Agosto 2008

2008.08.30
Local: Observatório Astronómico de Vila Nova

StarParty Galáctica

Encontro organizado pela a Galáctica , mais precisamente pelo Carlos Reis e João Clerigo, no recentemente construído observatório de Astronomia e Natureza no parque éolico de Vila Nova.

As instalações são impecáveis, com um auditório, bar, WC e alojamentos para quem queira passar lá a noite, situando-se a 30 metros do marco geodésico que marca 940 metros de altitude. O acesso é alcatroado, mas para quem venha a partir de Vila Nova e não por onde andei em estradões por meio de montes plantados de éolicas.

A tarde foi preenchida com apresentações do Filipe Dias, que falou sobre montagens e também da sua interessante experiência de fotografar a umbra durante um eclipse lunar com apenas uma exposição em filme, e do Carlos Reis deu uma introdução à astrofotografia, todas estas que seriam interessantes para muitas das pessoas que não apareceram, a que não deve estar alheio as previsões meteorológicas, que de resto foram péssimas até à 1 da manhã, altura em que como previsto pelo o Calar Alto, finalmente se abriu. No final do dia houve um jantar que deu para recuperar o ânimo.

Mal as nuvens começaram a abandonar o local (nós estavamos mergulhados nelas), começou-se logo a montar os equipamentos. As nuvens desapareceram, mas não o vento, que de resto era de prever pois estávamos no meio de um parque éolico. O céu era escuro com o SQM a marcar 21.0 mesmo contando com os fotôes da "flashada" branca da eólica mais próxima, que infelizmente tornam o local impróprio para astrofotografia, com provavel excepção de dois palmos no horizonte Sul, a turbulência associado ao vento também era forte . Mas no entanto não impediu que a noite corresse bem, em que todos andaram entretidos a observar todo tipo de objectos e a fotografar.

Esteve lá equipamento de tirar o chapéu : duas G11, uma com um Celestron C11 e outra com um par de refractores que julgo serem Vixen, uma Vixen SDX com um C9.25, uma equatorial com um reflector Vixen R200SS, e vi pela primeira vez uma Takahashi NJP com um FS-102 - que grande besta de montagem, só aquele veio de contrapesos roscado mete medo. Confesso que andei durante anos enamorado por esta montagem, de cuja (nobre) linhagem faz parte a P2Z, que é por sua vez comparativamente microscópica. Ficam as vistas da galáxia do Escultor (NGC 253) no R200SS e nos Celestrons.

Como sempre trouxe o Sky90 e a (agora minúscula) P2Z, com os quais tirei umas fotografias com a nova Canon 40D. O vento chegou a ter rajadas que faziam saltar as fotografias e até parece ter desalinhado a montagem, fazendo-me perder algumas imagens. Por volta das 5 da manhã começaram lentamente a surgir nuvens altas, algumas delas sub-reptilinias que tive o infelicidade de encontrar em várias imagens. Arrumou-se o equipamento, alguns ficararam e outros partiram para casa.

Usei o IRIS do Buil que é bastante rápido a processar imagens RAW RGB e 10Mpixel de 14 bits, que quando descompactadas ocupam quase 60 Mbytes cada fotograma. Parece pouco, mas quando se tem 20 imagens, e ainda darks, offsets e flats, podem ser necessários gigabytes de disco para passos intermédios e resultados do processamento. O interface com a origem comando linha e batch desta aplicação pode ser estranha para utilizadores actuais, mas filosofia de implementação resulta numa exigência de memória bastante inferior à da grande maioria dos programas, podendo até ser utilizado em qualquer pileca, mas obviamente beneficia com um microprocessador rápido visto que grande parte do processamento é de pura operação matemática.

As Pleiades já se encontravam relativamente altas para o meio da madrugada, mas infelizmente ainda se encontravam num quadrante bastante afectado pela a luz de sinalização das eólicas, resultando em imagens com um gradiente muito estranho, não havendo flat que tire aquela coisa. Apesar de tudo, aproveitei a meia dúzia de imagens que fiz da M45, incluindo as arrastadas, para cozinhar a imagem abaixo. Esta imagem, apesar de ruidosa e com estrelas alongadas mostra a magnífica transparência do local com a nebulosa de reflexão Mérope bastante extensa.

A M27 é resultado de 20 fotogramas de 120 segundos e mostra bem que está no braço da Via Láctea, apanhou razoavelmente quase a totalidade da nebulosa que o filtro IR deixou passar. Mesmo a 3" de resolução era demasiado para a turbulência. Com tanto vento era de esperar que as estrelas ficassem "gordas", o liveview da Canon 40D no modo de zoom 10x mostrava estrelas literalmente aos saltos, e tendo em conta que a resolução de amostragem é de 3", demonstra bem a turbulência do céu.


Enxame M45 - Pleiades

 


Nebulosa planetário Messier 27
clicar aqui para imagem na resolução 1920x1200




 

2008.08.23
Local:Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Conjunção Mercúrio-Vénus e novo brinquedo

Ao final do dia mais uma conjunção dos dois planetas mais interiores do nosso sistema solar, que já se encontravam bem mais afastados que na altura de maior aproximação às 5 da manhã, altura em que ficavam a apenas 1 grau e 15 minutos. Vénus com os seus -3.9 de magnitude apareceu primeiro e ainda em céu bem azul, alguns minutos depois Mercúrio ficava visível nos binóculos 16x70.


Conjunção Mercúrio e Vénus 19:47 UT
clicar aqui para imagem na resolução 3888x2602

Adquiri recentemente a máquina fotográfica digital Canon 40D (curiosamente a tempo do eclipse lunar), que neste momento já se encontra a um preço mais acessível do que na altura da sua introdução (cerca de -300 euros, o que deve significar que a 50D deve estar a sair), que chegou para adquirir um TC-80N3, um disparador que permite programar sequências e exposições, uma objectiva Canon 50mm f/1.8, um cartão de 4Gb (15Mbit/s) e uma bateria.

Na utilização "civil" apenas considerei importantes as seguintes características: tem um tamanho bem mais ergonómico para as mãos de um adulto, permite ver a totalidade do campo da ocular usando óculos, e é construída em corpo de magnésio. Para a astrofotografia tem as seguintes vantagens: usa baterias de grande capacidade (1500 mA) e aceita o disparador programavel directamente. Mas o que realmente interessa no final é o ruído térmico, que é espantosamente baixo e com quase ausência de amplifier glow, com tão poucos hot-pixels que é possível baptizá-los, tendo em conta que o pixel é bastante pequeno com 5,7 microns e que ao contrário das Nikon, deixa incolúmes as imagens RAW!!!.
O temporizador programável TC-80N3, não é uma luxuosa comodidade, pois torna as sessões de astrofotografia simplesmente um acto de prazer. Numa penada, programamos o número de exposições queremos (até 99 ou até o cartão de memória esgotar), com a exposição que queremos ( horas até!), deixando então o equipamento abandonado à sua sorte, e mais especialmente, a mim livre para outras observações.

Canon 40D em "Liveview" zoom 10x no Sol
ATENÇÃO: nunca apontar uma câmara para o Sol e ainda menos os olhos sem um filtro apropriado, e por apropriado entenda-se filtro solar astronomico que filtra o Sol 99.999%. ver aqui um dos mais utilizados.


O Liveview que apenas deve ter aplicação "normal" em fotografia macro ou remota, permite aumentos de 5x e 10x em qualquer área do sensor sendo uma grande mais-valia na focagem manual de telescópios: simplesmente funciona, mesmo a f/4.5. Com o Takahashi Sky90, é possivel ver em tempo real estrelas até 5 ou 6 de magnitude, mas para focar é preferível uma estrela um pouco mais brilhante. O zoom aumenta o suficiente para fazer um star-test para verificar a colimação. Um efeito colateral de usar o Liveview é que faz levantar o espelho, dando a tão estimada função de mirror-lockup que minimiza alguma eventual vibração provocado pelo o espelho a subir e a descer que é especialmente eficaz na fotografia solar e lunar.
As aplicações que acompanham a câmara são muito boas e rápidas, havendo versões para Windows e MacOS X em que saliento a EOS utility que permite controlar a câmara através do cabo USB, incluindo o Liveview com 1 nível de zoom, mas a melhor novidade permite exposições com mais de 30 segundos sem cabos ou engenhocas adicionais (ninguém me tira a ideia que a Canon está a piscar o olho aos astrofotografos). A velocidade de descarregamento é quase instantânea numa porta USB2 (Hi-speed).

As imagens de teste abaixo foram feitas aqui no Pátio com um céu de magnitude 3 nos melhores sítios e uma Lua gibosa, condições no mínimo lastimáveis, mas não resisti à curiosidade de ver como a Canon se portava, e aprender a trabalhar bem com ela para quando estiver sob céu escuro. Descobri que o sensor está bem nivelado (importante), que a objectiva Canon 50mm é um pouco inferior â correspondente Nikkor na correcção de campo.

O Sky90 e redutor/aplanador (407mm), está câmara proporciona um campo de 3x2 graus com uma amostragem de 2.89 segundos de arco, sendo uma boa configuração para fotografia de grande campo com resolução interessante.

O cometa Boattini (C/2008 J1) encontrava-se a pouco menos de 2 graus do pólo, distância esta em que se torna notória a rotação de campo causada pelo menos-que-perfeito alinhamento polar. Nunca fotografei um cometa tão ténue, com apenas 13,8 de magnitude , muito menos com exposições tão saturadas pela a poluição luminosa, mas queria saber se seria possível - e foi. O outro cometa Boattini (W1) nascia mais tarde e deveria ser mais acessível , mas encontrava-se muito próximo da Lua que ainda estava no seu Quarto, tornando-o invisível nos binóculos e muito ténue nas fotografias que lhe tirei, ficando assim estragada a foto de família.
Fazendo um triângulo com a Delta UMi (Yildun) A1Vn de magnitude 4.35 e a 24 UMi está uma pequena galáxia PGC 0060075 (UGC 10923A ) de magnitude 14.3 entre outras ainda mais pequenas e ténues.


Cometa Boattini C/2008 J1 23:49 UT
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Enxame duplo NGC 869 & NGC 884
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Enxame globular Messier 15
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2008.08.16
Local:Aeródromo da Gândara do Olivais ( 39.77N 8.82W alt:52m)

Eclipse Lunar Parcial

Mais um eclipse lunar, desta vez parcial. Depois de uma quinzena do Agosto com grande parte dos dias ensolarados, tinha logo que calhar ser hoje um dia de chuva e nuvens que não pareciam ter fim. O meteosat deu esperanças que talvez surgisse um boa aberta, o que felizmente acabou por suceder durante quase todo o eclipse, apesar de ainda haver nuvens altas que estragou um pouco a nítidez.

A Lua foi eclipsada pela a umbra em cerca de 81%, que apesar de não ser tão espectacular como num eclipse total, foi ainda o suficiente para notar visualmente as cores alaranjadas na parte da Lua que estava sombreada pela a Terra. A câmara fotográfica, bem menos sofisticada que os nossos olhos, obrigava a sobreexpôr o "crescente" penumbral para se poder captar as tonalidades da parte umbral. Apesar da escala Danjon de luminosidade do eclipse não se possa própriamente aplicar a eclipses parciais, a intensa cor acobreada observada faz-me crêr que este eclipse talvez poderia ter sido significativamente escuro.

O planeta Neptuno esteve bastante próximo da Lua, mais precisamente a 49' pelas 18:53 UT, que apesar de muito pouco brilhante a 7.8 de magnitude, ficaram os seus 2.35" de tamanho aparente representados por um modesto par de pixels, o que não é nada mau para um planeta que fica 4300 milhões de quilómetros de Leiria... Abaixo ficam alguns momentos com um toque dramático adicionado por algumas nuvens (in)oportunas.


Lua a nascer 20:52 UT
clicar aqui para imagem na resolução 1280x800

 

Hum...

 

 

Hum...

 


Máximo do Eclipse 21:12 UT
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Neptuno!

 

Tempos de Eclipse (Guide8):

Equipamento utilizado para registar as imagens: Takahashi Sky90 e uma Canon 40D em cima de uma Takahashi P2Z.

Outros eclipses lunares aqui no Pátio: