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Impossibility - The limits of science and the science of limits
John D. Barrow, Vintage

Um livro com este título, à partida garante logo uma volta à cabeça. Na realidade foi o que me aconteceu. Foi um livro algo dificil de engolir, não pelo tamanho ou pela complexidade do mesmo, mas pelo tema. Os limites do conhecimento humano e até onde os poderemos expandir.

A parte complicada, foi perceber que não costumo questionar-me sobre se a possibilidade do conhecimento humano tem ou não um limite. Se pensas como eu, ou melhor, se não ligas a essa questão como eu também não ligava, este livro vai dar-te água pela barba.

O autor leva-nos pela sua análise do presente estado de coisas e introduz-nos e analisa vários tipos de limites à ciência, que podem ser impostos pela Natureza ou simplesmente impraticabilidades de natureza económica ou logistica. Por exemplo, ele fala-nos nos computadores. Eles são capazes de fazer coisas fabulosas, milhões de vezes mais rápido que o nós, mas quanto mais complicadas são as computações que ordenamos, mais tempo um computador vai necessitar, bem como espaço de armazenamento. Um dos limites apresentados é esse mesmo: um dia, podemos ficar sem ter onde armazenar o conhecimento que adquirimos.

O autor considera mesmo que já existem alguns limites naturais, como o Principio da Incerteza de Heisenberg, que nos fala acerca do mundo quantico e da impossibilidade de ter certezas sobre as medições feitas às particulas, pois não se consegue saber todos os valores ao mesmo tempo.

Num outro capitulo, o livro fala-nos de Gödels e do seu Teorema sobre sistemas completos e incompletos. Fala-nos das impossibilidades e impraticabilidades pos-tas a nu pelo seu teorema, existentes em sistemas logicos como a aritmética. Este, aliás, foi mesmo um dos capítulos que mais no livro...

Mas não é só. Fala-nos nos limites cosmológicos que travam, ou podem travar, o nosso conhecimento para sempre, a partir de um dado nível. O horizonte cosmológico é um destes limites. Não sabemos como é o Universo para lá desse horizonte. Conhecemos o universo observável, mas para lá do horizonte cósmico? Será igual no essencial? Haverá outros, com leis e caracteristicas diferentes? Viveremos nós na realidade numa “bolha universal” contida num imenso e infinito “Multiverso”?

Ainda são abordados temas como certos paradoxos existentes e inerentes nas falhas, ou não, de certos sistemas lógicos, viagens no tempo e as suas contradições e paradoxos, os limites impostos pelo livre arbitrio e a forma como esta caracteristica humana se pode tornar intrincadamente limitadora...

Pessoalmente, gostei deste livro. Não será dos meus preferidos, também porque é mais uma análise do que um livro para ensinar coisas e temas novos ao leitor. Pela minha análise, penso que o autor, John D. Barrow, quis levar os leitores a por a mão no pensamento e esticá-lo aos limites e com isso abrir os olhos aos limites possíveis e escondidos que podem, a qualquer momento nos travar a busca pelo conhecimento.

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