Agosto 2004
14/08/2004
Local:Colares de Perdizes - Montijo

Outra noite em cheio

Ainda não satisfeito com a noite anterior, pus-me a caminho de Colares de Perdizes para tentar capturar mais alguns enxames globulares de baixa declinação.
Apesar da magnitude limite à volta de 5.5, também este local tem diversas zonas afectadas pela poluição luminosa, especialmente uma das mais importantes - o horizonte Sul, mas por outro lado o Nascente é impecável.
Estiveram também presentes : Hugo S. com o Tec 10" numa G11, Paulo BG com o 100mm e a Atik, Grom a fazer exposições guiadas manualmente em filme com o refractor de 102mm, Jesus e Pilar, Joaquim e Ana com novo refractor de 100mm da Tal (impecável), Luís E. com o seu dob e o Francisco com os seus novos binóculos (muito bons), e ainda um "novato" com um ETX70 que cujo o nome não me recordo.

Não se podendo considerar uma noite excepcional, tanto devido ao facto de ser uma noite de Verão, mas também à medida que se avançava na noite as neblinas também iam aumentando lentamente.
A caminho de Leiria pensei ainda apanhar o extremamente fino crescente da Lua (apenas 1%), mas depois de passar a Serra de Aire/Candeeiros ficou completamente encoberto. Paciência.



M33
     

M5

M55

M54

M76

M19

M62



13/08/2004
Local:Recinto Obs. Astronómico Pinhal do Rei (39.75N 9.00W alt:93m)

Uma noite em cheio

Noite supreendemente limpa no recinto do Observatório do Pinhal do Rei. A magnitude limite foi cerca de 5.5, mas com algumas zonas completamente contaminadas pela poluição luminosa da Marinha Grande (a Este) e pelas praias em redor (Sudoeste).
A humidade, como é hábito naquela zona costeira, começou a atacar cedo mas não impediu que a sessão tenha durado quase 7 horas. Durante toda a noite ainda houve notória actividade meteórica da chuva das Perseidas.
A noite terminou no crepúsculo e aquando o nascer da Lua cerca das 5 da manhã, felizmente coincidindo com o aparecimento das nuvens e neblinas matinais. Nesta parte final da noite o crescente lunar e o intenso brilho de Vénus (-4.3) proporcionou um espectáculo invulgar.

Esta sessão foi essencialmente dedicada à astrofotografia com a Atik e o FC60, tendo sido os principais alvos os globulares das constelações de Escorpião, Ofiúco, Sagitário e Aquário, passando pelo Escudo (M26) e Pégaso (M15, NGC 7331 e quinteto de Stephan), tendo no final de sessão capturado breves imagems do duplo enxame de Perseu e das Pleiades com a Nikon D70 no foco primário do Tak. O Paulo Almeida andou entretido a fazer piggybacks com a sua Nikon D70.

 


NGC 7331 & Quinteto de Stephan
Takahashi FC60 f/4.2 (250mm)+ATIK-1HS 4.7" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 60' (60x60")
(manter rato sobre a imagem para legendas - keep mouse over the image for labels)

M15

M14

M2

M10

M9

M72

M12

M107

M80

M28

M26

NGC 7009

 

Duplo enxame de Perseu (NGC 869, NGC 884)
exp: 2 minutos (1x120)
Resolução: 3,2" mag. visual 6
Telescópio: Takahashi FC60 60mm f/6.4 (380mm)
câmara: Nikon D70
Takahashi P2Z

 

M45 e Merope (NGC 1435/ IC439)
exp: 8 minutos (4x120)
Resolução: 3,2" mag. visual 6
Telescópio: Takahashi FC60 60mm f/6.4 (380mm)
câmara: Nikon D70
Takahashi P2Z




07/08/2004
Local:Colares de Perdizes - Montijo

Mais cinco "cromos"

Fiz mais uma visita a Colar de Perdizes para estar sob um céu mais escuro e desobstruído.

Cheguei ainda com o Sol acima do horizonte, e com um céu que não prometia muito, mas que no entanto proporcionou um ocaso surrealista. A foto acima está o mais fiel possível às cores observadas visualmente. Vi um bólide a desfazer-se ainda de dia, logo após esta fotografia - era coisa para -4, -5 de magnitude,

Entretanto foram chegando mais parceiros de observação, que partilhavam de igual optimismo em relação às condições atmosféricas, ficando o local até bem composto.

Felizmente, pelo menos até a Lua nascer cerca das 00:30, o céu pareceu estar aparentemente limpo, embora não duvidar muito que as nuvens que existiam ao anoitecer ainda por lá andavam. A magnitude zenital esteve próxima de 5.5.
À 1:00 ficou quase completamente encoberto.
Não havia humidade até à hora de partida (2:30), estando uns confortáveis 21 graus e soprava uma ligeira brisa.

O tempo disponível foi pouco e apenas me entreti a fazer umas curtas imagens para juntar à colecção, embora chamar-lhes "cromos" seja um contra senso pois são imagens monocromáticas... Durante os tempos de exposição, ia saltando de telescópio em telescópio, observando e conversando - Francisco com seu dob de 25cm, o Mota com o TMB que se entreteu a fazer imagens de estrelas múltiplas, o Mário e mulher e o seu Mak 7", e Jesus e Pilar que estiveram a fotografar o céu com uma DSLR e finalmente o Gregório. No final comemos um melão e umas batatas fritas com isótopo radioactivo de queijo, seguindo logo após todos para casa. Foi curto mas valeu a pena.
As perseidas já por aí andam. Durante a noite houve alguma actividade meteórica, observei pelo menos 4 meteoros brilhantes vindos do radiante de Perseu.

M4
Takahashi FC60 f/8.3 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 9.5' (19x30")

M4 é um dos enxames globulares mais próximos, estando a apenas 6800 anos luz. A sua proximidade da Antares torna-o bastante fácil de localizar, sendo também fácilmente visível com qualquer instrumento. Os seus 36' de diâmetro não estão nesta imagem completamente repesentados, parecendo bem mais pequeno do por exemplo o M22 abaixo. Esta discrepância é devido à poeira interstelar que nesta zona da galáxia abunda.

M11 "Patos Selvagens"
Takahashi FC60 f/8.3 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 8.5' (17x30s)

M11 é um dos mais espectaculares enxames abertos visualmente, embora considere que a alcunhas de "Patos Selvagens", devido ao arranjo triangular das estrelas, não me pareça muito evidente. A condensação é tanta que tem quase a nota máxima na classificação de Trumpler (I,2,r), sendo vulgar confundi-lo com um enxame globular, mas alguma magnificação, mesmo com pouca abertura faz resolver praticamente todas as estrelas brilhantes e uma quantidade de estrelas por resolver, dando-lhe um aspecto algo nebuloso. Está a 5500 anos luz e é um enxame adolescente com apenas 500 milhões de anos.

M22
Takahashi FC60 f/8.3 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 11' (22x30s)

M22 é maior e mais brilhante que M13, estando a menos de metade da distância, a cerca de 10400 anos luz. A sua baixa declinação retirou-lhe injustamente o cognome de "grande", mas não é por isso que não deixa de ser impressionante tanto imagem como visualmente.
Quando fiz a aquisição das imagens, olhei para o takito para ver se não tinha inchado a abertura ;) ... infelizmente não :(...

M17 "Nebulosa do Cisne"
Takahashi FC60 f/8.3 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 16' (16x60)

Depois de M42 o "cisne" é a nebulosa mais brilhante do nosso hemisfério. O nome foi bem dado, pois mesmo usando binóculos é possível ver a forma de um cisne. Com grandes aberturas e filtro OIII é possível ver muito do detalhe da imagem acima. Está a quase 5000 anos-luz.

M16, IC 4703 "Nebulosa da Àguia"
Takahashi FC60 f/8.3 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 17' (17x60s)

Visualmente é um enxame aberto com várias estrelas brilhantes, rodeadas de por uma ténue nebulosidade. Nas imagens é uma das cenas mais espectaculares da nossa Galáxia, não graças ao enxame mas sim à nebulosa que lhes deu origem, e irá ainda dar origem a outras. Os pilares da criação são das imagens a que ninguém pode ficar indiferente, estão acima de qualquer descrição verbal. Situa-se a 7000 anos luz.



24/08/2004
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Dois enxames e uma binoculada

Pode parecer incrível, mas já faz mais de 15 dias que não havia uma noite sem nuvens e/ou sem Lua cheia, não que isso sirva de grande coisa aqui no pátio, mas pelo menos vai-se treinando a aquisição de imagens em objectos que não necessitam de céus muitos escuros como é o caso dos enxames abertos.

Enquanto o computador ia registando, entreti-me a vasculhar o céu com os binóculos Takahashi 22x60, á procura de objectos brilhantes e estrelas duplas.

A primeira dupla foi a estrela Polar, não propriamente famosa por ser dupla, mas é um bom teste para binóculos, estando apenas afastada 16,8" da sua companheira de magnitude 8 que tendo uma diferença de brilho perto das 7 magnitudes, pode tornar difícil a sua detecção, mas até foi fácil.
Mais acima estava as virtualmente estrelas gémeas Nu draconis, ambas com 4.88 e 4.87 magnitudes, separadas com uns confortáveis 62", que é um dos melhores exemplos de estrelas praticamente iguais, tanto no brilho como na cor.

O histórico par Alcor e Mizar da Ursa Maior é bem distanciado, mas a última tem uma companheira a 14.5", que esteve perfeitamente perfeitamente destacada. Outro par próximo, a Cor Carolli (alfa de cães de Caça), também não ofereceu grande resistência, apesar de já se encontrar com pouca altitude.
A Albireo de Cisne recebeu sem dúvida o prémio da mais bonita. As cores intensas das suas componentes , azul e dourado, torna-a numa verdadeira jóia, sem qualquer concorrente nos dois graus de campo dos binóculos. Achei a vista impressionante.

De seguida passei para os habituais enxames globulares que neste momento estão em exibição. Foram eles os globulares M13, M92, M3, M56, M71. Com apenas 22x é praticamente impossível fazer "saltar" muita resolução, mas no entanto todos eles apresentaram com facilidade alguma granulação, mais especialmente nas suas orlas, destacando-se fácilmente como globulares, mesmo com uma passagem de relance.
Os enxames abertos que foram alvo da atik, estiveram muito bem, ficando as duas dúzias de estrelas que têm uma distribuição triangular do M39 muito bem enquadradas.
No M52 foi possível resolver meia dúzia, rodeadas deu por uma nebulosidade causada pelas as estrelas de grande magnitude que o compôem. O grupo rectangular das estrelas mais brilhantes do M29 destacava-se muito bem perto do coração do Cisne e finalmente o "Cabide" (Cr399) mal cabia no campo dos binóculos, perdendo um pouco o seu efeito.

Galáxias foi um caso perdido, mas fiquei algo admirado por conseguir observar fácilmente o núcleo da M51, apesar de já estar um pouco baixa, não deixou de assinalar a sua presença.

A M57 (nebulosa do anel) embora não pareça, é um objecto pequeno. A 22x esta nebulosa denuncia-se fácilmente, mas não estava à espera de conseguir ver o "buraco" do meio, que embora possa ter sido sugestão, acredito que tenha conseguido discernir.

M39
Takahashi FC60 f/4.2 (250mm)+ATIK-1HS 4.7" res60%
Takahashi P2Z
exp: 6' (20x30s)

O M39 está situado a 800 anos luz e tem apenas 300 milhões de anos de idade. É um enxame que fica mais bem enquadrado usando binóculos, mostrando cerca de duas dúzias de estrelas brilhantes muito esparsas. A olho nu assemelha-se uma pequena nebulosidade.

M52, NGC 7635 "Nebulosa da Bolha"
Takahashi FC60 f/4.2 (250mm)+ATIK-1HS 4.7" res 80%
Takahashi P2Z
exp: 30' (20x90s)

M52 é um bonito enxame aberto extremamente rico em estrelas e muito comprimido. Nos binóculos 7x50 tem uma aparência nebulosa, mas com mais alguma magnificação consegue-se resolver dezenas de estrelas. Situa-se a 5100 anos luz.
Um bocado mais longe, a 7100 anos luz, mas a pouco mais de meio grau encontra-se A "Bolha" que é uma nebulosa de emissão é muito difícil de observar visualmente com pequenos e médios telescópios, sendo também muito difícil de se fazer imagem em céus pouco escuros, como a sua pálida imagem acima bem demonstra.