Maio 2005

Aeródromo XIX
Vénus

2005.05.26
Aeródromo da Gândara do Olivais ( 39.77N 8.82W alt:52m)

Foi hoje o dia em que o planeta Vénus se mostrou MENOS brilhante, com apenas -3.9 de magnitude, mas tal não impede que seja a luminária do após ocaso.

Vénus ao fim da tarde
Vénus ao fim da tarde


Pátio 197
LRGB III

2005.05.25
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Noite de Lua quase cheia, mas com os efeitos algo atenuados pela sua baixa altitude devido à sua corrente baixa declinação (-29 graus), subindo pouco mais de 20 graus no seu trânsito do meridiano. Muito vapor de água e nuvens altas.

O globular M3 em Cães de Caça é um dos mais estudados, contendo centenas de estrelas variáveis que ajudaram a determinar a sua distância, e ainda uma boa quantidade de "blue stragglers", que sendo estrelas azuis (e daí vidas relativamente curtas) estão aparentemente fora do contexto, com a maioria das estrelas do enxame serem muito mais antigas e vermelhas.
Algumas das explicações avançadas, é serem resultado de transferência de massa em sistemas binários, rejuvenscendo assim uma das estrelas ou ainda serem resultado de colisões que são muito provaveis de acontecer neste tipo de enxames, especialmente no núcleo onde são mais frequentes. Este enxame situa-se a mais de 33000 anos a luz mas está a aproximar-se de nós a quase 150 km/s.

As exposições obtidas foram de 15x20 segundos para cada canal LRGB, tendo sido registadas e combinadas usando o IRIS.
Mais uma vez, não foram usados "darks" nem "flats" embora por mais uma vez esteja a precisar. Acerca da cor das estrelas, pode ser sugestão causada por processamento (balanceamento de cores), mas existem algumas com tonalidades que talvez sejam candidatas a "blue stragglers" no amontoado abaixo.

Night with almost full Moon but with the effect somewhat attenuated by its low altitude due to its current low declination (-29 degrees), going up no more than 20 degrees at its meridian transit. High cloud and water vapor.

The globular M3 in Hunting Dogs of is one of the most studied globular, it contains hundreds of variable stars that had helped to determine its distance, and also a good amount of "blue stragglers", that are blue stars apparently out of context, in this case the age of the majority of the stars that are old red giants. Some of the explanations are mass transfer on binary systems ( rejuvenating one of the stars) or result of collisions that are very probable on this type of star swarms, especially on the nucleus where they are more frequent. Is at 33000 light years and is approaching to us at 150 km/s.

The exposures were 15x20 seconds for each LRGB channel, having been registered and combined using IRIS. Again darks nor flats had been used, despite the need. Concerning the color of the stars, it can be suggestion caused for processing (balancing of colors), but exist some with tonalities that are perhaps candidates "blue stragglers".

M3, NGC 5272
M3, NGC 5272
Takahashi SKY90 f/5.6 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 20' lrgb (600s+3*600s) mag 3 neb


Pátio 196
Conjunção de Júpiter com a Lua

2005.05.19
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

A estreia do terceiro episódio da Guerra das Estrelas foi responsável por não conseguir registar este evento na sua maior aproximação, mas deu para brincar com uns amigos no intervalo do filme, quando lhes mostrei no intervalo esta conjunção dizendo que estava uma "Death star" neste momento a orbitar a Lua. Na altura da fotografia já distava mais de um grau, bem mais afastados dos 22 minutos de arco duas horas antes. Nunca subestimar o poder da "Força" da gravidade...

Lua com uma mini "death star"
Lua com uma mini "death star"


Serra da Estrela

2005.05.07
Penhas Douradas e Vale das Éguas - Serra da Estrela

Uma vez mais o grupo Atalaia fez uma expedição em busca de ceús mais escuros, tendo desta vez escolhido a serra mais alta de Portugal continental.

Oeste
Oeste
Após o pôr do Sol na estrada a caminho do Sabugueiro - a aldeia a maior altitude de Portugal

trailNo primeiro dia e após o jantar em família algo tardio, nós os cinco. Alberto, Filipe, Luís, Mário e Paulo, pusemo-nos a caminho das Penhas Douradas, tendo chegado ao local já bem depois da meia noite. este situava-se sensivelmente no mesmo sítio da última vez , de modo a aproveitar as restantes horas até ao crepúsculo astronómico.
Todos com excepção do Alberto, se dedicaram essencialmente à astrofotografia, tendo eu abandonado à sua sorte a relaxante objectiva de 50mm em cima do telescópio.

A noite pode não ter sido excepcional tendo em conta o local, mas magnitude limite rondou o valor de 6.5, embora com a sensação de estar moderadamente "leitosa", facto que não deve estar alheio estarmos a um mês e meio do Verão. A turbulência variou entre baixa e moderada, não tendo havido nenhuma condensação e nem vento digno de nota. A temperatura no seu mínimo rondou os 3, 4 graus positivos.

A observação visual resumiu-se essencialmente a umas espreitadelas no Obsession 15" do Alberto, das quais destaco a "Véu", a M51/NGC5195 em toda a sua forma e pela primeira vez ter feito a identificação do planeta Plutão. Também passei longos momentos a passear com os binóculos 7x50, que sob este céu ofereceram vistas de raro deleite.

Passaram também uns impressionantes riscos que por vezes se estendiam ao longo de meio hemisfério provenientes da chuva de meteoros que correntemente se encontra activa, a Eta Aquaridas, estes entre outros meteoros esporádicos não relacionados.

O final da noite foi passado apropriadamente em cima de uma grande penha, efectivamente dourada pelo o Sol, a tentar observar sem sucesso a Lua que apresentava um fino (de)crescente, e por fim ver o nascer de mais um dia.
Regressamos então a Sabugueiro já passando das 7 da manhã quando fomos finalmente descansar.

Mais imagens e relato podem ser lidos atalaia.org.

No Sábado juntaram-se a nós o restante pessoal (Zé, Alcino, Seabra, Acácio, Luís e respectivos acompanhantes) e infelizmente também chegaram algumas nuvens. Desta vez seguimos para o Vale das Éguas que apesar do nome é um planalto que se situa ligeiramente abaixo das Penhas Douradas. Espalhamo-nos por uma grande extensão de modo a evitar incómodos com computadores e outras coisas electrônicas.

Já com o Sol a desaparecer, fez-se o tradicional piquenique familiar crepuscular, que incluia queijo, presunto e chouriço da região e também havia pratos como arroz de lulas e até sobremesas!
Bem satisfeitos, todos nós nos preparamos para a noite que se iniciou no entanto, com condições meteorológicas não muito famosas, estando o céu geralmente muito nublado.
Não tivemos alternativa senão esperar pelos buracos que se iam abrindo entre as nuvens, os quais mostravam efectivamente um céu bem escuro. E assim foi durante boa parte da noite, um desfilar de nuvens que terminou por volta das 3 da manhã, altura em que o céu aparentemente ficou praticamente limpo, embora com fortes suspeitas de algumas nuvens altas. A noite correu calma e serena, mas desta vez houve formação de condensação e a temperatura subiu mais um grau ou dois em relação à noite anterior.

M27 em contexto
M27 em contexto
A nebulosa planetária de conchas múltiplas M27 na constelação da Raposa está na região do nosso braço Local (Orion) a 1370+-200 anos-luz, sendo este o responsável pela enorme quantidade de estrelas presentes na imagem.

 

Região central de Cisne
Região central de Cisne

Durante o período dos buracos, aproveitei para percorrer mais algumas páginas do Karkoschka usando o Takahashi Sky90 , sendo estas alternadas com períodos de pura preguiça transcendental enquanto as nuvens cobriam a área em observação.

E15 M3, NGC 5746, M5

M3 e M5 são dois dos maiores enxames globulares que podem ser apreciados no nosso hemisfério, e por tal merecem sempre uma visita. Desta vez a 71x usando a velhinha nagler 7mm, que de certo modo rentabilizou a resolução disponível no instrumento e do céu. Em ambos os globulares as estrelas mais exteriores soltavam-se com facilidade, dando-me a impressão de ter sido possível resolver um bocado mais que o habitual (mais transparência e menos turbulência).
A NGC 5746 foi o prémio da noite, dada a ser bastante ténue, esta galáxia barrada de magnitude 11 que se apresenta vista de lado, situa-se a mais de 80 milhões anos-luz, mas no entanto ainda assim alguns dos seus fotões foram suficientes para verificar sem grande dificuldade a sua bem esticada silhueta "edge on".

E16 M83

A galáxia M83 possui uma declinação algo desfavorável foi imediatamente visível, e diga-se, com um tamanho aparente generoso. Não posso afirmar que tenha observado os braços ou a faixa de poeira, mas somente que a sua textura variava notoriamente em toda a difusa de forma oval. Observei esta galáxia ao longo da noite por diversas vezes, sem no entanto ter nada a acrescentar.

E17 M107, M12, M10, M9, M14, IC 4665 , estrela de Barnard

À semelhança do Escorpião e Sagitário, Ofiúco alberga uma boa quantidade de enxames globulares, que vão desde os generosos M10, M12 até aos virtualmente irresolúveis M107, M14 e M9, embora nenhum destes se aproxime em resolução e tamanho com os dois globulares relatados dois parágrafos acima.
O enxame aberto IC 4665 é bastante esparso mais sempre ajuda a situar melhor a estrela com maior movimento próprio que se conhece:

A estrela "corredora" de Barnard. Esta anã vermelha de magnitude 9,57 desloca-se na nossa direcção 10.3" por ano (106.8 km/s), sendo a segunda estrela mais próxima do nosso sistema solar, distando neste momento cerca de 5.96 anos-luz, se contarmos apenas como um, o sistema tripo de Alfa Centauri. Contudo é a estrela mais próxima que é possível observar do nosso hemisfério. Mais uma vez as cartas do Karkoschka foram uma grande ajuda, sendo este tipo de observação um bom exercício de memória. Ver aqui para mais informação .

E18 M80, M4, M62, M19, NGC 6369, M6, M7

Já passava das 3 da manhã quando passei por esta carta, tendo observado todos os globulares e abertos exceptuando a planetária (6369) que por lapso ficou por observar. Óbviamente o M4 levou mais "tempo de telescópio", mas as noites são curtas nestes dias, e restava apenas 1 hora e picos para tentar tirar algumas fotografias.

Via Láctea tecnicolor
Via Láctea tecnicolor
Talvez uma das mais coloridas regiões do nosso céu. Também conhecida por região de Rho Ophiuchi ou Antares (Alpha Scorpii) que nesta imagem se estende por mais de 20 graus na diagonal, contendo nebulosas de emissão (avermelhadas) e de reflexão (azuladas) e vastas zonas de poeira.

Embora a Serra da Estrela seja um dos locais mais escuros do país, é sempre triste notar que mesmo cidades a algumas dezenas de quilómetros, como é o caso da Covilhã, conseguem formar abóbadas de poluição luminosa que apesar de baixas no horizonte já se fazem notar bastante. Apesar de tudo, observar com menos 1 quilómetro e meio da pior parte da nossa atmosfera permite disfrutar de visões raras ou impossíveis de se obter ao nível do mar, exceptuado talvez noutro santuário como o de Serpa.

A sessão terminou já com o Sol a começar a despontar, regressando todos novamente a Sabugueiro que se encontrava mergulhada nas nuvens - uma visão fantástica.

A "expedição" terminou com um agradável piquenique no Vale do Rossim, após o qual se seguiu um passeio turístico descendo para Manteigas, voltando a subir pelo vale glaciário e finalmente descendo para a Covilhã.

Mais imagens e relatos podem ser lidos atalaia.org.



Pátio 195
Sol

2005.05.01
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Desde meados de Janeiro que não surgiam manchas de tamanho significativo no nosso Sol, que neste momento caminha para o seu mínimo de actividade solar.

As manchas solares são a parte mais visível de pontos de grande concentração magnética, que pode chegar a valores de cerca 3000 vezes mais forte que a média da fotosfera (a "superfície" do Sol). O mecanismo tem origem milhares de quilómetros abaixo da superfície, e ainda está em grande parte por esclarecer.O norte (eixo) da imagem está sensivelmente às "2:00".

Dados do momento da imagem (Guide 8) :

Sol mag -26.7
Ascensão recta: 02h35m30.309s
Declinação: +15 13' 14.14"

Posição média na corrente época:
Ascensão recta: 02h35m47.921s
Declinação: +15 14' 37.28"

Posição aparente na corrente época:
Ascensão recta: 02h35m45.994s
Declinação: +15 14' 34.15"

Distância da Terra: 1.00770133 AU (150,749,973 km)
31.74 minutos de arco de diâmetro angular
Posição-ângulo do pólo Norte: 335.99 graus
Inclinação do pólo em relação à Terra: -4.0924 graus
Meridiano Central Solar : 223.3
Número de rotação solar 2029 que começou em 21 Abr 2005 7:52 (10.34 dias atrás)

 

2005-05-01 16:06 TU
2005-05-01 16:06 TU
M:3 S:4
(clique na imagem - click on the image)

Abaixo está a imagem com maior magnificação da mancha solar 756, que já se encontra num estado evolucionário avançado (Waldemeier classe H) . Abaixo está o emergente grupo 757 já com classe A ou até B.
Para saber mais sobre as nomenclaturas e classificações ver esta página e ainda o Grupo Solar da União de Astronomia e Astrofísica onde se pode encontrar artigos de como observar e classifcar as manchas solares. Para ver a evolução das manchas ver as páginas onde estão os meus registos diários (sempre que possível).

2005-05-01 16:06 TU
2005-05-01 16:06 TU
M:3 S:4