Junho 2005

30/06/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

M57 Ha-LRGB

As últimas noites aqui no Pátio têm estado bastante agradáveis e razoavelmente limpas e pouco turbulentas, tendo até tirado o pó ao dob de 20cm para dar uma olhadela a alguns Messiers e NGCs brilhantes, que apesar do céu de magnitude zenital 4-4.5 que se pode considerar por aqui extraordinária, ainda são possíveis de observar com alguma satisfação.
Depois da ISS me ter chamado a atenção com um brilho estimado de pelo menos de magnitude -2 (um bocado maior do que a magnitude -0.7 estimado pelo Heavens Above), lá comecei a epopeia de fazer mais uma imagem a cores que inicialmente era para ser LRGB, mas adicionei mais 1 hora de exposições com filtro h-alfa que foram sendo coleccionadas enquanto processava a imagem.

A aquisição foi efectuada com o K3CCD, alinhamento, subtracção de "dark" e integração (kappa-sigma) com o IRIS, Richardson-Lucy com o AIP e finalmente tendo adicionado a luminância com o PS.

No que diz respeito ao equipamento, tive a agradável surpresa de não ter sido necessário refocar para o filtro azul, o que poderá querer significar que o resíduo cromático neste canal de alguma forma ficou mais corrigido devido à utilização do extensor ExtenderQ. Analisando o canal azul realmente verifiquei que as estrelas estavam bem mais comprimidas. Embora o h-alfa não tenha contribuído muito para adicionar mais informação, mas fez de algum modo com que a nebulosa ficasse com detalhe mais fino e também mais contrastada.

M57, NGC 6720, PK 63+13.1
Nebulosa planetária - Planetary nebula , mag 8.8 mag* 15.2, dim 76"
Lir, 18:53:35.2 +33 01 44

Takahashi SKY90 f/7 (640mm)+ATIK-1HS 1.81" res
Takahashi P2Z
exp: ha-lrgb (60x60s)+(4x36x20s) mag 4



27/06/2005
Local:Aeródromo da Gândara do Olivais ( 39.77N 8.82W alt:52m)

Conjunção próxima de Mercúrio e Vénus

Era possível separar os dois planetas sem dificuldade com a vista desarmada, e as suas fases bem notórias no telescópio a 55x. Por curioso que pareça, o desafio não foi conseguir separar a conjunção, mas sim quando é que conseguia ver a estrela polar para alinhar a montagem. Tal alinhamento era necessário para conseguir suportar a distância focal suficiente (1200mm) para tentar resolver as fases dos planetas e simultaneamente caberem no campo da Philips Toucam .
Infelizmente, depois do alinhamento já os planetas se encontravam muito baixos a pouco mais de 5 graus de altitude e com nuvens bem escuras a aproximar-se "por baixo". Os planetas na altura da aquisição, 21:04 TU já se encontravam separados 317,5", um bocado afastados da distância mínima de 232" das 15:58 horas TU do mesmo dia (Guide8).

Mercúrio brilhava a -0.1 de magnitude e apresentava pouco mais de 60% de fase num tamanho aparente de 6.5". Por outro lado, Vénus por outro lado tinha uns fulgurantes -3.9 de magnitude , 11" de tamanho e uma fase de 91,5%.
Embora não se possa dizer que estes planetas inferiores não se encontrem próximos muitas vezes (< 1 grau), esta conjunção de apenas 5 minutos de arco é relativamente rara, pois estes planetas são especialmente "fugidios" e também geralmente demasiado próximos do Sol.





26/06/2005
Local:Aeródromo da Gândara do Olivais ( 39.77N 8.82W alt:52m)

Conjunção de 3 planetas III

As nuvens continuaram a não dar tréguas, mas aqui fica a conjunção 24 horas depois à mesma escala da fotografia nos dias anteriores.Segundo o livro de Meeus "Mathematical astronomy morsels" este é foi dos alinhamentos triplos de planetas o mais fácilmente observável, pois teve uma elongação bem generosa do Sol (23 graus). O próxima será em Dezembro de 2006 e será possível ver Mercúrio, Marte e Jupiter em apenas um grau, mas este alinhamento estará afastado apenas us apertados 15 graus do Sol nascente.





25/06/2005
Local:Aeródromo da Gândara do Olivais ( 39.77N 8.82W alt:52m)

Conjunção de 3 planetas II

As nuvens não deram tréguas, mas houve um momento em que foi possível ver os três planetas simultaneamente.





24/06/2005
Local:Aeródromo da Gândara do Olivais ( 39.77N 8.82W alt:52m)

Conjunção de 3 planetas

Esta talvez seja a conjunção multipla de planetas do ano, com Mercúrio, Vénus e Saturno bem juntinhos em apenas 3 graus de céu. Todos eles eram visíveis com a vista desarmada na altura das fotografias.


 





22/06/2005
Local: Leiria

A Lua e o Castelo

A Lua estava perto do seu perigeu e também praticamente "cheia". teria dado uma excelente foto ao nascer com cidade de Leiria contrastar, mas as nuvens infelizmente não permitiram. A sua órbita também se encontra presentemente a passar bastante abaixo do equador celeste sendo "conjuncionável" com objectos bem mais recentes, como o Castelo de Leiria mandado erguer por D. Afonso Henriques no século XII.





11/06/2005
Local:Pulo do Lobo - Serpa

Serpa

Mais uma vez vários se deslocaram a um dos locais sagrados para observação astronómica em Portugal. O Pulo do Lobo é sempre um local especial com céus verdadeiramente escuros, faltando apenas aquilo que somente a altitude nos pode dar - transparência excelente. Desta vez as condições meteorológicas não deram muitas tréguas, o que foi pena, mas não impediu que todos aproveitassem o pouco que as nuvens permitiram fazer. A noite era de Verão, portanto não absolutamente escura mas com uma sólida magnitude 6, pouca turbulência, pouco frio e pouca humidade, mas algum vento que por vezes soprava forte.

A caminho do Pulo do Lobo por volta das 21:30 reparei em Vénus e em especial em Mercúrio que que por diversas ocasiões piscou. Também foi curioso observar nuvens quasi-noctilucentes no horizonte a leste no ponto oposto ao Sol, digo quase pois o Sol ainda se encontrava a apenas 5 graus abaixo do horizonte, mas de qualquer modo eram nuvens estranhas por se encontrarem entre nuvens sem qualquer brilho anormal.

As observações e imagens tiveram a ajuda de um Takahashi Sky90 f/5.6 com uma nagler de 9mm (56x-1,5 graus) que foi a combinação mais usada, uma panoptic 24mm (21x-3,2 graus) e uma nagler zoom 3-6 (83x-167x). Também foi utilizado foi um filtro UHC da Astronomik.

E16 M83

Esta galáxia se não subisse tão pouco à nossa latitude seria com certeza um sucesso de bilheteira. Mesmo com forte suspeita de nuvens e /ou neblinas no horizonte, apresentou-se como uma razoavelmente grande mas ténue nebulosa com forma próxima de uma elipse. Ainda tentei fazer uma breve imagem desta galáxia, mas não houve tempo de registar exposições suficientes antes das nuvens cobrirem permanentemente o horizonte Sul. É uma a galáxia revisitar em condições mais favoráveis.

E22 M55, NGC 6818, NGC 6822, M75, M30

Desta carta já tenho por diversas vezes tentado observar a galáxia de Barnard (NGC 6822) e uma vez mais sem sucesso, mas a servir de consolo pude observar no mesmo campo a planetária NGC 6818, à qual também encaixa muito bem a descrição de "pequena" estrela obesa. Observando os enxames globulares de Messier na parte mais a oeste de Sagitário, não pude deixar de apreciar o grande tamanho de M55 com notória pouca concentração no núcleo, tendo um brilho bastante uniforme. Este globular é complicado de encontrar, visto estar no meio de uma grande vazio de estrelas brilhantes. Este último contrasta bem com o M75, que deve ser dos globulares de Messier, o mais pequeno e menos brilhante, conjuntamente com o M72 (objecto de próxima carta) - sendo este uma pequena mancha, mas que se nota bem a 21x, 56x não adiciona muito mais à descrição. Finalmente o M30, que tem muito a fama de ser o desesperante objecto final a observar na maratona de Messier, mas de resto para além do seu pequeno tamanho e algumas estrelas a quererem despoletar, pouco tem a oferecer a um telescópio de 90mm.

E23 M15, NGC 7331

O M15 é um dos meus globulares favoritos, tem um forte e brilhante núcleo e muitas estrelas destacadas para dar ares de globular quando visto com aberturas superiores. A galáxia NGC 7331 é bastante fácil de encontrar apesar da magnitude atribuida de 10 e brilho de superficie superior a 13, assemelhando-se a uma pequena, ténue e extensa nebulosidade, correspondente essencialmente ao seu brilhante núcleo. No campo estaria também o famoso "Quinteto de Stephan", mas obviamente fora de alcance.

E24 M72, M73, NGC 7009, M2, NGC 7293

Outro globular favorito é o M2 que embora não aparentar ser tão concentrado como o M15, ainda proporciona uma vista agradável, bem ao contrário do M72, que mais parece uma galáxia não fosse a sua textura algo diferente, muito ténue e pequeno mas definitivamente não estelar a 21x. A planetária NGC 7009 ("Nebulosa Saturno") é extremamente brilhante e vagamente de forma eliptica, aparentado ser uma estrela bem gorda tamanho XXL e aguentou toda a magnificação que lhe pude atirar (nagler zoom a 3mm), mas das "orelhas" nem sinal. Antes de ir até ao conjunto de 4 estrelas ao qual Messier chamou de M73, dei um salto à maior e mais próxima nebulosa planetária - a NGC 7293 ("Hélix") - Esta nebulosa é quase circular com filtro UHC a 21x e 3 graus pode-se ainda considerar de grande dimensões (maior que a M27 a 56x), bem destacada com filtro e praticamente imperceptível sem ele. Depois acabou a noite astronómica e fiz com algum despacho um breve registo do curioso M73, cujo a classificação como enxame aberto ou mero asterismo ainda se encontra por definir.

M73, NGC 6994
Enxame aberto - Open cluster , mag 8.9 *11.1, dim 1.4', n* 4
Aqr, 20:58:56.0 -12 38 00

Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 5' (15x20") mag 6

A noite acabou com a observação de Úrano que esteve a menos de um grau de uma estrela bem brilhante , a Lambda Aquarius com magnitude 3.7. Observei-o apenas por exclusão de partes, pois a sua cor verde não foi perceptível, apesar da noite já ter terminado há 20 minutos. Marte está cada vez maior, sendo possível observar a calote e algum detalhe na superfície, mas ainda longe do que irá proporcionar lá mais para o fim do ano.

Ver também o relato no atalaia.org.




10/06/2005
Local: Castelo de Vide

Castelo de Vide

A convite do Acácio Lobo (organizador do AstroVide) fui com mais alguns câmaradas da noite (Alberto, Alfonso, Filipe e Zé Ribeiro) da Atalaia experimentar os céus numa quinta perto de Castelo de Vide. Embora não tenha havido um início de noite muito auspicioso, com várias áreas do céu nubladas, surgiram suficientes abertas que permitiram observar visualmente mais alguns objectos. Embora de transparência mediana, a turbulência foi memorávelmente baixa, muito pouca humidade e temperatura agradável praticamente ao longo de toda a noite.


Mais uma vez o guia foi o Erich Karkoschkae o seu Atlas für Himmelsbeobachter e as observações e imagens foram com a ajuda de um Takahashi Sky90 f/5.6 com uma nagler de 9mm (56x-1,5 graus), panoptic 24mm (21x-3,2 graus) e uma nagler zoom 3-6 (83x-167x) e anda uma nagler 31mm com filtro UHC (16x- 5 graus) emprestada pelo o Alberto.

N12 NGC 4244, M106, NGC 4449, NGC 4490, M94, M63, M51, NGC 5195.

Enquanto o horizonte a Sul ainda se encontrava com bastante nublado, aproveitei as abertas mais a norte para fazer uma visita às galaxias propostas por esta carta centrada à volta de Cães de Caça. Todas as galáxias com excepção da NGC 4244 foram alvos fáceis e imediatamente perceptíveis a 21x.
O par M51/NGC 5195 é um dos meus pares preferidos em pequenas e grandes aberturas, a M51 era distintamente maior observando a nebulosidade sobre os dois núcleos sem qualquer quebra, mas no entanto sem poder realmente afirmar que tivesse observado braços, apesar de considerar uma boa vista. Baixando alguns graus o telescópio, chega-se fácilmente à galáxia M63 ("Girassol") . Formando um triângulo com a alfa e beta de Cães de Caça fica a relativamente brilhante e redonda M94. De seguida comecei pela a M106 que era a nitidamente a maior deste grupo, descendo pelas pouco impressionantes NGC 4449 e por fim à 4490 em que a Beta de Cães muito incomodou na sua detecção. Para o fim ficou a primeira da lista, a NGC 4244 que foi um osso bem difícil de roer, tendo apenas observado um ténue fio de nebulosidade muito ocasionalmente e apenas com visão indirecta, mas de qualquer modo pode-se dar por detectada a sua presença e a sua forma.

N14 M13, M92

Estes dois globulares são quase sempre visitados quando tenho o telescópio virado para aquela área do céu. Já perdi a conta do número de vezes que observei o enxame globular M13 nas mais díspares aberturas, mas desta vez achei-o ligeiramente mais"solto" no que diz respeito à resolução, facto a que não deve estar alheia a baixa turbulência, passando desta vez um pouco mais além do habitual "montinho de açucar". A 56x e grau e meio de vista é interessante ficando num vértice de um triângulo formado com mais outras duas estrelas de magnitude ligeiramente inferior - tentei a missão impossível de tentar observar a galáxia de magnitude 12, a NGC 6207, mas sem sucesso - esta galáxia também faz vértice com M13 e uma das estrelas (a alaranjada), mas mantendo a mesma forma geométrica (triangulo isósceles) e escala.
O globular M92 tem a sua graça quando observado com pequenas aberturas, em parte devido ao seu núcleo mais concentrado em relação ao anterior enxame e á quantidade de estrelas que como por contraste se soltam em seu redor.

N18 M57, M56, NGC 6826

A planetária M57 e o globular M56 são também objecto de muitas visitas. A sua grande declinação e facilidade de localização torna-os alvos de passagem obrigatória. A nebulosa planetária 6826 "pisca-pisca" está situada num dos braços de Cisne e tem dias de não fazer juz à sua alcunha, pois o efeito de aparecimento/desaparecimento da nebulosa conforme o modo como a observamos, adiciona dificuldade extra na sua detecção, tive sinceras dificuldades em a identificar num campo algo preenchido de estrelas, mas após "caçada" era notória a típica aparência de estrela obesa, mesmo a somente 21x. Não consegui obter o efeito "pisca-pisca", que de resto é comum em maior ou menor grau nas restantes pequenas planetárias e varia consoante a abertura utilizada. No dob de 20cm é um exercício bem mais fácil.

E21 M71, M27

À semelhança da carta anterior esta também contém outros dois objectos de visita obrigatória durante todo o Verão.

N20 M29, NGC 6940, NGC 6960, IC 5067, NGC 6992, NGC 7000, NGC 7027

A constelação do Cisne tem muito para oferecer em céus escuros. É por lá que que se pode apreciar vastas áreas de nebulosa de emissão e os remascentes de uma fenomenal explosão de uma supernova. O enxame aberto M29 é um sinal claro da abertura e qualidade óptica dos instrumentos que Messier utilizava. Com pequenas aberturas e baixa magnificação faz salientar mais fácilmente este pequeno enxame como uma ligeira concentração onde se pode contar cerca de uma dúzia de estrelas com um pouco mais de magnificação. Outro enxame bem maior mas já em Raposa é o NGC 6940, que é facilmente visível nos binóculos e com telescópio a 21x até se pode considerar rico em estrelas muito ténues mais ou menos uniformente espalhadas por cerca de meio grau.
Antes de passar às vistas de grande campo apontei para a planetária NGC 7027 que tem magnitude semelhante à "pisca-pisca", que por ser mais pequena pode-se dizer que tem a luz mais concentrada, sendo assim mais fácil de discernir das estrelas "normais". Esta é um nebulosa muito recente que surgiu entre 700-1000 anos atrás tendo sido até alvo de estudo pelo o telescópio Hubble.
Finalmente coloquei o filtro UHC na panoptic 24mm e apontei para o conjunto "América do Norte" e "Pelicano", NGC 7000 e IC 5067. Ambas eram visíveis, mas ficaram bastante melhor compostas, quando o Alberto me emprestou a nagler 31mm também esta com filtro UHC. A forma de ambas era perfeitamente perceptível, mas não se pode considerar que tenha sido a melhor vista do conjunto (lembro-me de uma vista mais contrastada com o 60mm em Serpa), de qualquer modo não é um alvo fácil nem muito disponível. Também com os 5 graus de campo a 16x foi possível observar simultaneamente ambos os remanescentes da "Véu" NGC 6992-6995 e NGC 6960, mais uma vez não excelente mas uma vista rara, tendo ainda revisto usando um pouco mais de magnificação com a panpotic 24mm.

No Obsession 15" do Alberto tive oportunidade de observar alguns objectos sob condições de turbulência quase inexistente, desde um M11 absolutamente sólido com estrelas tão comprimidas que se assemelhavam espantosamente as estrelas oferecidas polo o mais fino apocromático, até resolução total de diversos enxames globulares que mais pareciam enxames abertos. Enfim uma generosa abertura usada em todo o seu esplendor.

De resto durante a noite fui intercalando com alguns varrimentos do céu com os binóculos e a fazer umas fotos "às cavalitas" com a D70. Saimos todos por volta das 5 da manhã.

Ver também o relato no atalaia.org.




08/06/2005
Local:S.Pedro de Moel

Conjunção Vénus e Lua

Ao fim do dia fui tentar observar o planeta Mercúrio que neste momento está muito brilhante, mas também muito perto do Sol. Como a imagem abaixo mostra não foi possível


mas fica registado mais uma conjunção de um crescente lunar com Vénus entre as únicas nuvens sobre que se encontravam sobre o território continental português...


Lua e Vénus




07/06/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Sol em H-alpha

Novo brinquedo aqui no pátio - Coronado PST


Sol em h-alpha




04/06/2005
Local: Alpiarça

Vale da Lama II

Mais uma vez o Mário Santiago nos arrastou para a lama lá perto da casa dele em Alpiarça. O Vale da Lama situa-se perto de grandes arrozais, tendo nós ficado um bocado mais acima num montado de azinheiras e por tal com uma fauna que vai de barulhenta (rãs) a irritante (melgas), mas à medida que a noite avançava praticamente todos os bichos foram dormir.

Noite de Verão limpa, com períodos de média e alta turbulência, mas devido à proximidade do solstício de Verão apresentava-se também algo clara e foi bastante curta (pouco mais de 5 horas de céu escuro). Apesar de tudo, a magnitude limite visual ficou perto de 6 (M13 era visível com a vista desarmada), não tendo havido humidade e a temperatura não ter baixado dos 12 graus. A noite passou-se agradávelmente, sem frio ou vento digno de nota.

Como é tradição em ajuntamentos com alguma dimensão fora do local habitual da Atalaia, houve o petisco crespuscular com grelhados mistos bem regados. Estiveram presentes para além de 2 milhões de melgas, o Mário Santiago e família, Filipe e namorada, José Ribeiro, Paulo Guedes, Paulo Barros, Gregório, Rui Tripa, Pedro Mota, Pedro Ré e mais adiante na noite o Alberto. Ainda tivemos visitas de locais.

praticamente todos os presentes (excepto as melgas) se dedicaram a obter imagens CCD até ao dia nascer, tendo sido este proporcionado um espectáculo de um nascer de (de)crescente lunar com 3 graus apenas. Também Marte com uma magnitude perto de 0 foi uma das luminárias proeminentes ao nascer do dia, mas a turbulência não deixou observar muito mais que a sua fase, mas curiosamente ainda foi possível observar alguma diferenciação na sua superficíe.

Como sempre é habitual distribuir o tempo entre a observação visual e a obtenção de imagens com a Atik. As observações visuais e digitais foram as sugeridas essencialmente na página N16 do Karkoschka, que dá indicações dos objectos mais brilhantes da constelação do Dragão (Draco).

N16 M102 (NGC 5866), NGC 5907, NGC 6503, NGC 6543

Todos os objectos foram fácilmente detectados com excepção da galáxia espiral em perfil ("edge-on") NGC 5907 que tem uns quase perpendiculares 88 graus de inclinação e que por muito que tentasse não a consegui discernir. A galáxia lenticular NGC 5866 (M102?) e a espiral NGC 6503 apresentavam-se ambas distintamente elongadas, embora não apresentassem mais nenhum detalhe adicional. A planetária NGC 6543 ("olho de gato") é um objecto extremamente brilhante, tendo já um tamanho que não deixa dúvidas acerca da sua natureza, isto mesmo usando apenas 21x de magnificação. Pelo contrário, a pequena mas brilhante planetária NGC 6210 em Hércules que revisitei depois de ter dado alguma luta a identificar na última vez que a observei em Serpa - desta vez demorou menos tempo, apesar da turbulência ter afectado a sua detecção que Basicamente é por parecer uma estrela "mais gorda" que as outras.

M102, NGC 5866
Galáxia lenticular - Lenticular galaxy , mag 9.9, bri 12.9, dim 6.4'x2.9', class SAO+ sp
Dra, 15:06:29.7 +55 45 46

Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 34' (45x45") mag 6

NGC 5907
Galáxia espiral - Spiral galaxy , mag 10.3, bri 13.3, dim 12.6'x1.4', class SA(s)b
Dra, 15:15:53.0 +56 19 57

Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 34' (45x45") mag 6

NGC 6503
Galáxia espiral - Spiral galaxy , mag 10.2, bri 13.2, dim 7.1'x2.4', class SA(s)cd
Dra, 17:49:29.2 +70 08 28

Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 34' (45x45") mag 6

O alvo final da noite a galáxia NGC 6822 "Galáxia de Barnard",primeiro observada por este em 1884, estando esta situada na constelação de Sagitário a cerca de 10 graus a Oeste do "pote", tendo infelizmente esta ter sido dada por não detectada visualmente.

Esta galáxia anã irregular pertence ao Grupo Local sendo de difícil observação devido ao seu baixo brilho de superfície e modesta altitude (pouco mais de 35 graus) à nossa latitude. À semelhança das Nuvens de Magalhães é das poucas galáxias onde é possível resolver estrelas individualmente (pelo menos mag 17 em B (azul)) devido à sua proximidade a cerca de 0.5 Mpc (1,6 milhões de anos luz), isto apesar de se encontrar bastante obscurecida pela a absorção da nossa Galáxia. Esta galáxia também possui um significado histórico devido a ter sido a primeira galáxia observada por Edwin Hubble que em 1925 fez a descoberta e fotometria das variáveís ceifeidas que permitiram obter distâncias mais correctas das então misteriosas nebulosas espirais e por consequência começar a ter uma melhor ideia do real tamanho do Universo.

Sem dúvida um desafio visual a tentar ultrapassar num céu mais escuro e/ou de latitude mais baixa. Para uma excelente página sobre a observação desta galáxia ver aqui.

NGC 6822, IC 1308
Galáxia irregular - Irregular galaxy , mag 8.7, bri 14.4, dim 15.5'x13.5', class IB(s)m V
Sgr, 19:44:58.3 -14 48 03

Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60%
Takahashi P2Z
exp: 49' (49x60") mag 6

Todas as imagens capturadas com K3CCD, tendo sido alinhadas e subtraidas no IRIS.

De resto, dei umas olhadelas no único telescópio 100% visual que marcou presença, o Obsession 15" do Alberto que apesar de ter tido menos de duas horas de noite disponível o montou na mesma.

Após os crepúsculos foi arrumar o equipamento e ir apreciando o Crescente Lunar, seguindo então todos para casa.
Ler e ver também a entrada no atalaia.org



01/06/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

M13

Início de noite sem nuvens, mas com muita turbulência , pois mesmo no zénite as estrelas cintilavam bastante.

Por ser um dia de semana a sessão teria de ser curta, não dando muito tempo para fazer testes, por tal apontei para o objecto mais brilhante e elevado que é possível observar daqui do Pátio - o enxame globular M13.

A curiosidade a satisfazer consistia na utilização do ExtenderQ 1.6x da Takahashi. Este acessório óptico é um extensor de 5 elementos especialmente concebido para o Sky90 ou FSQ106, embora possa ser usado nos restantes telescópios das séries FC/FS. Presumivelmente corrige a sub-correcção esférica típica de apocromáticos, faz correçao no espectro na região ultra- violeta para CCD, atenua/elimina a aberração cromática nos dupletos, e por fim a função de estender o comprimento focal.
Visualmente não posso dizer que tenha notado grande diferença (para além de maior magnificação), mas visualmente pode-se considerar "transparente" e isso já é suficientemente bom. Pelos testes com um CCD grande (Nikon D70) não corrige nem o campo curvo nem elimina a coma. Para ler um completo comentário (em inglês) sobre este extensor ver aqui.

A configuração usada apenas adicionou mais 140mm aos 500 do Sky90 (+28%), visto o extensor ter sido usado sem nenhuma das extensões. Esta configuração coloca o telescópio a trabalhar a f/7 que usando a Atik 1HS resulta num tamanho de pixel de 1.81" . Com esta amostragem ainda é possível obter exposições de 60 segundos sem grande desperdício usando a P2Z não guiada.

Imagem capturada com K3CCD, alinhada e integrada com o IRIS usando "kappa-sigma" para tentar evitar saturar o núcleo e finalmente um cheirinho de Richardson-Lucy no AIP para disfarçar a turbulência/má focagem. Imagem não calibrada.

M13, NGC 6205
Enxame globular - Globular cluster , mag 5.8, dim 20', class 5
Her, 16:41:41.5 +36 27 37

Takahashi SKY90 f/7 (640mm)+ATIK-1HS 1.81" res
Takahashi P2Z
exp: 17' (51x20s) mag 3