Fevereiro 2006

28/02/2006
Local: S.Pedro de Moel

Vaso Etrusco e Lua bébé

Esta é talvez a fotografia mais rápida do pátio, nada mais, nada menos que uma exposição não-filtrada de 1/8000 de segundo.
Segundo o site Atmospheric Optics este fenómeno (onde o Sol parece possuir uma base semelhante à de um vaso) é causado pela refracção de uma camada ar quente e pouco denso, semelhante a este registado há 3 anos atrás no mesmo local . Embora o efeito não seja muito pronunciado, serviu pelo menos de prémio de consolação para o que realmente queria captar - uma Lua com apenas 18 horas de "idade". Infelizmente não foi possível devido a neblinas distantes que tornaram impossível a sua observação quer visual quer fotográfica, restando cerca de 40 fotografias de um sem dúvida belo crepuscúlo onde presumivelmente o fino crescente deveria estar. Fica para a próxima...


Sol hoje às 18:24

... mas no fim de semana seguinte passei os olhos mais uma vez pelas as fotografias e não é que uma delas apanhou o finissimo crescente!!! Pena não ter ficado melhor enquadrada, mas pelo menos valeu a tentativa, apesar das condições adversas de ter como horizonte de fundo o oceano Atlântico.
O crescente encontrava-se a apenas 3 graus de altitude, e tendo apenas 0,77% de iluminação, sendo uma Lua com apenas 18 horas e quinze minutos de idade com o Sol a brilhar apenas 10 graus abaixo. O "record" anterior foi em 2004 mas desta vez de um minguante.

Lua a 0,77% 18:53 UT
exp: 1/2.5s. iso 200s
resolução - resolution: 4,2"
instrument(o):Takahashi SKY90 f/4 (360mm)
camara: Nikon D70
(clique na imagem - click on the image)



26/02/2006
Local: Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Mercúrio

Sendo Mercúrio o planeta mais próximo do Sol, apenas em determinadas alturas é que possível observá-lo fácilmente com a vista desarmada. A essas alturas propícias são chamadas as grandes elongações quando o planeta se encontra aparentemente mais afastado do Sol.
Embora existam elongações maiores existe um parâmetro mais importante para a melhor visibilidade do planeta que é o ângulo da inclinação da eclíptica (caminho aparente do Sol) que nesta altura do ano é quase a pique ao anoitecer, ficando Mercúrio (e também os outros planetas) bem mais altos após o ocaso solar.

A conjunção das órbitas da Terra e Mercúrio, nos seus diversos pontos (afélios, periélios) assim como a marcada inclinação e excentridade da órbita de Mercúrio (só superadas por Plutão) tornam este planeta mais esquivo do que as elongações parecem fazer crer, sendo a mais importante a inclinação da ecliptica que perto dos equinócios da Primavera e Outono é mais íngreme ao anoitecer e amanhecer respectivamente. Esta altura também é propícia para observar a luz zodiacal.

Nesta fotografia é bem aparente o seu brilho (magnitude 0), ajudado por ser a maior luminária naquela área do céu, apesar de por esta altura já se ter conseguido observar dúzias de estrelas e também Saturno e Marte. As próximas mais favoráveisl serão ao cair dos dias de 20 de Junho e 17 de Outubro e ao nascer dos dias de 7 de Agosto e 25 de Novembro do corrente ano. A de 8 de Abril, embora bem distanciado ( 27,8 °) está muito baixo devido à ecliptica na altura estar muito "deitada".


Mercúrio hoje às 18:57



23/02/2006
Local: Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Sol irrequieto II


Sol hoje às 13:35




Sol hoje às 13:31



21/02/2006
Local: Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

O Guerreiro e as 7 Donzelas

Aproveitando as tréguas das nuvens, peguei no tripé e fiz daqui do pátio o registo do breve encontro do planeta Marte com as Pleíades, que segundo o CdA2006 estiveram no seu ponto mais próximo ano dia 18.
Mais vale tarde do que nunca, pois só daqui a praticamente 32 anos os veremos tão próximos. Nesta altura ainda estava a pouco mais de 2 graus da Atlas (27 Tauri) que é a moça da ponta fazendo com as restantes jovens estrelas branco azuladas um belo contraste com o tom alaranjado de Marte, especialmente nos binóculos 7x50.


Marte e Pleiades às 22:05



16/02/2006
Local: Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Sol irrequieto

Enquanto a sopa arrefecia fui dar uma espreitadela ao nosso irrequietamente calmo Sol . Entramos no período chamado Mínimo Solar, em que a actividade solar é muito reduzida mas que ainda proporciona alguns momentos de erupção como esta e uma outra bem maior há alguns dias antes.


Sol hoje às 13:35



11/02/2006
Local: Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Sol e Leituras

Nada existe de especial com o Sol hoje para além de ter um bocado de tempo para matar as saudades de o observar com o PST da Coronado. Na altura o Sol estava muito sossegado, sem manchas solares e com as proeminências a não ultrapassar os 3000 quilómetros...
A fotografias do disco e do limbo "following" (o lado do disco onde "nasce") foi tirada em modo afocal com a minha velhinha Canon G1 que pelo aspecto parece prometer alguma actividade nos próximos dias.


Sol hoje às 12:38

 

Calendário da Astronomia 2006

Escrevendo do Sol e de muitos mais assuntos saiu em todas as livrarias e nas casas especializadas de Astronomia, o Calendário da Astronomia 2006 de Grom D.Matthies, publicado pela Terra Mágica Editores.

Volto novamente a assinalar esta publicação na nossa Língua, visto ser pertinente para qualquer leitor interessado em astronomia e fenómenos associados, seja astrónomo amador ou não. Este livro contém artigos escritos por astrónomos da nossa praça sobre a história da astronomia, suas descobertas e descobridores e mitologia, como construir telescópios, Iniciação à observação, imagem e desenvolvimento detalhado dos eventos mais relevantes para o ano 2006, e ainda todas a efemérides tais como eclipses, ocultações, trânsitos, conjunções, fases lunares, nasceres e ocasos e muito mais informação organizadas mensalmente, tendo sido estas calculadas para o território português.

Basicamente pode ser descrito nas duas anteriores "críticas", do CdA 2004 e do CdA 2005. Das quais ainda mantenho a minha preferência por um formato mais pequeno.

Em relação ao CdA 2005, o CdA2006 tem mais páginas (+60) e mais artigos sendo a grande maioria das imagens de origem portuguesa, dentro os quais se encontra este vosso humilde servo, que embora esteja a escrever nesta página de uma forma quase desavergonhada não deixo de ficar impressionado com a quantidade de trabalho que o autor teve para escrever este calendário, tanto mais pela sua natureza obviamente efémera .

Ver aqui a página do CdA 2006 para saber mais e como adquirir


Galaxies and the Cosmic Frontier
William H. Waller, Paul W. Hodge

Talvez uma das melhores introduções/explanações não-matemática sobre as galáxias. Este livro vai mais além do que o capítulo que geralmente reservado em muitos livros de introdução à astronomia, começando onde estes acabam. Acho este livro lucidamente escrito e equilibrado, com boa explanação e figuração dos conceitos ao alcance de todos os leitores, mas mais especialmente daqueles que já sabem alguma e querem saber mais, mas que não querem mergulhar em livros que "obriguem" a algum conhecimento prévio de matemática, ficando este livro nesse aspecto mesmo na fronteira, mas contendo as interpretações (ou interrogações) para além dos números e fórmulas que por vezes falta nos livros mais avançados.

Fundamental Astronomy
Hannu Karttunen et al

Este é um dos livros usados em cadeiras de introdução à astronomia em diversas instituições de ensino superior no estrangeiro, nomeadamente Harvard. Como o seu nome o descreve, os conceitos são fundamentais, mas o texto apresentado requere algum conhecimento de matemática e de física, mas diga-se de sua justiça não demasiada (com algumas excepções).
Como trata acerca de praticamente todas as grandes áreas da astronomia, a exposição e desenvolvimento é algo restrito mas fortemente incisivo, com muitos exemplos e problemas práticos como o abaixo.

Um asteróide com 100 metros de diâmetro aproxima-se da Terra a 30km/seg. Calcular a magnitude aparente a) a uma semana antes da colisão, b) um dia antes da colisão. Assuma albedo geométrico de 0.1 e ângulo fase de 0º. E finalmente quais seriam as hipóteses de o descobrir a tempo...

Pode-se considerar um manual de introdução à ciência da astronomia "a sério", destinado a aprender e não só a ler.