Março 2005

Pátio 192
Pátio RGB (parte II ) - RGB Pateo (part II)

2005.03.17
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Nesta sessão, quis tentar fazer imagem a cores (LRGB) do enxame aberto M67 que é constituído por estrelas de diversas cores (espectros), sendo aliás por este motivo um dos enxames mais usados para calibração de filtros (UBVRI) nos observatórios profissionais. Mas o objectivo não era calibrar, coisa que com uma câmara de 8 bits é algo difícil se não impossível de obter com precisão (perda linearidade rapidamente), mas sim ver como saiam as cores das estrelas e ajustar a olhómetro.

As exposições usadas foram de 12x15 segundos para cada canal LRGB, tendo sido registadas e integradas com o IRIS. Não forma usados "darks" nem "flats" embora estar a precisar. O canal L foi adicionado com o PS segundo o método descrito nesta página. O peso de cada canal RGB é 1:1:1 sendo o canal L uma soma mediana para não "engordar" demasiado as estrelas. Fica a imagem abaixo embora pessoalmente goste desta com mais ruído.

On this session I tried to make a color image (LRGB) of M67 open cluster, that has several diferent color stars (spectrums), being also one the clusters used for professional observatories calibration (UBVRI). But the purpose was not calibration, because with only 8 bits it´s quite impossible to obtain the flux with precision (due quick lost of linearity), but mainly to see how the colors would come out and to visually balance the image.

The exposures were 12x15 seconds for each LRGB channel, being registered with IRIS. No darks or flats, but needed a bit. The L channel was add with PS using the method described on this page. The relative weight was 1:1:1, with L channel median stacked to try not to bloat the stars. The resulting image is below, altought I like this one better.

M67
M67, NGC 2682
Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 12' (180"+3*180") LRGB

A estrela de interesse não é propriamente a zeta leonis, mas sim a estrela que está às suas 11 horas (TYC 1969 1260), que tem um espectro igual ao do nosso Sol que é uma estrela G2 , embora esta estrela seja uma subgigante e não uma anã (IV em vez de V). A estrela deveria parecer branca, embora tenha traços de uma ligeira aberração cromática.

The interesting star wasn´t zeta leonis, but the star at 11 o'clock (TYC 1969 1260), that has a similar Sun spectrum, witch is a G2 star, althought it's a sub-giant not a dwarf (IV instead V). The star should appear white, but has some traces of chromatic aberration.

Adhafera - zeta leonis e a G2V
Adhafera - zeta leonis e a G2V
Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 9' (15"+3*180") RGB (Astronomik)

Coloquei a toucam e adicionei a powermate 5x para as imagens abaixo. A primeira imagem é a versão XL da imagem da anterior sessão, em que os 4,5" que separam as duas estrelas douradas é notoriamente bem espaçado, não porque estava especialmente pouca turbulência (bem pelo contrário) mas sim porque foram as 6 únicas "frames" possíveis de usar num total de 600... Todas as restantes imagens processadas no Registax3.

I've put the toucam and added a powermate 5x to make the below images. The first is the XL version of previous session, where the 4.5" that separates de two golden stars it's quite obvious, not because low turbulence (quite the contrary), but yes because was made of only 6 frames from 600... all the images processed with Registax3.

Algieba - gamma leonis
Algieba - gamma leonis
Takahashi SKY90 f/31 (2755mm)+Toucam 0.42"
Takahashi P2Z

Também usando apenas a powermate 5x para trabalhar a f/31. O globo até fica com um tamanho jeitoso e apresenta algum detalhe.

Also using the powermate to work at f/31. The globe still has a nice size e shows some detail.

Jupiter 20050317 00:57 UT
Jupiter 20050317 00:57 UT
Takahashi SKY90 f/31 (2755mm)+Toucam 0.42" 60%
Takahashi P2Z
exp: 2' (1/10"x1200)


Pátio 191
Pátio RGB - RGB Pateo

2005.03.13
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Noite com alguns buracos nas nuvens boa para experimentar os filtros RGB type 2c da Astronomik.

O primeiro passo foi arranjar solução para o trem óptico com a gaveta de filtros, também esta também sido feita pela a Astronomik.
Esta gaveta manual de filtros tem uma construção impecável, sendo completamente feita de aluminio e aço? anodizado a preto e possuindo rosca M36 (tipo T), macho e fémea, "gastando" apenas 21mm de foco. Adquiri também 5 gavetas, 4 para filtros de 28.5mm e 1 para filtros de 48mm para ter os filtro permanentemente montados, também estas são de uma construção exemplar.

Com o Takahashi Sky90 e redutor/corrector, combinação que faz recuar um bocado o foco (ou outras palavras "vai mais para dentro"), conjuntamente com a atik directamente enroscada na gaveta ainda sobra quase 20mm de "in-focus". Uma boa folga. Também é possível usar o extensor focal (Extender Q 1.6x) que coloca o telescópio a trabalhar a f/9 com cerca de 800mm de focal.

Evening with some holes on the sky to tryout the Astronomik RGB type2c filters .

The first step was to find a solution for the optical train using the filter drawer , also made by Astronomik.

This manual filter drawer has an impecable construction, fully made of steel and anodized aluminium, sporting M36 male and female screw (T-thread), one on each side, using only 21mm of focus. Acquired also 5 drawers, 4 for 28.5mm filters and 1 for a 48mm filter , to have the filters permanently attached. This drawers have the same excelent build quality.

The Takahashi Sky90 with reducer/corrector puts the focus point somewhat shorter, but the the train using an atik camera directly attached still have about 20mm of spare in-focus. Quite confortable. It's also possible to use the Extender (ExtenderQ 1.6x), making the telescope to work at f/9 (800mm).

Redutor+2"->M43+CA35+Gaveta de filtros+Atik
Redutor+2"->M43+CA35+Gaveta de filtros+Atik

2"->M43+ExtenderQ+Gaveta de filtros+Atik
2"->M43+ExtenderQ+Gaveta de filtros+Atik

As imagens são apenas testes com estrelas brilhantes, na quantidade de 10x10x10 com exposições de 10 segundos, que não foram calibradas. Mesmo com as gavetas é um pouco entediante trocá-las, sendo necessário verificar se o foco está correcto porque existem ligeiras diferenças de foco entres filtros (sinónimo de correcção de cor não muito perfeita).
A imagem com 5 pixeis amarelos abaixo é curiosamente semelhante ao que se observa visualmente a cerca de 50x.

The images are only test on bright stars, with 10x10x10 non calibrated exposures of 10 seconds. Even with the drawers, the exchange was quite tedious, being necessary to check focus for each filter (a sign of not-so perfect color correction).
Curiously, the 5 pixel image below resembles the visual at 50x.

Algieba - gamma leonis (rgb)
Algieba - gamma leonis (rgb)
Takahashi SKY90 f/9 (800mm)+ATIK-1HS 1.6" res

 

Algieba - gamma leonis
Algieba - gamma leonis
Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res

Apenas a título de passar o tempo (com 90mm não se pode ter grandes pretensões), ficam várias imagens de Júpiter feitas com a velhinha toucam, feitas a mais de f/41 e com ganho a 60%. Com noites mais transparentes deverá ser talvez possível baixar para 40%.

Não me consigo decidir qual a "cor verdadeira". Embora ache que o planeta tenha cores menos vívidas do que daquelas que são vulgares ver-se nos processamentos. Após ver imagens "true-color" do planeta na net, nomeadamente do Hubble, acho que o planeta tem como cores dominantes o salmão, marfim e o azul acizentado, todas elas um tanto ao quanto deslavadas.

As imagens estão fortemente sobre-amostradas (4x a resolução teórica do 90mm), daí que se reduzir para metade o tamanho não se perde grande coisa. Cada imagem tem um equilíbrio de cores e brillho diferente para os testar em monitores diferentes.

Just for the sake of time spending (90mm can't be pretensious), made several Jupiter images with my ol'toucam , made at F/41 with 60% gain. With more transparent nights maybe it's possible to lower to 40%.

I can't decide what are the "true-colors". It's my opinion that the colors are less vivid than it usual to see on amateur's processed images. After seeing some "true-colors" on the web, i.e Hubble, considered that the dominant colors are salmon, Ivory, gray blue, all somewhat washed out.

The images are strongly over-sampled (4x the theorical 90mm resolution), hence reducing to half size won't loose much. Each image have a diferent color balance and brightness to test on diferent monitors.

Jupiter 20050313 00:45 UT
Jupiter 20050313 00:45 UT
Takahashi SKY90 f/41 (3720mm)+Toucam 0.31" 60%
Takahashi P2Z
exp: 2' (1/5"x600)

 

Jupiter 20050313 00:45 UT
Jupiter 20050313 00:45 UT
Takahashi SKY90 f/41 (3720mm)+Toucam 0.31" 60%
Takahashi P2Z
exp: 2' (1/5"x600)

 

Jupiter 20050313 00:51 UT
Jupiter 20050313 00:51 UT
Takahashi SKY90 f/41 (3720mm)+Toucam 0.31" 60%
Takahashi P2Z
exp: 2' (1/10"x1200)

 

Jupiter 20050313 00:55 UT
Jupiter 20050313 00:55 UT
Takahashi SKY90 f/41 (3720mm)+Toucam 0.31" 60%
Takahashi P2Z
exp: 2' (1/5"x600)


Pulo do Lobo IV

2005.03.05
Pulo do Lobo - Serpa

Finalmente um céu bem escuro.
Estas idas a Serpa são cada vez mais indispensáveis para manter o "bicho" da astronomia bem vivo. Nada como um céu escuro para realmente disfrutar de todas suas jóias e até para conhecer melhor os nossos próprios limites.

luz zodiacalO pessoal foi chegando a partir das 18 horas, começando logo de imediato a montar o equipamento. Mesmo antes de ser preciso luz para ler, já praticamente todos estavam prontos para uma grande noite. Ficamos distribuídos por três áreas - uma dedicada à astrofotografia digital com diversos tipos de telescópios, sendo estes essencialmente refractores a(po)cromáticos, um catadioptrico e um "binóculo" Apo-Mak em serviço visual, uma outra área com os grandes reflectores "truss", dois de Merak de 12" e 18", dois Obsession de 15", e finalmente dois refractores e um dob de 8" que ficaram instalados no cimo de um monte, sendos estas últimas áreas dedicadas à observação visual. Mal contados éramos mais de um dúzia, havendo também algumas visitas de indígenas locais.

As condições atmosféricas foram variando durante a noite, começando a noite com algum vento e ar seco, terminando já sem vento com bastante humidade, algumas neblinas baixas e com uma temperatura 2 graus celsius.
Até a Lua nascer após as 4 da manhã, a magnitude limite visual no zénite esteve a rondar os 6.5.

À medida que ia anoitecendo, Mercúrio que apresentava uma adiantada (ou atrasada) fase, tornando-se numa "estrela da tarde" bem brilhante logo após do pôr do Sol. Á medida que ia anoitecendo foi surgindo também gradualmente um enorme e gordo cone da luz zodiacal, tão forte e com tais dimensões que até se poderia considerar poluição luminosa! chegava quase até ao zénite não me lembro de alguma vez ter visto a luz zodiacal tão intensa, o que atesta uma noite verdadeiramente escura. A luz zodiacal é causado pela a luz de Sol a reflectir nas inumeras poeiras interplanetárias provenientes dos cometas e colisões entre asteroides que tal como todo o resto estão em órbita à volta do Sol.
A melhor altura para a observar este fenómeno é quando a ecliptica se encontra quase perpendicular ao horizonte, situação que se verifica no início das noites de Primavera e nas madrugadas de Outonouma a partir 1 hora antes e após o crepúsculo astronómico.

De resto foi um início de noite calmo e sereno, com uma enorme abóbada celeste completamente à disposição acompanhada por um agradávelmente silêncio - daquele silêncio que só ouve um lugares realmente isolados. Pois é, céu escuro, silêncio, petiscos e boa companhia - acho que não foi necessário mais nada...

Tendo esta noite se estendido ao longo de cerca de 12 horas, a lista de objectos observados foi bastante extensa. Desta vez dediquei-me essencialmente à observação visual, tendo seguindo todas as sugestões (e mais algumas adicionadas) das cartas do Atlas de Karkoschka . Que convenientemente está ordenado po ascenção recta, tendo-me limitado a esperar que os os objectos desfilassem no meridiano.

O telescópio utilizado foi um Takahashi Sky90 f/5.6 com uma nagler de 9mm (56x-1,5 graus) que foi a combinação mais usada, uma panoptic 24mm (21x-3,2 graus) e uma nagler zoom 3-6 (83x-167x). Também foi utilizado foi um filtro UHC da Astronomik.

E3 M45, Hyades, NGC 1647, M1

Apesar de ser um dos mais notáveis enxames do nosso céu, as Pleiades (M45) ganharam um encanto especial num céu escuro. A nebulosa Merope (e outras) que são hábito se ver nas fotografias eram imediatamente visíveis na sua cor e forma, ocupando a totalidade da área do enxame e arredores - é de aproveitar sempre para revisitar estes objectos em bons céus porque vale mesmo a pena. M1 embora não apresentasse muito detalhe, tinha no entanto um textura razoavelmente diferenciada, mostrando algumas vilosidades..

OrionE4 M79, NGC 1981, NGC 1973, M42, M43

Estive a observar por bastante tempo a constelação de Orion. Todos os objectos com excepção de M79 eram visíveis no mesmo campo com a pan 24mm. É uma visão impressionante onde foi praticamente impossível não conseguir observar nebulosidade.
A apenas 21x e com mais de 3 graus de campo, toda a "espada" de Orion ofereceu uma vista memorável, sendo até fácil seguir todo o "laço" da M42, ou ainda a nebulosa com a silhueta do "homem a correr", um contraste pouco habitual, sendo ainda ver as 4 estrelas do trapézio nessa baixa magnificação. Uma vista simplesmente fantástica.
A imagem ao lado é uma exposição de 6 minutos com a objectiva de 50mm onde ficaram registados dois meteoros que julgo serem esporádicos, visto não haver nenhuma actividade meteórica significativa nesta altura.

E5 NGC 1788, NGC 2024, M78

A "Flame" também esteve visível, assim como as restantes nebulosas. M78 e NGC 1788 (uma estrela ténue enublada) .

E6 M41, NGC 2362, M93

O enxame NGC 2362 revelou-se até bem interessante com a brilhante Tau CMa a adicionar algum vigor ao enxame um tanto ao quanto irresolúvel.

E7 NGC 2129, M35, NGC 2175, NGC 2261, NGC 2264, NGC 2392

Considero o par M35/NGC 2175 uma das vistas de campo largo mais interessantes do nosso céu devido ao contraste no tamanho e resoluçao dos dois enxames. Lá perto está também uma zona com ténue nebulosidade que corresponde à NGC 2175. A Variável de Hubble (NGC 2261) para além de ser ténue é extremamente pequena, ainda deu algum trabalho a identificá-la no campo a 56x, pois assemelha-se a uma estrela com um pequeno e ténue "rabo". Na "esquimó" (NGC 2392) era perceptível a concha exterior - vista muito interessante.

E8 M50, NGC 2360, NGC 2359, M47, NGC 2423, M46, NGC 2438, NGC 2539

Esta carta tem uma boa colecção de enxames abertos, com especial menção para a nebulosa planetária de magnitude 11 e apena 1 minuto de arco qe se encontra na área de M46 - elusiva ao princípio mas perfeitamente visível, mesmo sem filtro. M46 e M47 observam-se simultaneamente mas algo apertados em 3 graus numa área que está absolutamente "infestada" de estrelas, sendo por tal uma área muito interessante para passear, repleta de enxames abertos.

E9 NGC 2237, NGC 2244, NGC 2301, NGC 2324, M44, M67

Uma vista inesquecível da "Rosette" e do seu enxame associado, ngc 2237 e 2244 respectivamente. Sem filtro UHC a nebulosa era visível mas muito pouco perceptível, mas ao ter colocado o filtro UHC, vi a nebulosa como nunca julguei ser impossível ver - a nebulosidade apresentava todo o recorte e forma de rosa (com uma pétala maior), com o centro mais escurecido que é costume ver-se nas fotografias mas obviamente que sem a cor, mas no entanto com um bom e fino detalhe.
Mais uma vez, a 21x e com mais de 3 graus de campo, a combinação foi perfeita para enquadrar folgadamente esta enorme nebulosa, que chega a ter quase grau e meio na sua maior extensão. Foi uma vista memorável.
Experimentei ainda um filtro OIII (Lumicon) que no entanto achei demasiado estreito para os 90mm de abertura, mas deu a impressão de aumentar ligeiramente o contraste da nebulosa. Os enxames ex-libris de Cancer, M44 mas mais especialmente o M67 (um dos meus favoritos) estiveram também muito vívidos.

E10 M48, NGC 3115, NGC 3242

Apesar destes três objectos serem gratificantes, fica a nota da observação a olho nu de M48. A NGC 3242 "Fantasma de Júpiter" tem esse nome por ter o mesmo tamanho aparente de Júpiter, mas tal não é o caso com pequenas aberturas, pois tive a ocasião de comparar com o próprio e sem dúvida que planetária é notoriamente mais pequena. A galáxia 3115 é uma "edge-on" muito brilhante e acessível a qualquer telescópio.

Por falar em Júpiter, também este planeta nos brindou com mais um trânsito da GMV, sendo até visível não só uma bem marcada delineação da mancha, mas sim diferenciação no seu interior (nagler zoom 3mm 166x), isto para além de bastante detalhe em ambas as bandas equatoriais. A noite embora não propriamente estável para observação planetária, proporcionou alguns bons momentos de estabilidade.

E11 NGC 2903, M95, M96, M105, NGC 3384, M65, M66, NGC 3628 + NGC 3607, NGC 3341

Todas as galáxias acima se apresentaram conforme as descrições básicas, no seu tipo e forma, e bastante brilhantes e satisfatórias. O trio M65/M66/NGC 3628 continua a ser uma grande vista em 3 graus de campo. De salientar a dimensão e a bem notória barra de poeira de NGC 3628, não tendo terminado esta carta sem antes dar um salto ao par de estrelas dourado que formam a gamma Leonis (Algieba).

Dois meteoros (Beta ou Rho Leonidas)
Dois meteoros (Beta ou Rho Leonidas)

E12 NGC 4361, M68, M104, NGC 4697

A "Sombrero" mostrou-se bem alongada e brilhante, aguentando até um bocado de magnificação mas sem mostrar indício da barra de poeira (talvez fosse pedir muito). Outra surpreendentemente fácil (apesar do Karkoschka escrever que é um objecto ténue) tratou-se da pequena planetária que se encontra no meio da constelação do Corvo, na qual tentei observar a estrela central de magnitude 13 mas sem sucesso. A galaxia eliptica NGC 4697 e o globular M68 bastantes visíveis mas sem detalhe digno de nota.

E13 NGC 4494, NGC 4559, NGC 4565, NGC 4631, NGC 4656, NGC 4725, M64, M53 (8)

A cabeleira de Berenices transbordava bem fora dos 3 graus da pan 24mm, mas a olho nu fazia bem juz ao seu nome. Esta constelação alberga algumas galáxias que costumam ser um desafio para pequenas aberturas, nomeadamente a famosissima e fotogénica galáxia "edge on" NGC 4565, que diga-se apresentava-se bem grande e elongada (nada mau para uma galáxia 10.5 e um brilho de superfície de 13), assim como o globular que está perto do também globular M53, o NGC 5053 que apesar dos esforços não consegui detectar a 56x - vou ver se me lembro de usar mais magnificação para a próxima...
Já pertencendo a Cães de Caça, as galáxias "edge on" NGC4656 e 4631 que distam entre si apenas meio grau fizeram um supreendente dueto apesar do seu brilho de superficie de magnitude 14. Foram o troféu desta carta.

E14 M98, NGC 4216, M99, M61, M100, M84, M85, M86, 3C273, M49, M87, M88, NGC 4526, M91, M89, M90, M58, M59, M60, NGC 4726

Esta carta é essencialmente dedicada ao enxame de galáxias do enxame de galáxias Coma-Virgem. praticamente todas as galáxias são da mesma magnitude e brilho de superfície, e de uma forma geral apresentavam correspondiam mais ou menos à descrição dada pelo Karkoschka . Muitas delas são elipticas, que apresentam quase sempre uma monótoma forma arredondada, não se podendo pedir muito mais a 90mm de abertura.
O desafio, para além de algumas galáxias com perto de 11 de magnitude , era tentar não me perder no meio de tanta galáxia. Mesmo com 90mm é possível ver mais umas quantas que não estão referenciadas na carta, tendo usado a estratégia de "atacar" por três frentes tendo assim repousantemente sido todas "conquistadas". Todas elas forneceram vistas bastante aceitáveis, dando um pouco mais do que o habitual borrão, havendo até algumas com núcleos bem condensados e halos de forma bem distinta, especialmente no caso das espirais. Foi agradável poder observar facilmente galáxias de magnitude 10 ou menor com brilhos de superficie que chegam a valores tão tão baixos como 14 de magnitude.

3C 273Sempre achei a designação 3C 273 algo misteriosa provavelmente por ser a única designação relacionada com a astronomia de que me recordo antes da "ignição" mas mais devido à sua estranheza. O quasar ( de "QUASi-stellAR") 3C 273 (3C é a sigla para Third Cambridge Catalogue.) é o mais brilhante e foi o primeiro a ser descoberto sendo um dos responsáveis pela actual compreensão do tamanho do Universo e cuja história da descoberta é um dos temas do imperdível livro "First Light" de Richard Preston.

Este quasar segundo as últimas estimativas tem um "red-shift" cosmológico de z = 0.1575 valor que com aplicação da Lei de Hubble (apenas para estimativa grosseira) temos uma distância de 2.1 mil milhões de anos-luz - mais do que o somatório da distância de todos os objectos aqui relatados ... É também o objecto mais longíquo e mais luminoso que observei visualmente até à data.

Nos livros geralmente esquecem-se de referir que em alguns anos a sua magnitude na banda visível pode variar entre 12 e 13, daí a sua visibilidade com pequenos telescópios poder também variar. Ao lado está o campo de um grau e meio com a localização de 3C273.

A sua observação visual com 90mm de abertura pode-se considerar difícil mas não impossível, com as cartas do Karkoschka foi fácil localizar o campo do quasar tendo depois apenas de esperar que os olhos fossem iluminados pelo o pequeno ponto. E assim foi, tendo também sido observado pelo o Luís E. e pelo Alberto. Tendo em conta a magnitude da estrela (12.7) que lhe fazia companhia nas breves aparições a sua magnitude pareceu-me estimar mais próxima do valor mais recente de 12.85.
Um interessante desafio para pequenos telescópios.

A formula (Kitchin) para um céu de magnitude 6 e usando 90mm de abertura é =(17+5*LOG((abertura(mm)/1000))) resulta em magnitude visual máxima de 11.77 - valor claramente diferente o que implica um céu perto de 7 e uma transmissão de luz bastante jeitosa. Com um CCD é alvo para apenas alguns segundos de exposição.

Uma boa carta com dados fotométricos e localização deste quasar

http://www.lsw.uni-heidelberg.de/projects/extragalactic/charts/1226+023.html

N12 NGC 4244, M106, NGC 4449, NGC 4490, M94, M63, M51, NGC 5195

Todas estas galáxias em Câes de Caça estiveram também bem visíveis e mais uma com forma e aparência bastante aproximada das descrições. No par M51/NGC 5195 era possível ver ambos os núcleos rodeados de nebulosidade embora algo indefinida, pois não se pode dizer que se conseguia discernir lá muito bem os braços em espiral, mas sem dúvida que a nebulosidade não perdia contínuidade entre os dois núcleos sendo portanto bem visível a "ponte".

S15 NGC 5128, NGC 5139 ( NGC 5460, NGC 5822)

À latitude de Serpa já é possível observar duas das grandes jóias do hemisfério Sul : o Omega Centauri (NGC 5139) e a galáxia irregular Centarus A (NGC 5139). Ambos os objectos estiveram visíveis, mas bastante deslavados. O Omega Centauri era um grande amontoado sem praticamente nenhuma resolução, e a Centaurus A uma (grande) mancha irregular sem qualquer forma reconhecível.

trail

N14 M13, M92

Estes dois globulares ficam sempre bem, mas realmente foram bem mais espectaculares nos grandes telescópios que estavam mais abaixo no monte. Resolução até ao último reduto, com as estrelas em M13 a radiar de uma forma que fazia lembrar um remoínho. No Takahashi Sky90 a resolução é comparativamente imcomparável ;) e essencialmente surge apenas na parte exterior dos globulares, mas de qualquer modo foi a melhor vista deste enxame numa abertura pequena. M92 tem o núcleo mais condensado que M13 mas também não fica atrás em espectularidade.

N18 M57, M56, NGC 6826

Não me lembro nunca de ter observado a M57 tão azul, e sinceramente julguei que me tinha esquecido de tirar algum filtro da ocular, achei verdadeiramente impressionante. A estrela de magnitude 12 e picos que costuma parecer no seu bordo era de observação directa.
E finalmente a incontornável Albireo (beta Cygni) que para não variar apresentava as suas cores azul e dourado bastantes vívidas.

E de resto ...

Tanta coisa para ver e tão pouco tempo... embora ainda tenha visitado mais uns punhados de objectos, a história já vai longa.
Ainda por contar fica ainda um brilhante bólide que deixou um longo rasto verde com mais de 3 palmos bem medidos (45 graus) tendo sido bastante mais brilhante que Júpiter que até se encontrava na área para uma boa comparação.

De "hardware" experimentado para além do filtro OIII da Lumicon acima mencionado, passeei uma nagler 12mm e uma Takahashi LE de 7.5mm, tendo gostado bastante de ambas apesar de obrigar a retirar o rotador de câmara para conseguir foco - um luxo que não queria dispensar. Fiquei no entanto impressionado com a nagler 12mm no Takahashi Sky90 - muito nítida, excelente contraste, com um campo muito bem corrigido e um relevo ocular suficiente longo para poder usá-la com os óculos.
Também confirmei que o tempo máximo de exposição da Nikon D70 permite é de 30 minutos, que apesar de não ser necessário ir para o Alentejo para verificar isso, aproveitei o teste para fazer o "star trail" acima (algo estragado pelas luzes de um automóvel) enquanto petiscava mais abaixo com os companheiros da noite. Aqueles riscos azuis no topo da imagem são as Pleiades já na sua fase descendente. Um obrigado a todos os que lá estiveram e em especial ao Luís Evangelista que partilhou comigo aquele por vezes algo ventoso monte .

Como sempre, podem ver a enorme quantidade de imagens feitas pelo grupo nas duas noites aqui e aqui .

Após esta noite, cada vez mais me convenço mais que o primeiro parâmetro na compra de um telescópio deve ser a magnitude do local habitual de observação. NADA substitui o céu escuro. É certo que todos os telescópios ganham abertura quando sob céus escuros mas acho (de uma forma absolutamente suspeita e sectária ) que são as pequenas aberturas que na realidade se excedem.

Pena é, que embora estas sejam noites memoráveis, infelizmente tornam-nos inevitávelmente cada vez mais exigentes, sendo cada vez mais difícil se contentar com outras em céus menos escuros. Foi bom e merece bem a viagem.


Pátio 190
"Swing-by" da sonda Rosetta

2005.03.04
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

 

Rosetta - 20050304 21:44 UT
Rosetta - 20050304 21:44 UT
Nikon D70 + 50mm f/1.8 (f/4)

A sonda Rosetta fez uma bem chegada (1900km) passagem pela Terra para ganhar "balanço" para ir de encontro com o cometa 67P/ Churyumov-Gerasimenko que irá orbitar e também fazer aterrar uma outra sonda em 2014.

Portugal não estava propriamente favorável para a sua observação aquando da sua maior aproximação e consequente maior brilho, mas resolvi tentar observar com os binóculos (7x50) mas sem sucesso num céu de magnitude 4.5.
simultaneamente fui tentar registar o seu rasto com uma câmara num tripé fixo, tendo aí alguma sorte, ficando registada em pelo menos 3 fotos o rasto da sonda.
Pela as fotos o brilho deve ter ficado dentro dos valores previstos (ou talvez menos) não havendo também muita diferença na trajectoria prevista pela a ESA , nas fotos aparenta ser um daqueles "riscos" que cada vez mais frequentemente estragam as fotografias.