30/07/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
O ovo e a tromba do elefante
Outra noite de condições pouco vulgares aqui no Pátio, tendo esta também uma magnitude zenital perto de 5, mas com a transparência pior que na noite anterior.
Na década de 70 a Air Force Cambridge Research Laboratories (AFCRL) fez um levantamento em alta-altitude de objectos na área do infravermelho, encontrando este objecto que é forte emissor nessas gamas. A imagem revela um objecto alongado, constituída por dois componentes separados em 7 segundos de arco, iluminados por uma mesma estrela (supergigante de classe F) que tem a sua radiação visível bloqueada por um disco de poeira, sendo este disco exactamente aquele que divide a nebulosa. A luz das nebulosas é essencialmente reflectida e está fortemente polarizada (luz oscilando numa direccção), sendo possível fazer variar a intensidade da nebulosa com um filtro polarizador (e grandes abertura).
Originalmente foi classificada como uma nebulosa planetária, daí o número PK. Actualmente é classificada como uma nebulosa protoplanetária bipolar, um estágio intermédio antes da formação de uma nebulosa planetária. Este pode ser um cenário possível de evolução para o nosso Sol quando chegar a vez dele. A alcunha "nebulosa Ovo" não tem a ver propriamente com a sua forma, mas sim com a sua localização na constelação de Cisne, fazendo um triângulo rectâgulo com a Tau e a Upsilon Cygnii. A sua distância é incerta situando-se entre 3000 e 4000 anos luz de distância.
A resolução utilizada (1.81"/pixel) foi sinceramente pequena, mas já permitiu observar a natureza peculiar do objecto, mostrando ainda alguns "rabichos" e tudo. A imagem foi feita em lrgb para salientar a diferente cor dos polos, sendo um deles mais avermelhado devido às poeiras do disco como se pode averiguar no quadrado acima aumentado em 2 vezes. Ver aqui a do Hubble.
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| Takahashi SKY90 f/7 (640mm)+ATIK-1HS 1.81" res Takahashi P2Z exp: 60' lrgb (4x30x30s) mag 4.5 |
A van den Bergh 142 é uma nebulosa de reflexão associada à estrela B3 de magnitude 9 (SAO 33573) que é a estrela mais brilhantes ao centro esquerda da imagem e cuja nebulosa não é muito visível na imagem pois foi feita com filtro h-alpha, mas que no entanto ajuda a encontrar as vizinhanças, que essas sim são famosas devido a um casual combinação de poeira contrastada com hidrogénio ionizado resultando numa estrutura que se assemelha a uma silhueta da cabeça e tromba de um elefante. Esta é uma pequena parte da região perto de IC 1396 em Cefeu que é um autêntico mar de hidrogénio ionizado e poeira.Ver catálogo de Nebulosas de Reflexão de Sidney van den Bergh aqui.
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| Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60% h-alpha Takahashi P2Z exp: 120' (60x120") mag 4.5 |
29/07/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
A gigante e as anãs
Noite de condições excepcionais aqui no Pátio, com magnitude zenital perto de 5, tendo a Via Láctea sido quase perceptível a cortar a constelação de Cisne quando a sua passagem pelo zénite. Noite agradável, sem humidade e pouca da habitual neblina, mas com algumas nuvens que felizmente passavam depressa.
A nebulosa "Crescente" é um alvo habitual em astrofotografia devido à sua singularidade estética, mas acho-a mais singular por estar nela presente um objecto bem mais raro - a estrela Wolf-Rayet que lhe deu origem e ilumina.
Esta nebulosa foi criada pelos ventos solares de uma estrela Wolf-Rayet (classe de raras estrelas com grande massa) aquando a sua passagem para esta fase. A WR 136 como é catalogada, e a estrela brilhante que está situada no seu centro da imagem e será provavelmente uma supernova daqui a alguns milhões de anos. Este tipo de estrelas são raras (1 em cada 10 milhões) pelo simples facto de possuirem uma grande massa, tal condição resulta num tempo de vida efémero mas no entanto fulgurante como a imagem abaixo tenta mostrar.
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| Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60% h-alpha Takahashi P2Z exp: 120' (60x120") mag 5 |
As galáxias elipticas anãs NGC 147 e NGC 185 abaixo retratadas pertencem ao Grupo Local (ver aqui a lista ) e julga-se estar dinâmicamente relacionadas (depende do "paper" que se leia), estando situadas a 2 e 1.9 milhões de anos respectivamente (PGC), este par por sua vez são satélites da galáxia de Andrómeda M31. Estão situadas na constelação de Cassiopeia e a distância aparente dos seus centros é cerca de 1 grau. Estas foram duas das cinco galáxias locais que em Baade conseguir resolver as estrelas e identificar enxames globulares, mas não são de modo nenhum fáceis de observar visualmente, especialmente a NGC 147 que tem um brilho de superfície extremamente baixo (14.5). Daqui do Pátio são objectos inobserváveis visualmente.
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| Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60% Takahashi P2Z exp: 15' (60x15") mag 5 |
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| Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60% Takahashi P2Z exp: 15' (60x15") mag 5 |
16/07/2005
Local:Atalaia (Montijo 38º44N 8º48W)
O Véu e a Hélice em h-alpha
Foi uma noite serena de Lua gibosa que nos acompanhou até às duas da manhã, praticamente sem vento, mas com alguma humidade para o fim da noite. Magnitude zenital visual situou-se entre os 5.5 e 6, embora os horizontes estivessem bastante opacos por neblinas/aerossóis e a turbulência mediana .
A Lua neste estado adiantado de iluminação restringe significativamente o número de objectos a observar ou a fotografar. Em ambos casos a utilização de filtros de linha podem resgatar alguns deles ao luar e ao desperdício de iluminação pública mal direccionada.
Os alvos desta sessão eram de grandes dimensões e muito ténues, tendo então resolvido tentar uma combinação de redutores de modo a ganhar mais campo e menor tempo de exposição. O Sky90 foi primeiramente reduzido e corrigido com o seu redutor/corretor específico para f/4.5 após o qual foi aplicado um redutor 1.25" da Atik, que aplicado num "nariz" mais curto, tem o efeito de diminuir o seu factor de redução, resultando então num pequeno "astrografo" a trabalhar a f/3 e com 270mm de comprimento focal completamente planos. Para terminar "optimização de largo campo" o Mário Santiago emprestou-me a sua Atik 2HS que possui um CCD 50% maior.
Uma amostragem destas não inspira grandes cuidados, apenas me restando passar o tempo na conversa e dar espreitadelas fortuitas nos telescópios dos companheiros de céu (estiveram perto uma dúzia de telescópios no local).
E assim foi até perto das cinco e meia da manhã.
A aquisição das imagens foi efectuada com o K3CCD, alinhamento, subtracção de "dark" e integração (sigma-clipping) com o IRIS e tendo sido somente feita correcção de níveis com o PS.
A primeira imagem é da parte Este dos remanescentes de uma supernova em Cisne num campo com pouco mais de grau e meio, e a segunda imagem da maior e mais próxima nebulosa planetária - A "Hélice" ou "Helix " em Aquário tendo ambos os objectos sido visíveis com a panoptic 24mm e filtro UHC, apesar no caso da "Hélice" não ter subido mais de 30 graus de altitude no horizonte. Como sempre podem ver mais imagens aqui.
A nebulosa "Véu" espalha-se numa quase área circular de 3 graus, sendo os dramáticos restos de uma supernova de uma supergigante que explodiu há cerca de 15000 anos atrás a 2500 anos luz de distância, tendo se estimado ter chegado a -8 de magnitude.
Apesar de muito ténue é possível observá-la com apenas uns binóculos em céus verdadeiramente escuros, e com um detalhe extremamente rico com uma grande abertura filtrada com filtros OIII ou UHC (como já tive a felicidade de algumas vezes poder observar), podendo-se até percorrê-la praticamente na sua totalidade. Das grandes nebulosas, é a provavelmente a que mais oferece para ver, tanto em qualidade como em quantidade.
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| Takahashi SKY90 f/3 (270mm)+ATIK-2HS 5.6" res 60% Takahashi P2Z exp: 2x60' h-alpha (2x30x120") mag 6 (clique na imagem - click on the image) |
Continuando nos objectos grandes e ténues, temos a grande nebulosa planetária "Helix", que se estima situar entre 500 e 700 anos luz, tornando-a uma das mais próximas do nosso sistema solar senão a mais próxima. Embora ténue devido ao facto de à nossa latitude não subir muito no horizonte e por tal ficar um algo "afogada" na neblina, é verdadeiramente excepcional em latitudes mais favoráveis e céus verdadeiramente escuros como quando a observei nos céus escuros da ilha de La Palma usando apenas um binóculo 8x50. A estrela central (a estrela mesmo ao centro na imagem de magnitude 13.4) debita 120000 kelvin de temperatura e suficiente radiação ultravioleta para fazer ionizar o oxigénio (no "buraco" central), e o nitrogénio e hidrogénio (no anel) que por ela própria foram expelidos (em diversas fases), tendo estes anéis velocidade que variam entre 32 e 40 km/s.
Devido à sua proximidade é possível observar detalhes muito em pormenor das estruturas e dinâmica nos grandes telescópios, dando oportunidade aos astrónomos de observar aquilo que vai suceder ao nosso Sol daqui a alguns mil milhões de anos.
Curiosamente ambos os objectos representam as duas formas mais visíveis e espectaculares de reciclagem de matéria estelar e planetária. Imagens mais bem apreciadas se acompanhadas com a música "We Are All Made Of Stars" de Moby.
14/07/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
M27 em Ha-RGB e Véu em H-alpha
Depois de uma semana de céu encoberto ao fim do dia, veio uma noite limpa mas não livre daquela neblina leve mas bem presente que desde há semanas parecem insistir durante toda a noite. A transparência esteve bastante má, e a turbulência menos má, a magnitude limite no zénite foi de 4 na melhor das hipóteses. Estas condições tornam obrigatória a utilização de filtros sejam eles de cor ou de linha, mas tornam as imagens feitas nestas condições num exercício meramente pedagógico.
O planeamento de imagens RGB feitas aqui no Pátio tem de ser cuidadoso, porque entre os obstáculos e o domo de poluição luminosa da cidade de Leiria fica apenas disponível uma janela de cerca de 2 horas para objectos a um palmo acima do equador celeste. Neste caso a (l)uminância foi descartada porque simplesmente ficava com ruído de fundo extremamente alto (valores de 80-90) com apenas 30 segundos de exposição. A hora e meia de H-alpha foi registada ainda com a Lua acima do horizonte, tendo registado as cores por ocasião da passagem do meridiano e com a Lua já em baixo, adicionando mais 10 segundos à exposição no canal azul, para compensar a menor sensibilidade do CCD nessa gama de comprimentos de onda.
A aquisição foi efectuada com o K3CCD, alinhamento, subtracção de "dark" e integração (kappa-sigma) com o IRIS, Richardson-Lucy (2 iterações) com o AIP e finalmente correcção de níveis e saturação de cor com o PS.
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| Takahashi SKY90 f/5.6 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res 60% Takahashi P2Z exp: 135' ha-rgb (60x90s)+(2x30x30s+1x30x40) mag 4 neb |
A imagem abaixo é do segmento Oeste dos remanescentes de uma supernova em Cisne, tendo sido apenas um teste para verificar a inutilidade do redutor de 1.25" de enroscar que infelizmente faz salientar bastante o campo curvo, sendo também extremamente difícil de focar. De qualquer modo foi interessante ter um telescópio a trabalhar a somente f/2.8 e chegar à conclusão que de pouco serve aqui no Pátio em que exposições 90 segundos com filtro H-Alpha aparentam ser o limite máximo antes de começar a perder demasiado contraste.
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| Takahashi SKY90 f/2.8 (250mm)+ATIK-1HS 4.7" res 80% Takahashi P2Z exp: 60' h-alpha (40x90") mag 4 neb |
09/07/2005
Local: Barragem do Póvoa - Castelo de Vide
AstroVide
Fui este fim de semana a Castelo de Vide atender a mais um AstroVide , onde se realizaram palestras, um jantar convívio e uma noite de observação num local que embora suficientemente escuro para um evento deste género, foi algo incomodado pelas luzes de viaturas de visitantes, curiosos e também de campistas que por lá se encontravam.
A noite rondou os 6 de magnitude limite no zénite, sem humidade nem vento. A turbulência oscilou entre a forte e a média e a temperatura esteve amena até bem perto do fim da noite.
Apesar de encontros com público não serem boa ocasião de fazer observações, não foi impeditivo de se poder rever alguns objectos, isto em parte graças a passar despercebido por ter estado estacionado nas redondezas de um Merak 18" e de um Obsession de 15", que obviamente atraem mais atenções.
O telescópio utilizado foi o meu velho (5 anos) dobson Brightstar Spacewalker 200mm f/6, que até levou com uma colimação com laser e tudo com cortesia do Alberto, apesar de entretanto a montagem ter adquirindo alguma vontade própria. As oculares utilizadas foram a panoptic 24mm (50x, 1.4° ) e a nagler 9mm (133x, 0.6°) e a nagler zoom (200x-400x). O guia foi o costumeiro Atlas do Karkoschka.
Abaixo está a lista dos objectos observados com muita conversa pelo meio:
E21 M71, M27
E19 NGC 6210, NGC 6572, NGC 6633, IC 4756, M26, M11, NGC 6712
E20 M23, M20, M8, M21, M24, M16, M18, M17, M28, M69, M25, M22, M70, M54
N16 M102 (NGC 5866), NGC 5907, NGC 6503, NGC 6543
N0 M110, M32, M31, M33, M76, NGC 752, NGC 891
E24 NGC 7293
Desta lista destaco o globular NGC 6712 em Escudo, de magnitude 8.1 que se encontra perdido nesta área repleta de estrelas da nossa Galáxia, mas ainda se destaca devido a ser bastante comprimido e muito rico em estrelas ténues, dando-lhe um aspecto algo nebuloso. A resolução não ultrapassa algumas dúzias de estrelas.
Enquanto subia pela a carta E20, deparei-me com enxame aberto NGC 6603 na grande Nuvem de Sagitário, à qual se atribui acertadamente o Messier 24, visto ter sido a nuvem que Messier descreveu e não o enxame anterior, mas contudo fiquei intrigado visto não ter referência a este enxame tanto no Karkoschkacomo no Bright Star Atlas (Tirion, Skiff), por tal fiz um pequeno croqui para mais tarde o poder identificar. Este enxame está talvez fora do alcance da resolução efectiva do 20cm, assemelhando-se inicialmente a uma nebulosa arredondada, aparentando ser maior que os 5 minutos de arco que lhe está atribuido.
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Na carta N16 percebi porque deverá ser extremamente difícil observar a galáxia NGC 5907 com o 90mm, que no entanto não se pode considerar que tenha sido difícil de observar com o 20cm. Apesar de ténue, a sua forma extremamente alongada era evidente e até o pequeno halo se salientou como um "espessamento" da parte central do ténue "risco". Pelo o contrário a NGC 6503 é bastante mais brilhante, mas também mais pequena e com forma lenticular. Mas a melhor definição visual de uma galáxia lenticular talvez seja a NGC 7331 em Pégaso, em cujo o campo tentei fútilmente observar alguma coisa do "Quintento de Stephan".
À semelhança da NGC 5907, a galáxia "edge-on" NGC 891 está no lote de galáxias propostas por Karkoschkaque me fazem pensar a que montanha ou vulcão (de preferência extinto) devo subir para as conseguir discernir com o 90mm, isto apesar do Atlas ter sido escrito para telescópios de 15cm sob céu escuro. Também esta galáxia se pode descrever como um grande e débil "risco", sem ter havido necessidade de usar a visão indirecta. No Obsession 15" atravessava a ocular de um lado ao outro, que embora ainda ténue com halo com forma bem acentudada.
De resto entre outras vistas, foi a segunda vez que consegui observar a "Helix" (NGC7293) sem filtro usando o 20cm, que embora não possa adicionar muito à descrição de nebulosidade circular de grandes dimensões. Também foi possível observar sem filtro as Véus em Cisne (bem lembrado pelo Filipe). Também se separou a Zeta Aqr nos seus componentes quase gémeos zeta-1 e zeta-2 que neste momento tem um valor de separação que varia entre 1.7" e 2" conforme as fontes, sendo portanto até acessivel a telescópios mais pequenos. E finalmente a observação da praxe do planeta Marte que apesar de ainda algo "borbulhante" a 240x, já mostrou bem a calote polar e algumas marcas de albedo.
Poucos foram os telescópios que ficaram até ao final da noite (4:20), tendo os últimos resistentes abandonado o local uma hora depois já com o crepúsculo bem adiantado.
08/07/2005
Local:Aeródromo da Gândara do Olivais ( 39.77N 8.82W alt:52m)
Conjunção Mercúrio, Vénus e Lua
Hoje ao fim do dia
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05/07/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Terra no afélio
Foi hoje às 4:55 da madrugada. O Sol mais pequeno do ano.
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E já agora uma foto de corpo inteiro do dia de hoje.
![]() ![]() ![]() 2005-07-05 12:30 TU M:3 S:3 |
02/07/2005
Local:Atalaia (Montijo 38º44N 8º48W)
O cometa, a supernova e outros
Noite de Verão limpa mas algo clara e com pouca transparência, turbulência por vezes alta e também algum vento, circunstâncias que quando combinadas tornam a tarefa de observar e registar um pouco mais complicada.
O cometa de período curto (5.52 anos) 9P/Tempel 1 vai receber um presente de 370 kg a 10 km/segundo pelas 05:49 and 5:55 UT do dia 4 de Julho, a sonda "FlyBy" mais o"Impactor", a "Deep Impact" conjuntamente com telescópios terrestres e espaciais, vão tentar perceber como são constituídos os cometas, que se crêem serem de matéria primordial do sistema solar. Infelizmente o momento do impacto não vai ser visível em Portugal visto o Sol já ter nascido.
O cometa nessa altura estará a 0.89396083 UA (133,734,637 km) da Terra, e há quem julgue que poderá chegar a magnitude suficiente para ser visível fácilmente com binóculos e até a olho nu (algo que não acredito muito), isto apesar de neste momento brilhar com magnitude de 9.7.
A imagem abaixo é uma animação do cometa durante um período de 32 minutos, a pouco mais de 30 horas do impacto. A julgar pelas as magnitudes das estrelas na imagem (a mais brilhante tem 8.8), não me admira nada não o ter conseguido observar com o 90mm, é muito mais ténue do que a magnitude de 9.7 parece indicar, mas realmente as condições de observação também não eram as melhores.
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| cometa periodico 9P/Tempel 1 Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+ATIK-1HS 2.9" res 60% Takahashi P2Z exp: 32' (16x120") mag 5 |
Não é todos os dias que se tem oportunidade de observar visualmente (e fotografar) uma supernova. Esta é uma supernova do tipo II e está no seu estágio inicial estando ainda obscurecida por poeira dos braços da galáxia, e provavelmente não ficará muito mais brilhante, ficando assim apenas acessível a grandes aberturas visualmente ou pequenas aberturas com câmaras CCD. A supernova sn2005cs, como é formalmente designada foi descoberta em 27 de Junho, há apenas 5 dias atrás.
Supernovas são descobertas às muitas dúzias por ano, mas menos frequentemente em galáxias tão conhecidas e brilhantes como a M51. Apesar de não ter sido óbvia, foi fácil visualizá-la embebida num dos braços espirais interiores da M51 usando o Obsession 15" do Alberto. Foi a primeira vez que vi um supernova "ao vivo".
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| M51 & NGC5195, " Galáxia Remoínho" + supernova Takahashi SKY90 f/5.6 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res Takahashi P2Z exp: 60' (120x30s) |
Mais uma tricromia "iluminada", desta vez do enxame aberto M11 na constelação de Escudo. As estrelas algo "obesas" não deixam de denunciar a turbulência que se fazia sentir, sendo estas o resultado das exposições que escaparam das pequenas rajadas de vento que por vezes se sentia.
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| M11 "Patos Selvagem" Takahashi SKY90 f/5.6 (500mm)+ATIK-1HS 2.3" res Takahashi P2Z exp: 39' - lrgb (34*20s) + (3x28x20s) mag 5 turb |
E finalmente antes de passar ao "modo visual" fiz mais uma visita digital a um dos enxames globulares preferidos visualmente - o M15 em Pégaso.
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| M15 Takahashi SKY90 f/7 (640mm)+ATIK-1HS 1.81" res Takahashi P2Z exp: 14' (43x20s) mag 5 turb |
Continuando a seguir as cartas do Karkoschka, dei uma ronda pela constelação de Andrómeda e Triângulo. Desta vez usei o Sky90 a f/9 (com o extenderQ) e a panoptic 24mm (34x-2 graus), a Radian 14mm (59x, 1 grau) e uma nagler zoom 3-6 (137x-273x).
N0 M110, M32, M31, M33, M76, NGC 752, NGC 891
M31 e as suas galáxias satélites M32 e M110 estavam todos visíveis e suficientemente enquadradas nos 2 graus da panoptic 24mm. A M31 atravessava o campo da ocular de um lado ao outro e as dimensões e formas das restantes bem ajustadas. A galáxia do Grupo Local M33 em Triângulo, não passava de uma grande e ténue nebulosa redonda. A nebulosa planetária M76 a 59x pode-se descrever como tendo forma rectangular, sendo até um objecto bem fácil de encontrar e de observar apesar da sua magnitude 10. O enxame aberto NGC 752 é extremamente grande e é constituido principalmente por estrelas relativamente brilhantes mas muito espaçadas, precisando um pouco mais de campo para o fazer sobressair das estrelas de fundo. E finalmente o novo desafio para o Verão, a galáxia "edge-on" NGC 891 que não consegui sequer vislumbrar, pois tendo um brilho de superficie perto de 14 necessitar de céu bem escuro e muita persistência.
Por a Lua a nascer anunciava o fim da noite estando a menos de 3 graus de altitude aquando a fotografia (2:44 TU), tendo por companhia a estrela 36 Tauri de magnitude 5.5 que distava apenas 16 minutos de arco do limbo da Lua e ainda as Pleiades alguns graus acima - uma bela paisagem. Terminei a noite no planeta Marte, no qual já possível observar sem dificuldade a calote polar e também algumas diferenças de albedo. A ver também as fotografias e relatos desta noite no atalaia.org .














