Local:Vale do Rossim - Serra da Estrela
Serra Láctea
A noite de Verão que não poderia ter sido mais perfeita: céu escuro (magnitude 6.5 e SQM 21.30), sem nuvens (que embora ameaçadoras no horizontes litoral, as mais atrevidas era desfeitas pela a serra), sem nenhum vento, sem frio (12º), sem absolutamente humidade nenhuma, e boa companhia do Seabra, do Fausto e respectivas famílias.A barragem do Vale de Rossim situa-se um pouco abaixo das Penhas Douradas a cerca de 1430 metros de altitude.
Em céus deste calibre têm a particularidade de serem um verdadeiro deleite à vista desarmada, contam-se pelos os dedos as vezes que tive a oportunidade de ver a Via Láctea de Verão tão extensa, rasgando da cauda do Escorpião às pernas de Perseu atravessando de horizonte a horizonte com uma envergadura fora de normal, ficando as mais brilhantes constelações quase irreconhecíveis de tanta estrela que graças à escuridão surgiram, tendo algumas das constelações mais modestas ganho a forma e fazerem mais juz ao seu nome. Em céus escuros, a nossa própria Galáxia torna-se sem dúvida o objecto mais espectacular, sendo simplesmente necessário um par de olhos para ter a sensação que realmente dela fazemos parte e que por muito vezes se experiencie, é e será sempre uma visão fascinante. Valeus a pena a viagem só por isto.
Pegando num par de binóculos foi possível passear com um pouco mais de detalhe por infindáveis rios de estrelas e vales de poeira interestelar, com as pequenas concentrações de estrelas que marcavam os enxames, assim como algumas regiões de nebulosidade, como a gigantesca "North America" ou então a Hélix que nos binóculos me fez lembrar a que vi em La Palma . Durante toda a noite choveram os bem mais próximos meteoros esporádicos,e até alguns a anunciar as Perseidas, tendo alguns deles fragmentado e deixado atrás um rasto de poeira iluminado.
![]() Nebulosa Escura do Cachimbo |
Usando o Sky90 comecei em Sagitário como um belo quadro da M8 e M20 no mesmo campo, subindo vagarosamente por ali acima até ao Escudo onde se situa o enxame aberto M11. Quando passei por este último a 21x, associei melhor a alcunha de "Patos Bravos" que dão a este enxame, pois com esta magnificação e abertura realmente tem uma forma semelhante a um bando de aves bem compactado, mesmo estando imerso em tanta estrela.
Finalmente consegui observar a galáxia de Barnard (NGC 6822) usando apenas 21x , que tal como préviamente no 20cm, esta galáxia continua a ser um objecto extremamente difuso, tendo que inicialmente mover o telescópio para detectar a sua presença, passando pouco depois com alguma insistência a objecto de visão directa. No 18" polegadas do Seabra a sua forma elongada era bastante evidente. Também a vizinha extraordinariamente brilhante , mas pequena planetária NGC 6818 "A Pequena Pedra Preciosa", revelava a sua presença com apenas 56x, não passando no entanto de uma pequena e difusa bolinha.
Ainda na região fiz uma visita aos globulares M55 e M75, sendo o primeiro bastante grande com dúzias de estrelas resolvidas, e o último quase a sua antítese: pequeno e sem praticamente resolução. Fiquei no entanto bastante surpreendido com a resolução obtida no M15, este já em Pégaso. Ainda tentei em vão detectar a NGC 891 em Andrómeda, mas julgo precisar de subtrair mais um ou dois quilómetros de atmosfera para o conseguir, restando dessa tentativa apenas a visão da bonita dupla amarela e azul Gamma Andromedae (Almach). Não deixei de passar pela a M31 que atravessava os três graus da 24mm, que também incluia as galáxias satélite M32 e M110 num belo enquadramento.
Já o começo do crepúsculo foi uma verdadeira parada de satélites artificiais com destaque para a ISS e uma formação triangular de satélites ,que segundo o Heavens Above se tratavam de satélites militares de vigilância "top-secret" da Marinha norte-americana NOSS 2-1 (C). Estes satélites costumam ser discretos, brilhando normalmente à volta da magnitude 5, mas neste caso apresentaram pelo menos uma magnitude 2 a 3, sendo fácilmente visíveis a olho nu formando um triângulo com 3 graus de lado, o que dá para apreciar o que são 50 a 60 km vistos a cerca de 1000 kms de distância. Para saber mais ver aqui. Depois de ver o par Space Shuttle e ISS logo após a sua separação há alguns anos atrás, é sempre bom sinal ver estas máquinas em queda livre ao inicio danoite e melhor sinal ainda ao fim da noite.
Por falar em fotografias, não resisti de tirar umas recordações daquele céu escuro. É sempre um raro prazer conseguir fazer exposições de 4 e 5 minutos sem filtro a f/4.5 e não saturar as imagens. Abaixo estão as imagems de duas das galáxias de maior dimensão aparente daqui do hemisfério Norte, a M31 e companheiras e a Galáxia M33 do Triângulo. Ambas razoavelmente sub-expostas com apenas 20 minutos (5x4 minutos) cada, mas julgo que o suficiente para capturar uma ideía geral. A imagem da NGC 404 ("Fantasma de Mirach") foi mais teste de focagem com apenas 2 minutos, mas lá fica uma imagem do insólito par que está mencionado no relato mais abaixo.
![]() M33 (clique na imagem - click on the image) |
![]() M31, M32 M110 (clique na imagem - click on the image) |
![]() NGC 404 e Mirach |
22/07/2006
Local:Atalaia (Montijo 38º44N 8º48W)
Atalaia XXV
Já faz alguns meses que aqui não fazia uma visita.
A noite esteve bastante boa, com magnitude limite por volta dos 6, sendo a Via Láctea de visão instantânea. Houve alguns períodos em que caiu alguma humidade e também de passagem de algumas nuvens. Boa transparência e baixa turbulência.
![]() |
As estrelas de carbono têm luminosidades que vão de anãs até gigantes e encontram-se na fase de fusão de carbono, libertando vastas quantidades deste elemento para a sua atmosfera e para o meio interestelar.
Estas estrelas têm a particularidade de apresentarem no seu espectro largas linhas de absorção por moléculas que contém carbono, responsáveis por absorver grande parte da luz azul, que combinado com baixa temperatura resulta numa aparência visual extremamente vermelha.
É o caso da estrela de 7.5 de magnitude T Lyrae (SAO 67087,HIP 90883 ), que se fosse uma estrela "normal" seria classificada como M5 ou M6 com temperaturas a rondar uma soalheira temperatura de 2000 K à superfície, mas devido à elevada abundância de carbono por ela foi produzida, cria um filtro tornado-a numa das estrelas mais vermelhas que é possível observar através de um pequeno telescópio.
E de facto, no Sky90 podia-se descrever como um ponto vermelho-alaranjado, com a ligeira impressão de parecer ter menos brilho que a sua magnitude indicava. No Obssession 15" do Alberto a sua cor era um espectacular SPA de luz vermelha.
A sua classificação espectral é C6,5(R6) em que 6 é a temperatura (decrescente de 0 a 9) e o 5 a "força" das linhas de carbono (crescente de 0 a 5 ). A classificação mais actual no entanto aponta para C8. As estrelas muito frias são notóriamente dificeis de caracterizar, mesmo o Hipparcos dá uma distância de 2060 ± 980 anos-luz, uma luminosidade de 310 ± 300 x a do Sol em uma magnitude absoluta de -1.4 ± 1.0. Vista a não perder não muito longe de Vega.
O pequeno quadrado acima são estrelas arrastadas de uma imagem de 30 segundos de forma a mostrarem (ou melhor espalharem) as suas diferentes cores. A estrela mais vermelha é a T Lyrae e a seguinte HK Lyrae outra estrela produtora de carbono, a estrela mais azul é uma B9. A imagem abaixo é um recorte da mesma área e tem perto de 1 grau quadrado em volta da T Lyrae.
![]() T Lyrae (clique na imagem - click on the image) |
De seguida coloquei o filtro UHC e fui dar uma volta por Cisne, começando pelas Véus que quase se podia observar o grande "parentesis" formado por ambos os segmentos. A "América do Norte" desta vez incluia também e todo o Canadá e talvez o estado do Alasca - nebulosidade por todo o campo de três graus que a panoptic 24mm conseguia mostrar. Passei então para o objecto desafio - a nebulosa NGC 6888 também conhecida por "Crescente". Não estava muito esperançado de a ver com apenas 90mm, mas para meu espanto desconfiei da sua presença mesmo sem o filtro UHC. A 21x a sua descrição é apenas simplesmente uma pequena área de ténue nebulosidade as vizinhanças de um triângulo de estrelas relativamente brilhantes, nada que se assemelhasse a um crescente, mas o mais importante neste caso foi a observação positiva com um telescópio pequeno. Terminei com um pequeno salto às pequenas e brilhantes planetárias, NGC 6826 e NGC 7027, sem deixar de passar pela a M27.
Mudando de tema, fui à caça dos planetas exteriores Úrano e Neptuno. Ùrano está a brilhar com 5.8 de magnitude tendo sido muito fácil de encontrar com apenas 56x como uma pequena estrela gorda, muito semelhante a uma pequena nebulosa planetária. A 167x era sem dúvida um pequeno e uniforme disco de cor verde-azulado muito pálido. Neptuno escapou-me completamente. A sua magnitude de 7.8 não era de modo nenhum um desafio, mas o seu tamanho de apenas 2,35", está perigosamente perto do tamanho do disco de Airy para 90mm de abertura que veio a revelar-se fatal para o conseguir distinguir das estrelas. Para a próxima tenho de ir preparado com um mapa.
Para o fim da noite, a constelação de Cassiopeia já se encontrava suficientemente
alta e aproveitei para dar uma espreitadela a alguns dos objectos mais
interessantes. O primeiro deles foi o NGC 7789 que apesar de se encontrar numa
região muito populada de estrelas, destaca-se fácilmente com apenas 21x. Com um
bocado mais de magnificação (56x) faz resolver dúzias de estrelas concentradas sobre um
fundo muito difuso, sendo este sem dúvida o meu enxame favorito nesta constelação.
Passei brevemente pelo NGC 457 (o enxame "ET") a caminho do NGC 281 (IC11), sendo este último envolvido pela a nebulosa "pacman" que era o desafio nesta região. Com o filtro UHC era possível observar sem dificuldade que a região tem uma ténue nebulosidade, embora (novamente) não tenha reconhecido a forma que lhe dá a alcunha. E ainda uma passagem obrigatória pelo o "duplo".
![]() NGC 7789 (clique na imagem - click on the image) |
Depois de uma espreitadela rápida na galáxia Andromeda e as suas duas satélites passei para uma galáxia que não poderia estar melhor assinalada, visto a encontrar-se a apenas 8 minutos de arco de alaranjada Mirach, a estrela beta de Andromeda. A eliptica anã / lenticular NGC 404 é uma pequena e redonda nebulosidade com 11 de magnitude, mas suficientemente concentrada para conseguir sobreviver a luz emitida de tão brilhante vizinha. É bem mais acessível que alguns Messiers.
E finalmente nasceu a já idosa Lua com o minguante perto de 4% de iluminação, que do meu local ainda demorou algum tempo a galgar as árvores que recortavam o horizonte. Mas a vista que deu conjuntamente com Vénus (este a brilhar a -3.9! a apenas cinco dedos da Lua) fez valer a pena quase ver o dia a nascer na Atalaia. A luz da Terra reflectida na noite lunar esteve surreal, tendo proporcionado um grande final para uma noite bem passada.
Como é habitual ver também os resultados e relatos em www.atalaia.org.
![]() Crescente (clique na imagem - click on the image) |
![]() O nascer do dia |
19/07/2006
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
"Perfect Thunderstorm"
Mais uma grande trovoada de Verão . Esta em particular foi das mais activas que tenho observado. Um mosaico de alguns raios mais espectaculares e uma composição de 6 fotografias de 30 segundos com Nikon D70 zoom 50mm f/4 durante um período de 3 minutos. Eu sei onde não gostaria de estar... .
![]() (clique na imagem - click on the image) |
![]() (clique na imagem - click on the image) |
07/07/2006
Local: Praia da Rocha - Algarve
Raio da Morte
Esta fotografia fez-me lembrar uma cena de um qualquer filme de um ataque alienigena ao nosso planeta. De facto é apenas o reflexo da Lua já em idade avançada no mar ajudado por um efeito de difracção e refracção. Foto tirada do cima da rocha que deu o nome à praia.
![]() Raio da Morte Nikon 950 - 8 segundos |











