Abril 2009

Pátio 275
Lua, Mercúrio e Plêiades

2009.04.26
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Esta aparição de Mercúrio que neste dia se encontrava no seu Máximo de Elongação Este (20.6º do Sol) (um pouco confusa a pois é no horizonte Oeste que aparece) foi marcada pela a companhia da Lua e das Plêiades. Os três objectos proporcionaram um bela espectáculo visual e binocular. A Lua com uma fase de quase 4% mostrava com grande clareza as crateras na parte iluminada pela Terra (os restantes 96%) e à medida que escurecia iam surgindo lentamente cada uma das Plêiades, que eventualmente seriam parcialmente ocultadas uma ou duas horas depois. A melhor visão binocular foi através do Fujinon 7x50 que possui um generoso campo de 7.5º que enquadrava perfeitamente o conjunto. Mercúrio embora com fase (36%) não foi possível discerni-la com o 16x70.

Embora anualmente haja várias aparições de Mercúrio, alternando nos horizontes Este e Oeste, apenas aquelas que se dão perto dos equinócios da Primavera e Outono (respectivamente) é que resultam em observar Mercúrio mais alto no horizonte e simultâneamente com o céu mais escuro, daí a facilidade em o observar. A razão de tal acontecer é que a eclíptica (caminho aparente do Sol) nos equinócios se encontra "a pique", ou o Sol aparenta "pôr-se" mais rápido. A eclíptica está "a pique" a Oeste à volta do equinócio da Primavera (que é o caso de hoje) e a Este no equinócio do Outono. Tudo isto também se aplica ao outro planeta interior, Vénus.

Equipamento utilizado: Cano 40D e objectiva de 50mm num tripé fixo.

Lua, Pleiades e Mercúrio
Lua, Pleiades e Mercúrio
detalhe


Fronteira II
100 Horas de Astronomia

2009.04.04
Fronteira, Portalegre

No fim-de-semana de 4 para 5 de Abril fui a Fronteira onde iria decorrer um evento no Observatório de Fronteira no âmbito das 100 Horas de Astronomia.

Estava a decorrer uma Feira medieval que ocupava todo o centro da vila de Fronteira, que provavelmente não ajudou em nada a afluência de público ao Observatório, que teve as portas abertas para visita às instalações, onde se podia ver uma apresentação dos alvos a observar e sua posterior observação directa no instrumento principal (um SCT 14"), ou através dos 5 dobsonianos do observatório e ainda os dois instrumentos particulares.

A atmosfera apesar das nuvens altas, esteve com uma turbulência muito baixa proporcionando uma das melhores vistas da Lua e de Saturno nos últimos anos. Os anéis de Saturno já têm uma ligeira inclinação. permitindo ver a banda de Cassini. No 212mm conseguia-se discernir 6 satélites: Titan, Dione, Thetys, Rhea, Enceladus, e Mimas, este último apenas suspeitado, que no Obsession de 15" era mais que aparente. Saturno é sempre uma vista espectacular, mas a Lua que ja se econtrava numa fase algo avançada é, e será sempre causa de muito assombro por quem nunca observou através de um telescópio, tendo portanto sido estes os principais alvos da noite. Apesar do intenso luar que limitava a visibilidade de objectos mais difusos. como por exemplo galáxias e nebulosas, passamos por alguns objectos mais brilhantes como o enxame globular M3 e a nebulosa planetária "Esquimó". entre outros.

Foi a primeira luz do CN-212 sob um céu relativamente escuro e com baixa turbulência, e sinceramente fiquei agradado com a performance, apesar de não apreciar muito o efeito da aranha do secundário na imagem.

Estiveram lá a ajudar o José Ribeiro, Alberto Fernando, Filipe Alves, e João Gregório, assim como as companheiras Fátima, Rute e Patrícia.

O Obsession 15" do Alberto e o meu CN-212
O Obsession 15" do Alberto e o meu CN-212


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