Local:Vale da Lama - Alpiarça
Vale da Lama VI
Mais uma Lua nova neste montado à beira de arrozais plantado.
Não me recordo de ter sido tão mordido por melgas como nesta noite. As #$&*$% das melgas até o couro do cabelo picavam!!. As rãs deviam fazer menos barulho e comer mais...adiante...
Como sempre, houve uma petiscada que desta vez se prolongou com muita conversa até depois da meia noite, altura em que o céu começou a descobriu.
Ainda hesitei, mas o Sky90 já andava com alguns ciúmes do dob de 20cm decidi desta vez levá-lo "prá night", assim como o novo Pocket Sky Atlas (PSA) da Sky & Telescope para ver como se comportava no terreno.
A noite foi típica de Verão apesar de ter estado nublado até depois da meia-noite. A humidade praticamente não apareceu e a temperatura não deve ter baixado dos 12, 14 graus. A transparência não foi das melhores, mas houve um período a meio da madrugada bastante bom, tendo a magnitude limite zenital andado por volta dos 6 (SQM 20.80), e a turbulência ter sidomediana.
De nota em visual vi o melhor M13 com o Sky90 até à data, e mais uma vez a "Veil" no Obsession 15". Depois dediquei-me a percorrer algumas cartas do PSA, cuja escala e organização ainda tenho de me acostumar melhor.
Este pequeno atlas de 80 cartas argoladas com estrelas até 7.6 de magnitude, que apesar de ter muitos mais objectos que o Karkoschka, não deixa de ser uma colecção de cartas sem informação básica (como a magnitude que com jeitinho até cabia no index ) sobre os objectos de céu profundo lá desenhados, tendo que se usar conjuntamente com outra referência para não andar à caça de gambuzinos com telescópios de pouca abertura. Continua com o curioso hábito de coloração das galáxias na cor vermelha, que sob a luz da mesma cor fica invisível (a laranja ficaria cinzento claro), embora diga-se de verdade que não vemos lá muita a cores em visão nocturna. Ainda vou ter que pensar num "companheiro" para este atlas.
Continuando, pus-me a fotografar com a nikon d70 no rabo do Sky90 as paisagens abaixo que têm uma diagonal de 2 graus e meio, sendo a técnica utilizada a do menor esforço possível. Apontava o telescópio com quickafinder, tirava uma fotografia de 2 minutos e depois ia para a galhofa, por vezes não ficava lá muito centrado e lá tirava outra retornando novamente para a galhofa, focando pelo método do astigmatismo galopante, ou por outras palavras quando os riscos das estrelas me pareciam mais finos estava no ponto. Quando faço focagens a olho nunca arrisco grandes exposições pois não existe pior perda de tempo que uma fotografia ou pior, várias delas, de 5 minutos ligeiramente desfocadas e não é preciso muito para tal acontecer a f/4.5. Sairam no entanto razoavelmente bem focadas.
Estes grandes campos são as vizinhanças de quatro dos objectos mais visitados durante o Verão, fazendo-me lembrar em área as vistas atravé do sky90 e panoptic 24mm que tem sensivelmente o mesmo campo, embora não chegue nem perto da magnitude estelar 14 das imagens abaixo, sendo estes apenas breves instantâneos um pequeno exercício de escala e de (muito) contexto. Não por achar muita piada uma M57 com 10 pixels de diâmetro, mas o seu enquadramento entre a Beta e a Sigma da Lira resulta numa composição que aprecio muito. O globular M13 em Hércules é um dos incondicionais, que como já tinho escrito atrás, deu a sua melhor vista com o 90mm, apetecendo mesmo tirar-lhe uma fotografia apesar de não ter conseguido vislumbrar a pequena galáxia de magnitude 12, NGC 6207. De seguida foi a planetária M27 na Raposa que também se estava a por bem alta, terminando com o enxame M11 em Escudo cuja as redondezas possem várias áreas de poeira interstelar como é caraterístico naquela zona populosa da Galáxia, mas entretanto devo ter dado um pontapé no tripé porque as estrelas não me parecem lá muito pontuais.
As imagens não foram reduzidas, mas sim "binadas 2x2 em matriz de bayer" para o canal de luminosidade e depois adicionado o rgb também este "binado", tudo usando a mesma exposição, usando essa pérola de programa chamada Iris. As estrelas estão um pouco estralhaçadas, mas estas imagens são para ser vistas a pelo menos 1 metro de distância do monitor. Algumas das estrelas são hot-pixels e não asteróides porque também não usei "darks". E nem "flats".
A sessão terminou como começou, com o Sol no horizonte medianamente nebulado e enovoado e com um novo ataque de melgas.
![]() M57 Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+Nikon D70 4,5" res 1x120 seg 400 ISO |
![]() M13 Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+Nikon D70 4,5" res 1x120 seg 400 ISO |
![]() M27 Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+Nikon D70 4,5" res 1x120 seg 400 ISO |
![]() M11 Takahashi SKY90 f/4.5 (400mm)+Nikon D70 4,5" res 1x120 seg 400 ISO |
Como é habitual pode-se encontrar aqui o relato e fotografias do pessoal que por lá andou.
14/05/2006
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
P/Schwassmann-Wachmann 3 (73P) VI
O fragmento B tem estado na última semana ou "outburst" ou por outras palavras com grande actividade, tendo chegado a uma magnitude que permitiu observá-lo a olho nu em céus escuros. Mesmo com a Lua praticamente cheia foi bem visível com os binóculos 7x50, mostrando no reflector 20cm um pseudo-núcleo alongado mas não resolvido em dois e curta mas gorda cauda de formato triangular que terminava numa ténue cauda com visão indirecta. Fez-me lembrar um dardo.
Foi bastante fácil de localizar pois tinha como luminária de sinalização a epsilon cygni, estrela de magnitude 2.5 que marca o meio da asa Leste da constelação do Cisne. O seu deslocamento era notório, principalmente quando perto de alguma estrela.
![]() P/Schwassmann-Wachmann 3 (73P) - C 20060514 02:57 UT reflector 20cm f/6 nag9mm (136x) |
O cometa pode-se considerar relativamente pequeno, se atendermos à dimensão na diagonal do recorte abaixo que cobre cerca de 15 graus de céu (um palmo aberto à distância de um braço esticado)q ue vai desde o coração do Cisne até à ponta da asa . A típica cor azul marinho ainda conseguiu ser subtraída ao luar e à poluição luminosa, mostrando ainda cerca de meio grau de cometa.
![]() P/Schwassmann-Wachmann 3 (73P) - C 20060514 02:44 UT Nikon D70 50mm f/2.8 - 8 exposições de 10 segundos num tripé fixo |
12/05/2006
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Lua Coroada eJúpiter
Fenómeno muito vulgar causado pela difracção do luar (neste caso de uma Lua cheia) nos cristais de gelo nos cirros e outras nuvens da alta atmosfera. Este era particularmente colorido, mas um mau sinal para observar todo o resto.
![]() Corôa lunar Canon G1 - composto de 2 exposições 1/100s e 1 seg |
07/05/2006
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
P/Schwassmann-Wachmann 3 (73P) e M57
Na madrugada de segunda-feira 8, o fragmento C passou extremamente perto da mais famosa nebulosa planetária do catálogo de Messier, a M57 - Nebulosa do anel. Não é vulgar conseguir colocar no mesmo campo com uma magnificação já grande (136x) dois objectos "nebulosos" tão brilhantes.
A observação iniciou-se com os binóculos 7x50, onde o cometa era imediatamente perceptível, mesmo com o forte luar. Achei uma vista muito interessante a passagem perto da estrela variável de eclipse branco azulada Beta Lyrae (Sheliak) que é uma estrela múltipla rodeada de um pequeno e curioso enxame, sendo todas elas pertencentes à nossa Associação Local (grupo Pleiades).
Esta zona é ricamente populada de estrelas, tendo demorado a pontuar as estrelas e M57, desenhando em intervalos mais ou menos regulares a posição do cometa. Sim, em pouco mais de 1 hora a sua posição mudava a uma velocidade que nunca antes tinha visto. Infelizmente fui obrigado a recolher bem antes da sua maior aproximação a M57, pois o dia seguinte era de trabalho.
![]() P/Schwassmann-Wachmann 3 (73P) - C 20060507 00:55-02:00+ UT reflector 20cm f/6 pan24mm (51x) |
![]() P/Schwassmann-Wachmann 3 (73P) - C 20060508 01:55 UT reflector 20cm f/6 rad14mm (86x) |
06/05/2006
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
P/Schwassmann-Wachmann 3 (73P) IV
Noite com algumas abertas e com a Lua próxima do seu quarto crescente. Já há alguns meses que não fazia umas imagens de maior exposição que algumas fracções de segundo e queria verificar se a P2Z, o Sky90 e as câmaras ainda se encontravam em condições. A Atik 1HS já provavelmente entregou a alma ao criador, restando apenas a Philips Toucam alterada para (pouco) longa exposição ainda no seu invólucro original.
Para atenuar uma das a tarefas mais demoradas da astrofotografia, a focagem, experimentei usar um paquímetro (também conhecido por craveira ou calibre) para medir e nele fixar a distância de focagem em foco primário. Quando se usa uma montagem sem GO TO, a alternância entre em localizar e centrar um objecto com uma ocular e o foco preciso para a câmara faz perder bastante tempo, coisa que não tinha de modo a aproveitar as raras abertas que surgiam. Funcionou na perfeição, tendo apenas que focar para a câmara uma única vez, solução simples e eficaz e com uma resolução superior a 0.05mm (que é o que se pode medir com o paquímetro utilizado), que é mais que suficientemente para as focais curtas que utilizo.
O fragmento B foi o principal objectivo da noite - tentar registar o núcleo fragmentado. Este cometa era extremamente ténue no 90mm talvez devido ao já intenso luar e tive alguma dificuldade para o encontrar. Contudo, a imagem baixo mostra distintamente o duplo coma embora numa escala reduzida. É impressionante o que mais algum luar afectou na visibilidade deste cometa em apenas dois dias, visto que na observação anterior era perfeitamente visível com apenas uns binóculosde 50mm.
![]() P/Schwassmann-Wachmann 3 (73P) - B 20060506 01:26-01:32 UT Takahashi SKY90 f/5.6 (500mm)+Toucam SC1 2.3" res 18x20 seg |
O fragmento C por outro lado já atingiu a impressionante velocidade de movimento aparente de 10.511'/hora, equivalente a percorrer um terço de uma lua cheia em apenas 1 hora! mas a uma confortável distância de mais 14 milhões de quilómetros. Este fragmento era notóriamente maior e mais brilhante.
Na imagem abaixo parece que se está a tornar visível outra cauda, talvez por naquele momento estar praticamente "de frente" ou em oposição em relação à Terra. A intensa nebulosidade impediu registar um grande período.
Ver a animação com as 57 imagens (13x a velocidade aparente) |
04/05/2006
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
P/Schwassmann-Wachmann 3 (73P) III
Continuação do seguimento dos fragmentos doP/Schwassmann-Wachmann 3.Quando há nuvens o céu aqui do pátio tem tendência a ser mais transparente nas abertas, podendo até chegar muito perto de uma magnitude visual limite de 5 (viam-se as estrelas que desenham a Ursa Menor) nas zonas com poluição luminosa indirecta. E foi numa dessas abertas de 1 quarto de hora que bastou para fazer mais um esboço do fragmento B e uma estimativa de brilho do fragmento C.
Ambos eram visíveís nos binóculos 7x50 tendo entretanto estes cometas já percorrido um grande caminho desde a madrugada do passado Domingo, tendo o fragmento C já atravessado a constelação de Hércules e o fragmento C a passar perto da estrela que serve de ombro direito à figura da constelação.
Embora o fragmento C fosse de maior dimensão (estimaria o dobro da cauda) era tinha um brilho de superficie mais ténue que o B, que por outro lado compensava a sua menor dimensão com um coma muito mais condensado e brilhante, sendo este bem fácil de encontrar e observar neste céu - a sua magnitude estimada foi 8.5.
![]() P/Schwassmann-Wachmann 3 (73P) - C 20060504 00:55 UT reflector 20cm f/6 rad14mm (86x) |











