Junho 2007
2007.06.30
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Vénus e Saturno II
Uma conjunção de planetas relativamente rara aconteceu hoje ao fim do dia.
O par em causa é sui generis com ambos mostrando as suas características típicas: a fase crescente de Vénus, e as "orelhas" de Saturno. Apesar de estarem separados 3/4 de 1 grau, essa separação é imensa quando comparada com o tamanho aparente dos dois planetas, que se tivermos em conta com os anéis de Saturno eram praticamente iguais com cerca de 33-35 segundos de arco (80x a sua separação).
Ambos eram visíveis mesmo antes do Sol se pôr nos binóculos 16x70. A diferença de magnitudes era muito grande, com Vénus 100x mais brilhante, mas diferença essa que a nossa visão consegue devidamente processar sem que ocorra qualquer saturação.
Mas fotografar intensidades de brilho tão díspares é outra história. Abaixo está uma fotografia que se assemelha ao que se poderia observar através dos binóculos, neste caso 2 minutos após o Sol se pôr. A exposição crítica necessária para não saturar Vénus e registar a sua fase, e simultâneamente conseguir arrancar do brilho de fundo o bem menos brilhante Saturno necessita da ajuda de uma boa dose de sorte.
Depois
as nuvens voltaram a cobrir o céu e tentei usá-las com um filtro natural (H2O) que simultâneamente obscurecesse Vénus e não cobrisse Saturno, numa tentativa de lhes tirar uma fotografia em que o brilho de ambos fosse semelhante. Abaixo está a que correu melhor.
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2007.06.29
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Vénus e Saturno
Hoje ao fim do dia.
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2007.06.23
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Pátio CCXXII
A sessão caseira começou às 0:00 UT (01:00 locais) da madrugada de Sábado, tendo terminado devido ao aumento da nebulosidade cerca de 2 horas depois. No inicio da sessão a Lua no seu Quarto Crescente já se encontrava muito baixa, contribuindo bem menos para a claridade do céu do que a poluição luminosa local.
Flanqueado a Sul pela a imensa, de tão perto, abóbada de luz da cidade de Leiria a Sul e por prédios em toda a volta, apenas sobrevive um circulo de 15 a 20 graus em torno do zénite como janela para o resto do Universo. O SQM marcava uns desapontantes 18.82, valor que se podiam considerar péssimo para a prática de astronomia visual que não seja planetária ou de sofá, mas contudo a estimativa visual na região da Ursa Menor ainda deu umas esperançosas 4.5 magnitudes. O céu esteve praticamente limpo com apenas algumas nuvens que ocasionalmente passavam apressadamente. Noite de Verão com temperatura agradável.
Apesar do cenário desfavorável, decidi trazer o meu estimado dobson de 20cm para o pátio, junto com um par de oculares, a panoptic 24mm (51x 1.34º) e a nagler de 9mm (131x 0.6º) e ainda os Sky Atlas do Karkoschka (3ª edição a sair brevemente), Millennium Star Atlas e o Pocket Sky Atlas.
Iniciei uma pequena ronda por diversos alvos aleatórios enquanto o telescópio se equilibrava para a temperatura exterior, a fazer tempo para que a constelação de Cisne galgasse o telhado do meu prédio. Comecei na sua "asa" precedente que se encontrava mais elevada.
A nebulosa planetária NGC 6826 (ver imagem) é também conhecida por planetária "pisca-pisca" que desta vez não deu ou não tive a paciência. para ver o efeito. Já denunciada a 51x com a Pan24, a 131x mostrava uma forma ligeiramente alongada e relativamente homogénea, mas pouco mais há a relatar desta vez. Esta nebulosa está no meio de um interessante contexto estelar , podendo-se encontrar nas suas redondezas alguns pares de duplas, dentro dos quais se salienta a brilhante 16 Cygni que é um verdadeiro sistema duplo de estrelas anãs amarelas de espectro G muito semelhantes ao nosso Sol, situado a 70 anos luz e onde pela a primeira vez num sistema duplo, foi encontrado um planeta extrasolar do tipo joviano. Este sistema binário encontra-se no livro de Kaler, The Hundred Greatest Stars, onde o autor faz algumas deduções curiosas como por exemplo : "para 0s16 cygnianos o segundo Sol seria 2x mais brilhante que a nossa Lua Cheia", ou ainda porque razão do acolhedor planeta Tatooine do jovem Luke Skywalker com os seus dois Sois ser quase uma impossibilidade...
Seguindo alguns dos objectos marcados na mesma página do Pocket Sky Atlas passei por três enxames abertos na região. No NGC 6811 podiam-se contar cerca de 40 estrelas de 10 e 11 de magnitude uniformemente espalhadas sobre um área difusa de estrelas não resolvidas. O NGC 6866 mostrava bastante menos estrelas e ligeiramente mais pequeno mas com uma saliente cadeia formada pelas suas estrelas mais brilhantes. Finalmente cheguei ao NGC 6910. Este interessante enxame a apenas meio grau da gamma de Cisne Sadr (no coração/peito do Cisne). Uma dúzia de estrelas desenham uma forma a fazer lembrar um Y invertido um fundo não resolvido, duas estrelas de magnitude 7 muito proeminentes, que o o torna provavelmente apelativo.
![]() NGC 6910 |
Já na asa Oeste passei pela a pequena mas brilhante planetária NGC 7027, já distinta a 51x e oval a 131x sem contudo me ter apercebido de qualquer outro detalhe relevante.
A 61 Cyg é uma estrela, ou melhor, um par de estrelas que é notável por diversas razões. A primeira e a mais imediata através de qualquer telescópio. é a de ser um belo par de estrelas dourado/alaranjado. Mas para além da sua beleza intrínseca tem uma maior importância histórica.
Foi a primeira estrela para a qual foi medida com alguma precisão a sua distância real. Em 1838, Friedrich Bessel anunciou que apresentava uma paralaxe de 2 terços de segundo de arco (0.66"), o valor corrente da paralaxe formal é metade daquele valor cerca de 0.287.13". Isto resulta numa distância de 11.359 anos luz, sendo as 12ª e 13ª estrelas mais próximas do nosso Sol.
É uma estrela dupla visual constituída por duas estrelas alaranjadas de magnitude e tonalidade semelhantes: 5.20 (K5) e 6.05 (K7) que são também ligeiramente variáveis como é o caso de quase todas as estrelas deste espectro. A sua órbita foi calculada em 659 anos com uma distância média entre as estrelas de 85 UA, e graças à sua grande excentricidade ( 0.48) a órbita varia entre 51 UA e 119 UA, muito além e quase o triplo da órbita de Plutão (40 UA).
Outra característica interessante é por serem as únicas anãs vermelhas (pouco luminosas e frias) que com as magnitudes combinadas a serem visíveis a olho nu . Com luminosidades de 0.08392x e 0.03882x a do Sol, são estrelas muito pouco luminosas que têm de obrigatóriamente situar-se bastante perto de nós para serem visíveis com esta magnitude.
E finalmente o seu grande movimento anual em relação a outras estrelas que que as coloca em 7º e 8º na tabela das mais rápidas e a 1ª e única das visíveis a olha nu (novamente a magnitude combinada de ambas), deslocando-se aparentemente cerca de 5" por ano. Desse facto originou a sua alcunha anglo-saxónica de "Piazzi's Flying Star" ("Estrela Voadora de Piazzi") em honra de Giuseppe Piazzi (1746-1826) do Observatorio de Palermo que primeiro mediu o seu grande movimento próprio. O movimento próprio é um bom indicador de proximidade, daí Bessel ter escolhido esta estrela como boa candidata a obter-se uma paralaxe observável. Realmente um belo par de estrelas interessante em todas as vertentes.
Neste momento este sistema binário está a aumentar a sua separação: 2000.0 202.1º 30.74" - 2010.0 200.4º 31.34" - 2020.0 198.7º 31.89"
A "Egg nebula", AFCRL 2688, PK 80+6.1 é uma das planetárias mais estranhas do céu, estando neste momento classificada como proto-planetária bipolar, estágio intermédio da formação de uma nebulosa planetária.
Nunca julguei que fosse possível observar visualmente tão raro e ténue objecto aqui do céu do Pátio, que apesar da sua magnitude fotográfica de 13.5, pareceu-me apesar do das condições de observação mais acessível visualmente.
Quase dois anos após ter lhe tirado uma fotografia e pequena descrição , recordo-me de ter tido alguma dificuldade em o colocar no campo da minha falecida atik-1hs, que mesmo com uma grande exposição a sua natureza nebulosa não se revelar muito aparente.
Desta vez tive a ajuda do MSA, carta 1147 para a colocar no campo. Na carta não havia muitas estrelas para referência, excepto uma alaranjada de magnitude 8 SAO 70809 e outra de magnitude 10, que de resto foram suficientes para ter a certeza de para onde olhar.
Suspeitei-a inicialmente com 131x como uma ténue dupla apertada de estrelas de 12-13 de magnitude e fiz um esboço da sua posição e orientação para mais tarde confirmar se realmente a tinha detectado. Sem qualquer nebulosidade presente, não deixou de ser estelar e podia bem passar por mais um par de estrelas ténues. O filtro UHC não ajudou, antes pelo o contrário. Depois de detectada mesmo a 51x dava para ver que alguma coisa estava na posição "certa" e fiz o esboço abaixo para confirmar com o planetário Guide8 que aquilo que observei só poderia ser a planetária e não duas "vulgares" estrelas, o que veio a acontecer pois naquela posição apenas existem estrelas de 15 e de 16 de magnitude, alvos completamente impossíveis de se ver com 20cm de abertura e naquele céu.
![]() AFCRL 2688, PK 80+6.1 |
2007.06.21
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Solistício, ISS e a Atlantis
O adiamento da reentrada da Atlantis permitiu mais uma vez o desfile destas duas máquinas.
Na fotografia vê-se os rastos deixados por ambos em 53 segundos de exposiçao, passando pela as estrelas da Ursa Maior Alioth, a dupla visual Alcor/Mizar e a Alkaid. É interessante a diferente tonalidade, sendo o Atlantis para o azulado, e também menos brilhante que a amarela ISS. A Atlantis era notoriamente mais brilhante que a Arcturus, seguramente com magnitude negativa. A ISS pareceu.me quase tão brilhante como Júpiter (deve ser por causa dos novos paineis solares), mais brilhantes do que a previsão do Heavens-above (-0.9 mag).
Também hoje foi o solstício de Verão. A partir deste momento e até ao solstício de Inverno, as noites vão ficando cada vez maiores.
Fotografia tirada num tripé fixo e uma Nikon D70 com uma objectiva de 50mm. Mesmo com uma distância focal tão pequena e pouca exposição as estrelas arrastam bastante, para tal existe um processo de "endireitar"estrelas no PS, aqui descrito para servir de lembrete pois estou sempre a esquecer-me:
- duplicar a camada "Duplicate layer "
- mudar a camada duplicada para "Blending Mode Darken"
- Filters>Other>Offset e jogar com os parâmetros
Fiz este processo duas vezes. A primeira vez para tirar as estrelas e deixar só os rastos e a segunda para por estrelas redondas, adicionando finalmente as duas. Este processamento é bastante destructivo no que diz respeito às estrelas mais ténues , mas as que sobram chegam para o pretendido.
![]() ISS e Atlantis 21:08 UT |
2007.06.18
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Vénus e a Lua
Exceptuando o Sol, os dois únicos astros que podem ser visiveís em pleno dia encontraram-se hoje ao princípio da tarde.
Esta conjunção próxima foi perfeitamente visível a olho nú, mesmo na altura de separação mínima (2,5') às14:32, 15:32 locais, Vénus brilhava bem destacado mas apenas no telescópio (dobson de 20cm a 34x) é que foi possível observar a sua fase que se apresentava bastante similar à da Lua. Uma vista impressionante, tendo em conta com o Sol a a brilhar em todo o esplendor a dois palmos bem medidos .
Apesar de ser comum a ideia de que não é possível observar planetas durante o dia, Vénus e Júpiter são bastante fáceis de ver com a vista desarmada, só é preciso uma pequena ajuda da Lua para saber onde olhar.
Outras conjunções diurnas aqui no Pátio:
- 17/07/2003 - Conjunção de Marte e Lua
- 26/01/2002 - Conjunção de Júpiter e Lua
![]() Vénus e Lua 14:44 UT |
A imagem abaixo mostra a curiosa fase de Vénus, com a característica forma que as cúspides (extremidades da fase) lhe dá por não serem tão agudas como as da Lua devido à existência de atmosfera, assemelhando-se a um dente de alho celestial.
![]() Vénus e Lua 15:02 UT |
12/06/2007
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Vénus e a Colmeia
Hoje o brilhante Vénus fez uma visita ao grande enxame aberto em Câncer M44, sendo este também conhecido por "Beehive" (colmeia) ou Presépio, por quando visto através de binóculos se assemelhar a um enxame de abelhas.
A título de curiosidade Vénus a brilhar a -4.3 magnitudes é equivalente ao brilho de uma supernova Tipo 1a que explodiu há (ou a) 33000 anos( luz) *, isto ignorando a absorção do espaço interestelar. Mas na verdade nunca poderia ser um estrela membro do enxame M44 que está bem mais perto a 577 anos luz segundo o Hiparccos , ou 600 anos luz segundo um "paper" recente.
Curiosidade matemática à parte, mesmo com a poluição luminosa intensa e muita nebulosidade foi uma vista interessante nos binóculos 16x70 cujo o conjunto ficou bem enquadrado nos seus 4 graus disponíveis com uma copa de um pinheiro a dar um toque terráqueo à cena.
* usando a formula do módulo-distância m - M = 5 log(d/10) podemos reescrever d = 10^((m - M + 5)/5) - com m=-4.3 (magnitude aparente de Vénus) e M= -19.33 (magnitude absoluta estimada de uma supernova tipo 1a) resultando em 10140 parsecs (33000 anos luz).
![]() Vénus e M44 22:05 UT (clique na imagem - click on the image) |
2007.06.03
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Sol
Fui durante alguns anos observador/fotógrafo quase diário do nosso Sol. Nos anos 2002-2005 o Sol teve o seu máximo de actividade magnética que é indiciada pela a maior ou menor existência de manchas solares na sua superfície.
Nesta altura o Sol já se dirige lentamente para a fase ascendente do máximo Solar, tendo entretanto invertido o seu pólo magnético , com a consequência mais notória a maior incidência de grupos activos acima do seu equador.
![]() Sol 14:02 UT (clique na imagem - click on the image) |
página escrita e traduzida ao som de:
- Sérgio Godinho Antologia 71/87 (Universal)
- Albéniz/Granados Iberia/Goyescas (Larrocha, Decca)
- Bártok 44 duos para violinos (Keller/Pitz, ECM)
- Vivaldi/Piazzola Eight Seasons (Kremer/Kremerata Balrica, Nonesuch)
- Haydn 6 Sinfonias de Londres (Colin Davis/Concertgebouw Orchestra, Philips)
- Pink Floyd The Final Cut (EMI)
- Teresa Salgueiro e Septeto de João Cristal, Você e Eu (EMI)
- Ravel, Daphis et Chloé (Munch/Boston Symphony, RCA/BMG)
- Rimsky-Korsakov/Stravinsky, Scheherazade/Song of the Nightingale (Reiner/Chicago Symphony. RCA/BMG)
- Messiaen Quatuor pour la Fin du Temps (Barenboim, DG)








