Novembro 2007
2007.11.18
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Leónidas 2007
As únicas leónidas que vi foi no fim-de-semana passado.... Da chuva dos restos deixados pelo cometa 55P/Tempel-Tuttle só cairam apenas uns pinguitos e julgo que consegui a extraordinária proeza de ter estado um total 4 horas no pátio na madrugada e noite do dia 18 a olhar para o zénite/nascente e não conseguir observar UM ÚNICO meteoro, nem sequer um esporádico... O céu esteve sempre limpo com uma magnitude zénital limite perto de 4, que daria para ver perfeitamente alguns meteoros mesmo que que não muito brilhantes. Mas ficou a vista da Mirphak embaciada pelo 17P/Holmes.
A título de consolo, fica a foto abaixo que é um teste de focagem com apenas 2 minutos tendo sido tirada na Serra da Estrela na semana passada. Consegue-se ver o que julgo ser uma pequena leónida (a orientação parece vir do radiante) que provavelmente teria sido visível a olho nú. É normal a actividade meteórica começar alguns dias antes e acabar uns dias após os picos de actividade previstos. As leónidas são meteoros muito rápidos, chocando com a nossa atmosfera a mais de 70 km por segundo (cerca de 250000 km/hora!!) sendo a grande maioria não muito brilhantes e geralmente só as mais brilhantes ficam registadas nas fotografias.
![]() |
| Uma lénida em Orion (clique na imagem - click on the image) |
2007.11.10
Local:Penhas Douradas -Serra da Estrela
Vale das Éguas
A Serra da Estrela uma vez mais proporcionou uma noite inesquecível.
Estou cada vez mais a tornar-me aficionado do ar de montanha, ou melhor, de ter menos 1,5 km do último por cima da cabeça. As Penhas Douradas é um dos locais mais altos de Portugal Continental, que apesar da sua altitude e de se situar praticamente no meio da Serra da Estrela, não o torna infelizmente imune ao avanço implacável da poluição luminosa. Ficamos no Vale das Éguas que é uma zona relativamente plana que até tem um pequeno bosque.
Ignorando o baixo horizonte ainda se pode considerar um céu escuro que mantém os momentos de silêncio e solidão que apenas lugares como este podem oferecer
Nas noites anteriores a meteorologia esteve um pouco incerta, mas valeu a pena arriscar, pois salvo algumas nuvens passageiras já para o final, o céu permaneceu limpo durante toda a noite. O SQM marcou 20.90, que não se pode considerar um valor excelente, mas terá sido provavelmente uma leitura influenciada em parte pela a reflexão das nuvens que rodeavam a Serra, mas no zénite era 6.5 magnitudes sólidas. Houve alturas de turbulência forte, talvez por passagem de nuvens altas de outro modo invisíveis. A temperatura rondou os 3-4 graus, sem humidade, mas por vezes soprou uma brisa que podia tornar-se desagradável. Estiveram o Alberto, Filipe, Rute, Zé Ribeiro e a Fátima.
![]() |
| Cometa 17P/Holmes e Melotte 20 (associação OB3 de Perseu) (clique na imagem - click on the image) |
O cometa Holmes tem sido nestas duas últimas semanas a sensação da nossa abóbada celeste. O desenvolvimento do "mega-outburst" deste cometa tem sido muito interessante de seguir, e acredito que no mínimo virá ser considerado um dos mais estranhos e espectaculares acontecimentos no nosso sistema solar nas últimas décadas.
Neste momento está a aproximar-se da Mirphak, que, para além de ser a estrela mais brilhante da constelação de Perseu, também domina o enxame Melotte 20, uma associação mais ou menos esparsa de estrelas quentes do tipo O e B a pouco mais de 500 anos luz de nós. As suas estrelas são todas muito novas e alvo de muitos estudos sobre a evolução de enxames galácticos.
Talvez fosse por estar sob um céu escuro, mas o cometa Holmes pareceu-me ter uma magnitude integrada mais brilhante que a alfa de Perseu. Ambas as vistas dadas através do binóculo 16x70 e do Obsession 15" eram espantosas, o primeiro pelo contexto, mostrando um campo muito semelhante ao da imagem acima, e o segundo pela grandiosidade e imponência. Foi uma das visões mais estranhas que tive.
Fartei-me de lhe tirar fotografias. Durante as exposições ia pegando no binóculo e fi dizendo um até breve às constelações que passaram o meridiano a Sul a horas decentes durante o Verão. Não me restam muitas dúvidas que um bom binóculo e um céu escuro são literalmente um casamento feito céu. Este foi até à data o céu mais escuro em que estive com este binóculo, e fiquei bastante impressionado com as vistas verdadeiramente telescópicas que proporcionou. É também o instrumento ideal para ajudar a cumprir o penoso tempo ao serviço do obturador da máquina fotográfica.
A transparência oferecida pela altitude permitiu observar sem qualquer ajuda de filtros o grande entre-parêntesis formado pela a nebulosa "Véu" e a "America do Norte" ambas na constelação de Cisne, onde percorrer o braço da Galáxia era mesmerizante. A M31 quase rasgava completamente o campo de 4 graus do binóculo. Alguns desafios foram fáceis como o par M97/M108 e a M109 na Ursa Maior ou a "Helix", a M1 em Touro incluindo ainda as pequenas planetárias M57 e a "Saturno" NGC 7009 que se apesar de muito pequenas a 16x apresentavam-se óbviamente nebulosas. Muitos outros ficaram aqui por relatar.
O Obsession 15" presenteou-nos com a "Cabeça do Cavalo" (pessoalmente talvez uma das melhor vistas de sempre), 6 das estrelas do trapézio de Orion, outra vista memorável da M42/M43 e redondezas, M2 resolvido até ao núcleo, isto apesar da noite não ter sido ideal para grandes resoluções.
![]() |
| Vulpes Vulpes |
Como é habitual, houve a grande petiscada à luz das estrelas, com pão, queijo, presunto, carnes e doces da região, a que não ficou alheio um predador situado logo abaixo de nós na cadeia alimentar local. Pareceu-me que já nos conhecia de outra altura ... Segundo o Guia Fapas de Mamiferos esta é uma Vulpes Vulpes, ou raposa vermelha, que é vulgar encontrar-se em qualquer sitio vagamente habitado de Portugal, sendo geralmente um animal muito arisco, mas sendo esta bastante atrevida, não se fazendo nada rogada, e com uma subtileza notável ia-nos subtraindo de toda a comida que tinha restado na mesa, tendo sido apenas denunciada pelo o barulho que fez num saco pendurado na mesa com garrafas vazias.
Estivemos lá no cimo da Serra mais de 12 horas e houve tempo para simplesmente ficar sentado a olhar o céu por longos periodos e por isso posso afirmar que a actividade meteorica não foi muito intensa mas algumas leónidas decidiram entrar mais cedo e também alguns esporádicos.
![]() |
| IC 2118 - "Cabeça da Bruxa" (clique na imagem - click on the image) Luminância |
A imagem é um dos resultados de 21 exposições de 4 minutos a 1600 ISO usando uma Nikon D70 e o Sky90 a f/4.5 em cima duma P2Z. Esta nebulosa é extremamente ténue, e mesmo com 4 minutos a f/4.5 ISO 1600 mal se notava a sua presença.
A IC2118 é uma nebulosa de reflexão também conhecida por "Cabeça da Bruxa" (o nariz corcovado é aquele apêndice no meio da imagem - falta completar o resto) situada na gigantesca mas esguia constelação de Eridanus ("Rio").
Não foi de modo nenhum acessível visualmente, embora com o binóculo talvez suspeita-se que pudesse por lá haver alguma coisa, mas longe da forma captada na imagem, os filtros não ajudam em nada neste tipo de nebulosa, bem pelo contrário precisamos de toda a luz que houver.
Esta nebulosa de reflexão que se pensa ter tido origem na explosão de uma supernova, é em parte iluminada pela supergigante azul Rigel (Beta de Orion) que lhe dá a cor azul, sendo o resto causado por dispersão da poeira interestelar num processo muito semelhante que faz com que o nosso céu seja azul. A sua distância varia entre os 600-1000 anos luz conforme a fonte.
É de facto uma nebulosa enorme, ocupando em extensão quase a totalidade do campo 3x2 graus do campo disponível da Nikon D70, situando-se ainda numa região com muita nebulosidade de emissão e com uma boa densidade de estrelas, e, como se não bastasse para a confusão, também se podem encontrar algumas galáxias, sendo a mais brilhante e notória a de perfil NGC 1752 no topo esquerdo.
Foi uma grande noite fechada por um fulgurante Vénus. A não perder o relato e imagens no atalaia.org
Outros relatos serranos:
2007.11.06
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Cometa 17P/Holmes VII
![]() |
| Cometa 17P/Holmes 21:19 UT |
Equipamento: Takahashi Sky90+extenderQ (675mm f/7.5) Nikon D70 (modus expositus tenebrae interruptus), imagem : 4x120s iso 400.
2007.11.04
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Cometa 17P/Holmes VI
![]() |
| Cometa 17P/Holmes 23:32 UT |
Equipamento: Takahashi Sky90+extenderQ (675mm f/7.5) Nikon D70 (modus expositus tenebrae interruptus), imagem : 3x120s iso 400.
2007.11.02
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Cometa 17P/Holmes V
![]() |
| Cometa 17P/Holmes 21:36 UT |
Equipamento: Takahashi Sky90+extenderQ (675mm f/7.5) Nikon D70 (modus expositus tenebrae interruptus), imagem : 4x30s iso 400.
página escrita e traduzida ao som de:
- Stockhausen, Stimmung (Hillier, Harmoni Mundi)
- Beethoven, Missa em C Op.86 (Gardiner. Archiv)
- Prokofiev, Sinfonias 1-7 (Gergiev/LSO. Philips)
- Dittersdorf, Sinfonias (Cassuto, Naxos)
- Cecilia Bartoli, Opera Proibita (Minkowski, Decca)
- Cecilia Bartoli, Maria (Fischer. Decca)
- Arriaga, Seixas, Carvalho, Moreira, Portugal Sinfonias (Cassuto, Naxos)
- Barber, Knoxville, Ensaios para Orquestra 2 & 3 (Alsop, Naxos)
- Schoenberg, Concerto para Quarteto de Cordas (Craft, Naxos)






