Setembro 2005

17/09/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Sol III


Sol 20050917 14:48 UT
Coronado PST40

 



Sol 20050917
Coronado PST40



11/09/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Sol II

Vários testes de processamento


Sol 20050911 12:01 UT
Coronado PST40



10/09/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Sol e Lua

Estes vão ser os dois "grandes" protagonistas que se irão encontrar em 3 de Outubro. Entretanto vou treinando e testando a configuração a usar e também o processamento de imagens em h-alpha solar.

A grande grupo activo 798 surgiu hà alguns dias, depois de ter sido detectadas meia dúzia de grandes erupções ("flares") e neste momento existe grande possibilidade de acontecerem mais alguns, mas desta vez mais perigosos visto a mancha estar cada vez mais "apontada" para a Terra.

Abaixo estão v ários testes de processamento.


Sol 20050910 17:15 UT
Coronado PST40

 


Sol 20050910 17:15 UT
Coronado PST40


Sol 20050910 17:15 UT
Coronado PST40

Apenas 19' separavam a Antares (alfa de Escorpião) da Lua. O par era perfeitamente vísivel a olho nú.


Lua e Antares 20050910 20:56 UT




03/09/2005
Local: Alpiarça

Vale da Lama III

Depois de um picapau à beira da barragem, pusemo-nos a caminho chegando cerca de uma dúzia ao local por volta das 20:00 horas para aproveitar alguma da luz natural para montar o equipamento, seguindo-se um verdadeiro banquete sob as estrelas providenciado pelo Francisco Gomes e sua família por ocasião do seu aniversário, após o qual e já de barriga bem atestada se iniciaram as observações por volta das 22:30 tendo estas se prolongado praticamente até às 5:30 da madrugada. Deixamos o local (quase) todos um pouco antes das 7 da manhã.A composição do grupo andou ela por ela de observadores visuais/digitais.
As imagens e relato podem ser vistas na página da Atalaia.org . A astrofotografia da minha parte foi abandonar a sua sorte a Nikon D70 com a objectiva de 50mm e o obturador aberto a fazer "estrelas arrastadas" com a duração máxima da máquina que é de apenas meia hora, logo seguida de mais meia hora de "dark" que faz automáticamente.


O local
Almeirim e Santarém a noroeste, mas não muito incomodativa graças ao morro.

Foi uma noite de Lua Nova, significando isso céu escuro de crepúsculo a crepúsculo, que felizmente acabou por acontecer. Céu esteve limpo durante toda a noite com a temperatura a baixar até aos 9 graus depois das três da manhã. A humidade teve níveis muito baixos, tendo também havido pouco ou nenhum vento. Num feliz acaso, as nuvens só surgiram mesmo após ter acabado a noite astronómica - um pouco de sorte na meteorologia para variar.

Entre as 23 e as 5 da manhã os valores obtido pelo o SQM rondaram todos à volta de 20.85 - valor que considero muito bom para o local e altura do ano. A título de comparação o melhor céu no meu pátio é cerca de 5x mais brilhante 2.512^(20.85-19.15) = 4.8).
A este valor correspondeu um céu que rondava os 6 de magnitude limite, sendo possível notar com a vista desarmada os globulares M13 e M22 e também bastante detalhe nos braços da Via Láctea, que no principio da noite se afundava a sudoeste até praticamente ao chão. Os horizontes Norte e Noroeste apresentavam domos de poluição luminosa. A turbulência esteve bastante razoável, mas houve períodos bons e maus ao longo de toda a noite.


Pleiades e Marte
O Nascente e Sul pelo contrário, bastante escuro

Tinha preparado préviamente uma pequena lista de objectos a observar nessa noite com especial incidência para os objectos de baixa declinação que também cruzariam o meridiano ao longo da noite. As impressões são baseadas em vistas no meu dob de 20cm e outras com o Obsession 15" do Alberto, e também com os bínóculos Taka 22x60 do Alfonso. Os atlas de apoio foram o Sky Atlas 2000.0 (Tirion)e o Karkoschka.

Em Sagitário

Comecei a sessão pela a constelação de Sagitário, que nesta altura do ano já só possível observar favorávelmente um punhado de horas após o crespúsculo.

O alvo primário tratava-se da galáxia de Barnard (NGC 6822), que por diversas ocasiões não consegui observar com o Sky90. Este objecto é extremamente difuso, passando fácilmente despercebido, mas uma vez identificado torna-se uma galáxia de visão directa, podendo-se descrever como uma grande nuvem muito difusa com forma eliptica bem alongada. No Obsession 15" destacava-se melhor e até sobreviveu ao filtro UHC, que salientou levemente algumas zonas mais condensadas de H no halo da galáxia. No Taka 22x60 não foi visível.

Pouco acima encontrava-se a planetária NGC 6818, também conhecida como "Pequena Pedra Preciosa" que possui um brilho superfície bastante elevado, praticamente redonda, textura uniforme e de cor azula/esverdeada através do 20cm, fácilmente distinta das estrelas a 64x. Na opinião de vários observadores era possível observar a sua anularidade no 15" como um pequeno e esquivo buraco, mas apenas numa das magnificações/filtro experimentadas.

Depois de ter passado a vista pelos algo desamparados globulares M55 (grande) e M75 (muito pequeno, mas de núcleo bem condensado), segui para as constelações que se seguiam no meridiano : Capricórnio e Aquário.

Em Aquário

O Aquário alberga o infame enxame M73, que usando baixa magnificação não deixa se ser um pequeno e curioso asterismo, saltando depois para o pouco impressionante e nebuloso globular M72 e saltando de seguida para a peculiar forma da planetária NGC 7009 "Saturno", que apesar do nome, julgo ser necessária mais abertura para lhe fazer mais juz. Ao pequeno globular M30 em Capricórnio também não se pode adicionar muito para além de algumas estrelas que parecem despontar mais de um monte destas não muito resolvido.

A grande Helix (NGC 7293) foi fácilmente localizada sem filtro, mas ficando com o buraco central mais destacado com filtro UHC. Esteve também fácilmente visivel sem filtro nos Taka 22x60.

Em Escultor

Debrucei-me de seguida nas constelações da Baleia (Cetus) e na do Escultor, onde me esperavam mais uns desafios acrobáticos.

Iniciei pela a grande Galáxia do Escultor (NGC 253), que se pode considerar a jóia deste canto do céu. A 64x apresentava-se enorme apesar de pelo o meu esboço que contém estrelas perto de magnitude 12, ter observado pouco mais de metade da sua verdadeira extensão . Podia-se se chamar "Charuto", visto o halo aparentar ser bastante largo apesar de extenso. No 15" era uma impressionante e grossa faixa que atravessava a ocular de um lado ao outro. Esta galáxia é a rainha do grupo de galáxias do Escultor, situando-se a apenas 10 milhões de anos luz .Este grupo é o que encontra mais próximo do nosso Grupo Local contendo também as galáxias NGC 247, NGC 55 e NGC 300, todas elas de grande dimensão e que vou descrever de seguida.

A NGC 247 também foi um desafio que na realidade nem foi muito grande. Fico sempre desconfiado em galáxias de grande dimensão com brilho de superfície tão baixo (14). Embora muito ténue, a sua forma alongada era notória.

A NGC 55 foi o objecto com declinação mais baixa (-39 graus e 13 minutos) que observei nesta noite. Situada ao dois dedos às 13 horas da estrela alfa de Fénix (Ankaa) até se pode considerar fácil de apontar. É uma galáxia grande, ténue e com forma alongada.

O NGC 300 observei-o primeiramente no 15" e tentei de seguida apontá-la no 20cm, mas deixei-a para outra noite.

Finalmente e para desenjoar de galáxias, apontei para o grande e muito pouco resoluvel globular NGC 288. No 20cm é uma grande mancha redonda relativamente brilhante, que usando a visão indirecta consegue-se fazer saltar meia dúzia de estrelas. No 15" consegue-se resolver dúzias delas mas muito esparsas, aparentado ser muito pouco concentrado.
Este globular é um dos mais próximos e conjuntamente com o NGC 362 (na constelação de Tucano) faz o par típico do problema que faz coçar muitas cabeças de astrónomos chamado de "segundo parâmetro". Estes globulares têm a mesma metalicidade, mas um é muito azul (NGC 288) e outro muito vermelho, e ambos têm a mesma idade. Ora esta discrepância permite concluir que existe outro factor desconhecido para além da metalicidade e idade para descrever as propriedades dos enxames globulares, ou no pior cenário que ainda ninguém percebeu como realmente funciona a evolução estelar...

Entretanto o Alberto estava a fazer uma ronda pelas as galáxias de Escultor sugeridas pelo NSOG e aproveitei para também dar uma olhadela. Foram elas : NGC 150, NGC 131 e 141 em que a 131 era de visão indirecta, NGC 613 (núcleo brilhante), NGC 148 (pequena e núcleo brilhante), NGC 254, NGC 289, NGC 439, NGC 491, NGC 7507 (núcleo pontual), NGC 7513 e NGC 7755.

Subindo um bom bocado fui revisitar a galáxia Seyfert M77 na Baleia, que mostrava bem o seu vigoroso núcleo em volta de nebulosidade arredondada, ao contrário da M74 em Peixes que se via como uma ténue nebulosidade arredondada sem núcleo que salientasse.

Nas vizinhanças

É impossível alguém ficar perto de um telescópio de grande abertura sem sentir incomodado pelos "aahs" e expressões de incredulidade constantemente proferidas :)), daí que muitas vezes interrompia o meu alinhamento para tratar de descobrir que raio se passava...

O quinteto de Stephan já faz também parte do menu habitual do 15". As 5 galáxias estavam perfeitamente presentes, apesar de ser um bocado dificil separar as duas mais "chegadinhas" (7318 A e B) . Ainda tentei ver alguma nebulosidade com o 20cm mas sem sucesso. Tenho de me lembrar de fazer um bom mapa para tentar localizá-la, pois aquela zona tem demasiadas estrelas nesta abertura.

Por muito que os astrofotografos tentem, nada bate a visão da "Véu" (do género milagrosa) em tempo real através do Obsession 15" e um filtro OIII : pode não ser mais profunda que as melhores imagens, mas a resolução de tonalidades e sensação de volume certamente o é. Este comentário está a tornar-se um pouco recorrente, mas não perco nenhuma oportunidade de o puder fazer...

A "Crescente" (NGC 6888) também a vi como nunca a tinha visto antes. praticamente a totalidade desta nebulosa foi visível, tendo sido imediatamente reconhecível a forma que lhe dá o nome, com bastante detalhe adicional.

Igualmente impressionante esteve a M17 "Cisne" - foi incrível a quantidade e delicadeza de detalhe (ou penas) que foi observado, talvez a minha melhor vista até ao momento. No 20 cm filtrado também não esteve de se deitar fora.

M57 - É sempre um dos incontornáveis. Estrelas de 15 magnitude estavam descaradamente visíveis perto do anel, embora tenha tentado sem insistir muito ver as centrais que de resto foram vistas pelo o Alfonso e pelo o Alberto. O Alberto colocou uma estratosférica magnificação de 1680x, que fez a M57 transbordar do campo da ocular, tendo o seguimento que é altazimutal aguentado muito bem.

"Estrela flamejante" (Flaming Star Nebula) em Cocheiro - Extremamente ténue e grande. praticamente não passava de uma ligeira impressão de nebulosidade num campo algo populado de estrelas brilhantes.

Pleiades M45 - Nebulosidade por todo o lado. Todas as estrelas apresentavam aquela nebulosidade que típicamente aparece nas fotografias à volta das estrelas mais brilhantes e não só a Merope. Foi utilizada uma ocular de "observatório"- uma Clavé de 75mm, que embora não totalmente corrigida para telescópios de relação focal tão curta, conseguiu meter praticamente a totalidade das Pleiades lá dentro. A saída de pupila era tão grande que nem os meus óculos chegaram para corrigir o astigmatismo.

Cabeça do Cavalo - Não conseguir discernir a forma da cabeça de cavalo, mas a sua área rectangular em parte devido a na altura ainda se encontrar bastante baixa.

Nebulosa de Orion M42 - O Trapézio apesar da turbulência devido à sua baixa altitude apresentava 6 estrelas sem qualquer dificuldade. Esta nebulosa filtrada é outro daqueles momentos...

Marte - sem dúvida a melhor imagem que tive oportunidade de apreciar foi a dada pelo o TEC 200mm do Hugo. Não me recordo da magnificação, mas estava seguramente acima de 400x. O planeta estava perfeitamente recortado com muito detalhe de albedo, mostrando ainda a calote polar como um pequeno ponto branco - as cores estavam de uma pureza invulgar.

E para finalizar

Foi mais uma noitada de Sol a Sol com uma bom céu, várias boas companhias, boa e farta comida e boa bebida tudo na boa tradição da astronomia amadora da Atalaia.




02/09/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

NGC 457 e NGC 436

Nesta noite o valor do SQM bateu o recorde das últimas semanas - 19.15 - este valor corresponde a uma magnitude zénital de 5 aproximadamente e pode-se descrever como de classe 6 da escala de Bortle. Este aparelho mede o brilho do céu em magnitudes por segundo de arco, unidade também usada para medir brilhos de superfície de objectos como galáxias e nebulosas planetárias.

O NGC 457 e NGC 436 são apenas dois das dúzias de enxames abertos que populam a constelação de Cassiopeia. O primeiro é conhecido por várias alcunhas, como o enxame do "ET", da "Coruja" ou da "Libelinha".

NGC 457
Enxame aberto - Open cluster , mag 6.4 *8.6, dim 20', n* 204
Cas, 01:19:33.0 +58 17 00

Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+Nikon D70 4,0" res
Takahashi P2Z
exp: 7' (7x60") iso 800 SQM 19.15
(clique na imagem - click on the image)



02/09/2005
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)(do vizinho)

Vénus e Júpiter II

Hoje este par teve a companhia dos foguetes numa freguesia das redondezas.