Novembro 2008

Pátio 271
Segunda Sessão Auto-guiada

2008.11.21
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Voltei novamente ao Pátio para mais uma sessão de treino. Desta vez não havia Lua a competir com a poluição luminosa e fumo das lareiras locais, mas continua na mesma a ser inútil fazer exposições com mais de 2 minutos, mas para fazer testes pouco importa. Nesta sessão levei a bateria do portátil ao fundo tendo estado a trabalhar continuamente 5 horas, alimentando a Atik-1S que deve ter consumido uma boa parte dos 6600 mAh da bateria.
Fiz várias exposições de longa duração (10,15,20,30 minutos), que correram bem, apesar das estrelas deformadas pelo frio e alguma descolimação, pelo que tenho de me lembrar de usar para a próxima o Kendrick no Takahashi Sky90 para ver se não arrefece tanto. Fiz também alguns conjuntos de 1 hora de exposições para testar a performance a longo prazo, mas sem a longa-exposição a Atik-1S é praticamente inútil para guiagem, e se a estrela-guia tiver pouca relação sinal/ruído, o PHD estraga mais do que arranja, embora no entanto avisar para tal facto.
Um CCD para guiagem está na lista curta de aquisições.

Dei mais atenção aos pequenos pormenores, que de tão óbvios que podem interferir na performance:

De resto os Go-Tos foram todos na mouche ou perto dela quando o erro acumulado de consecutivos Go-Tos já era grande. Cheguei entretanto à conclusão que não é realmente absolutamente necessário mais de 350x de velocidade de Go-To, que correspondem a 1,5 graus por segundo, que por sua equivalem 180 graus em dois minutos. Para ter velocidade 700x são necessários 24v que só se conseguem obter pondo em série duas baterias, que irei entretanto experimentar. O barulho destes motores fazem-me lembrar as brocas dos dentistas.

Tornou-se obrigatório arranjar uma solução para a energia, por muito que me custe ter que andar com baterias atrás, vou ter que duas baterias (por causa de possíveis interferências) com pelo menos 30-40 Ah de capacidade para alimentar ao longo de pelo menos 10-12 horas as (futuras) câmaras, os Kendricks, a montagem e o portátil.

Pátio 270
Primeira Sessão Auto-guiada

2008.11.14
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Nunca fui dono de uma montagem que pudesse ser auto-guiada, e julguei que fosse um bicho de sete cabeças tendo em conta os por vezes verdadeiros martírios que passavam o pessoal que a usa. Mas antes de me por sob o céu, investiguei quais as diversas soluções que existem para corrigir uma montagem de modo a fazer imagens pontuais com duração de 10, 20, 30 ou mais minutos.

A auto-guiagem é um sistema que segue obsessivamente uma estrela, de preferência perto do alvo a fotografar, fazendo pequenas correções para a montagem de modo a manter essa mesma estrela sempre na mesma posição, e por consequência todas as restantes estrelas da imagem.

Existem duas maneiras de monitorizar essa estrela, chamada de estrela guia:

Em ambos os casos, o dispositivo que observa a estrela pode ser o nosso olho, usando uma ocular com filamentos paralelos e perpendiculares iluminados por um led , ou usando uma câmara (ex: webcam), que quando ligada a um computador, pode ser usada para correcções manuais observando a estrela e ir usando as teclas do comando da montagem.

Tanto olhando através de uma ocular guia , ou para um monitor, depressa se chega à conclusão que existem coisas na vida mais interessantes para se fazer, do que estar a olhar para uma estrela horas a fio, apesar de ter o seu apelo de demanda heróica, mas é para isso que foram inventados os computadores, que com o software adequado "carrega nos botões" por nós.

A porta de autoguider que muitas montagens possuem, não passa geralmente de uma ficha que pode ter os mais variados formatos (DIN, RJ12 etc) com 5 ou mais pinos em que 4 deles actuam nos motores com um simples sinal eléctrico, um pouco à semelhança do que acontece quando se pressiona os botões do comando. Não existe realmente um standard, mas as câmaras CCD astronómicas tem geralmente uma porta de saída de autoguider. Como se lerá mais abaixo esta porta não precisa de obrigatoriamente ser usada para se conseguir auto-guiagem.

PHD

Este programa é gratuito e funciona. Na sua configuração mais simples, basta uma webcam, uma montagem com driver ASCOM que suporte PulseGuide, e voilá, é só fazer imagens de 20 minutos de exposição. Este programa apenas necessita que se ponha uma estrela no CCD da câmara, e a partir desta auto-calibra-se, determinando automaticamente a orientação e a resolução da câmara/telescópio guia, e até determina o backlash dos motores e engrenagens, todos estes parâmetros essenciais para uma boa guiagem. É absurdamente simples, para os parâmetros que resolve automaticamente.

Esta funcionalidade PulseGuide ou guiagem ASCOM é muito conveniente e prática, pois permite utilizando apenas um cabo de ligação, no caso da Temma, o cabo série RS-232, se possa controlar a montagem para executar Go-Tos utilizando qualquer software de planetário que suporte o ASCOM (no meu caso o Guide8) e também, mas de preferência não simultaneamente, enviar pequenos comandos de correcção à montagem quando se encontra a ser auto-guiada por um outro programa (PHD, MaximDL etc), partilhando graças ao ASCOM o mesmo cabo e respectiva porta. Este tipo de guiagem é uma alternativa a usar a porta autoguider. Segundo o que se escreve na net, os resultados podem ser melhores ou piores, sendo muito dependentes da montagem. Só é pena a plataforma ASCOM apenas se encontrar disponível em Windows, e ainda por cima usando o .NET que torna virtualmente impossível a importação para outras plataformas como MacOs X. O driver ASCOM para Takahashi Temma que usei foi este que se pode encontrar em http://ccdastro.net/temma.html, que até ao momento, funciona sem problemas com todo o software onde o experimentei.

Equipamento ao Luar
Equipamento ao Luar

Nesta primeira sessão usei a minha pobre Atik-1S como câmara guia, mas como não disponho de porta paralela no portátil para exposições longas, apenas me foi possível escolher estrelas guia muito brilhantes. Para tal escolhi as Plêiades que onde existem muitas estrelas brilhantes numa relativa pequena área. Fiz exposições de 5, 10, 15, 20 e 30 minutos, com todas elas com excepção da última saíram com estrelas pontuais, com gráfico de guiagem bem dentro do pixel (sub-pixel), se bem entendi o gráfico do PHD. A última exposição sofreu um (único) acidente a meio que não percebi ainda a razão, mas suponho que montagem já estivesse um pouco desequilibrada pois já tinha passado muito para além do meridiano, apesar de nada tenha sucedido nas duas horas anteriores.

Os telescópios ( Takahashi Sky90 /FC60) e câmaras (Canon 40D/Atik-1S) e restantes suportes pesavam um pouco mais de 7 kg, com a resolução da imagem de 2,89 segundos de arco, que não se pode considerar propriamente uma resolução muito exigente para auto-guiagem. Configuração esta bem aquém (espero eu) das possibilidades da montagem tanto em resolução como em carga. O telescópio guia foi o Takahashi FC-60 de 60mm e 500mm de distância focal com uma amostragem de 2.3". Esta amostragem de guiagem é até menor que a da imagem, o que para as condições de turbulência da altura até pode ter sido contraproducente, pois pode ter andando atentar corrigir a dita cuja.

O pequeno Asus Eee 901 portou-se lindamente, trabalhando mais de 3 horas, a fazer processamento de auto-guiagem, alimentando com 500 mA a Atik e 100 mA do conversor USB/Série, além de que grande parte do tempo andei a ver e processar as imagens com o software da Canon, que usei também para a captura de imagens. Sobrou mais de 1 hora e meia de bateria, tendo saído do pátio com a temperatura ambiente perto dos 5 graus.

Pátio 269
Takahashi Em-200

2008.11.07
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

É com grande alegria que vejo chegar aqui ao Pátio um novo brinquedo.
Confiando no que seria de esperar de um produto Takahashi, não me restaram grandes dúvidas em comprar aquela que para mim seria a melhor solução transportável de uma estação de trabalho e lazer que permitirá envolver-me tanto em actividades lúdicas como também para observações mais cientificas.Estas duas noites aqui no Pátio foram dedicadas à adaptação ao novo equipamento, em que detectei as dificuldades e melhorei os procedimentos de montagem.

O modelo da EM200 é o Temma2 (Go-To) com velocidade máxima de 350x a 12V, ou 700x a 24V, montada em cima do recentemente introduzido tripé metálico de altura ajustável para montagens das series EM-2/11/200. Esta montagem é um grande salto na capacidade de carga em relação à Takahashi P2Z , passando para o triplo (18 kg), adicionando ainda a capacidade Go-To e de auto-guiagem.

O tempo de montagem não chega a 10 minutos, e com alinhamento polar decente incluído: abrir o tripé e esticar as pernas, aparafusar a montagem ao tripé, colocar os contrapesos e finalmente o telescópio. O buscador polar não mais que um simples e eficaz calculador circular mecânico, em que apenas é necessário ter horas certas e saber a longitude do local.

EM200
EM200

Para se usar a funcionalidade Go-To é necessária uma qualquer variedade de computador que possa enviar comandos para uma porta RS-232. O comando que é fornecido apenas serve para ajustar os motores manualmente. A Takahashi fornecia há alguns anos um controlador (THC) que tinha as funcionalidades básicas de alinhamento e uma pequena base de dados, podendo ser este alimentado com a mesma fonte de energia da montagem, o que para mim chegava perfeitamente não fosse estar já descontinuado e o seu preço elevado (~600€), com a vantagem que necessitaria de um computador.
Outra alternativa é um palmtop (Windows Mobile ou PalmOS), mas excepto destes serem da categoria industrial, tenho as minhas dúvidas de aguentarem o frio, humidade e de terem suficiente autonomia para sessões muito prolongadas, além de estar limitado apenas para controlo Go-To. Resta então o tradicional computador portátil, que na sua maioria tem uma autonomia muito baixa para o uso pretendido. De há 1 ano para cá surgiram os ultra-portáteis (netbooks) de relativo baixo custo, cujo desenvolvimento que tenho acompanhado até ter chegado à compra do Asus Eee PC 901.

Este pequeno portátil tem características a meu ver interessantes para quem anda no meio do "mato":

O espaço em disco (SSD) neste modelo é 4+8 gigabytes decimais, que depois de desinstalar muitos "inutilitários", ficou com os 2+8 gigas livres, espaço suficiente para instalar o Guide8 completo e o catálogo USNOA, o TTracer (pequeno programa para o Temma da Takahashi), o software da Canon (controlo Remoto e Professional Editor), a plataforma ASCOM e alguns drivers. Sobrou um 1-1.5 gig para imagens da sessão, mas facilmente se pode ligar um disco externo ou até um cartão de memória. A memória é de 1 giga sendo suficiente para o Windows XP Home pré-instalado e para software a ser utilizado. o Wifi já é B/G/N que proporciona uma boa velocidade para transferências mais rápidas com routers rápidos depois de uma noite de "trabalho".

O ecrã (8.9") e teclado são pequenos mas minimamente utilizáveis. É todo em plástico ainda por cima branco, que convém não deixar cair, porque apesar dos discos SSD poderem sobreviver, o resto à volta tenho as minhas dúvidas. No seu conjunto forma um sistema extremamente compacto a pesar pouco mais de 1 quilo e do tamanho de um caderno A5.



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