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Cosmos
Carl Sagan, Gradiva
Carl Sagan. O nome diz quase tudo. Dá para perceber que sou um grande fã de Carl Sagan. Mas longe de ser por isso que considero Cosmos um livro inspirador e fantástico. Será mais ao contrário, ou seja, sou um grande fã de Carl Sagan pelo seu trabalho de Cosmos, tanto na série televisiva como no livro. Mas é do livro que estamos a falar e será sobre o livro que vou escrever.

Que dizer acerca deste livro? Há vários aspectos cativantes que fazem de Cosmos uma obra de referência, e que fizeram com que fosse o livro de ciência em Inglês mais vendido de sempre. Um dos aspectos é a lucidez e simplicidade com que foi escrito, bem ao jeito de Sagan. Sem dúvida de que, para um leigo, este livro é claro e interessante, provocando até que o leitor leigo, vá procurar saber mais coisas, mais pormenorizadamente. Conheço alguns casos de pessoas amigas, colegas de trabalho, etc. em que isso se passou com eles. Mas para um conhecedor, há sempre algo de novo na perspectiva das coisas neste livro.

Comprei este livro, um pouco às cegas. Gostei do nome e comprei-o. Confesso que não fazia a mínima ideia na altura que Carl Sagan era o homem que apresentava a “série do espaço”, como eu lhe chamava no tempo em foi transmitida na TV nacional, pois eu era ainda uma criança. Quando comecei a ler, comecei a aperceber-me de quem era o autor do livro e as peças começaram a encaixar-se.

Através desta obra, embarcámos numa viagem desde o passado até ao futuro, sempre de forma lúcida e abrangente. Sagan começa por explicar a formação do Cosmos e as teorias mais aceites e as ideias que, na altura, começavam a tomar forma e a ser testadas.

É abordada a exploração espacial e principalmente a exploração e descoberta de Marte, com o capítulo de título poético “Blues por um planeta vermelho” a ser, quanto a mim, uma excelente descrição do que se pretendeu conseguir e conseguiu. Descreveu a missão, o background das missões Viking, os pressupostos, como se escolheram os locais de descida, etc. Fala, no seu capítulo “Relatos de Viajantes”, das incursões além da cintura de asteroides das Voyager.

Conta-nos como é Vénus e porque é que Vénus é como é, quais os motivos que o levam a ter condições tão inóspitas e como se chegaram a tais conclusões(1). Fala neste capítulo em cometas, o que são, como funcionam, etc. Meteoritos e meteoros, o perigo real que representam, etc.

Existem capítulos dedicados à história da Astronomia, abordando as diversas crenças e mitos de diversos povos à volta do Mundo acerca do Céu nocturno. Sem dúvida uma mais valia cultural, pois fica-se a saber de aspectos de culturas como os aborígenes australianos, principalmente sobre a forma como viam o céu nocturno.

A evolução estelar não foi esquecida, como nascem e morrem as estrelas, os processos que as levam a ser como são, como funcionam, o seu combustível e como terminam as suas existências. Mas não se pense que em Cosmos, só se fala de temas directamente relacionados com Astronomia e o Espaço. Não, abordam-se outros temas.

A evolução da vida, como surgiu, porque surgiu desta forma e não de outra, o que poderia acontecer se as condições fossem/forem outras. O aparecimento da inteligência e dos diversos tipos de inteligência. Fala em viagens pelo Espaço e pelo Tempo, o porquê de serem muito difíceis, senão impossíveis, de realizar em tempos curtos à escala humana.

No último capítulo deste livro, Carl Sagan mostra-nos o que andamos a fazer a este pequeno ponto azul e o quão perigoso o Homem pode ser para a Natureza, mas como parece não se importar com isso, faz questão de mostrar que é perigoso para consigo próprio também. Fala-nos num possível Inverno Nuclear provocado por uma guerra à escala global, onde se empreguem armas nucleares. Traça ideias para soluções e caminhos a tomar, mesmo que o faça de modo indirecto.

Depois de ler Cosmos, fiquei com a sensação de que o Universo é enorme e que nos pode servir e ser útil. Fiquei com a sensação de que é preciso descobri-lo e explora-lo. Mas também fiquei com a sensação de que é necessário proteger a nossa casa de nós mesmos, não basta perscrutar o Universo em busca de respostas às nossas questões... É preciso também perscrutar as nossas mentes e almas e procurar respostas para proteger e preservar a Terra. Claro, que foi um livro marcante para mim na medida em que me pôs a saber mais e a procurar mais conhecimento, fez mais tarde, o que a série já havia feito mais cedo...Despertou-me para a ciência, para a busca pelo conhecimento, para a Astronomia...

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