Setembro 2004
28/09/2004
Local: Leiria

Lua da Colheita

É sempre um espectáculo uma lua cheia a nascer. Estas Lua tem o dom de ter ajudado nas colheitas, pois nasce pouco depois do Sol se pôr, permitindo prolongar o dia de trabalho pela noite adentro.
Esta particularidade é devido à Terra se encontrar perto do seu equinoxe de Outono (que foi no passado dia 22 às 17:30), que entre outros significados, quer dizer que os dias têm praticamente a mesma duração que as noites e estando a Lua na sua fase cheia exactamente no lado oposto ao Sol, daí quando se dá o ocaso do Sol, nasce logo de seguida a Lua.

Lua da Colheita
4x1/25s. iso 200s
câmara: Nikon D70 + Nikkor 300mm f/4.5 (mf)
(clique na imagem - click on the image)



24/09/2004
Local:Sra do Monte - Cortes (39.68N 8.75W alt:395m)

4179 Toutatis

Lua 1 - Toutatis 0


Foi pena não ter conseguido captar este NEO na sua rápida passagem pela as nossa paragens. A Lua interferiu demasiado, não permitindo sequer ter alguma estrela com referência num raio de 10 graus, assim como também ter começado demasiado tarde (já passava das 11:30).
É nestes momentos que me arrependo de ainda não ter perdido algum tempo a treinar a utilização dos círculos graduados que a P2Z tem. Embora já tenha experimentado, não possuem precisão suficiente para menos de 1 grau em cada eixo.
Neste caso nem precisava de tanto, pois o Sky90 com redutor e a Nikon D70 tem um campo com cerca de 4.5 graus, devendo ficar fácilmente lá registado, isto apesar com 1 minuto de exposição a 200 ISO as fotos ficarem praticamente brancas devido ao luar.

Ainda estou a ver as imagens que fiz da região, mas duvido que tenha por lá ficado, pois o asteróide a mover-se daquela maneira (RA: -0.1144 dec: -0.1375 (arcsegs/seg)), que resulta num arrastamento de mais de 16 segundos de arco para uma exposição de 120 segundos, portanto sendo notório.
Nesta noite ainda se encontrava a mais de 4 milhões e meio de km, a caminho da sua maior aproximação de milhão e meio de kms no dia 29.

No entanto o grupo Atalaia teve bom sucesso no registo desta aproximação, ver em h ttp://www.atalaia.org/encontro.php?id=84

Continuando ainda em testes com o Takahashi Sky90...

Nota: As imagens abaixo não foram calibradas, apenas recortadas e niveladas, e no caso da M45 "subtrai" os halos cromáticos mais evidentes (curiosamente na imagem de M31 estão completamente ausentes).

Desta sessão só ficou esta rápida imagem de M45 "ao Luar". A magnitude estelar conseguida foi superior a 16, embora para se captar a nebulosidade fosse necessário pelo menos mais uma dúzia destas...

M45
Takahashi SKY90 f/4 (360mm)+Nikon D70 4,2"
Takahashi P2Z
exp: 1x120 s iso 800 (mode3)

Assim como esta foto única de 5 minutos feita na noite anterior aqui no pátio, que escusado será de dizer que ficou completamente saturada, mas ainda identicável. Mais umas dez imagens iguais a esta, mas em céu bem mais escuro parece prometer uma boa imagem.

M31, M32 e M110
Takahashi SKY90 f/4 (360mm)+Nikon D70 4,2"
Takahashi P2Z
exp: 1x300s iso 800 (mode3)
(clique na imagem - click on the image)

Uma foto de 3 minutos também feita na noite aqui no pátio: A nebulosa planetária M57 com (muito) contexto.

M57
Takahashi SKY90 f/4 (360mm)+Nikon D70 4,2"
Takahashi P2Z
exp: 1x180s iso 400 (mode3)
(clique na imagem - click on the image)



18/09/2004
Local: Atalaia (Montijo 38º44N 8º48W)

Takahashi Sky90 - A colimação

Grande parte da sessão foi passada a colimar definitivamente (espero eu) o telescópio, com a preciosa ajuda do Grom.

Pôr um telescópio colimado torna-se uma tarefa bastante mais agradável se tivermos mais um par de olhos e mãos.
Se esses pares forem experientes, então é ouro sobre azul.
O Sky90 apesar de ser um telescópio extremamente curto, não permite rodar os parafusos de colimação e observar o seu efeito simultaneamente, tornando-se à semelhança de todos os outros telescópios um vai-vém constante.
Obter a colimação até é fácil, mas colimar de modo a que fique o mais seguro possível já se torna noutra história, porque basta um dos três parafusos não ficar convenientemente apertado e justo para causar descolimação com apenas alguma vibração. Desta vez julgo que os três parafusos ficaram o mais ajustados (apertados) possível. Quem apreciasse de fora o diálogo era capaz de ficar deveras intrigado: "coma às 11 horas", "anéis a centrar" , "anel com excesso de luz às 2 horas"... enfim, há cada hobby mais estranho...

A diagonal prismática Takahashi de 1.25" infelizmente introduz algum de astigmatismo neste telescópio , aberraçãp que é para mim um pouco difícil de avaliar (mesmo com os óculos), tendo que provavelmente um dia destes adquirir uma diagonal de espelho.

Após esta duas horas de colimações e descolimações, já deu para apreciar alguns objectos visualmente, revelando um contraste excepcional, com estrelas extremamente comprimidas e coloridas.
A Panoptic de 24mm é uma das oculares de eleição para este telescópio, assim com a nagler 9mm apesar da coma começar a ser notório a partir do último quarto do campo, mas felizmente é precisamente a partir daqui que se é "obrigado" a olhar de lado no imenso campo de 82 graus, não interferindo portanto muito na imagem global. Oculares com campo igual ou inferior a 50 graus são praticamente corrigidas até ao bordo, incluindo a nagler zoom 3-6mm.

A noite não esteve muito transparente, nem a magnitude limite ultrapassou os 5.5, sendo ainda atravessada por diversas nuvens altas, que de uma forma ou outra iam estragando várias partes do céu a todos os presentes e também algumas "frames" aos astrofotografos. Mas tal não impediu que se ficasse até depois da 4 e meia da manhã.

No entanto deu para apreciar o duplo de Perseu, a Merope das Pleiades, M31, e todos os objectos dos quais fiz algumas imagens, M1, M33 e M42.

A noite na Atalaia esteve muito animada, com muita afluência (algumas dezenas de pessoas) e muitos telescópios como o relato e fotografias em http://www.atalaia.org/encontro.php?id=83 mostra. Está a tornar-se numa verdadeira astrofesta (praticamente) semanal.

M1
Takahashi SKY90 f/5.6 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 23.3m (35x40s)

De seguida, sem verificar a condensação nas objectivas e redutores, pus-me a fazer imagens. A M1 ainda se safa, mas as restantes são um belo exemplo de como a falta de atenção aos pequenos detalhes fazem perder tempo e pregam sustos desnecessários, como aqueles halos de aberração cromática na imagem de M42. O redutor estava com condensação entre elementos, que por acaso até já tinha notado na sessão anterior, mas que me esqueci de secar.

Abstraindo-se dos horríveis halos causados pela a condensação do redutor, e apesar de uma ligeira desfocagem, é possível verificar a fineza de detalhe da nebulosa na imagem abaixo, que é um recorte de uma exposição de 2 minutos sem qualquer processamento.
Reparar que até os "hotpixel" têm halo - coisa que na minha opinião só pode querer significar que ou o redutor ou o CCD estavam com alguma condensação (o redutor garantidamente). Por outro lado a imagem estava praticamente corrigida em mais de 80% da área.

M42 & M43
Takahashi SKY90 f/4 (360mm)+Nikon D70 4,2"
Takahashi P2Z
exp: 1x120 seg. iso 400 (mode3) mag. visual ~5
(clique na imagem - click on the image)

 

M42 & M43
Takahashi SKY90 f/4 (360mm)+Nikon D70 4,2"
Takahashi P2Z
exp: 1x120 seg. iso 400 (mode3) mag. visual ~5

o inicio da noite seguinte observei e tirei umas fotos com Sky90 à Lua (que já estava algo baixa) para confirmar que aquele cromatismo não era das ópticas e que felizmente se confirmou : tem a correcção de cor que julgo perfeitamente normal para esta classe - não é isento mas é preciso procurar por ela. Ufa! este telescópio só me prega sustos... enfim mais considerações e testes se seguirão...

Lua
Telescópio:Takahashi SKY90 f/9 (800mm)
câmara: Canon G1 afocal Radian 14mm
Takahashi P2Z
(clique na imagem - click on the image)



14/09/2004

Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Takahashi Sky90 - Primeiras Impressões

Depois de no fim de semana anterior ter tido um "first light" algo assombrado por descolimação, puz mãos à obra e tratei de seguir as instruções no site do importador europeu http://www.optique-unterlinden.com/howto/fcl90col.htm, onde constatei que para além de ser possível colimar por um simples mortal, também parece frequente a sua descolimação após a sua passagem pelas transportadoras. Não é um problema inerente à construção da célula, mas sim for ser um f/5.6 que tem muito pouco tolerância a qualquer descolimação.

Peguei em três chaves de allen de 1.5mm apontei para Deneb a 166x que se encontrava perto do zénite, e pus-me a rodá-los até me parecer os anéis de difracção estarem centrados com o disco de airy e se manterem alinhados em ambas as desfocagens.

Na primeira vez ficou ligeiramente "pinched" (disco de airy não estava perfeitamente redondo) , ou por outras palavras, um dos parafusos estavam a exercer um bocado mais de força, mas depois soltei um bocado mais e tornei a recentrar e lá fiquei com o telescópio razoavelmente colimado. Verifiquei ainda a 250x e pareceu quase perfeita, embora desconfiar que ainda possa ficar melhor. Agora resta saber se a colimação se mantém com as habituais viagens.

De uma primeira impressão, e mesmo tendo em conta que ainda não esteve sob céu condigno, as ópticas parecem bastante boas: bom contraste e boa definição, apesar da coma que apresenta no quarto exterior do campo de vista. Ainda vai correr um bom intervalo de tempo até chegar a alguma conclusão, pois neste momento estou mais inclinado a ver defeitos que virtudes...

No que diz respeito à aberração cromática, parece-me ser a típica para um dobleto com elemento de fluorite apocromático, embora não possa tirar grandes conclusões até ver um planeta, a Lua ou uma estrela brilhante com uma atmosfera razoável. Mas de qualquer modo a estrela Vega apresentava um resíduo púrpura. Em estrelas menos brilhantes é impossível de detectar.

No que diz respeito à astrofotgrafia, fiz umas imagens de teste sob um céu de magnitude 4, com turbulência e usando um "dark" reciclado e sem "flat", mas mostram claras melhorias tanto na resolução, quer nos tempos de exposição em relação ao tak de 60mm.
Esta é uma das razões para o "upgrade", pois permite uma melhor eficiência no tempo de exposição e relação de sinal/ruído. Na prática permite baixar para metade o tempo de exposição e para metade o "ganho" da Atik, adicionando ainda a possibilidade de maior resolução devido à maior abertura, ou então por outro lado regista mais "data" para o mesmo tempo de exposição no FC60.

M92
Takahashi SKY90 f/9 (800mm)+ATIK-1HS 1.6" res
Takahashi P2Z
exp: 6.5' (13x30s) mag. visual 4

 

M27
Takahashi SKY90 f/5.6 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 9' (18x30s) mag. visual 4

 

Sky90