Abril 2007

2007.04.28
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Lua Humorada

Pequena sessão entre nuvens aqui no Pátio com o Fujinon 16x70 e com o dobsoniano de 20cm.

Já fazia algum tempo que não olhava através do meu dob de 20cm. Com ele estive a observar a Lua e Saturno com os seus satélites interiores Dione, Rhea e Thetis e ainda o Titan bem afastado do seu planeta.
Neste momento a colimação está um pouco ao lado, porque a cabeça de um dos parafusos de colimação partiu e ficou lá encalhado o seu resto e por consequência, magnificações acima de 100x são bastante sofríveis.

O terminador lunar tem sempre algumas regiões interessantes, e neste caso no seu sudoeste onde se encontra o Mare Humorum com a quase perfeito círculo de 110 km da cratera Gassendi na sua borda e mais a Sul a então saliente e alongada Schiller. Fotografia capturada da ocular televue radian 14mm no 20cm.

Continuo o treino de apontagem com estes binóculos sem usar apontador e a tentar mantê-los firmes sem qualquer apoio. O luar e a poluição luminosa não permitiu a observação de muito mais que estrelas duplas e uma ou outra galáxia ou enxame aberto. O cometa Lovejoy ainda se encontrava na zona vermelha da poluição e passou despercebido estando neste momento está a passar com magnitude 9 entre a Lira e Hércules em direcção ao Dragão.




21/04/2007
Local:Atalaia (Montijo 38º44N 8º48W)

Atalaia XXVIII

Noite típicamente atalaica, com muitos habitués e algumas visitas. O céu ficou práticamemte limpo toda a noite, com alguma humidade e temperatura amena. A magnitude limite zenital a chegar 5.5 após a Lua se pôr.

Esta foi a primeira luz efectiva dos binóculos 16x70, tendo começado por alvos fáceis para treinar a apontar os binóculos e me habituar ao seu campo de 4 graus.

Os candidato mais óbvios foram os planetas, primeiramente Vénus que se apresentava-se quase redondo, os anéis de Saturno perfeitamente resolvidos com o seu satélite Titan. No 15" estava um interessante arranjo dos 5 satélites interiores mais brilhantes.

Entretanto no Obsession do Alberto a Lua proporcionava no seu terminador uma dramática vista parcial de uma falha lunar semelhante à Rupes Recta, a Rupes Cauchy que tem uma extensão semelhante de 120 km, mas esta parece bem mais contrastada. Na altura pensamos estar a olhar para a Rupes Recta (que está precisamente na longitude de sinal contrário), que tem outra rima quase paralela, esta paisagem lunar é a 26 do Rukl, e tem por nome "hiperboles". A Petavius de 80 km de diâmetro estava magnífica com a sua proeminente rima a atravessar, assim como o Mar das Crises com o seu bordo verdadeiramente montanhoso. Realmente chego à conclusão que não existe tal coisa como abertura demais para observar a Lua.
O lado iluminado pela a Terra tinha uma estranha tonalidade azulada com estrelas a despontar até muito perto do limbo, fazendo lembrar as que se veem durante um eclipse lunar.

Continuando nos binóculos 16x70, o limbo da Lua exibia demasiada cor lateral (que não é aberração cromatica mas igualmente inestética) e foi quase impossível fixar uma posição para a despistar. A Lua perto do Quarto ou mais velha não é propriamente um alvo muito aconselhável. De qualquer modo o recorte e nitidez da imagem foi exemplar.
Os binóculos ficaram grande parte da noite montados num paralelograma sobre um tripé de médio porte de fotografia, mas que era no seu conjunto algo sub-dimensionado. Sem qualquer apoio é quase impossível de mantê-los quietos quando usados de pé, mas para mim foram espantosamente utilizáveis se tivesse sentado. Têm os sólidos 2 quilogramas (certos), mas bem equilibrados.

Depois andamos a tentar observar uma nova recorrente (var. 9-18 mag): a GW Librae. Com ajuda de uma carta do AAVSO e da carta 861 do MSA, zeramos a sua localização, mas não houve confirmação positiva nos binóculos, embora no Obssession a magnitude de perto de 10 não fosse propriamente um desafio. Nesca busca deu para verificar que os binóculos quase que atingiram o seu máximo teórico de visibilidade que é de cerca de magnitude 11 (a magnitude limite do Millenium Star Atlas), e isto apesar da esta região ter estado longe de ser escura.

Um dos momentos altos foi a observação do cometa Lovejoy C/2007 E2. Este cometa recentemente descoberto subiu bastante desde a última vez que tentei ver no Pulo do Lobo, estando naquela altura a passar por Sagitário, neste momento está a atravessar a bom ritmo a constelação da Águia. Detectei-o rápidamente, mas nessa altura estava a passar por cima de uma estrela brilhante (SAO 124372 de mag 8), ficando na dúvida se não seria um ligeira condensação nas lentes dos binóculos. No entanto a condensação moveu-se :). Era bem notória a sua velocidade mesmo a 16x. A coma era muito pouco condensadaA e incolor e não apresentava cauda. O seu tamanho era ligeiramente maior que a M27 tendo cerca de 7-8' de dimensão, mas bastante mais ténue.

Comecei então a saltitar aleatóriamente por todo o céu a ver o que se podia ver. Na Ursa Maior o para M81/M82 (belo campo), M101, em Cães de Caça a M94, M106 e M63, M51/NGC5195 (bem distintos os núcleos e dimensões) e ainda M3, em Leão M65/M66, M104 (bem alongada) em Virgem esta no campo acompanhada por uns tripletos de estrelas, em Lira M57 (muito pequena) e M56, M13 e M92 em Hércules, M71 em Seta, M27 em Raposa, Albireo e M29 em Cisne.
Depois de Ofiuco e seus globulares M10, M12 e M14, M5 em Serpente tendo sido este o globular mais interessante da noite com este instrumento. Interessantes também as estrelas duplas não muito apertadas como a Nu Draconis e Beta Capricorni.

Começando no Escudo em M11 e M26 fui descendo por aí abaixo por M16, M17, M18, M24, M25, M21, M20, M8, M21, M28, M22, os globulares da base do pote M70, M69 e M54. M55 deu luta assim como o M75. Passei por Escorpião no M80, M4 e os enxames M6 M7. Decidi tentar acabar a última maratona nos M72 e M73, tendo vergonhosamente esquecido de ver o M30... nem assim a completei.

Esta foi também a noite do máximo das Líridas - vi algumas e bem brilhantes, mas nada de actividade muito anormal, não maior que a dos esporádicos.

De resto foi até o Sol nascer. E como sempre o habitual relato e imagens dos companheiros da noite.


2007.04.18
Local:Aeródromo da Gândara do Olivais ( 39.77N 8.82W alt:52m)

Crescente

Depois de no dia anterior de ter tentando o objectivo impossível de observar uma Lua com apenas 8 horas de idade e ainda por cima com as nuvens a chatear, restou-me apenas a imagem dela no dia seguinte. Esta fotografia é muito semelhante ao o que se pode observar com binóculos ainda com o céu bem azul, tendo também esta sido a estreia crepuscular do recém-chegado Fujinon FMT-SX 16x70.

O cometa 2P/Encke era suposto ter sido fácil de avistar, mas novamente sem sorte. Não me pareceu que tivesse a magnitude 4 das previsões, ou então o mais provável foi a costa Atlântica ter feito novamente das suas.É preciso a perfeita conjugação de muitos factores, em especial os da sorte e da persistência para conseguir fotografar crescentes muito finos, mas por vezes lá se consegue:

O crescente mais fino que obti foi na praia de S. Pedro de Moel em Fevereiro de 2006 e ainda um outro na cidade de Leiria em Outubro 2004.