November 2007
2007.11.10
Local:Penhas Douradas -Serra da Estrela
SORRY, CURRENTLY UNDER TRANSLATION
Vale das Éguas
A Serra da Estrela uma vez mais proporcionou uma noite inesquecível.
Estou cada vez mais a tornar-me aficionado do ar de montanha, ou melhor, de ter menos 1,5 km do último por cima da cabeça. As Penhas Douradas é um dos locais mais altos de Portugal Continental, que apesar da sua altitude e de se situar praticamente no meio da Serra da Estrela, não o torna infelizmente imune ao avanço implacável da poluição luminosa. Ficamos no Vale das Éguas que é uma zona relativamente plana que até tem um pequeno bosque.
Ignorando o baixo horizonte ainda se pode considerar um céu escuro que mantém os momentos de silêncio e solidão que apenas lugares como este podem oferecer
Nas noites anteriores a meteorologia esteve um pouco incerta, mas valeu a pena arriscar, pois salvo algumas nuvens passageiras já no final, o céu permaneceu limpo durante toda a noite. O SQM marcou 20.90, que não se pode considerar um valor excelente, mas foi provavelmente uma leitura influenciada em parte pela a reflexão das nuvens que rodeavam a Serra, mas no zénite era 6.5 magnitudes sólidas. Houve alturas de turbulência forte, talvez por passagem de nuvens altas de outro modo invisíveis. A temperatura rondou os 3-4 graus, sem humidade, mas por vezes soprou uma brisa que podia tornar-se desagradável. Estiveram o Alberto, Filipe, Rute, Zé Ribeiro e a Fátima.
![]() |
| Cometa 17P/Holmes e Melotte 20 (associação OB3 de Perseu) (clique na imagem - click on the image) |
O cometa Holmes tem sido nesta duas últimas semanas a sensação da nossa abóbada celeste, o desenvolvimento do "mega-outburst" deste cometa tem sido muito interessante de seguir, e acredito que no mínimo virá ser considerado um dos mais estranhos e espectaculares acontecimentos no nosso sistema solar nas últimas décadas.
Neste momento está a aproximar-se da Mirphak que para além de ser a estrela mais brilhante da constelação de Perseu também domina o enxame Melotte 20 que é uma associação mais ou menos esparsa de estrelas quentes do tipo O e B a pouco mais de 500 anos luz de nós. As suas estrelas são todas muito novas e alvo de muitos estudos sobre a evolução de enxames galácticos.
Talvez por estar sob céu escuro, mas o cometa Holmes pareceu-me ter uma magnitude integrada mais brilhante que a alfa de Perseu. Ambas as vistas dadas através do binóculo 16x70 e do Obsession 15" eram espantosas, o primeiro pelo contexto, mostrando um campo muito semelhante ao da imagem acima, e o segundo pela grandiosidade e imponência. Foi uma das visões mais estranhas que tive.
Fartei-me de lhe tirar fotografias.
Durante as exposições ia pegando no binóculo e disse um até breve às constelações que passaram o meridiano a Sul a horas decentes durante o Verão. Não me restam muitas dúvidas que um bom binóculo e um céu escuro são literalmente um casamento feito céu. Este foi até à data o céu mais escuro em que estive com este binóculo, e fiquei bastante impressionado com as vistas verdadeiramente telescópicas que proporcionou. É também o instrumento ideal para ajudar a cumprir o penoso tempo ao serviço do obturador da máquina fotográfica.
A transparência oferecida pela altitude permitiu observar sem qualquer ajuda de filtros o grande entre-parêntesis da nebulosa "Véu" e a "America do Norte" ambas na constelação de Cisne, percorrer o braço da Galáxia era mesmerizante. A M31 quase rasgava completamente o campo de 4 graus do binóculo. Alguns desafios foram fáceis como o par M97/M108 e a M109 na Ursa Maior ou a "Helix", a M1 em Touro incluindo ainda as pequenas planetárias M57 e a "Saturno" NGC 7009 que se apesar de muito pequenas a 16x apresentavam-se óbviamente nebulosas. Muitos outros ficaram aqui por relatar.
O Obsession 15" presenteou-nos com a "Cabeça do Cavalo" (pessoalmente talvez uma das melhor vistas de sempre), 6 das estrelas do trapézio de Orion, outra vista memorável da M42/M43 e redondezas, M2 resolvido até ao núcleo apesar da noite não estar para grandes resoluções.
![]() |
| Vulpes Vulpes |
Como é habitual houve a grande petiscada à luz das estrelas, com pão, queijo, presunto, carnes e doces da região, a que não ficou alheio um predador situado logo abaixo de nós na cadeia alimentar local. Pareceu-me que já nos conhecia de outra altura ... Segundo o Guia Fapas de Mamiferos esta é uma Vulpes Vulpes, ou raposa vermelha, que é vulgar encontrar-se em qualquer sitio vagamente habitado de Portugal, sendo geralmente um animal muito arisco, mas sendo esta bastante atrevida não se fazendo nada rogada, e com uma subtileza notável ia-nos subtraindo de toda a comida que tinha restado na mesa, tendo sido apenas denunciada pelo o barulho que fez num saco pendurado na mesa com garrafas vazias.
Estivemos lá no cimo da Serra mais de 12 horas e houve tempo para simplesmente ficar sentado a olhar o céu por longos periodos e por isso posso afirmar que a actividade meteorica não foi muito intensa mas algumas leónidas decidiram entrar mais cedo e também alguns esporádicos.
![]() |
| IC 2118 - "Cabeça da Bruxa" (clique na imagem - click on the image) |
A imagem é um dos resultados de 21 exposições de 4 minutos a 1600 ISO usando uma Nikon D70 e o Sky90 a f/4.5 em cima duma P2Z. Esta nebulosa é extremamente ténue, e mesmo com 4 minutos a f/4.5 ISO 1600 mal se notava a sua presença.
A IC2118 é uma nebulosa de reflexão também conhecida por "Cabeça da Bruxa" (o nariz corcovado é aquele apêndice no meio da imagem - falta completar o resto) situada na gigantesca mas esguia constelação de Eridanus ("Rio").
Não foi de modo nenhum acessível visualmente, embora com o binóculo talvez suspeita-se que pudesse por lá haver alguma coisa, mas longe da forma captada na imagem, os filtros não ajudam em nada neste tipo de nebulosa, bem pelo contrário. Esta nebulosa de reflexão que se pensa ter tido origem na explosão de uma supernova é em parte iluminada pela supergigante azul Rigel (Beta de Orion) que em parte lhe dá a cor azul, sendo o resto causado por dispersão da poeira interestelar num processo muito semelhante que faz com que o nosso céu seja azul. A sua distância varia entre os 600-1000 anos luz conforme a fonte.
É de facto uma nebulosa enorme, ocupando em extensão quase a totalidade do campo 3x2 graus do campo da Nikon D70, situando-se numa região com muita nebulosidade de emissão e com uma boa densidade de estrelas e como se não bastasse para a confusão, também se podem encontrar algumas galáxias, sendo a mais brilhante e notória a de perfil NGC 1752 no topo esquerdo.
Foi uma grande noite fechada por um fulgurante Vénus. A não perder o relato e imagens no atalaia.org
Outros relatos serranos:
2007.11.06
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Cometa 17P/Holmes VII
![]() |
| Cometa 17P/Holmes 21:19 UT |
Equipamento: Takahashi Sky90+extenderQ (675mm f/7.5) Nikon D70 (modus expositus tenebrae interruptus), imagem : 4x120s iso 400.
2007.11.04
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Cometa 17P/Holmes VI
![]() |
| Cometa 17P/Holmes 23:32 UT |
Equipamento: Takahashi Sky90+extenderQ (675mm f/7.5) Nikon D70 (modus expositus tenebrae interruptus), imagem : 3x120s iso 400.
2007.11.02
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Cometa 17P/Holmes V
![]() |
| Cometa 17P/Holmes 21:36 UT |
Equipamento: Takahashi Sky90+extenderQ (675mm f/7.5) Nikon D70 (modus expositus tenebrae interruptus), imagem : 4x30s iso 400.
página escrita e traduzida ao som de:
- Stockhausen, Stimmung (Hillier, Harmoni Mundi)
- Beethoven, Missa em C Op.86 (Gardiner. Archiv)
- Prokofiev, Sinfonias 1-7 (Gergiev/LSO. Philips)
- Dittersdorf, Sinfonias (Cassuto, Naxos)
- Cecilia Bartoli, Opera Proibita (Minkowski, Decca)
- Cecilia Bartoli, Maria (Fischer. Decca)
- Arriaga, Seixas, Carvalho, Moreira, Portugal Sinfonias (Cassuto, Naxos)
- Barber, Knoxville, Ensaios para Orquestra 2 & 3 (Alsop, Naxos)
- Schoenberg, Concerto para Quarteto de Cordas (Craft, Naxos)





