Um pouco mais de azul, a evolução cósmica, são o título e subtítulo de um livro de Hubert Reeves sobre a evolução do Universo desde o Big Bang até aos dias de hoje. Aliás, da forma como está construído diria que o livro é sobre a evolução da vida desde o Big Bang até hoje. Seja como for é um livro que quero ver se o conservo para sempre, já que é um livro que esteve comigo nos piores momentos da minha vida, bem como nalguns dos melhores momentos até agora, bem como um livro deveras interessante...
Quando andava a ler este livro, fazia viagens mais ou menos frequentes Porto - Covilhã e Covilhã - Porto. Numa dessas viagens, há cerca de 2 anos e meio, tive um acidente na A1, já a chegar a casa, onde capotei o meu carro, devido a cansaço e encandeamento motivado pelas obras na estradas, que haviam abolido a vegetação do separador central. Felizmente não me magoei nada de especial tirando uns arranhões e um corte na mão esquerda. Já o livro, esse levou um banho de diesel e, ainda hoje, conserva o cheiro, mas tal como eu, safou-se. Este facto e o conteúdo do livro fazem dele um dos preferidos da minha modesta biblioteca. Mas vamos ao livro. Hubert Reeves, dividiu o livro em secções, cada uma delas destinada a descrever uma parte da evolução cósmica. Secções diferentes, mas interligadas de modo a transmitirem um senso de tempo evolutivo.
Começando por descrever a evolução do Cosmos em grande escala, aborda temas como a expansão e os meios para a provar e demonstrar, sempre de uma forma clara. Fala-nos da hierarquia do Universo, da forma como ele se organizou e se organiza ainda hoje e o porquê dessa organização. Fala-nos do futuro do Cosmos, de como ele pode chegar aos seus possíveis fins e porque razão. Aborda e explica o porquê da noite ser negra.
A segunda secção tem mais a ver com a evolução no âmbito biológico. Por diversas fases, ou etapas se preferirem, o autor mostra-nos os processos que permitirem que ávida despontasse na Terra, da forma que despontou e como a conhecemos. O processo da evolução biológica começa no momento do Big Bang, com a criação dos primeiros núcleos simples de Hidrogénio e Hélio. Com o aparecer das estrelas aparecem também os elementos mais pesados de que somos feitos. Como aparecem os planetas e o papel das poeiras interestelares e dos raios cósmicos neste filme evolutivo não são deixados de lado neste livro. A secção "biológica" acaba com uma previsão do futuro da Terra, condicionado pelo futuro do Sol que acabará por morrer um dia.
A terceira secção do livro fala-nos da física que reina por trás da evolução. As forças da natureza, os bastidores do grande teatro cósmico. Fala-nos do tempo e de todas as questões curiosas ainda por resolver.
Não será este um livro muito actual, já que a data da primeira edição é de 1981, mas no básico e na grande parte das coisas, ainda não se avançou assim tanto para desactualizar o conteúdo deste livro. É um livro escrito para cativar e não para explorar as entranhas da Cosmologia e da evolução cosmológica. Talvez por isso mesmo tenha gostado tanto dele. É, de facto, um dos meus preferidos e como tal, aconselho-o a todos.
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