilhante, e notoriamente alongada, notando alguma diferenciação no brilho da nebulosa, mas nada que se pareça com as imagens. O filtro UHC também não ajudou muito, assim como maior magnificação.

Ofiúco

Ofiúco à semelhança das constelações que nesta altura do ano são observáveis, alberga uma generosa colecção de enxames globulares e nebulosas planetárias.
Devido ao facto de passar "por cima" do globo de poluição luminosa da cidade de Leiria, as observações de objectos foram muito pouco gratificantes, mas de qualquer modo fiz uma breve passagem pelos globulares de Messier 107, 14, 10, 9 e 12. Todos eles muito aquém do que realmente se pode observar, tendo as impressões variado entre a completa indefinição a alguma resolução na periferia.
Como as planetárias foram alvos preferenciais dadas as condições, aceitei a sugestão do BSA e fui tentar encontrar a NGC 6572, que no entanto deu uma boa luta. A procura com a magnificação 50x revelou-se infrutífera. Passei então para 130x e lá a consegui distinguir de um mero ponto estelar. A melhor vista foi a 200x, revelando ser uma pequena e brilhante oval cinzenta sem qualquer detalhe visível.

Raposa

Esta modesta constelação contém um dos maiores tesouros do céu . A planetária Messier 27 esteve especialmente impressionante com o filtro UHC (estes filtros valem bem o que custam em alguns objectos). Embora não comparável às imagens, as caracterisiticas mais notórias foram facilmente observadas mesmo a 50x , tais como a forma de hélice ou maçã roída. Um objecto incondicional.



Pátio 167
Três pequenas planetárias - outra vez

2004.07.03
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Nova sessão, mas desta vez com o ETX90.
Maior abertura mas com relação focal semelhante - em termos fotográficos resulta numa imagem com exposição igual mas com maior escala e possível maior resolução. A resolução efectiva depende não só da resolução do instrumento, mas principalmente da turbulência atmosférica. No caso desta configuração, a imagem tem uma sobre-amostragem (0,9") em relação à resolução teórica máxima do ETX90 que é 1,4", mas no entanto a turbulência que era nítidamente superior a 2" não deixou que se obtivesse o melhor que o ETX poderia proporcionar.

O grande comprimento focal (1300mm) torna a tolerância de seguimento bastante apertada. Por muito baixo que seja o erro periódico da Takahashi P2Z , é notório mesmo em exposições curtas (30 segundos), porque valendo um pixel quase um segundo de arco, a mínima variação é facilmente notada. O balanceamento da carga também é bastante crítico.

Devido à pouca tolerância, cerca de 1/4 das imagens obtidas tiveram que ser descartadas, tanto por ligeiro enlongamento, como pouca nitidez causada pela turbulência.

NGC 6543 "Olho de gato"
NGC 6543 "Olho de gato"
Meade ETX90 f/14.3 (1283mm)+ATIK-1HS 0.9" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 8.5' (34x15s) mag. visual 4

 

NGC 6826 "Nebulosa Pisca Pisca "
NGC 6826 "Nebulosa Pisca Pisca "
Meade ETX90 f/14.3 (1283mm)+ATIK-1HS 0.9" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 13.5' (54x15") mag. visual 4

 

M57 "Nebulosa do Anel"
M57 "Nebulosa do Anel"
Meade ETX90 f/14.3 (1283mm)+ATIK-1HS 0.9" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 9.6' (29*20s) mag. visual 4

 

Configuração Configuração
Configuração


Pátio 166
Três pequenas planetárias

2004.07.01
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Noite de Lua praticamente cheia, sendo apenas possível fazer imagem (e de encontrar) de objectos de grande brilho de superfície. As nebulosas planetárias são um dos principais candidatos, pois grande parte delas que embora de pequena dimensão possuem um brilho total bastante forte, sendo possível capturá-las mesmo com um luar que fazia sombra.
Demorou bastante mais tempo colocá-las no campo do CCD do que propriamente a registá-las. Torna-se um pouco complicado dar por elas com apenas 60mm e num céu que não tinha mais de 4 de magnitude, mas meia hora depois lá as encontrava :)

Nas imagens sairam muito pequenas apesar de ter "esticado" o refractor o máximo que era possível. Mas apesar da sua pequenez ainda é possível discernir algum detalhe, os lobos "polares" asssim como as respectivas estrelas centrais.
As imagens foram integralmente processadas no IRIS, tendo apenas subtraído um "master dark".

NGC 6543 "Olho de gato"
NGC 6543 "Olho de gato"
Takahashi FC60 60mm f/13.8 (830mm)+ATIK-1HS 1.6" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 5' (20x15") mag. visual 4

Esta é uma das nebulosas planetárias imortalizada pelo Telescópio espacial Hubble (ver aqui), e agora imortalizada pelo takito também :)). Encontra-se na sinuosa constelação do Dragão e é extremamente brilhante sendo possível suspeitá-la mesmo na mais pequena abertura telescópica, assemelhando-se a uma estrela um pouco gorda e pouco definida. A proximidade de uma estrela de magnitude perto de 10 ajuda a denunciá-la assim como uma boa magnificação. Com maior magnificação e alguma abertura nota-se que é oval. Grandes aberturas podem ver visualmente uma pequena parte do seu halo exterior (préviamente catalogado como uma galáxia).Tem apenas 1000 anos de idade e está a 3000 anos-luz.

NGC 6826"Nebulosa Pisca Pisca "
NGC 6826"Nebulosa Pisca Pisca "
Takahashi FC60 60mm f/13.8 (830mm)+ATIK-1HS 1.6" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 5' (20x15") mag. visual 4

Esta planetária reside na segunda metade da asa direita do Cisne e tem a fama de piscar. Obviamente que não pisca, sendo um interessante exercício e demonstração da visão directa e indirecta. Quando se olha directamente geralmente apenas vê-se uma estrela, mas se olhar indirectamente é possível observar a nebulosidade em volta da estrela que ficará ligeiramente atenuada. Para ajudar a observar o efeito pode-se colocar/retirar sucessivamente um filtro nebular á frente do olho. Curiosamente em grandes aberturas pode ser mais complicado, pois concentram tanta luz que observam quase sempre a nebulosidade directa ou indirectamente. Telescópicamente é uma nebulosa cinzento-azulada praticamente circular e com brilho bastante homogéneo... Situa-se a 2200 anos-luz.

M57 "Nebulosa do Anel"
M57 "Nebulosa do Anel"
Takahashi FC60+ExtQ 1.6x f/12.4 (745mm)+ATIK-1HS 1.6" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 22' (22x60s) mag. visual 4

Esta imagem não foi feita nesta sessão, mas coloquei-a aqui para termo de comparação com as duas planetárias anteriores.

Esta nebulosa foi criada por gases expelidos por uma estrela a morrer, estima-se que há 22000 anos. Talvez esta seja planetária mais conhecida e visitada, pois é visível em praticamente todos os telescópios, mas necessita de grande magnificação para se tornar evidente o anel. A estrela central tem a magnitude 15.2 e pode ser visivel em telescópios de 25 cm e acima, desde que em céus de boa qualidade. Está a 1140 anos-luz.