Normalmente, quando se ouve o nome Edmund Halley, ou simplesmente Halley, a tendência é associar quase imediatamente ao cometa que nos visitou em 1986, já que foi nomeado em honra deste grande cientista do século XVII e XVIII.
Nascido a 8 de Novembro de 1656, em Haggerston, uma localidade perto de Londres, veio a morrer a 14 de Janeiro de 1742 em Greenwich, também perto de Londres, depois de uma vida dedicada à ciência e à descoberta.
O pai de Halley, de seu nome também Edmund, provinha de uma família do condado de Derby (Derbyshire) e era um abastado industrial do sabão em Londres. Mesmo com o grande incêndio de Londres, quando Halley tinha 10 anos, e apesar das perdas que implicou para o seu pai, este teve possibilidade de dar uma boa educação ao seu filho, tendo sido educado em casa por um tutor antes de ser ido para a escola de S. Paulo. Foi nesta escola que Halley começou a desabrochar em talento e o demonstrou na força máxima. Por isso, não será de estranhar que em 1673, à idade de 17 anos, Halley ingressou na Universidade de Oxford, já sendo um astrónomo experiente e com uma colecção de instrumentos, que o seu pai lhe havia comprado, bastante notável. Em 1675 começou a trabalhar com Flamsteed, como seu assistente, e ajudou-o com trabalhos de observação tanto em Oxford como em Greenwich. Flmaesteed, num "paper" publicado em 1675, fazia a seguinte afirmação em relação ao jovem Halley:
Edmund Halley, uma jovem talentoso de Oxford, esteve presente nestas observações e prestou cuidadosa assistência com muitas delas.
De entre as inúmeras observações importantes levadas a cabo por Halley em Oxford, conta-se a ocultação de Marte pela Lua em 1676. Em Novembro desse ano, Halley abandonou os estudos para velejar para Santa Helena, no hemisfério Sul, provavelmente porque Flamsteed estava a iniciar a tarefa de catalogar as estrelas do hemisfério Norte a partir de Greenwich e ele (Halley) terá decidido levar a cabo tarefa idêntica no hemisfério Sul. Obteve os patrocínios necessários para tal empreendimento do seu pai e do próprio rei Carlos II (Charles II), através de uma carta que este dirigiu à Companhia das Índias para levar Halley e um colega para Santa Helena, o território mais a Sul sob domínio da Grã-Bretanha. Ainda houve outras pessoas que contribuíram, como por exemplo o presidente da Royal Society, Brouncker e Jonas Moore, grande influencia na fundação do Royal Observatory. No fim de contas, o clima de Santa Helena revelou ser de fraca qualidade para a prática de observações astronómicas mas, mesmo assim, os 18 meses de estudo lá passados permitiram-lhe catalogar cerca de 341 estrelas dou hemisfério Sul e a descoberta de um enxame estelar no Centauro. Durante a viagem, ele foi capaz de executar ainda algumas tarefas. Melhorou o sextante, reuniu inúmeros dados relativos ao oceano e à atmosfera, observou o retardamento do pêndulo no equador, e a 7 de Novembro de 1677, em Santa helena registou a primeira observação completa de um trânsito de Mercúrio.
Propôs-se a utilizar os trânsitos de Mercúrio, e também os de Vénus, com maior precisão ainda, para determinar a distância entre a Terra e o Sol e, a partir desse dado, determinar a escala do Sistema Solar recorrendo para tal, à terceira lei de Kepler.
Em 1678, regressou a Inglaterra onde publicou o seu catálogo de estrelas "sulistas" e, apesar de não ter acabado a universidade em Oxford, com a reputação de ser um astrónomo proeminente e um dos melhores e esse facto acabou por lhe garantir a graduação em Oxford sem ter de efectuar os exames para tal, a 3 de Dezembro de 1678, por ordem do próprio Carlos II. E nesse ano também foi eleito membro da Royal Society e, apenas com 22 anos, foi um dos mais novos alguma vez admitido na sociedade.
Já no ano seguinte, 1679, a Royal Society enviou-o para Darzig para servir de árbitro numa disputa acesa entre Hooke e Hevelius, na qual Hooke dizia que as observações de Hevelius não poderiam estar correctas, pois não tinham sido obtidas com ajuda de telescópios. Hevelius, com a sua idade de 68 anos é bem capaz de ter torcido o nariz quando soube que um miúdo de 23 anos iria julgar a validade das suas observações...No entanto, afirmou que:
(...)[Halley] era um homem de grande diplomacia natural(...)
E no final de contas, passados 2 meses, as observações de Hevelius foram consideradas correctas por Halley. A fama e do reconhecimento conquistado (e merecido) por Halley, acabou por ter de a pagar de uma forma algo cara... É que o Astrónomo Real, Flamsteed, que o apoio nos seus tempos de estudante, acabou por se virar contra ele e, convenhamos, ter o astrónomo real por inimigo não é coisa que se recomenda a um jovem cientista em ascensão...
Preferindo a liberdade para viajar e efectuar pesquisas, Halley não se interessou em obter um lugar de professor. Em 1680, juntamente com Robert Nelson, seu colega de escola, viajou para pela Europa. Em França, perto de Calais, observou um cometa e viajou para Paris onde, juntamente com Cassini, efectuou mais observações do referido cometa numa tentativa de determinar a sua órbita; depois de passar quase todo o ano de 1681 em Itália, regressou a Inglaterra onde se casou enquanto que, por sua vez, o seu pai havia casado novamente (a sua mãe havia morrido há 10 anos atrás).
Isto acabou por se revelar uma complicação porque, não só o seu casamento lhe trazia responsabilidades financeiras acrescidas, como o casamento do seu pai acabaria por se revelar um completo e tremendo desastre e, como consequência disso mesmo, o suporte financeiro proveniente do seu pai acabou por se esgotar. Para além disto, acabou por se envolver em problemas familiares, financeiros e legais, desde que teve de assumir a gestão dos bens do seu pai após o seu desaparecimento, em Março de 1684, seguido da sua morte revelada 5 semanas depois, quando o corpo foi encontrado.
Antes do desaparecimento do seu pai, Halley havia estado envolvido numa pesquisa importante e excitante. Ele havia mostrado que a terceira lei de Kepler, implicava a lei do quadrado inverso da atracção e apresentou as suas descobertas a 24 de Janeiro de 1684, numa reunião da Royal Society. Depois tentou mostrar, em conjunto com Hooke e Wren, que a lei do inverso do quadrado da atracção implicaria órbitas elípticas dos planetas, mas falharam e não conseguiram apresentar prova alguma. A sua investigação foi interrompida pelos problemas relatados com o seu pai e só mais tarde, voltou a ela tendo ido visitar Newton em Cambridge, tendo descoberto que Newton já havia resolvido essa questão, bem como muitas outras, apesar de aparentemente não estar com vontade de publicar esses resultados. E, como escreveu Chapman:
(...) Halley (...) teve o génio para reconhecer o maior génio matemático de Newton, para insistir com ele na publicação do Principia Mathematica, pagando os custos da sua publicação com fundos do seu próprio bolso, já que a Royal Society estava falida (...)
E Halley foi mesmo determinante para que o Principia, a obra prima de Newton, fosse publicado.
Nessa altura a situação financeira de Halley não era muito boa e, apesar de ter acabado por recuperar o investimento através das vendas do Principia, procurou um lugar académico. Candidatou-se à vaga da existente na cadeira de Astronomia de Oxford e, tendo em conta o seu trabalho desenvolvido até então, seria de esperar que fosse aceita e nomeado para o cargo. No entanto, Flamsteed opôs-se firmemente a tal situação. Como Flamsteed estava pouco satisfeito com Newton por achar que ele havia atribuído pouco crédito às observações do Royal Observatory, na sua teoria da Lua e como Halley estava relacionado de perto com Newton, este facto acabou por ditar que Flamsteed ficasse ainda mais de costas voltadas com Halley. Mas, e apesar disso, o argumento principal de Flamsteed contra Halley consistia em ele achar que Halley havia corrompido a juventude da universidade.
Como Halley não se regia pelo conceito comum à época do Cristianismo, Flamesteed sabia-o e utilizou isso também contra ele. É que na época, era comum acreditar-se que a Bíblia estava cientificamente correcta. No entanto, Halley sempre disse que as suas crenças eram convencionais e, apesar disso, quem acabou por ser nomeado para a cadeira foi David Gregory.
Seja como for, tal facto não impediu Halley de continuar o seu trabalho cientifico. De facto, continuou a desempenhar trabalhos para a Royal Society em diversas áreas, tendo sido o editor do "Philosophical Transactions" de 1685 a 1693. Muitas das suas descobertas forma publicadas nas publicações da sociedade e em 1686, publicou um mapa detalhado do Mundo, mostrando os ventos dominantes sobre os oceanos, que foi considerada a primeira carta meteorológica do Mundo.
A partir de 1695, dedicou-se a um estudo cuidados das órbitas cometárias. Segundo Newton, as órbitas dos cometas eram parabólicas, mas Halley discordava dizendo que eram elípticas. Com base na sua teoria das órbitas dos cometas, calculou que o cometa de 1682 (hoje denominado, em sua honra, cometa de Halley) era periódico e que era o mesmo objecto dos cometas de 1531 e 1607. Mais tarde associou este cometa aos que apareceram em 1305, 1380 e 1456. Em 1705 publicou a sua previsão de que o cometa acabaria por voltar a passar passados 76 anos, afirmando que em Dezembro de 1758, ele faria mais uma aparição. Não forma cálculos fácies de efectuar, já que Halley teve de levar em conta as perturbações provocadas por Júpiter na órbita do cometa. No entanto, apesar de já ter morrido há 15 anos, em 25 de Dezembro de 1758, o cometa regressou mesmo, apenas um pouquinho mais tarde que o previsto por Halley, o que lhe valou a "fama eterna".
Em 1710, usando o catálogo de Ptolomeu, Halley deduziu que as estrelas deveriam possuir movimentos próprios e acabou por detectar estes movimentos em três estrelas. Este facto, foi considerado a sua melhor descoberta no domínio da Astronomia estelar.
Halley esteve varias vezes envolvido nas disputas e polémicas do seu tempo. Esteve do lado de Newton na sua disputa com Leibniz sobre quem havia inventado o cálculo. Apesar de ter feito muito para serenar as disputas, deixou-se levar várias vezes na sua disputa com Flamsteed. Em 1712, juntamente com Newton, tratou de publicar as observações de Flamsteed muito antes de estarem acabadas. Para piorar as coisas, escreveu um prefácio sem o conhecimento de Flamsteed onde o atacava por mandriice, secretismo e falta de espírito publico.
Acabou por suceder a Flamsteed no cargo de Astrónomo Real, posição que aguentou por 21 anos, apesar de já ter 64 quando foi nomeado. Tal facto enervou a viúva Flamsteed de tal forma que a fez vender todos os instrumentos do deu falecido marido, que estavam no Royal Observatory, para que Halley não os pudesse utilizar.
Halley acabou por ser criticado pelo seu trabalho como astrónomo real, na medida em que não seria metódico nos seus registos, as suas observações não eram mais precisas e correctas que as de Flamsteed e que fez varias observações sem valor algum. No entanto, outros tinham opinião contrária e afirmaram que as criticas eram injustas.
Tendo sido reconhecido principalmente nos domínio do seu trabalho na Astronomia, os seus interesses foram vários e estudou arqueologia, geofísica, história da Astronomia, equações polinomiais, etc. Foi parte integrante da comunidade cientifica Inglesa na medida de sua criatividade. Fontes:
http://www.math.wichita.edu/history/men/halley.html
http://www.fortunecity.com/tatooine/servalan/272/ehalley.htm
http://www-gap.dcs.st-and.ac.uk/~history/Mathematicians/Halley.html
http://www.rnoa.rcts.pt/informacao/historia/halley.html
Catalog of the Scientific Community - http://es.rice.edu/ES/humsoc/Galileo/Catalog/Files/halley.html
http://greenwichpast.com/vip/astronomers/halley.htm
http://www.charlestondayschool.org/Powerpoint/Scientists/halley.html
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